quinta-feira, 9 de julho de 2015

Enuff Z´nuff – Covered In Gold (2014):



Por Davi Pascale

Grupo capitaneado pela dupla Donnie Vie e Chip Z´Nuff resolveu celebrar 3 décadas de rock n roll fazendo uma homenagem à seus heróis. Misturando gravações já manjadas entre seus fãs com material inédito, grupo entrega álbum sólido e divertido.

Muitos grupos gostam de realizar suas comemorações com material ao vivo. Alguns resolvem regravar um álbum clássico ou colocar uma coletânea com seus maiores sucessos no mercado. Os garotos de Illinois fizeram diferente. Resolveram comemorar a data interpretando canções de seus ídolos. Alguns já manjados, outros nem tanto.

O grupo surgiu na mídia no meio da efervescência da cena glam metal, mas seu som sempre foi um pouco fora do lugar comum. Ao mesmo tempo em que demonstravam suas influências de Def Leppard (principalmente no primeiro disco) também deixavam claro suas influências sessentistas, especialmente dos 4 rapazes de Liverpool. A comparação com os Beatles acontece desde sempre. Tanto pelo timbre de Donnie Vie (que muitos comparam ao John Lennon), quanto pela construção de algumas músicas. 

Sendo assim, era de se esperar que aparecesse alguma canção do universo dos fab-four por aqui. Por falta de uma, temos três: “Run For Your Life”, uma versão ao vivo para “You´ve Got To Hide Your Love Away”, além de uma releitura para “Jealous Guy”, pertencente à carreira-solo de John. As duas últimas já eram manjadas por aqueles que acompanham o grupo há alguns anos. A surpresa ficou por conta da canção de Rubber Soul.  A linha vocal se manteve bem próxima à original, enquanto o arranjo deu uma acelerada e ganhou um pouco mais de peso. Ficou bem legal!

Grupo comemora 30 anos de estrada com álbum de covers

Entretanto, surpresa mesmo foi uma releitura de “When The Doves Cry”, clássico do Prince. A música que é uma marca dos anos 80 e possui o arranjo original marcado pelo uso excessivo de sintetizadores (uma marca da música pop da época), ganhou um ar bem rock n roll em um arranjo cheio de guitarras. E funcionou muito bem! Def Leppard não foi lembrado aqui, mas o rock dos anos 80 foi celebrado em uma ótima versão de “She Sells Sanctuary” (The Cult) e uma versão não mais do que correta para “Yankee Rose” (David Lee Roth).

“Everything Works If You Let It” do Cheap Trick parece ter sido escrita para os rapazes. Soa como uma canção do grupo. Outras boas surpresas ficam por conta das regravações de “All Apologies” (Nirvana), que se encaixou perfeitamente na voz do rapaz, e “Stone Cold Crazy” (Queen). Comparar ao grupo de Freddie Mercury é sempre uma tarefa complicada, mas ao menos podemos dizer que ficou tão boa quanto – ou talvez melhor que – a versão do Metallica. Fazem parte do disco ainda, “The Stroke” (Billy Squier) e as já conhecidas versões de “Tears Of a Clown” (Smokey Robinson), “Jean Genie” (David Bowie), além de uma versão ao vivo de seu primeiro hit: “The New Thing”.

A maior dificuldade em um projeto desses, além de conseguir dar uma cara própria para não soar como banda baile, acredito que seja criar arranjos e uma sequência onde canções de universos tão distintos faça sentido. E os rapazes conseguiram! O álbum não soa como uma colcha de retalhos. Os caras sabem exatamente o que estão fazendo. E isso faz a diferença em um projeto desses. Trabalho extremamente bem feito e extremamente divertido. Mais do que recomendado!

Nota: 9,0/10,0
Status: Sólido e divertido

Faixas:
      01)   Everything Works If You Let It
      02)   Stone Cold Crazy
      03)   She Sells Sanctuary
      04)   All Apologies
      05)   Believe It Or Not
      06)   The Jean Genie
      07)   Run For Your Life
      08)   When The Doves Cry
      09)   Tears Of a Clown
      10)   The Stroke
      11)   Yankee Rose
      12)   Jealous Guy
      13)   You´ve Got To Hide Your Love Away (Bonus Ao Vivo) 
      14)   New Thing (Bonus Ao Vivo)

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Kiss Vs Momoiro Clover Z – Samurai Son (2015):



Por Davi Pascale

Quarteto mascarado divide opinião dos fãs em novo lançamento. Novo single junta o ícone do hard rock americano Kiss com a nova sensação pop japonesa Momoiro Clover Z. Duas edições chegaram ao mercado.

O Kiss está passando por um ataque de fãs em uma intensidade que não viam, provavelmente, desde 1979 quando lançaram o single “I Was Made For Lovin´ You”. Naquela época, muitos admiradores torceram o nariz para o grupo acusando-os de terem se tornado uma banda disco, o que não era verdade. O guitarrista Paul Stanley explicou o projeto ao L.A. Times: “Nossa colaboração com o MCZ foi um encontro de culturas. Se nossa música é diferente, para mim, isso não importa. Estamos quebrando regras e fazendo o que nos deixa animados."

O produto foi criado especificamente para o mercado japonês e existem duas edições do produto: a versão Kiss X Momoiro Clover Z e a versão Momoiro Clover Z X Kiss. Mas, afinal, o que temos no polêmico single?

A versão do grupo de Nova Iorque é a mais longa. O disco inicia com a versão de Samurain Son, com os vocais interpretados pelo grupo Momoiro Clover Z. A música, composta originalmente por Paul Stanley, ganhou uma versão em japonês e é essa versão que abre o disco. Se a idéia de criarem um dueto juntos já deixou muito fãs furiosos, não preciso nem comentar o ataque de viadagem que muitos estão tendo com a nova versão de “Rock n Roll All Nite”. A nova versão traz o instrumental regravado pelo Kiss e, mais uma vez, as garotas cantando. Dessa vez, em inglês. Versão bem fraquinha.

Parceria tem dividido os fãs

A tão esperada “Samurai Son” vem na sequência, dessa vez com a interpretação do starchild. A versão do Kiss também ganhou uma nova mixagem, deixando as guitarras em maior evidência, diminuindo um pouco os teclados. E, para dizer a verdade, a música é bem legal. Apresenta uma sonoridade mais moderna e fica na sua cabeça após poucas edições. Não me surpreende que no Japão a canção tenha feito um enorme sucesso. O EP se encerra com a versão instrumental das três canções.

Aposto que você deve estar se perguntando, o que tem de diferente na outra edição, certo? Na outra edição, a versão de “Samurai Son” com o Kiss (tanto a cantada, quanto a instrumental) foi deixada de fora. É um single criado para os fãs do grupo japonês. O atrativo desse produto para os colecionadores é a capa, que apresenta uma outra arte, e a inclusão do blu-ray com o videoclipe da canção. Embora seja o áudio da versão do Momoiro Clover Z, o Kiss aparece bastante no clipe e a qualidade de imagem é matadora!

Quem quiser adquirir esse single, consegue comprar facilmente em sites como Ebay e Amazon. É um produto bem legal de se ter, pela exclusividade do item, mas certamente é recomendado somente aos fãs mais fanáticos. Quem não é muito fã e quiser ter a musica com a versão do Kiss, aconselho correr atrás da nova versão japonesa da coletânea Kiss 40, onde ela foi incluída.

Nota: 7,5/10,0
Status: Divertido

Faixas:
      01)  Samurai Son (Japonês)
      02)  Rock n Roll All Nite
      03)  Samurai Son (Ingles)
      04)  Samurai Son (Instrumental Versão Momoiro Clover Z)
      05)  Rock n Roll All Nite (Instrumental) 
      06)  Samurai Son (Instrumental Versão Kiss)

terça-feira, 7 de julho de 2015

Os grandes lançamentos de 1995

Por Rafael Menegueti

Uma matéria do site Alternative Nation, publicada ontem, me chamou a atenção para algo interessante. Tratava do ano de 1995 e de como algumas bandas e artistas tornaram ele um dos mais marcantes na historia da música. Foram inúmeros hits memoráveis e discos importantes lançados em 1995, em vários estilos musicais. E tudo isso completa 20 anos em 2015. Por isso irei agora relembrar alguns dos principais lançamentos de grandes bandas que chegam à casa de duas décadas de lançamento esse ano, bem sucedidos ou em alguns casos nem tanto assim.

Foo Fighters – Foo Fighters: O disco de estreia da banda de Dave Grohl, que viria a se tornar uma das maiores do rock atual, completou 20 anos nesse último dia 4. À época, Dave trabalhou sozinho no disco. Foi a forma que ele escolheu pra seguir em frente após a morte de Kurt Cobain e o fim do Nirvana. Seu maior medo era ficar marcado como a “banda do ex-baterista do Nirvana”, mas o sucesso de seu disco de estreia espantou esse rótulo. E saber que todo esse trabalho, enérgico e inspirado, surgiu apenas de Dave Grohl torna o resultado ainda mais louvável.

A capa do debut do Foo Fighters
Smashing Pumpkins – Mellon Collie and the Infinite Sadness: Depois do grande sucesso que foi “Siamese Dream” (1993), havia grande expectativa para o sucessor do álbum que elevou o Smashing Pumpkins ao status mundial. E Billy Corgan decidiu ser ousado e ambicioso ao produzir um disco duplo, com composições que punham ênfase hora em arranjos de piano ou mais acústicos, hora em peso e agressividade. “Mellon Collie and the Infinite Sadness” foi muito bem sucedido na sua intensão de ser um disco marcante e único, representando ao lado de “Siamese Dream” a fase do auge criativo do grupo.

A bela capa de Mellon Collie, do Smashing Pumpkins
Alice In Chains – Alice In Chains: um ano após a morte de Kurt Cobain, era vísivel que o grunge já não era mais o mesmo. Enquanto varias bandas iam aos poucos sumindo de cena, outros estilos começavam a entrar em evidencia e ganhar popularidade, como o nu metal, por exemplo. O Alice In Chains lançava seu disco homônimo, e começava a tomar o mesmo rumo. Mas talvez exatamente por isso esse disco tenha tomado a importância que tomou. Esse foi o último trabalho de inéditas da banda com Layne Staley. O músico já estava iniciando o seu processo de reclusão, resultado de seu intenso vício em heroína. Staley compôs a maior parte das letras do disco, apenas os singles “Grind”, “Heaven Beside You” e “Over Now” são de autoria de Jerry Cantrell, o que resultou em um trabalho muito mais depressivo e lento, sendo o disco mais sombrio já feito pela banda.

Oasis – (What’s The Story) Morning Glory: Cruzando o oceano atlântico, nas terras britânicas, o britpop ganhava cada vez mais força na sempre fervente cena musical inglesa. De Manchester, o Oasis foi um dos maiores nomes desse movimento. E com seu segundo disco a banda influenciou muita gente que viria depois. Sem falar que nele estão alguns dos maiores hits da banda, incluindo “Wonderwall”, considerado uma das maiores músicas lançadas em toda a década. Vale lembrar a rivalidade com o Blur, que tambem lançou um bom disco, “The Great Escape”, no mesmo ano, e protagonizaram assim a famosa “batalha dos hits”, ao lançarem um single de seus álbuns no mesmo dia, 14 de agosto.

Os integrantes do Silverchair em 1995
Silverchair – Frogstomp: Enquanto o rock alternativo começava a evoluir após a onda grunge, algumas bandas ainda surgiam com influências claras e evidentes no estilo, era o post-grunge. Alem de nomes como Bush, Collective Soul (ambas também lançaram discos em 1995), entre outras, um grupo australiano também se destacaria no movimento. A diferença era que se tratava de uma banda formada por garotos de apenas 15 anos. O Silverchair entrou de cabeça na cena com seu debut, “Frogstomp”, chamando atenção com uma sonoridade pesada e composições instrumentalmente impressionantes para a idade deles. As letras até eram rasas, mas não dá pra se esperar letras profundas e revolucionárias de três adolescentes sem qualquer experiência de vida. Mesmo assim, o resultado sonoro era potente e alçou a banda ao estrelato.

Red Hot Chili Peppers – One Hot Minute: Em 1995, o Red Hot Chili peppers não era mais o mesmo que havia conquistado o mundo com seu ótimo “Blood Sugar Sex Magic”. A banda californiana havia perdido pela primeira vez o guitarrista John Frusciante, e confiou em Dave Navarro, do Jane’s Addiction, o papel de gravar as guitarras de seu novo álbum. Anthony Kiedis havia retomado seu vício em drogas depois de um período sóbrio, e o disco que veio com tudo foi bem mais obscuro e melancólico. O disco não teve muito sucesso comercial, mas é inegável que a banda conseguiu um trabalho bem diferente e audacioso em relação a toda a sua discografia já lançada até então.

Red Hot Chili Peppers em estúdio
Deftones – Adrenaline: O primeiro disco do Deftones é outro importante lançamento de 1995. A banda de metal alternativo de Sacramento começava ali a sua trajetória influente dentro de um estilo novo na música pesada. O grande trunfo do grupo foi a insistência, já que de inicio o álbum não foi tão bem sucedido de cara. Mas conforme a banda ia excursionando e investindo no trabalho, ele foi ganhando popularidade e atraindo fãs que fizeram o sucesso desse trabalho acontecer.

A capa de Adrenaline
Outros lançamentos importantes de 1995:

Radiohead - The Bends: Segundo disco de uma das maiores e mais influentes bandas alternativas britânicas

Blind Melon – Soup: Segundo e último trabalho da banda com o vocalista Shannon Hoon, que morreria pouco tempo depois.

No Doubt – Tragic Kingdom: O terceiro disco da banda popularizou o ska com letras melancólicas inspiradas no fim do relacionamento de Gwen Stefani e do baixista Tony Kanal, e levou a banda ao sucesso mundial.

Ramones – Adios Amigos!: Disco de despedida de uma das maiores bandas punk da história. Só por isso já é histórico.

Mad Season – Above: Álbum do supergrupo grunge formado por Layne Staley e Mark Lanegan (Scraming Trees).

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Notícias do Rock (Pra Não Ficar Por Fora)

Por Davi Pascale


Ritchie Blackmore planeja breve retorno




O guitarrista Ritchie Blackmore, famoso por seu trabalho ao lado do Deep Purple e do Rainbow, planeja um retorno ao rock. O vocalista Joe Lynn Turner havia comentado sobre uma volta do Rainbow, mas não adianta se empolgar. Blackmore garante que tudo que fará será 3 ou 4 shows misturando músicas dos dois grupos e misturando músicos conhecidos e desconhecidos. E deixa claro que o vocalista dificilmente será parte do projeto. Segundo o músico, as apresentações ocorrerão em Junho de 2016 e só terá certeza de quem estará envolvido no próximo mês. Mistério!


Winery Dogs: Novo álbum e nova tour




O supergrupo Winery Dogs lançará um novo álbum em breve. Segundo o baterista Mike Portnoy, o segundo disco de inéditas está quase pronto e se encontra em processo de mixagem. O trio, completo por Richie Kotzen e Billy Sheehan, iniciará uma nova tour em Outubro. A nova gira irá se estender até 2016. Kotzen, que esteve recentemente no Brasil em turnê conjunta com o Extreme, deixa claro que continuará sua carreira-solo em paralelo.


Bruce Dickinson continua tratamento de câncer




O vocalista do Iron Maiden, Bruce Dickinson, enfrenta um câncer desde Fevereiro, tendo passado por um tratamento de 7 semanas de quimioterapia e radiologia. Pelo menos, era isso o que sabíamos. Em recente entrevista à rede BBC, Dickinson explica que foram encontrados, na verdade, dois tumores e que ainda está em tratamento. “Saí desse tratamento tem dois meses. O médico me disse que tudo está indo bem, mas que demorará um ano para que fique realmente bom. Estou atingindo 6 meses agora. Não irei apressar as coisas”. Seus fãs, contudo, não esperarão muito para ouvir novas músicas. No próximo dia 4 de Setembro, o Iron Maiden lança seu novo disco, The Book of Souls, seu primeiro álbum duplo.



Dave Grohl faz show com perna quebrada




Calma, não estamos falando da história do show de Gothenburg, onde ele quebrou sua perna. Estamos falando da apresentação realizada no último sábado, em Washington. Não, eles não retornaram a turnê. O que acontece é que Dave Grohl se negou a cancelar a data em específico, por se tratar de uma data especial. Dia 4 de Julho foi o dia em que o primeiro CD do Foo Fighters chegou às lojas. Ou seja, tratava-se da celebração de 20 anos de banda. Dave se recusou à deixar a data passar em branco e juntou-se ao grupo para uma performance de 2 horas. No set, foram apresentadas algumas músicas de seu disco de estréia que não são apresentadas com freqüência em seus shows como “Alone+Easy Target” e “For All The Cows”. Esse é doidão!!


Paul McCartney comenta sobre divisão de créditos dos Beatles





Em recente entrevista ao Squire, o beatle Paul McCartney, fez algumas declarações polêmicas. Macca explicou a criação da divisão Lennon/McCartney e aparentemente não ficou muito satisfeito com o rumo tomado. O cantor explicou que a decisão ocorreu junto com Brian Epstein e que a idéia inicial era de que se alternasse Lennon/McCartney e McCartney/Lennon nos encartes, para que ambos tivessem o mesmo destaque, o que não ocorreu. Parece que a história ainda aborrece o músico. “É importante quem vem antes. Sabe quando você está mexendo no seu Ipad e nunca tem espaço suficiente? ‘Hey Jude’ foi escrita por John Lennon e... Entra um espaço em branco”. O músico não deixou de comentar também sobre como eles se sentiam quando os jornalistas exaltavam Lennon, principalmente após sua morte. “Comecei a ficar frustrado quando as pessoas diziam ‘Ele era os Beatles’. Eu, George e Ringo, dizíamos “Faça o favor. Até um ano atrás, todos eram tratados da mesma forma...”. Ah, sim, o comentário do músico iniciou uma guerra online. E aí? Vai participar? 

domingo, 5 de julho de 2015

Música comentada: Metallica – One

Por Rafael Menegueti

O Metallica em 1989
O Metallica é uma das bandas mais influentes da historia do metal. E também é responsável por alguns dos maiores hinos do estilo já lançados. Embora a banda já tivesse lançado três álbuns memoráveis, foi com uma faixa do seu quarto disco de estúdio, “...And Justice For All”, que a banda alcançou o sucesso comercial no mainstream pela primeira vez. Trata-se da épica “One”.

Escrita em 1987, a música tem a guerra como tema central. A letra foi inspirada no livro “Johnny Got His Gun”, de 1938, escrito por Dalton Trumbo, que depois virou filme na década de 70. A história relata o horror de um soldado que foi ferido em uma explosão durante a primeira guerra mundial, perdendo os braços, pernas e rosto, o que faz com que ele perca quase todos os sentidos, como visão, audição, fala e olfato. O homem então se torna um prisioneiro de seu próprio corpo, e passa a refletir sobre sua vida e a buscar, de alguma forma, se comunicar com o mundo exterior.

Cartaz do filme
“One” foi a primeira música do Metallica a ganhar um videoclipe, e também foi responsável pelo primeiro Grammy da banda. A primeira versão do clipe trazia trechos do filme lançado em 1971, que foi dirigido pelo próprio autor do livro. Curiosamente, o filme não havia feito muito sucesso até então, mas após o sucesso de “One”, houve uma grande procura pelo filme, que acabou se popularizando e se tornou cult. A banda comprou os direitos do filme, evitando assim longas negociações por direitos autorais.


I can't remember anything
Can't tell if this is true or dream
Deep down inside I feel to scream
This terrible silence stops me

Now that the war is through with me
I'm waking up, I cannot see
That there's not much left to me
Nothing is real, but pain now

Hold my breath as I wish for death
Oh, please, God, wake me

Back in the womb it's much too real
In pumps life that I must feel
But can't look forward to reveal
Look to the time when I'll live

Fed through the tube that sticks in me
Just like a wartime novelty
Tied to machines that make me be
Cut this life off from me

Now the world is gone, I'm just one
Oh, God, help me
Hold my breath as I wish for death
Oh, please, God, help me

Darkness imprisoning me
All that I see, absolute horror
I cannot life, I cannot die
Trappedl in myself
Body my holding cell

Land mine has taken my sighting
Taken my speed, taken my hearing
Taken my arms, taken my legs
Taken my soul, left me with life in hell
Não consigo me lembrar de nada
Não consigo dizer se isto é sonho ou realidade
Dentro de mim sinto vontade de gritar
Este terrível silêncio me impede

Agora que a guerra acabou comigo
Eu acordo e não posso ver
Que não resta muito de mim
Nada é real a não ser a dor agora

Prendo a respiração enquanto desejo morrer
Oh, por favor Deus, me acorde

De volta ao útero é muito real
Para dentro se injeta a vida que tenho de sentir
Mas não posso olhar para frente e imaginar
Ver o tempo que terei de viver

Alimentado por tubos enfiados em mim
Como num romance do tempo da guerra
Ligado a máquinas que me fazem existir
Tirem essa vida de mim

Agora o mundo se foi, eu sou o único
Oh, Deus, me ajude
Prenda minha respiração enquanto desejo morrer
Oh, por favor Deus, me ajude

Trevas me aprisionando
Tudo o que vejo é horror absoluto
Não consigo viver, não consigo morrer
Preso dentro de mim mesmo
O meu corpo é a minha cela

A mina terrestre me arrancou a visão
Levou minha fala, levou minha audição
Levou os meus braços, levou minhas pernas
Levou minha alma, me deixou com um inferno em vida

sábado, 4 de julho de 2015

Retorno e Polêmica



Por Davi Pascale

Comecei a escrever sobre música, justamente por ser fã de música. Por essas e outras, acompanho de perto páginas e grupos de redes sociais dos artistas que admiro. É um modo de saber de algumas noticias em primeira mão, além de conseguir, por vezes, interagir com artistas que admiramos há algum tempo. Também é um modo de notarmos o pensamento que seus fãs têm sobre determinadas atitudes de seus ídolos. E um assunto, em especial, vem sendo bastante discutido nesses grupos. Principalmente, nas páginas do Ira! e do Camisa de Vênus. A famosa troca de lineups e o pouco caso que seus ídolos têm com sua própria história. 

Infelizmente, não temos como exigir que nossos ídolos mantenham seus integrantes para sempre. O que acontece no palco é apenas um lado da moeda. Muitas vezes, já vi músicos comentando que ter banda é como ter uma família, o que não é uma mentira. E tem uma outra questão, ter uma banda é como ter uma empresa. E quem não pensar assim, não vai para frente. Sem exceção! Por isso, todos os grandes artistas têm advogados, assessor de imprensa, empresário, etc. Todos esses profissionais estão ali para que não queimem sua imagem, prejudicando assim o retorno financeiro e, alguns deles, para tratar da questão de grana mesmo. Valores, depósitos, etc

Existem dois fatores que arruínam qualquer relação: dinheiro e mulher. E dentro da música não é diferente. Basta lermos as biografias de nossos ídolos. Sempre que um integrante começa a se destacar, começa a querer crescer em cima dos demais, começa a achar que não precisa mais da banda e se lança em carreira solo. Ou os demais músicos começam a se sentir em segundo plano e inicia o quebra-pau dentro do grupo. Não é raro acabarem falando mais do que deviam e, por vezes, partirem para agressão física em cima de seus companheiros de estrada. Temos aí o início do fim. Outra questão é mulher. Não é raro, o rapaz começar a levar sua esposa nas turnês e a garota começar a interferir nas decisões e podar certas atitudes. Isso quando não resolve pular a cerca com outro músico. Sim, já aconteceu isso na história do rock algumas vezes. Pode acrescentar aí, abuso de álcool e drogas. Muitas vezes, o vício chega a tal ponto que começa a afetar a performance. Daí, entra o famoso quebra-pau. Essas são as principais razões para que um grupo vá pro espaço!

Parte dos fãs não aceita nova tour do Camisa de Vênus

O grande problema, dos dois grupos em questão, é a forma como tudo aconteceu. No caso deles, não foi aquele lance de mudar a formação para se manterem na estrada. Os grupos estavam na geladeira. E suas atitudes são realmente polêmicas. Quem já leu a biografia do Nasi, sabe que o principal problema de relacionamento dentro do grupo era o relacionamento do cantor com o guitarrista Edgard Scandurra (item mulher), além do empresariamento. Também não é segredo, para quem leu o livro, que Nasi não gostava do André Jung enquanto músico, mas sempre será questionável se Edgard deveria ter aceito retomar as atividades nessas circunstâncias. Querendo ou não, o rapaz nunca abandonou o grupo e gravou todos os discos do Ira! Por mais que seja fã do Nasi, acredito também que não deveria ficar falando na mídia que acha André um péssimo músico. É um desrespeito não apenas com o rapaz, mas com seus fãs e com sua própria trajetória. 

No caso do Camisa, teve discussão feia por causa de grana, onde rolou até processo judicial. Os músicos resolveram retomar as atividades sem Marcelo Nova (que não topou a parada) alguns anos atrás e o cantor meteu um processo nos caras, assim que lançaram um disco, alegando que não poderiam utilizar o nome. Independente de ter ou não razão (nome de banda possui registro e sempre tem alguém que é responsável por ele) é nítido que não possuem mais clima para tocarem juntos. Se a banda se reunisse hoje, não passaria de dois shows. Uma vez que só tem ele e o baixista Roberio Santana, e a banda por trás é a banda solo do Marcelo, venderia o show como “Marcelo Nova celebra 35 anos de Camisa de Vênus” e anunciaria o rapaz como uma participação especial. É verdade que as demais reuniões do grupo também não contaram com a volta de todos os músicos, mas não tinha essa inimizade explícita, que é algo que joga contra a história da banda. Deixaria a história como está e deixava as pedras rolarem...

Agora... Não adianta ficar entrando nas páginas dos músicos e ficar escrevendo quem deveria voltar,  ficar xingando os caras. Sempre existe uma razão para aquele alguém não estar ali e também sempre existe uma razão para que tal pessoa tenha sido escolhida para substituí-lo. Já vi diversas situações chatas por conta de não aceitação. Músicos sendo vaiados, sendo tratados com indiferença pelos fãs, galera virando as costas quando o cara vai falar com eles. A pessoa que entrou no lugar não tem nada a ver com o problema de antes. Entendo não gostarem da situação, mas se não concordam com a situação atual, se acreditam ser uma ofensa, a única coisa que você pode fazer é não acompanhar. Não compre o novo disco, não vá aos shows. No meu caso, continuo acompanhando o trabalho do Ira! e do Marcelo, por mais que não concorde com algumas atitudes, mas daí vai de cada um. Por sua conta e risco...

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Santa Cruz - Santa Cruz (2015)

Por Rafael Menegueti

Santa Cruz - Santa Cruz
O Santa Cruz é uma daquelas bandas que você pode esfregar na cara de alguém que diz que o rock não tem mais bandas novas empolgantes. A banda finlandesa foi formada em 2007, tendo lançado já dois EPs, e agora chega ao seu segundo álbum de estúdio. O disco homônimo mostra uma banda firme na sua proposta de fazer hard rock com a cara da cena glam dos anos 80, mas incluindo elementos de uma sonoridade moderna e bem ambientada.

O quarteto preferiu dar um passo além do que havia apresentado no primeiro disco. A prova vem com a faixa que abre o disco. “Bonafide Heroes” é uma pancada, com riffs agressivos e um aspecto bem atual, algo que contrasta com o hard rock clássico apresentado pela banda nos seus trabalhos anteriores. “Velvet Rope” tem a mesma pegada, mas um pouco mais numa levada stoner. O single “My Remedy”, que vem em seguida, é outra boa faixa que mostra peso, melodia e um refrão que pega fácil.

Os finlandeses do Santa Cruz
Com uma pegada mais radiofônica, “6 (66) Feet Under” tem o frescor do rock atual sem parecer bobinha. Ela dá lugar a um momento mais cadenciado e com ênfase em melodia de “Bye Bye Babylon”, que lembra um pouco Bon Jovi. Em seguida, “We Are the Ones to Fall” surge como uma canção bem interessante, e claramente uma das com sonoridade mais moderninha do CD. Já em “Wasted & Wounded” chama a atenção pelo bom desempenho do vocalista Archie.

O disco se aproxima do final quando chegamos a “Let Them Burn”, outra faixa com riff pesado, mas que não se destaca tanto em meio às outras do disco. O mesmo não digo de “Vagabond (Sing With Me), que tem atitude e uma agressividade pertinentes pra elevar o clima antes do encerramento. E é com a faixa “Can You Fell the Rain” que o album chega ao fim, com uma certa dose de melodia da única faixa mais tranquila do álbum, mesmo que não completamente.

O CD como um todo mostra uma banda bem ambientada em sua cena, já que o hard rock é bem forte em países escandinavos atualmente. O Santa Cruz, no entanto, mostra ser uma banda que consegue equilibrar bem suas influências ao fazer um disco com peso e ao mesmo tempo leve, sem parecer forçosamente comercial. Instrumentalmente equilibrado, com solos de guitarra animados e ótimas levadas. É um bom trabalho de uma banda em ascensão, com boas chances de despontar em meio a uma cena simples mas objetiva.


Nota: 8/10
Status: Empolgante

Faixas:
1. Bonafide Heroes
2. Velvet Rope
3. My Remedy
4. 6(66) Feet Under
5. Bye Bye Babylon
6. We Are The Ones To Fall
7. Wasted & Wounded
8. Let Them Burn
9. Vagabonds (Sing With Me)
10. Can You Feel The Rain