quinta-feira, 18 de junho de 2015

Mark Slaughter – Reflections In a Rear View Mirror (2015):



Por Davi Pascale

O vocalista Mark Slaughter lança seu primeiro trabalho solo. Contando com a ajuda de um famoso produtor da cena, a sonoridade hard rock 80´s é mantida. Quem acompanhou seu trabalho com o Slaughter irá curtir.

Já faz um tempo que seus fãs aguardam um novo material do Slaughter. O ultimo álbum dos rapazes foi o (ótimo) Back to Reality, lançado no longínquo ano de 1999. Enquanto os músicos não decidem ir para o estúdio tirar o atraso, seus fãs podem se deleitar com a estréia solo de seu líder Mark Slaughter.

O álbum nasceu em um momento em que os músicos estavam fazendo projetos paralelos. Mark estava participando de um show chamado Scrap Metal, ao lado de outros nomes da cena hair metal, como Vixen e Nelson. Os demais músicos do Slaughter estavam excursionando com o cantor do Motley Crue, Vince Neil. Mark não montou uma nova banda. Gravou o disco praticamente sozinho. O único instrumento que não gravou foi a bateria, que ficou a cargo do músico de estúdio Mark Goodin. De resto – baixo, teclados, guitarras... – tudo feito pelo rapaz. Inicialmente vendido em seu site oficial, o disco chega agora às lojas pelo selo Escape Music.

Mixado pelo produtor Michael Wagener, o disco segue a linha hard melodic que seus fãs tanto gostam. A escolha não poderia ter sido mais acertada. Michael foi produtor de álbuns multi-platinados da cena hard oitentista como Slave To The Grind (Skid Row), Under Lock And Key (Dokken), Too Fast For Love (Motley Crue), Pornograffitti (Extreme) e Pride (White Lion). A sonoridade está bacana. O único senão é o som da bateria, que achei que poderia ter sido mais trabalhado.

A voz de Mark Slaughter sempre chamou a atenção dos amantes do movimento. Desde os tempos em que cantava no Vinnie Vincent Invasion, com quem gravou o álbum All Systems Go. Não sei como está sua voz nos shows atualmente, mas no disco ele se saiu muito bem. Onde mais se destaca é no trabalho de guitarra e no trabalho vocal.

Cantor resgata sonoridade oitentista em seu primeiro trabalho solo

“Away I Go” e “Never Givin´ Up” nos leva de volta aos anos 80 trazendo a sonoridade que invadiu as arenas da época com refrões marcantes e guitarra falando alto. “Baby Wants”, com sua pegada Lynch Mob, e “Velcro Jesus” também estão entre os grandes destaques e farão a alegria dos ouvintes.

Muitos grupos dessa época tiveram baladas de destaque nas programações FM. Com o Slaughter não foi diferente. Quem se recorda do grupo, certamente se lembra do sucesso de “Fly To The Angels”. Portanto, não poderia faltar canções do gênero por aqui. Temos 3 delas aqui: a boa “Don´t Turn Away”, que conta com as participações especiais de Gena Johnson nos vocais e Billy Johnson nos teclados, a fraca “Carry Me Back Home” e a ótima “Deep In Her Heart”.

Parece que o rapaz foi afetado pelos sons dos colegas com quem esteve dividindo o palco recentemente. “The Real Thing” nos remete bastante ao Nelson. Especialmente a linha vocal. “Somewhere Isn´t Here” traz um som um pouco mais alegre do que seus fãs estão acostumados. Os pontos baixos ficam pela já citada balada “Carry Me Back Home”, o rock “Miss Elainious” e pela vinheta “In Circle Flight”. Nada contra o recurso, mas achei que ficou totalmente deslocada. Não tem nada a ver com o resto do disco. Embora conte com uma mixagem um pouco mais moderna, Mark Slaughter não se rende aos modismos e entrega aos fãs aquilo que esperam dele. Disco bem bacana de ouvir!

Nota: 7,5/10,0  
Status: Honesto

Faixas:
      01)   Away I Go
      02)   Never Givin´ Up
      03)   Miss Elainious
      04)   Carry Me Back Home
      05)   The Real Thing
      06)   Baby Wants
      07)   Don´t Turn Away
      08)   Somewhere Isn´t Here
      09)   In Circle Flight
      10)   Velcro Jesus 
      11)   Deep In Her Heart

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Dark Sarah - Behind the Black Veil (2015)

Por Rafael Menegueti

Dark Sarah - Behind the Black Veil
Passou-se um bom tempo desde que ela saiu de cena ao deixar o Amberian Dawn, em 2012. O disco de estreia do Dark Sarah, novo projeto da cantora finlandesa Heidi Parviainen demorou, mas finalmente foi lançado. E nele Heidi continua mostrando sua incrível capacidade lírica. O álbum é conceitual, contando a historia de uma mulher chamada Sarah que é abandonada pelo noivo no altar e sofre uma transformação na sua personalidade após isso.

A proposta de Heidi era criar um disco de metal “cinematográfico”, com orquestrações que ajudassem a criar o clima da historia sendo contada, quase como um musical. E o aspecto sinfônico é um dos principais elementos de seu trabalho. Ainda é possível perceber algumas influências do seu trabalho com o Amberian Dawn, mas ele possui uma identidade própria, mesmo que a proposta não seja tão inovadora assim.

O disco abre com “Save Me”, um dos singles do álbum. A faixa tem forte orquestração e chama mais atenção pelo refrão onde Heidi ecoa o pedido que dá nome à canção com seu vocal soprano bem trabalhado. “Poison Aple” já é um pouco mais empolgante, com as guitarras e bateria colocando mais força na música. A faixa seguinte, “Hide and Seek”, parece trazer de novo o fantasma das comparações inevitáveis com o estilo de Tarja Turunen, uma clara e inegável influência de Heidi desde o começo no Amberian Dawn.

A cantora Heidi Parviainen, que lança seu primeiro disco do projeto solo
Como era de se esperar, o disco tem algumas participações especiais de nomes conhecidos do meio do metal sinfônico e power metal. As duas primeiras aparecem em “Memories Fall” e “Evil Roots”, com Manuela Kraller (ex-Xandria) e Inga Scharf (Van Canto) respectivamente. Na primeira o resultado foi uma faixa forte e carismática, mas com um dueto que parece um pouco ofuscado pela semelhança de técnicas das duas. O mesmo não ocorre na segunda, já que Inga tem um estilo mais voltado ao power metal e não ao lírico, e talvez por isso ela possua um pouco mais de peso.

O disco chega então a “Violent Roses”, uma canção com ar de musiquinha de desenho da Disney, mas com uma letra sobre vingança que inviabilizaria tal uso. No começo achei que seria o ponto fraco do disco, mas a canção melhora significativamente a partir do primeiro refrão. “Hunting the Dreamer” por sua vez é mais direta e próxima das influências sinfônicas pretendidas. Ela é outro destaque do disco, assim como a faixa seguinte “Huntress”, que também reforça o peso do metal no álbum. Ambas lembram um pouco o Nightwish na fase “Wishmaster”. O peso anda persiste em “Silver Tree”, mais acelerada e com destaque pro arranjo de teclados. “Sun, Moon and Stars” é uma das mais belas e variadas faixas do disco, com um refrão pegajoso e instrumentação e orquestração na medida certa.

A terceira e última participação especial fica por conta de Tony Kakko (Sonata Arctica), que faz dueto com Heidi em “Light In You”, outra faixa bem teatral trazendo um forte apelo emocional ao final do disco, que se encerra com “Sarah’s Theme”, tema tocado ao piano com Heidi acompanhando com sua voz. Como faixas bônus ainda temos a versão orquestral de “Memories Fall” e uma faixa com tema natalino meio sombrio. Mas o que realmente vale a pena nesse disco são as boas composições, que mesmo sendo de um estilo já muito explorado, conseguem ter vida própria e são bem variadas em um álbum de metal sinfônico/gótico que promete agradar os fãs do gênero.


Nota: 8/10
Status: belo e carismático

Faixas:
1. Save Me
2. Poison Apple
3. Hide And Seek
4. Memories Fall (Feat. Manuela Kraller)
5. Evil Roots (Feat. Inga Scharf)
6. Violent Roses
7. Hunting The Dreamer
8. Fortress
9. Silver Tree
10. Sun, Moon And Stars
11. Light In You (Feat. Tony Kakko)
12. Sarah's Theme
13. Memories Fall (Orchestral version) (Bonus)
14. A Grim Christmas Story (Bonus)

terça-feira, 16 de junho de 2015

The Darkness – Last Of Our Kind (2015):





Por Davi Pascale

The Darkness chega ao seu quarto disco em ótima forma. Last Of Our Kind traz todos os velhos elementos que seus fãs procuram. Contando com a participação de Emily Dolan Davies na bateria, os músicos parecem não deixar se abater pelos problemas internos.

Todo esse drama que o grupo vem vivendo é típico no rock n roll. Os caras lançaram um ótimo álbum de estréia, criaram um puta estardalhaço, lançaram um segundo disco bacana e se separaram. Retornaram, baterista saiu, baterista entrou, baterista saiu de novo, cantor abusando de drogas e bebida. Nada disso é novidade dentro desse universo, infelizmente! E o auê continua. A recém-chegada Emily não está mais no grupo. Quem está nas baquetas agora é Rufus Taylor, filho de Roger Taylor (Queen). 

Musicalmente, embora tenha algumas novas características, a sonoridade típica dos caras foi mantida. O que temos aqui não é um grupo buscando uma nova identidade. E sim, dando um passo adiante. Várias pessoas torcem o nariz para o grupo por conta de uma postura mais escrachada, principalmente nos clipes. Na verdade, os caras são o que um bom grupo de rock deveria ser. Barulhento, direto e despretensioso. E essas características continuam intactas.

Os caras entregaram um álbum de hard rock, no melhor sentido da expressão. “Open Fire” nos remete à The Cult. Sério mesmo! Repare no trabalho de guitarra e tente não se lembrar de “She Sells Sanctuary” ou “Rain”. Aliás, o trabalho de guitarra é um grande destaque do disco. “Mudslide” traz aqueles riffs de guitarra meio funkeados que Joe Perry tanto adora, enquanto “Hammer & Tongues” traz um riff meio blueseiro à la Stones.

Nova baterista já está fora do grupo

 A bateria continua direta, reta, com fortes influências de AC/DC. Justin Hawkins continua explorando seus famosos falsetes. Amados por uns, odiados por outros. “Roaring Waters” e  “Mighty Wings” apostam na sonoridade rock de arena. “Last Of Our Kind” é aquela faixa com ar de hit. Talvez sua nova “I Believe In a Thing Called Love”? O único senão ficou com o encerramento com a balada “Conqueror”. Honestamente, teria encerrado o álbum com uma música mais para cima, deixando os ouvintes tão empolgados quanto nos acordes iniciais do disco. Sim, o novo single “Barbarian” é pesado e empolgante. As influências de Queen continuam intactas, perceptíveis em diversas vocalizações.

O disco foi produzido por Dan Hawkins, guitarrista e irmão do cantor Justin Hawkins e, o rapaz, não decepcionou. Last Of Our Kind tem de tudo para deixar o fã do Darkness mais do que feliz. Provavelmente, seu melhor trabalho desde Permission to Land

Nota: 9,0 / 10,0
Status: Inspirado

Faixas:
      01)   Barbarian
      02)   Open Fire
      03)   Last Of Our Kind
      04)   Roaring Waters
      05)   Wheels Of The Machine
      06)   Mighty Wings 
      07)   Mudslide 
      08)   Sarah o Sarah
      09)   Hammer & Tongs 
      10)   Conquerors

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Notícias do Rock (pra não ficar por fora)

Por Rafael Menegueti

Aquiles Priester deixa o Primal Fear

Aquiles não é mais integrante da banda alemã
Não durou nem um ano a participação do baterista brasileiro Aquiles Priester na banda de power metal alemã Primal Fear. O grupo anunciou no último sábado (13) a saída de Priester, ex-Angra e atualmente também no Hangar, em nota divulgada na página da banda. Segundo a nota, o motivo teria sido a distancia e incompatibilidade de agendas. O baterista do U.D.O., Francesco Jovino, será o substituto.

Dave Grohl sofre acidente durante show na Suécia

Dave mostrando que o show não pode parar
Dave Grohl deu mais uma prova de que é um artista duro na queda (perdão pelo trocadilho). O líder do Foo Fighters caiu do palco em um show na Suécia na última sexta (12). Na queda o músico acabou fraturando a perna direita. Surpreendentemente, Dave continuou no show, voltando ao palco e tocando sentado, enquanto um paramédico cuidava de sua perna engessada. Por conta do incidente, no entanto, a banda precisou cancelar algumas apresentações que ocorreriam em seguida.

Smashing Pumpkins anuncia novos integrantes

Katie e Robin seguiram a turnê com Billy Corgan e Jeff Schroeder
Billy Corgan modificou mais uma vez a formação do Smashing Pumpins. Agora, ele anunciou os novos membros na bateria e baixo, substituindo Brad Wilk (Rage Against the Machine) e Mark Stoemer (The Killers), que acompanhavam a banda temporariamente. A baixista Katie Cole e o baterista Robin Diaz são seus novos companheiros para seguir com a turnê de “Monuments of An Elegy”. Katie já vinha abrindo shows do Pumpkins em performances solo acústicas durante essa turnê, marca a volta de uma mulher ao posto de baixista na banda, uma das características comuns do grupo. Já Robin tem no currículo gravações com diversos nomes do pop e rock, entre eles Chris Cornell, Courtney Love, Kelly Clarkson e Avril Lavigne.

Novo álbum do Krisiun em agosto

Uma das maiores bandas de metal brasileiras, o Krisiun está prestes a lançar seu novo álbum. O nome do disco é “Forged In Fury”, e ele será o décimo da carreira da banda de death metal, que não lançava um álbum de inéditas desde 2011. A data de lançamento será dia 07 de agosto. Confira a capa do disco abaixo.


Morre Christopher Lee, ator e músico inglês, aos 93 anos

Christopher Lee
Muito conhecido pelos seus papeis em inúmeras obras cinematográficas como Senhor dos Anéis, Dracula e Star wars, Christopher Lee também era conhecido pelo amor pelo heavy metal. O ator tinha um projeto próprio de metal que lançou alguns discos, o mais recente sendo o EP Metal Knight, lançado no ano passado. Ele também participou  em algumas musicas do Rhapsody of Fire e gravou a narração de uma faixa do Manowar, em 2010. O ator e músico morreu no dia 07 de junho, por conta de insuficiência cardíaca e respiratória.

domingo, 14 de junho de 2015

Extreme e Richie Kotzen – HSBC Brasil (13/06/2015):



Por Davi Pascale
Fotos: Twitter Richie Kotzen
            Extreme Facebook Page

Extreme retorna ao país depois de mais de 20 anos sem dar as caras por aqui. Quem compareceu ao HSBC ontem, teve a oportunidade de presenciar uma noite especial. Com uma apresentação de 2 horas e meia de duração, os músicos esbanjaram simpatia e fizeram uma apresentação enérgica e nostálgica.

O evento iniciou às 20:30h com o guitarrista norte-americano Richie Kotzen. Dono de uma longa trajetória, o rapaz já é figurinha carimbada em nosso país. Assim como o guitarrista da banda principal, o músico se destacou cedo. Embora nunca tenha tido um enorme destaque na grande mídia (o mais perto que chegou disso foi quando substituiu C.C. DeVille no Poison quando o grupo ainda contava com um grande prestígio), o rapaz é bem conhecido entre os fãs de música, especialmente dos virtuoses.

Fez sua apresentação típica. Acompanhado apenas de um baixista e de um baterista, Kotzen roubou a cena com um show repleto de feeling e técnica. Com o setlist focado em sua (ótima) carreira solo, demonstrou, mais uma vez, que além de ser um grande guitarrista e ótimo performer, é também um ótimo cantor. Seu show durou pouco – apenas 1 hora – mas chamou a atenção daqueles que já haviam chegado ao local. O músico saiu bastante aplaudido do palco. No set, não faltaram canções como “Go Faster”, “Remember” e “Doin´ What The Devil Says To Do”.

Richie Kotzen foi bem recebido pela platéia

Com apenas 10 minutos de atraso, o grupo de Boston subiu ao palco com a música que abre seu mais famoso álbum, Pornograffitti, “Decadence Dance”. O Extreme esteve em nosso país em 1992, no extinto Hollywood Rock, justamente no final da tour desse álbum. Hoje, os músicos vivem uma realidade bem diferente. Na época, estavam no auge do sucesso com músicas nas rádios, clipes na MTV e capas de revistas. Mesmo não desfrutando mais de toda a atenção da mídia que tiveram em outras épocas, os rapazes tocaram para casa cheia.

Comemorando 25 anos do álbum em questão, a primeira parte da apresentação foi voltada ao disco. Já tem um tempo que alguns músicos têm optado por executar um disco na integra no palco. E foi exatamente isso que eles fizeram. Os músicos tocaram todas as canções do LP, na ordem original. Músicas como “Get The Funk Out”, “Pornograffitti” e “Li´l Jack Horny” animaram os presentes. Os hits “More Than Words” e “Hole Hearted” foram cantadas uníssono pela platéia.

Os músicos demonstraram estar em plena forma. Nuno Bettencourt demonstrou o porquê de toda a babação de ovo em cima dele. Pat Badger chama a atenção não apenas por seu baixo preciso, mas por seus ótimos backings. Kevin Figueiredo, junto com os rapazes desde 2008, provou ter sido a escolha correta para o grupo. Gary Cherone também fez bonito. Atualmente com 53 anos de idade, demonstrou estar com enorme disposição correndo de um lado pro outro e fazendo todas suas acrobacias. Embora seja questionado enquanto vocalista, o rapaz se saiu bem na parte vocal também. Não estava distante do que apresenta nos discos, não. Nascido em Portugal, Nuno arriscou algumas palavras em português com o público, visivelmente feliz.

Músicos compensaram a espera

Depois de uma pequena pausa, os rapazes retornaram para relembrar canções de seus outros álbuns. Não faltaram clássicos como “Rest In Peace”, “Kid Ego” e “Play With Me”. A banda demonstrou estar extremamente entrosada, driblando ,inclusive, alguns problemas técnicos. Durante o show, os músicos elogiaram a platéia diversas vezes e se desculparam por terem demorado tanto para retornar ao país. A noite se encerrou ao som de “Cupid´s Dead” (III Sides To Every Story). Certamente, os músicos fizeram a esperar valer. Os músicos seguem agora para o Rio de Janeiro e encerram sua turnê brasileira em Porto Alegre. Quem tiver a oportunidade, confira, vale a pena! 

sábado, 13 de junho de 2015

Devilment - The Great and Secret Show (2014)

Por Rafael Menegueti

Devilment - The Great and Secret Show
Dani Filth é um cara que divide opiniões no meio do metal extremo. Se por um lado ele consegue ser um dos principais frontmans do gênero a frente do seu consagrado Cradle of Filth, por outro ele ainda sofre com os olhares desconfiados daqueles que não entendem muito bem o seu trabalho. No fim do ano passado ele colocou no mercado mais um material para causar as mais diversas reações no público: o primeiro disco do Devilment.

A banda não foi fundada por ele, no entanto. O grupo inglês surgiu em 2011, mas não conseguia encaixar um vocalista de jeito nenhum. Só conseguiram quando Dani Filth apareceu na jogada. E por esse mesmo motivo, quem espera um disco na pegada do Cradle of Filth vai se surpreender com um trabalho que mistura elementos de diferentes vertentes em uma atmosfera sombria e muito pesada. O disco até tem suas semelhanças com a banda mais famosa comandada por Dani, mas elas estão bem misturadas no meio da sonoridade completa criada pelo grupo. A atmosfera criada pelo forte uso de teclado e orquestração dão lugar a mais força nas guitarras e bateria. O que segue o mesmo é o vocal furioso de Dani Filth, acompanhado aqui pelos vocais de apoio da tecladista Lauren Francis.

As canções tem um aspecto bem mais direto. Riffs pesados, às vezes grooveados ou pendendo pro thrash. A agressividade do disco é o que se sobressai acima de tudo, mesmo que na introdução de “Summer Arteries” tenhamos a sensação de que iremos ouvir algo mais tranquilo. Logo ela muda com a entrada do grito característico de Dani Filth que acompanha um trecho mais eletrônico antes de realmente explodir no seu ouvido. Assim como “Even Your Blood Group Rejects Me”, faixa que vem em seguida, ela pode deixar você um pouco confuso com o rumo que o disco irá tomar. Ambas até são interessantes, mas difíceis de engolir de cara.

Dani Filth e os outro membros do Devilment
O que o começo do disco tinha do confuso, o resto tem de decidido. “Girl from Mystery Island” surge com um riff marcante e bom andamento, como também ocorre em “Sanity Hits A (Perfect) Zero”. É possível ver um pouco da influencia do trabalho de Dani Filth em faixas como “The Stake In My Heart” e “Living In My Fungus, embora bem mais lapidado e com uma cara mais moderna em relação ao Cradle. Uma das mais extremas do disco é “Mother Kali”, acelerada e assustadora. Com um aspecto sinfônico sombrio, “Staring At Werewolf Corps” é outra faixa que se destaca. “Laudanum Skull” é outra que lembra Cradle of FIlth, mas com bem mais cadência. A faixa-título é outra potente amostra de riff e cadencia trazidas do groove metal. A versão deluxe ainda conta com uma cover improvável e até bem executada de “Beds Are Burning” do Midnight Oil, com participação do skatista, músico e jackass Bam Margera.

Em resumo, trata-se de um trabalho com algumas assinuturas características de Dani Filth, principalmente no que diz respeito à agressividade e aos seus vocais insanos, mas bem mais moderno e com referencias diversificadas, como nos riffs potentes e explosivos e nos vocais femininos bem inseridos em alguns trechos. O entrosamento dos músicos também é louvável, e é perfeito para criar esse cenário puramente heavy metal e extremo. Promete agradar aos fãs do trabalho de Dani e a qualquer um que curta guitarras pesadas e um metal atual e bem lapidado (isso se você é daqueles que não se importam com os berros de Dani Filth, claro).


Nota:8/10
Status: Furioso e atual

Faixas:
01. Summer Arteries
02. Even Your Blood Group Rejects Me
03. Girl From Mystery Island
04. The Stake In My Heart
05. Living With The Fungus
06. Mother Kali
07. Staring At The Werewolf Corps
08. Sanity Hits A (Perfect) Zero
09. Laudanum Skull
10. The Great and Secret Show
11. Beds Are Burning (feat. Bam Margera) (Deluxe Bonus Track)
12. Psycho Babble (Deluxe Bonus Track)
13. Even Your Blood Group Rejects Me (Motion Picture Soundtrack)

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Mumford & Sons - Wilder Mind (2015)

Por Rafael Menegueti

Mumford & Sons - Wilder Mind
A cena indie britânica é sem sombra de dúvidas um berço de grandes nomes do rock. Uma das bandas que vem se destacando nessa sempre produtiva e criativa cena é o Mumford & Sons. A banda lança seu terceiro álbum e começa a caminhar em uma direção antes nunca explorada. Se o elogiadíssimo “Babel” (2012) era a perfeita mescla de folk e indie, com ênfase nos instrumentos de corda como o banjo e o violão, além de uma percussão leve, em “Wilder Mind” a banda opta por uma proximidade maior com o indie rock tradicional de hoje em dia. E essa transformação veio depois de um curto período de hiato, que deve ter sido fundamental para que a banda parecesse mais empenhada em reconstruir sua sonoridade no seu retorno. Além da escolha do produtor James Ford, já habituado a esse meio.

A concepção de “Wilder Mind” foi um processo lento. Desde quando a banda confirmou estar trabalhando em material novo, em julho de 2014, foram meses de gravação e produção para que o que fosse lançado surpreendesse positivamente seus fãs. O fato é que todos nós sabemos como algumas pessoas são com grandes mudanças. E claro que muitos ainda não engoliram muito bem a banda abandonar o estilo “new folk” e os instrumentos acústicos pelos elétricos. Mas a meu ver, a mudança foi positiva e traz um ar novo e confiante a música do grupo, que poderia ficar repetitivo se continuasse investindo na mesma fórmula.

A cara nova do grupo é mostrada logo nos primeiros segundos de “Tompkins Square Garden”, com a guitarra distorcida tocada por Winston Marshall, que abandona o banjo nesse trabalho. A faixa, que abre o disco, é bem estruturada, com boa presença da bateria. A banda segue tendo um bom equilíbrio nas vozes do vocalista principal, Marcus Mumford, que também trocou seu violão pela guitarra elétrica, junto aos outros membros nos vocais de apoio. “Believe” é outro single e a segunda do disco. Uma balada elegante que cresce até o final em bom ritmo. Ela desemboca na mais agitada “The Wolf”, com forte presença do baixo de Ted Dwane e das guitarras. Depois da faixa-título, que destaca o teclado de Ben Lovett e a levada de bateria, vem “Just Smoke”, faixa que tem uma sonoridade mais próxima do folk, mas ainda assim bem distante do que eles mostravam antes.

Os membros do Mumford & Sons
Apesar do nome, “Monster” é uma faixa bem suave e constante. O dedilhado na guitarra e a voz mais intimista de Marcus são os pontos fortes de “Snake Eyes”, que ganha força e peso no final. “Broad-Shoulderead Beasts” é uma das composições mais fortes do disco, sendo um dos melhores picos criativos do trabalho. Já em “Cold Arms”, o intimismo da relação entre o belo timbre de voz de Marcus e a guitarra são o destaque da canção mais folk do disco. Em “Ditmas” temos um estilo mais radiofônico e pop, lembrando um pouco Coldplay na fase boa. “Only Love” é cantada e carregada pelo teclado até a metade, então estoura e finalmente mostra a que veio. O disco encerra dando uma assentada com “Hot gates”, mais calma e com ritmo definido pelo sintetizador e teclado.

Na busca por mostrar uma nova sonoridade, o Mumford & Sons conseguiu fazer um disco de indie rock que foge completamente da mesmice (às vezes chata e insossa) que tem saturado o gênero nos últimos anos. O disco é coeso, direto, bem estruturado. Não é enjoativo porque a banda soube usar suas influências antigas e fazer um som novo e despretensioso (outro defeito comum em muitas bandas indie atuais). E os integrantes mostram grande musicalidade no seu modo de compor e tocar. Resta saber agora para quais direções a banda seguirá daqui por diante. O primeiro passo em direção ao rock alternativo mais tradicional e comercial foi bem executado.


Nota: 9/10
Status: Empolgante

Faixas:
01. "Tompkins Square Park"
02. "Believe"
03. "The Wolf"
04. "Wilder Mind"
05. "Just Smoke"
06. "Monster"
07. "Snake Eyes"
08. "Broad-Shouldered Beasts"
09. "Cold Arms"
10. "Ditmas"
11. "Only Love"
12. "Hot Gates"