terça-feira, 2 de junho de 2015

Noticias do Rock (Pra Não Ficar Por Fora)



Fique por dentro de tudo que está rolando no universo do rock.

Por Davi Pascale


Novo álbum do Slayer em edição limitada


O novo álbum do Slayer, Repentless, será lançado em uma versão especial. Com uma tiragem limitadíssima, apenas 3.000 unidades prensadas, o ítem é pesadíssimo. Afinal, sua embalagem pesa 7 quilos. O box vem no formato do símbolo da banda (o da águia) e contará com material inédito. Embora o disco só seja lançado em Setembro, essa edição já se encontra em pré-venda no site da Nuclear Blast com o preço aproximado de 180 dólares. E aí? Vai encarar?

Skid Row dá ataque de piti


Nem todo mundo tem paciência para lidar com os ataques dos haters. O último a esquentar a cabeça foi o Skid Row. Muitos fãs não aprovam o grupo sem a presença de Sebastian Bach e isso parece, finalmente, ter esquentado a cabeça dos músicos. Rachel Bolan postou no Facebook. “Para todos os haters, trolls e cabeças de merda que ficam teclando – se você não gosta de mim ou do Skid Row, saia da página. Tenho certeza que existe algo mais construtivo que você possa fazer, como assistir pornô ou algo assim. Desse modo, você poderá satisfazer a você mesmo sem estar cara a cara com alguém. É disso que você gosta, certo?”. O novo vocalista Tony Harnell (TNT) também arriscou uma postagem. “Se você não gosta dos vídeos ou de alguma coisa da minha carreira, por favor não comente aqui. Vá para alguma outra pagina com pessoas iguais a você e fale mal de mim a vontade. Estou trabalhando e dando o meu melhor”.

Rod Stewart está proibido de autografar livros


O guitarrista Ron Wood (The Rolling Stones) declarou em entrevista à Classic Rock que existe um projeto para um livro dos Faces. Segundo o músico, existirá uma tiragem limitada autografada pelos músicos e, aparentemente, o único que não assinará o livro será o cantor Rod Stewart. Ron explica que se encontrou com Rod para explicar o projeto e disse que o rapaz topou de imediato, mas seus empresários barraram a ideia no ato. Existem planos para uma reunião, conforme já divulgado aqui, e parece que só não aconteceu ainda porque o empresário de Rod Stewart está dificultando o processo. Rod, pelo amor de Deus, se livre desse mala...

Black Sabbath relançará discos novamente


O grupo Black Sabbath relançara seus oito primeiros discos. O material será lançado em vinil 180 gramas e compact disc. A reedição trará capa original e encarte. Em 2012, esses discos já tinham sido relançados no box set The Vinyl Collection: 1970-1978. Quem já tem essa edição, não precisa esquentar a cabeça. Black Sabbath, Paranoid e Masters of Reality chegam às lojas dia 22 de Junho. Vol. 4, Sabotage e Sabbath Bloody Sabbath no dia 29 de Junho. Technical Ecstasy e Never Say Die em 13 de Julho. As reedições não trazem faixas inéditas.

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Discografia Comentada – Bullet for My Valentine

Por Rafael Menegueti


Os galeses do Bullet for My Valentine estão de novo em evidência por conta do lançamento de seu novo disco, “Venom”, que acontecerá em agosto. Muito se espera desse álbum que, segundo a própria banda, pode ser um dos melhores do ano (será?). O que se sabe é que, apesar de certo preconceito que eles sofrem pelo fato de ser uma banda mais comercial de metalcore, o quarteto tem capacidade e já mostrou talento em seus trabalhos antecessores. Por isso hoje falarei um pouco mais da trajetória deles através de seus lançamentos anteriores.

Bullet for My Valentine e Hand of Blood EPs (2004/2005)


Após a banda mudar do nome Jeff Killed Joe (sob o qual eles chegaram a lançar algumas demos) para o atual, o grupo lançou um EP homônimo no final de 2004. O lançamento tinha cinco faixas e era restrito ao Reino Unido e Japão, onde a faixa “4 Words (to Choke Upon)” aparecia como bônus. Quase um ano depois essas mesmas faixas seriam lançadas nos EUA com o nome “Hand of Blood EP”. Três músicas desse lançamento aparceriam mais tarde no primeiro álbum da banda. Destaques: Hand of Blood, Just Another Star.


The Poison (2005)


Em outubro de 2005 a banda lançava seu já aguardado disco de estreia. Isso porque eles já eram uma banda conhecida entre os fãs do estilo no Reino Unido. “The Poison” conseguiu tornar a banda um sucesso mundial com faixas pesadas a ácidas. Abusando dos vocais gritados de Matt Tuck, dos riffs explosivos de Michael Padge e algumas melodias radiofônicas com temas como violência e desencontros amorosos, o disco conseguia agradar pela forte identificação com o metalcore. No entanto, por esse mesmo motivo ele parecia limitando aos fãs do estilo, não agradando fãs de outras vertentes. Destaques: Tears Don’t Fall, The Poison, The End.


Scream Aim Fire (2008)


Após o bem sucedido “The Poison” a banda voltou em 2008 com um disco um pouco diferente mas muito potente. “Scream Aim Fire” chama a atenção por uma maior proximidade com uma das principais influências da banda, o thrash metal. A inspiração em bandas como Metallica, Megadeth e Pantera e muito clara, e as faixas tem menos vocais vocais gritados e instrumental caótico e mais riffs e solos. A temática da banda seguia a mesma, mas dessa vez o disco parece mais maduro que seu antecessor. Destaques: Scream Aim Fire, Waking the Demon, Take It Out On Me.


Fever (2010)


Em Fever, de 2010, a banda consegue achar uma boa dosagem entre suas principais influências. A proximidade do thrash metal continua forte, mas a banda volta a criar faixas mais radiofônicas, convidativas e próximas do metal tradicional. O álbum chega a dividir os fãs que esperavam algo mais parecido com “The Poison”, mas as composições são bem feitas e os vocais de Matt Tuck parecem mais amadurecidos. Além de que as guitarras dele e Padge formam um entrosamento excelente. As letras continuam falando sobre relacionamentos conturbados, brigas e temperamento explosivo, o que nesse sentido se assemelha muito a “The Poison”. Destaques: Your Betrayal, Alone e Bittersweet Memories.


Temper Temper (2013)


Se “Fever” era um disco com composições marcantes, o mesmo não dá pra se dizer de “Temper Temper”. Apesar do peso e influência do thrash seguirem sendo elementos principais, o disco peca em ter poucas faixas memoráveis, parecendo um genérico de si mesmo. Não que o álbum seja ruim, ele apenas não apresentou uma evolução ou identificação com o estilo como seus antecessores. Algumas faixas se sobressaem positivamente, mas é possível dizer que esse seja um disco do qual a banda precise se distanciar no seu próximo trabalho se quiser agradar os fãs, algo que eles vem prometendo para “Venom”. O primeiro single, “No Way Out”, já causou reações positivas e foi bem recebido entre os fãs, resta saber se o resto do disco corresponderá às expectativas. Destaques: Riot e Breaking Point.


domingo, 31 de maio de 2015

Marilyn Manson – The Pale Emperor (2015):



Por Davi Pascale

Depois de 3 anos sem gravar um disco de inéditas, Marilyn Manson retorna com The Pale Emperor. Apostando em uma sonoridade um pouco mais sombria, Manson deve agradar aos fãs, mas dificilmente deve recuperar seu antigo status.

Quando Marilyn Manson despontou na mídia em 1996 com o Antichrist Superstar, o músico incomodou muita gente com suas atitudes, seus discursos, suas letras e tudo o que aprontava no palco. Atualmente, não consegue mais chocar as pessoas como fazia no início de sua carreira, mas sejamos sensatos, hoje é muito difícil chocar as pessoas como se fazia há 20 anos. Com a internet cada vez mais popular e cada vez mais sem barreiras, é praticamente impossível achar algum elemento que choque toda uma população. A não ser que questione princípios religiosos (o que já fez) ou opções sexuais (que não teria a ver com ele). O rapaz está em uma encruzilhada.

Algo que vem me incomodando nos seus discos mais recentes é a sonoridade das guitarras. O CD obviamente é muito bem gravado, muito bem tocado, muito bem cantado. Se há algo que não podemos questioná-lo é a seriedade que faz seu trabalho. Tanto seus discos, quanto suas apresentações, sempre foram irretocáveis nesse aspecto. Mas ainda acho que a guitarra poderia ter um pouquinho mais de sujeira. Gostaria que trouxesse o som do palco para o disco. As letras continuam rondando os mesmos temas: tortura, sexo, drogas, violência, poder...

Cantor volta com álbum mais sombrio

Se por um lado, poderia vir com um pouco mais de peso; de outro, é seu melhor momento enquanto compositor em anos. Arrisco dizer que esse talvez seja seu melhor álbum desde Holly Weird, ou pelo menos, desde The Golden Age of Grotesque. “Deep Six” e “The Mephistopheles of Los Angeles” trazem uma sonoridade um pouco mais pesadinha do que o restante do álbum e nos remetem aos seus tempos de ouro. “Birds of Hell Awaiting” me remeteu ao seu velho hit “The Dope Show” (Mechanical Animals) por conta da bateria e da marcação do baixo.

Faixas como “Killing Stranger”, “Warship My Wreck” e “Odds Of Even” apostam naquela sonoridade mais sombria e arrastada, típica do rapaz. “Slave Only Dreams To Be a King” e “Cupid Carries a Gun” devem funcionar bem em cima do palco, enquanto “The Devil Beneath My Feet” tem ar de hit. Sim, os elementos eletrônicos, comuns no metal industrial, continuam marcando presença. Se tivesse que comparar com algum de seus antigos trabalhos, diria que está no mesmo espírito de Mechanical Animals.

Em seus primeiros discos, a produção havia ficado a cargo de Trent Reznor (Nine Inch Nails), aqui a produção ficou nas mãos de Terry Blate, famoso por realizar composições para filmes e games. Blate e Manson se conheceram, numa festa da série Californication, onde Marilyn Manson atuou em alguns episódios. Terry também colaborou na criação dos arranjos. Talvez o segredo seja a dupla se reunir para compor e colocar Trent novamente na produção. Daí, acho que teríamos a medida perfeita.

Nota: 7,5 / 10,0
Status: Boas composições

Faixas:
      01)   Killing Strangers
      02)   Deep Six
      03)   Thirty Day of a Seven Day Blinge
      04)   The Mephistopheles of Los Angeles
      05)   Warship My Wreck
      06)   Slave Only Dreams to Be a King
      07)   The Devil Beneath My Feet
      08)   Birds of Hell Waiting
      09)   Cupid Carries a Gun 
      10)   Odds of Even

sábado, 30 de maio de 2015

Cain’s Offering – Stormcrow (2015)

Por Rafael Menegueti

Cain's Offering - Stormcrow
O projeto que une o vocalista do Stratovarius, Timo Kotipelto, e o ex-guitarrista do Sonata Arctica, Jani Liimatainen, lançou recentemente seu segundo álbum. O Cain’s Offering ficou algum tempo parado depois do seu primeiro disco de estúdio, “Gather the Faithful”, lançado em 2009. Ou melhor, apenas Jani e Timo fizeram alguns shows acústicos juntos. Todo esse tempo entre um lançamento e outro parece que serviu para uma coisa: tornar o Cain’s Offering uma banda mais focada em suas composições.

O som da banda é exatamente o que poderia se esperar de um grupo formada por tais nomes. Power metal sinfônico carregado de melodia e riffs agressivos. A fórmula poderia parecer repetitiva em se tratando desse estilo, mas o grupo consegue dar um aspecto único e criativo em suas canções. A combinação de arranjos de teclado, os vocais competentes de Timo e a musicalidade que as faixas exalam tornam “Stormcrow” um álbum muito interessante.

Os membros atuais do Cain's Offering
As primeiras faixas são animadas e com uma melodia bem forte. A faixa-título, que abre o disco, e a segunda, “The Best of Times”, são pesadas e aceleradas, mas ainda próximas do estilo do próprio Stratovarius. O nível segue alto com a mais cadenciada “A Night to Forget”. Em “I Will Build You A Rome” temos uma das canções mais melodicamente alçadas do disco, com um refrão cativante e que faz dela uma das mais viciantes do disco.

Após isso o disco dá uma quebrada no barulho com a tranquila “Too Tired to Run”, baladinha sinfônica obrigatória em um disco de power metal, mas sem parecer aquele clichê forçado. Em “Constelation of Stars” voltamos a velocidade e peso normais, com uma faixa que destaca também os arranjos de teclado de Jens Johansson, outro membro do Stratovarius na banda. Em “Antemortem” está mais uma boa sequencia de riffs e arranjos sinfônicos, com pegada forte e intensa. “My Heart Beats for No One” é outra das faixas que se destacam pelo bom uso dos riffs agressivos e teclado. Já “I Am Legion” é uma faixa instrumental com uso forte dos arranjos orquestrais e evolução rítmica progressiva que serve de transição para o encerramento do disco, que vem com intensidade em “Rising Sun”, e suavidade em “On the Shore”.

Jani Liimatainen e Timo Kotipelto
O trabalho do Cain’s Offering é uma bela amostra de power metal que consegue ser ao mesmo tempo tradicional e fugir da mesmice. São faixas que unem bons elementos dos trabalhos e influências de seus integrantes, boa técnica e bem mais produzido do que o seu antecessor. As canções são fáceis de ouvir, não enfeitam nem inventam. Puro power metal sinfônico de ótima qualidade, feito na medida pra fãs do gênero e também para os que estão começando a curtir o estilo agora.


Nota: 8,5/10
Status: Melodico e tradicional

Faixas:
1. "Stormcrow"
2. "The Best of Times"
3. "A Night to Forget"
4. "I Will Build You a Rome"
5. "Too Tired to Run"
6. "Constellation of Tears"
7. "Antemortem"
8. "My Heart Beats For no One"
9. "I Am Legion"
10. "Rising Sun"
11. "On the Shore"

sexta-feira, 29 de maio de 2015

RPM – 30 Anos de Revoluções Por Minuto:




Por Davi Pascale

Certamente não dava para deixar essa data passar batida. Nesse mês de Maio comemoramos três décadas do álbum de estreia do RPM. Tanto o grupo quanto seu líder, Paulo Ricardo, sempre geraram relação de amor/ódio, mas quando se trata do disco em questão, todos colocam o rabinho entre as pernas. Mesmo as publicações que os massacram, quando resolvem elaborar listas de melhores álbuns da década de 80 ou até mesmo de melhores discos da música brasileira, acabam elegendo-o. E não é por acaso...

Não consegui descobrir o dia exato, apenas que foi lançado em Maio de 1985. O Brasil passava por um momento delicado. Tancredo Neves havia falecido há pouco tempo, poucos meses após assumir a presidência. Sua posse ocorreu em 15 de Janeiro de 1985 e marcava o fim do regime militar. É por conta desse feito que o Cazuza dá seu famoso discurso no final da canção “Pro Dia Nascer Feliz” durante o primeiro Rock in Rio. A notícia deu uma abalada no povo. Fora isso, aquela velha história que já conhecemos. Inflação correndo solta, censura pra todo lado, por aí vai...

Por que estou relembrando isso? Por que todos esses dados se cruzam de algum modo em Revoluções Por Minuto. Tudo aqui foi pensado. Roupa, cabelo, arranjos, discurso. Os caras sabiam o que estavam fazendo. Em depoimento ao livro Quem Tem Um Sonho Não Dança, o cantor do RPM afirma que “o primeiro disco define o que o RPM queria. Era uma coisa libertária, de garotos que tinham crescido na época da ditadura e queriam, antes de qualquer coisa, desestigmatizar a palavra ‘revolução’, que o golpe militar de 64 teimou em querer usar para definir seu golpe”.


Paulo Ricardo era critico musical antes de assumir o comando do RPM

Tendo atuado como jornalista em um passado não muito distante, Paulo Ricardo estava por dentro de tudo o que estava rolando em nosso país. E mais do que isso, de tudo que estava rolando fora de nosso país. Se por um lado, as letras retratavam nosso cotidiano, de outro, os arranjos traziam o que havia de mais moderno na cena internacional. Nos seus anos de crítico musical, trabalhou como correspondente internacional da SomTrês. Experiência que abriu os olhos do rapaz para todo um universo musical que até então não era muito corriqueiro em nosso país. Começou a se corresponder através de cartas com Luis Schiavon, deixando claro o som que queria fazer. Assim que chegou de Londres, mostrou algumas canções que tinha na cabeça e deixou claro de uma vez por todas sua proposta: fazer um som new romantic (uma vertente da new wave, muito popular na Inglaterra na década de 80) cruzando com o progressivo. Foi daí que veio o lance dos sintetizadores, da bateria eletrônica, do baixo marcado.

As questões políticas aparecem em várias letras do disco. Principalmente, nas canções presentes no lado B. A faixa-título fazia referência direta à todos os problemas que o país estava atravessando. Os caras foram tão direto na ferida que a canção foi proibida de ser tocada nas rádios. Sim, o Brasil estava passando por uma transformação, mas tudo estava no começo ainda e a censura demoraria mais alguns anos para sumir. “Juvenília” é uma crítica aos anos de chumbo do Brasil. “Liberdade /Guerra Fria”, questionava o conflito entre Estado Unidos e União Soviética.

A cena BRock ainda estava dando seus primeiros passos. Iniciados poucos anos antes com a explosão do compacto “Você Não Soube Me Amar” da Blitz, o movimento começava a ganhar força com o sucesso da primeira edição do Rock In Rio. O Brasil começava a descobrir que havia uma cena forte rolando no país. Em pouco tempo, o movimento se tornaria o momento de maior popularidade do rock brasileiro desde a explosão da Jovem Guarda. O RPM é um marco desse período. Seu LP de estréia vendeu 500.000 LPS quando o desejo dos executivos era de que vendesse 50.000 para cobrir os gastos. Quando entraram em estúdio para registrar esse LP, a realidade era um pouco diferente. A maior parte das programações das rádios era montada por canções internacionais. Foi por conta disso que nasceu a canção "Rádio Pirata". Uma crítica contra essa situação.


Elementos da new wave e do progressivo rondam o LP

Havia um ceticismo em torno do álbum, já que a gravadora não havia gostado da capa do disco. Mas a banda bateu o pé que era aquela arte que eles queriam. A imagem foi criada pelo artista Alex Flemming em cima de uma foto do Rui Mendes. Quem conhece a capa do LP, notará que o baterista P.A. não aparece nela. A razão era muito simples. O musico entrou durante as gravações do álbum e quando o acordo foi fechado (inicialmente, queriam utiliza-lo como musico contratado, mas ele se negou), a imagem da capa já estava pronta. Naquela época, fazia-se a arte de capa antes do término das gravações por ser um processo extremamente demorado.

RPM foi um fenômeno. Não apenas de vendas, mas também de impacto na juventude. Os músicos tinham seus rostos estampados em tudo quanto era lugar, suas apresentações eram uma verdadeira histeria, os rapazes eram perseguidos nos aeroportos. Não demorou muito para que começassem à associa-los aos 4 rapazes de Liverpool e a explosão da Beatlemania.

Sem querer, os garotos criaram uma aproximação do rock brasileiro com o universo do remix. Naquela época, antes da gravadora investir na criação de um LP, os artistas eram testados com um compacto. Só que o compacto do grupo paulista não emplacou. E alguém de dentro da gravadora teve a ideia de pedir para que alguns DJs (entre eles, o hoje cultuado Iraí Campos) fizessem alguns remixes de "Louras Geladas" para que pudessem atacar a música nas danceterias. Deu certo! Em pouco tempo a música foi para as rádios e a gravadora armou um esquema para explorar o recurso a partir dali. Foi por conta desse auê que nasceu uma série de LPS, que fez muito sucesso na época, chamada Dance Mix.

Revoluções Por Minuto foi extremamente pensado. O Lado A trazia as canções mais dançantes, mais comerciais. O lado B as músicas mais densas, mais sombrias, repletas de críticas políticas. RPM também foi um marco em relação à shows, trazendo tecnologias inéditas ao nosso país, mas deixaremos isso para quando fomos comentar o LP seguinte em um futuro post. Quem não conhece esse LP, vá atras. Certamente, um clássico do rock brasileiro.

Faixas:
01) Radio Pirata
02) Olhar 43
03) A Cruz e a Espada
04) Estação do Inferno
05) A Fúria do Sexo Frágil Contra o Dragão da Maldade
06) Louras Geladas
07) Liberdade/Guerra Fria
08) Sob a Luz do Sol
09) Juvenília
10) Pr´esse Vício
11) Revoluções Por Minuto