sábado, 6 de junho de 2015

Crossroads (1986):



Por Davi Pascale

Estou de volta com mais uma dica cinematográfica para vocês. Assim como existem álbuns que são aquisições obrigatórias para os amantes da música, existem também alguns filmes que todo mundo que curte som tem a obrigação de assistir, ao menos, uma vez na vida. Esse é um deles.

Lançado no Brasil com o nome de A Encruzilhada, o filme narra a história de Eugene Martone (Ralph Macchio), um jovem prodígio que sonha em se tornar um astro do blues. Eugene é um aluno de violão clássico na cultuada Juilliard School (sim, esse conservatório existe de verdade) e é um admirador do bluesman Robert Johnson. Obcecado pela ideia de existir uma música perdida de seu ídolo, resolve ir atrás de Willie Brown, mais conhecido como Blind Dog Fulton, companheiro de banda de Johnson.

Willie Brown existiu de verdade, mas não no modo como é retratado na película. Aqui, é retratado como um gaitista que acompanhava Robert Johnson. Na realidade, ele foi um guitarrista que foi uma das influências de Robert Johnson.

Depois de libertá-lo de uma casa de repouso, os dois embarcam para Mississipi com apenas 40 dólares no bolso. Brown convence o garoto a vender seu violão e adquirir uma guitarra e um amplificador. Não, sem antes fazer uma provocaçãozinha: “aposto que você viu o violão e achou legal porque era velho. Você não entendeu nada. Muddy Watters inventou a eletricidade”. Embora seja um músico respeitado, as dificuldades da vida tornaram o astro em uma pessoa ranzinza. Eugene engole poucos e boas, por conta do respeito que tem pelo músico.

Filme conta com aparição de Steve Vai

Juntos, começam a se apresentar nos bares. Nos Estados Unidos, existem certos locais, até mesmo bairros, exclusivamente de negros, onde o branco não é bem-vindo. Chega a ser hilário quando o garoto branquelo e sonhador entra em um desses bares para acompanhar Willie Brown e todos começam a olhar torto para o garoto. Suas aventuras na noite faz com que o menino se apaixone por uma garota que conhece por acaso. Frances estava sendo assediada pelo dono de um bar e o garoto resolve defende-la. Por conta de uma ação inusitada de Brown, a menina junta-se à eles por um pequeno período.

Quem conhece a história do bluesman Robert Johnson, conhece a lenda de que o rapaz vendeu sua alma para o diabo em uma encruzilhada. O assunto gira em torno do longa. No filme, Willie Brown encontra o assistente do diabo e começa a discutir a validade de tal acordo. Escuta do assistente que não importa se não está satisfeito com o rumo que sua vida tomou. Acordo é acordo. De todo modo, faz uma oferta ao velho músico. Se topar fazer um duelo com o guitarrista Jack Blades e vencer, sua alma é devolvida. Eugene, que estava disposto a fazer o tal acordo para atingir a fama, lembra que Willie não é guitarrista. Então uma nova oferta é realizada: o garoto teria que derrotar o endiabrado musico. Se ganhasse, seu amigo estaria livre. Se perdesse, teria que vender sua alma junto com Blind Dog. (Entenderam agora por que transformaram um guitarrista em gaitista?)

O ápice do filme é justamente o duelo entre Jack Blades, musico virtuose que não está acostumado a perder para ninguém, e Eugene Martone, um jovem guitarrista que sonha com uma oportunidade de atingir o estrelato. Jack é interpretado por ninguém mais, ninguém menos do que Steve Vai, o que deixa a cena ainda mais interessante de se assistir. Crossroads foi lançado no Brasil em DVD e não é muito difícil de ser encontrado por aí. Corra atrás.

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Alestorm – Sunset on the Golden Age (2014)

Por Rafael Menegueti

Alestorm - Sunset on the Golden Age
Talvez uma das tendências que tem ganhado mais popularidade no meio da cena power metal seja a de bandas que buscam referências em temas variados e influências folk e tradicionais. Da Escócia, uma das bandas que mais tem inovado em uma cena que vem se renovando cada vez mais é o Alestorm, que se define como “pirate metal”. Isso mesmo, metal inspirado em piratas, com temática voltada para bebedeira e aventuras marítimas clandestinas.

Ano passado a banda lançou seu quarto álbum de estúdio, “Sunset on the Golden Age”, onde eles destilam sua mistura rítmica em grande estilo. O caminho por onde eles levam a sua música é simples e objetivo: a diversão. Com letras com esses temas, uma sonoridade épica e animada, feita com grandes hinos de metal, o disco é a perfeita definição do estilo que eles criam. A banda liderada pelo vocalista e tecladista Christopher Bowes entrega aqui o que pode ser o seu melhor trabalho.

O disco abre com o soar de trombetas de “Walk the Plank”, uma faixa que já dá a dica do clima que vem por aí. Em “Drink” temos a primeira exaltação a cerveja, num animado canto que parece ter vindo de uma taverna repleta de piratas bêbados (de onde mais?). “Magnetic North” segue com animação, mas é um pouco mais agressiva, com um tema de teclado épico. Uma introdução feita com sintetizadores que parece até uma trilha de videogame antiga é a primeira coisa que chama a atenção na épica “1741 (The Battle of Cartagena)”, faixa constante que se destaca no disco.

Os membros do Alestorm
O disco segue com a intensidade e o riff potente de “Mead from Hell”, enquanto “Surf Squid Warfare” tem levada acelerada e muito peso. Mas a aceleração chega a outros níveis com “Wooden Leg!” que chega tem uma pegada meio punk até. “Hangover” é outra que se destaca pelos cantos animados e apelativos e varia bem de levada e intensidade. O disco encerra com uma boa dose de epicidade ao longo dos mais de onze minutos de “Sunset on the Golden Age”.

No geral, a banda segue uma fórmula poderosa ao usar riffs bem pesados e aliar as guitarras de Dani Evans com arranjos de teclado para criar esse clima folk/power de seu trabalho. O uso de dois teclados (além de Christopher a banda também tem Elliot Vernon na função) dá um aspecto ainda mais animado e atmosférico nas canções. O baixo de Garreth Murdock e o peso da bateria de Peter Alcorn dão força e realçam o clima de diversão que a banda propõe. Heavy metal feito pra curtir, beber e pular, de uma banda que, com humor, usa uma temática curiosa para fazer um som de altíssima qualidade.


Nota: 9/10
Status: Divertido e épico

Faixas:
01. Walk The Plank
02. Drink
03. Magnetic North
04. 1741 (The Battle Of Cartagena)
05. Mead From Hell
06. Surf Squid Warfare
07. Quest For Ships
08. Wooden Leg!
09. Hangover
10. Sunset On The Golden Age

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Nelson – Peace Out (2015):



Por Davi Pascale

Duo que estourou nas paradas, no início dos anos 90, com “Only Time Will Tell” segue na ativa e lança seu oitavo álbum de inéditas. Peace Out traz sua velha sonoridade de volta e deve agradar aos fãs.

Quem viveu a febre do hair metal deve se lembrar dos caras. Matthew e Gunnar Nelson lideraram as paradas de sucessos com a balada “Only Time Will Tell” lá por 90, 91. Na época, o Gugu até trouxe os caras para o Brasil. Entretanto, vieram apenas para divulgação. Não fizeram shows por aqui. Parecia que iriam arrebentar a boca do balão, mas ficou nisso mesmo. Infelizmente, Matthew e Gunnar Nelson nunca mais conseguiram repetir o sucesso de outrora.

Os rapazes não se acomodaram e fundaram seu próprio selo (Stone Canyon Records) em 1996. Logo, começaram a gravar o que estivessem com vontade. Gravaram country (Brothers Harmony), fizeram um álbum mais pesado (Imaginator), fizeram uma homenagem ao seu pai (Like Father, Like Sons). Em 2010, firmaram um contrato com o selo italiano Frontiers e agora lançam o segundo trabalho de inéditas pelo selo.

Peace Out aposta na sonoridade clássica dos garotos. Todas as velhas características do cultuado After The Rain estão aqui. Os refrões grudentos, os vocais harmônicos. Embora sejam ótimos músicos e excelentes cantores, os irmãos nunca tiveram a pretensão de serem exibicionistas. Sempre colocaram a melodia acima da técnica. E no novo trabalho isso não é diferente.

Novo álbum resgata sonoridade clássica

“Back In The Day”, “What´s Not To Love” e “Invincible” poderiam estar no álbum-multiplatinado de 1990. Há também algumas canções mais pesadinhas que nos remetem ao Imaginator como “Bad For You” ou até mesmo o single “Rockstar”. Claro que não poderiam faltar as famosas baladas e eles nos entregam algumas por aqui. Dentre essas, destacaria “On The Bright Side” que nos leva de volta aos tempos onde grupos de rock faziam trilha dos cigarros Hollywood. Lembra-se disso? É esse sentimento que temos ao ouvir o novo álbum. Uma verdadeira viagem no tempo.

O lance do Nelson nunca foi vocais gritados, visuais espalhafatosos e guitarras virtuoses. Talvez por isso, alguns rockers que curtem o som da época torçam o nariz para os garotos. A grande jogada deles sempre foi o trabalho vocal, mas sempre apostando mais em harmonias do que em potência. Característica que veio de berço. Para quem não sabe, Matthew e Gunnar são filhos do icônico Ricky Nelson. Se você curte rock n roll bem feito e não se importa de ter uma forte veia comercial por trás, pode ir sem medo. Belo disco!

Nota: 9,0 /10,0
Status: Nostálgico e inspirado

Faixas:
      01)   Hello Everybody
      02)   Back In The Day
      03)   Invincible 
      04)   Let It Ride
      05)   I Wanna Stay Home
      06)   On The Bright Side
      07)   Rockstar
      08)   Autograph
      09)   Whats Not To Love?
      10)   You And Me
      11)   Bad For You 
      12)   Leave The Light On For Me

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Faith No More - Sol Invictus (2015)

Por Rafael Menegueti

Faith No More - Sol Invictus
Foram 18 anos de espera. Nada mais saiu desde 1997. Nesse meio tempo a banda passou por uma longa pausa. O vocalista Mike Patton fez inúmeros projetos experimentais malucos. O baterista Mike Bordin tocou com Ozzy Osbourne, Korn e Jerry Cantrell. O baixista Billy Gould também continuou se aventurando em outros projetos e grupos. Até que depois de onze anos parada a banda foi gradativamente se reativando. Primeiro com turnês, e agora o tão aguardado disco de inéditas. E como é de se esperar de Mike Patton, sem decepcionar no quesito experimentação.

Sol Invictus é o sétimo álbum de estúdio do Faith No More, e nele a banda parece que tentou despejar todos esses anos de inatividade em forma de criatividade. A banda conseguiu fazer um disco com a sua cara, mas que ao mesmo tempo não soa nada como seus clássicos dos anos 90. Após um ínicio meio desafiador e sombrio com a faixa que leva o nome do disco, carregada por piano e a voz de Patton em um tom bem baixo, vem a primeira porrada em “Superhero”, que parece claramente uma evolução da doideira de “Album of the Year”, de 1997.

O guitarrista Jon Hudson mostra uma energia única e uma boa interação com o baixo de Billy Gould, que mais uma vez aparece como um dos ingredientes principais da sonoridade da banda, que ainda aposta em trechos funkeados e levadas com ritmo intenso. A precisão de Mike Bordin na bateria completa essa mistura enquanto os teclados de Roddy Bottum produzem a atmosfera e insere arranjos que moldam o formato das músicas perfeitamente. E Mike Patton completa as expectativas com vocais vivos e bem executados, que vão dos gritos a tranquilidade em um excelente timbre, com energia de sobra e intensidade características de seu trabalho na banda.

Os Membros do Faith No More
O disco tem momentos caóticos, como em “Separation Anxiety” e “Matador”, mas o que prevalece é um som bem mais ousado, com experimentações no ritmo e influências por quase todo o disco. Algumas músicas parecem até ter sido feitas para uma trilha de filme do Tarantino, como “Cone of Shame” ou “Black Friday”. A primeira música revelada do disco alguns meses atrás, “Motherfucker”, é outra que tem o carimbo de Patton como uma das mais ousadas do disco. A faixa que encerra o trabalho, “From the Dead”, parece ser a única mais tranquila e normal, o que se tratando de uma banda como o Faith No More continua fazendo dela uma novidade que destoa.

Em tempo, o Faith No More voltou como se nem tivesse parado, tamanha a capacidade de se reinventar e colocar sua marca registrada nas suas criativas canções. O grupo segue com essa característica avant-garde, com um som completamente na contramão do que o rock alternativo faz atualmente, assim como eles já faziam nos anos 90. “Sol Invictus” não é só um disquinho pra fazer a alegria de fãs saudosos, é a mostra de que a banda realmente está mais viva do que nunca. E eles fizeram muito bem de esperar o momento certo pra mostrar isso.


Nota:9/10

Status: desafiador e ousado

Faixas:
1. "Sol Invictus"
2. "Superhero"
3. "Sunny Side Up"
4. "Separation Anxiety"
5. "Cone of Shame"
6. "Rise of the Fall"
7. "Black Friday"
8. "Motherfucker"
9. "Matador"
10. "From the Dead"

terça-feira, 2 de junho de 2015

Noticias do Rock (Pra Não Ficar Por Fora)



Fique por dentro de tudo que está rolando no universo do rock.

Por Davi Pascale


Novo álbum do Slayer em edição limitada


O novo álbum do Slayer, Repentless, será lançado em uma versão especial. Com uma tiragem limitadíssima, apenas 3.000 unidades prensadas, o ítem é pesadíssimo. Afinal, sua embalagem pesa 7 quilos. O box vem no formato do símbolo da banda (o da águia) e contará com material inédito. Embora o disco só seja lançado em Setembro, essa edição já se encontra em pré-venda no site da Nuclear Blast com o preço aproximado de 180 dólares. E aí? Vai encarar?

Skid Row dá ataque de piti


Nem todo mundo tem paciência para lidar com os ataques dos haters. O último a esquentar a cabeça foi o Skid Row. Muitos fãs não aprovam o grupo sem a presença de Sebastian Bach e isso parece, finalmente, ter esquentado a cabeça dos músicos. Rachel Bolan postou no Facebook. “Para todos os haters, trolls e cabeças de merda que ficam teclando – se você não gosta de mim ou do Skid Row, saia da página. Tenho certeza que existe algo mais construtivo que você possa fazer, como assistir pornô ou algo assim. Desse modo, você poderá satisfazer a você mesmo sem estar cara a cara com alguém. É disso que você gosta, certo?”. O novo vocalista Tony Harnell (TNT) também arriscou uma postagem. “Se você não gosta dos vídeos ou de alguma coisa da minha carreira, por favor não comente aqui. Vá para alguma outra pagina com pessoas iguais a você e fale mal de mim a vontade. Estou trabalhando e dando o meu melhor”.

Rod Stewart está proibido de autografar livros


O guitarrista Ron Wood (The Rolling Stones) declarou em entrevista à Classic Rock que existe um projeto para um livro dos Faces. Segundo o músico, existirá uma tiragem limitada autografada pelos músicos e, aparentemente, o único que não assinará o livro será o cantor Rod Stewart. Ron explica que se encontrou com Rod para explicar o projeto e disse que o rapaz topou de imediato, mas seus empresários barraram a ideia no ato. Existem planos para uma reunião, conforme já divulgado aqui, e parece que só não aconteceu ainda porque o empresário de Rod Stewart está dificultando o processo. Rod, pelo amor de Deus, se livre desse mala...

Black Sabbath relançará discos novamente


O grupo Black Sabbath relançara seus oito primeiros discos. O material será lançado em vinil 180 gramas e compact disc. A reedição trará capa original e encarte. Em 2012, esses discos já tinham sido relançados no box set The Vinyl Collection: 1970-1978. Quem já tem essa edição, não precisa esquentar a cabeça. Black Sabbath, Paranoid e Masters of Reality chegam às lojas dia 22 de Junho. Vol. 4, Sabotage e Sabbath Bloody Sabbath no dia 29 de Junho. Technical Ecstasy e Never Say Die em 13 de Julho. As reedições não trazem faixas inéditas.

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Discografia Comentada – Bullet for My Valentine

Por Rafael Menegueti


Os galeses do Bullet for My Valentine estão de novo em evidência por conta do lançamento de seu novo disco, “Venom”, que acontecerá em agosto. Muito se espera desse álbum que, segundo a própria banda, pode ser um dos melhores do ano (será?). O que se sabe é que, apesar de certo preconceito que eles sofrem pelo fato de ser uma banda mais comercial de metalcore, o quarteto tem capacidade e já mostrou talento em seus trabalhos antecessores. Por isso hoje falarei um pouco mais da trajetória deles através de seus lançamentos anteriores.

Bullet for My Valentine e Hand of Blood EPs (2004/2005)


Após a banda mudar do nome Jeff Killed Joe (sob o qual eles chegaram a lançar algumas demos) para o atual, o grupo lançou um EP homônimo no final de 2004. O lançamento tinha cinco faixas e era restrito ao Reino Unido e Japão, onde a faixa “4 Words (to Choke Upon)” aparecia como bônus. Quase um ano depois essas mesmas faixas seriam lançadas nos EUA com o nome “Hand of Blood EP”. Três músicas desse lançamento aparceriam mais tarde no primeiro álbum da banda. Destaques: Hand of Blood, Just Another Star.


The Poison (2005)


Em outubro de 2005 a banda lançava seu já aguardado disco de estreia. Isso porque eles já eram uma banda conhecida entre os fãs do estilo no Reino Unido. “The Poison” conseguiu tornar a banda um sucesso mundial com faixas pesadas a ácidas. Abusando dos vocais gritados de Matt Tuck, dos riffs explosivos de Michael Padge e algumas melodias radiofônicas com temas como violência e desencontros amorosos, o disco conseguia agradar pela forte identificação com o metalcore. No entanto, por esse mesmo motivo ele parecia limitando aos fãs do estilo, não agradando fãs de outras vertentes. Destaques: Tears Don’t Fall, The Poison, The End.


Scream Aim Fire (2008)


Após o bem sucedido “The Poison” a banda voltou em 2008 com um disco um pouco diferente mas muito potente. “Scream Aim Fire” chama a atenção por uma maior proximidade com uma das principais influências da banda, o thrash metal. A inspiração em bandas como Metallica, Megadeth e Pantera e muito clara, e as faixas tem menos vocais vocais gritados e instrumental caótico e mais riffs e solos. A temática da banda seguia a mesma, mas dessa vez o disco parece mais maduro que seu antecessor. Destaques: Scream Aim Fire, Waking the Demon, Take It Out On Me.


Fever (2010)


Em Fever, de 2010, a banda consegue achar uma boa dosagem entre suas principais influências. A proximidade do thrash metal continua forte, mas a banda volta a criar faixas mais radiofônicas, convidativas e próximas do metal tradicional. O álbum chega a dividir os fãs que esperavam algo mais parecido com “The Poison”, mas as composições são bem feitas e os vocais de Matt Tuck parecem mais amadurecidos. Além de que as guitarras dele e Padge formam um entrosamento excelente. As letras continuam falando sobre relacionamentos conturbados, brigas e temperamento explosivo, o que nesse sentido se assemelha muito a “The Poison”. Destaques: Your Betrayal, Alone e Bittersweet Memories.


Temper Temper (2013)


Se “Fever” era um disco com composições marcantes, o mesmo não dá pra se dizer de “Temper Temper”. Apesar do peso e influência do thrash seguirem sendo elementos principais, o disco peca em ter poucas faixas memoráveis, parecendo um genérico de si mesmo. Não que o álbum seja ruim, ele apenas não apresentou uma evolução ou identificação com o estilo como seus antecessores. Algumas faixas se sobressaem positivamente, mas é possível dizer que esse seja um disco do qual a banda precise se distanciar no seu próximo trabalho se quiser agradar os fãs, algo que eles vem prometendo para “Venom”. O primeiro single, “No Way Out”, já causou reações positivas e foi bem recebido entre os fãs, resta saber se o resto do disco corresponderá às expectativas. Destaques: Riot e Breaking Point.


domingo, 31 de maio de 2015

Marilyn Manson – The Pale Emperor (2015):



Por Davi Pascale

Depois de 3 anos sem gravar um disco de inéditas, Marilyn Manson retorna com The Pale Emperor. Apostando em uma sonoridade um pouco mais sombria, Manson deve agradar aos fãs, mas dificilmente deve recuperar seu antigo status.

Quando Marilyn Manson despontou na mídia em 1996 com o Antichrist Superstar, o músico incomodou muita gente com suas atitudes, seus discursos, suas letras e tudo o que aprontava no palco. Atualmente, não consegue mais chocar as pessoas como fazia no início de sua carreira, mas sejamos sensatos, hoje é muito difícil chocar as pessoas como se fazia há 20 anos. Com a internet cada vez mais popular e cada vez mais sem barreiras, é praticamente impossível achar algum elemento que choque toda uma população. A não ser que questione princípios religiosos (o que já fez) ou opções sexuais (que não teria a ver com ele). O rapaz está em uma encruzilhada.

Algo que vem me incomodando nos seus discos mais recentes é a sonoridade das guitarras. O CD obviamente é muito bem gravado, muito bem tocado, muito bem cantado. Se há algo que não podemos questioná-lo é a seriedade que faz seu trabalho. Tanto seus discos, quanto suas apresentações, sempre foram irretocáveis nesse aspecto. Mas ainda acho que a guitarra poderia ter um pouquinho mais de sujeira. Gostaria que trouxesse o som do palco para o disco. As letras continuam rondando os mesmos temas: tortura, sexo, drogas, violência, poder...

Cantor volta com álbum mais sombrio

Se por um lado, poderia vir com um pouco mais de peso; de outro, é seu melhor momento enquanto compositor em anos. Arrisco dizer que esse talvez seja seu melhor álbum desde Holly Weird, ou pelo menos, desde The Golden Age of Grotesque. “Deep Six” e “The Mephistopheles of Los Angeles” trazem uma sonoridade um pouco mais pesadinha do que o restante do álbum e nos remetem aos seus tempos de ouro. “Birds of Hell Awaiting” me remeteu ao seu velho hit “The Dope Show” (Mechanical Animals) por conta da bateria e da marcação do baixo.

Faixas como “Killing Stranger”, “Warship My Wreck” e “Odds Of Even” apostam naquela sonoridade mais sombria e arrastada, típica do rapaz. “Slave Only Dreams To Be a King” e “Cupid Carries a Gun” devem funcionar bem em cima do palco, enquanto “The Devil Beneath My Feet” tem ar de hit. Sim, os elementos eletrônicos, comuns no metal industrial, continuam marcando presença. Se tivesse que comparar com algum de seus antigos trabalhos, diria que está no mesmo espírito de Mechanical Animals.

Em seus primeiros discos, a produção havia ficado a cargo de Trent Reznor (Nine Inch Nails), aqui a produção ficou nas mãos de Terry Blate, famoso por realizar composições para filmes e games. Blate e Manson se conheceram, numa festa da série Californication, onde Marilyn Manson atuou em alguns episódios. Terry também colaborou na criação dos arranjos. Talvez o segredo seja a dupla se reunir para compor e colocar Trent novamente na produção. Daí, acho que teríamos a medida perfeita.

Nota: 7,5 / 10,0
Status: Boas composições

Faixas:
      01)   Killing Strangers
      02)   Deep Six
      03)   Thirty Day of a Seven Day Blinge
      04)   The Mephistopheles of Los Angeles
      05)   Warship My Wreck
      06)   Slave Only Dreams to Be a King
      07)   The Devil Beneath My Feet
      08)   Birds of Hell Waiting
      09)   Cupid Carries a Gun 
      10)   Odds of Even