terça-feira, 26 de maio de 2015

Música comentada: Pearl Jam – Jeremy

Por Rafael Menegueti



Um dos maiores clássicos do rock nos anos 90, e que fez muito sucesso com seu clipe na MTV, “Jeremy” é uma das principais músicas já compostas pelo Pearl Jam. Presente no disco de estreia da banda de Seattle, “Ten”, de 1991, a faixa foi composta pelo baixista Jeff Ament, com letra de Eddie Vedder.

A ideia da canção veio após Eddie ler uma notícia chocante no jornal. Um garoto de 16 anos chamado Jeremy que tirou a própria vida na frente de seus colegas de classe com um tiro na boca. O músico viu aquela pequena nota sobre o garoto triste e solitário num jornal e achou que devia transformar a historia em algo maior, que pudesse ter um impacto. Segundo ele, a intenção da letra e do clipe da música é mostrar como esse ato no fim não causa o efeito desejado.

A intenção do garoto ao cometer suicídio seria causar choque e se vingar, mas isso é momentâneo. Logo em seguida você vira uma nota no jornal e nada muda. O mundo continua o mesmo, e você não está mais nele. Segundo Vedder, o melhor é ficar vivo, ser forte e provar que você consegue. Essa seria a verdadeira vingança. A música também faz referencia a um garoto que Eddie Vedder conheceu chamado Brian, com quem ele chegou a ter uma briga e provocava, e que acabou atirando contra uma turma de oceanografia tempos depois.




At home
Drawing pictures of mountain tops
With him on top, lemon yellow Sun
Arms raised in a "V"
The dead lay in pools of maroon below

Daddy didn't give attention
To the fact that mommy didn't care
King Jeremy, the wicked
Oh, ruled his world

Jeremy spoke in class today
Jeremy spoke in class today

Clearly I remember
Picking on the boy
Seemed a harmless little fuck

Oh, but we unleashed a lion
Gnashed his teeth
And bit the recess lady's breast

How could I forget?
And he hit me with a surprise left
My jaw left hurting

Oh, dropped wide open
Just like the day
Oh, like the day I heard

Daddy didn't give affection, no
And the boy was something
That mommy wouldn't wear
King Jeremy, the wicked
Oh, ruled his world

Try to forget this (try to forget this)
Try to erase this (try to erase this)
From the blackboard
Em casa
Desenhando figuras de topos de montanhas
Com ele no topo, sol amarelo limão
Braços erguidos em "V"
Os mortos estendidos em poças avermelhadas logo abaixo

Papai não deu atenção
Para o fato de que a mamãe não se importava
Rei Jeremy, o perverso
Oh, governou seu mundo

Jeremy falou na aula de hoje
Jeremy falou na aula de hoje

Me lembro claramente
De provocar o garoto
Parecia uma sacanagem inofensiva

Oh, mas nós libertamos um leão
Que rangeu os dentes
E mordeu os seios da menina na hora do intervalo

Como eu poderia esquecer?
E ele me acertou com um soco de esquerda de surpresa
Meu maxilar ficou machucado

Oh, deslocado e aberto
Assim como no dia
Oh, como o dia em que ouvi

Papai não dava afeto, não
E o garoto era algo
Que mamãe não aceitaria
Rei Jeremy, o perverso
Oh, governou seu mundo

Tente esquecer isso (tente esquecer isso)
Tente apagar isso (tente apagar isso)
Do quadro negro

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Notícias do Rock (pra não ficar por fora)

Por Rafael Menegueti

Primeiro DVD do Dragonforce tem detalhes revelados


Os britânicos do Dragonforce deram mais detalhes sobre o seu aguardado primeiro DVD. Com o nome “In the Line of Fire”, o registro trará a integra do show realizado pela banda no festival Loud Park, em Tóquio, no ano passado. A banda também soltou um trailer do DVD, que chegará às lojas no dia 10 de julho. Confira a capa, o trailer e o setlist do show:


01. Fury Of The Storm
02. Three Hammers
03. Black Winter Night
04. Tomorrow's Kings
05. Seasons
06. Symphony Of The Night
07. Cry Thunder
08. Ring Of Fire
09. Through The Fire And The Flames
10. Valley Of The Damned


Novo álbum solo de Chris Cornell a caminho


O vocalista do Soundgarden revelou que já esta com um novo disco solo pronto, o quarto 
de sua carreira. O trabalho se chamará “Higher Truth” e deve ser lançado em setembro, seguido por uma turnê que se iniciará no mês seguinte. Ainda não há detalhes no entanto sobre qual será a direção musical que o disco tomará, mas muita gente espera que não seja a mesma de seu antecessor, "Scream", produzido por Timbaland e que não teve uma boa recepção dos fãs.

Symphony X lança nova música e disco em breve                                   

O novo álbum da banda de Russel Allen se chamará “Underworld”, com data de lançamento em 24 de julho. A banda divulgou ainda um lyric vídeo para a faixa “Nevermore” (veja abaixo). O nono disco de estúdio da banda de metal progressivo terá a seguinte capa e tracklist:


01. Overture
02. Nevermore
03. Underworld
04. Without You
05. Kiss Of Fire
06. Charon
07. Hell And Back
08. In My Darkest Hour
09. Run With The Devil
10. Swansong
11. Legend


Morre vocalista da banda Attomica


Uma notícia triste para os fãs de thrash metal nacional. Morreu na semana passada o vocalista Alex Rangel, da banda Attomica. O músico foi vítima de um acidente de moto. Alex estava na banda desde 2012 e lançou um disco com a banda, “IV”. O produtor da banda, Bruno Mantovanni, postou uma mensagem comunicando e lamentando a morte do amigo. Ficam aqui nossos sentimentos aos fãs, amigos e familiares.

Queen descarta lançar músicas novas com Adam Lambert

Brian May e Adam Lambert
Enquanto muita gente elogia as atuações de Adam Lambert com o Queen e se pergunta se existe a possibilidade deles gravarem novo material juntos, Brian May considera essa possibilidade difícil. Em entrevista ao Gigwise, May declarou que eles não pensam nisso e que apenas estão acompanhando a carreira de Adam, que tem ido muito bem. Apesar disso, ele deixou no ar que isso pode até acontecer no futuro, mas por enquanto o foco está na turnê juntos, que passará pelo Brasil em setembro, com shows no festival Rock In Rio, em São Paulo e em Porto Alegre.

domingo, 24 de maio de 2015

Lynch Mob – Unplugged (2013):



Por Davi Pascale

No início do mês comentei sobre o mais recente álbum do Lynch Mob, o Sun Red Sun. Antes de colocaram esse trabalho para rodar, os rapazes soltaram dois EPS pela mesma gravadora: Rat Pak Records. Um com 4 faixas inéditas (Sound Montain Sessions) e outra com releitura acústica para 4 velhas canções, que é esse Unplugged.

Ao contrário de muitos artistas que apostam nesse tipo de projeto como um retorno à mídia, fazendo shows super produzidos com apoio de algum canal televisivo (nos EUA, os mais comuns são MTV e VH1), os rapazes fizeram justamente o oposto. Registraram apenas 4 canções, tocando ao vivo dentro de um estúdio e filmaram as canções para um programa de internet chamado Live From Sugar Hill Studios. É daí que nasce o material do disco.

O líder do grupo, George Lynch, já estava meio que acostumado com esse tipo de linguagem. Seu outro grupo, Dokken, já havia realizado um trabalho acústico (o ótimo One Live Night), portanto não é de se assustar que o cara roube a cena na apresentação. Até porque é um ótimo músico também. O vocalista Oni Logan também se destaca com uma ótima performance. Fechava o lineup, na ocasião, o baixista Robbie Crane, o percussionista Tyson Sheth e Brian Tichy, que embora seja mais lembrado como baterista, aparece por aqui dividindo os violões com Lynch.

O setlist é fantástico, mas achei estranho não apresentarem nenhuma música do Sound Mountain Sessions, que até então era seu trabalho mais recente. No lugar deles, teria colocado uma canção desse CD para promover o tal novo álbum. Poderia ter entrado no lugar de “Where Do You Sleep At Night” do Smokes & Mirrors. A canção é boa e caiu muito bem no formato acústico, mas não é uma canção essencial. Daquelas que seria um crime deixar de fora. Se bem que em uma apresentação de meia hora, isso aconteceria até pela falta de tempo. As outras 3 faixas vieram do disco que o cantor gravou com os rapazes e que talvez seja o trabalho mais forte de sua carreira: Wicked Sensation.

EP nasceu de programa online

“River of Love” abre o trabalho. O arranjo manteve bastante do original. Mesma linha vocal, mesmos riffs. A diferença está no tempo, um pouco mais lenta, e no solo de guitarra que certamente não tinha como ser adaptado aos violões. O solo, originalmente técnico e veloz, ganhou um ar mais bluesy, que casou bem para a ocasião. Na sequência, temos a já citada “Where Do You Sleep At Night” que ganhou um arranjo mais arrastado. Os backings repletos de harmonia se mantiveram. Oni Logan se destaca aqui cantando com alma. Honestamente, gostei mais do trabalho vocal daqui do que na versão do disco de 2009.

“All I Want” nos leva de volta aos tempos auge dos rapazes e foi uma escolha acertada. A música foi desacelerada um pouquinho e registrada com um tom pra baixo. Não temos mais aqui Oni atacando a voz pra cima no estilo Ray Gillen de ser. Ganhou uma cara mais intimista. Como se estivessem tocando em uma apresentação com um “q” mais intimista. Oni Logan não tem mais a potência vocal de outrora, mas ainda é um belo cantor e se sai bem. Assim como “All I Want”, o clássico “Wicked Sensation” também ganhou essa pegada mais intimista, graças ao trabalho de percussão e ao vocal, mais uma vez menos gritado, mas certamente repleto de emoção. George Lynch se destaca mais uma vez com um bonito solo.

O trabalho se fecha com uma entrevista com os rapazes. No programa online, rola um bate papo com os músicos após a apresentação. E é exatamente essa conversa que está aqui. Um pouco mais prolongada do que a edição em vídeo. Diversão garantida. Pode ir sem medo!

Nota: 8,0/10,0
Status: Intimista e inspirado

Faixas:
      01)   River of Love
      02)   Where Do You Sleep At Night
      03)   All I Want
      04)   Wicked Sensation
      05)   Bonus Interview

sábado, 23 de maio de 2015

Bret Michaels está fora do Poison?



Por Davi Pascale

Os amantes do hard rock foram pegos de surpresa em uma recente entrevista que o baterista Rikki Rocket deu para o site I Fight In Pijamas. Pelo nome do site, já dá para sacar que a página não é sobre música e que o foco da entrevista não foi sua carreira musical, mas sim seu hobby. No bate-papo, ele comenta sobre onde aprendeu a lutar Brazilian Jiu-Jitsu. Vocês não leram errado, não. A modalidade brasileira mesma. Aparentemente, ele aprendeu com um professor brasileiro que dá aulas de luta nos Estados Unidos. A história é bem interessante, mas não é esse assunto que quero tratar hoje. A bomba veio logo na primeira pergunta...

"O que você está fazendo atualmente? Ainda está tocando ou envolvido com música?
- Muito. Não posso falar muito sobre as mudanças no Poison porque elas envolvem problemas legais, mas acho que podemos dizer estamos muito ocupados atualmente. Fizemos uma apresentação com um cantor diferente, Brandon Gibbs, que pertence à minha outra banda: Devil City Angels..."
É claro que o fato de ter realizado uma apresentação com um cantor diferente não quer, necessariamente, dizer que Bret estaria fora, mas a partir do momento que o rapaz usa o termo ‘problemas legais’ e o numero de shows marcados aumentam, nossa suspeita, é claro também aumenta. Aparentemente, a briga é pelo nome da banda. Atualmente; C.C DeVille, Rikki Rockett, Bobby Dall, estão excursionando com o tal cantor tocando somente músicas do Poison com o nome de The Special Guests.


Os shows continuam sendo agendados

O Poison já havia passado por uma baixa nos anos 90 quando o guitarrista C.C DeVille foi expulso da banda, após sair na mão com o cantor Bret Michaels no backstage do MTV Video Music Awards 1991. Os músicos já estavam de saco cheio do cara por conta de seu comportamento agressivo, gerado pelo seu vício em cocaína. A tal briga rolou por conta da performance desastrosa na premiação. DeVille puxou “Talk Dirty To Me”, ao invés da combinada “Uskinny Bop” (que era o hit dos rapazes no momento), subiu no palco totalmente chapado e cometendo altas gafes. O evento era transmitido para vários países e a apresentação se tornou um verdadeiro fantasma para o grupo durante muitos anos. E mesmo que tenham trabalhado com guitarristas tecnicamente superiores após sua saída, Richie Kotzen e Blues Saraceno, o grupo não foi pra frente e C.C acabou retornando.

Agora, a situação é ainda mais tensa. Bret Michaels sempre teve uma forte ligação com os fãs, é um cara extremamente carismático, excelente showman e, atualmente, é o integrante mais popular por conta de suas aparições em séries de TV. Sua saída, certamente, ocasionará uma queda de popularidade. E o pior de tudo, os vídeos que vi com o novo vocalista não me impressionaram. Honestamente, acho que esse novo lineup não funcionará. Ao que tudo indica, a separação ocorreu por ciúmes dos músicos com a carreira-solo de Bret e por conta de ego. Há quem diga que por conta de sua popularidade, o rapaz estaria exigindo ganhar mais do que os demais músicos nas apresentações e que, obviamente, os caras não aceitaram. Afinal, também pertencem à primeira formação e dois deles nunca saíram da banda. Pelo visto, essa história ainda vai dar muito o que falar. Aguardaremos os próximos capítulos...

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Stream of Passion feat. Ayreon – Live In the Real World (CD Duplo/DVD - 2006)

Por Rafael Menegueti

Stream of Passion feat. Ayreon - Live In the Real World
Recentemente os holandeses do Stream of Passion comemoraram 10 anos do lançamento de seu primeiro disco, “Embrace the Storm”. A banda, que começou como um projeto do músico Arjen Lucassen, fez uma extensa turnê para divulgação desse trabalho. Uma dessas apresentações deu origem ao CD e DVD em questão na resenha de hoje. “Live In the Real World” é um registro único por vários fatores, mas principalmente pelo repertório apresentado e formação da banda.

À época da gravação do show, a banda já estava na estrada havia um tempo. O show escolhido foi o de Rijssen, na Holanda, no dia 17 de fevereiro de 2006. Assim como por toda a turnê, a banda mescla faixas de “Embrace the Storm” com canções do Ayreon, conhecido projeto também criado por Arjen. Os arranjos são bem parecidos, mas há alguma diferença já que os músicos não são os mesmos.

A formação do Stream of Passion na época
A voz do Stream of Passion é de Marcela Bovio, vocalista mexicana que Arjen havia buscado da banda Elfonia, assim como o tecladista Alejandro Millán. A irmã de Marcela, Diana Bovio, faz os backing vocals, e chega a se destacar ao lado da irmã em certos momentos. Ao lado de Arjen nas guitarras estava a sua companheira, a habilidosa Lori Linstruth. Enquanto Arjen era a força criativa, Lori era quem imprimia emoção e vida com sua técnica e solos. O baterista Davy Mickers e o baixista Johan van Stratum (esse sendo o único que permanece na banda até hoje, ao lado de Marcela) formam a parede rítmica da banda, algo que era primordial no conjunto do som criado pelo sexteto.

O show em si foi mais um comum da turnê. Até pela quantidade de músicas do outro projeto apresentadas, o nome da banda aparece como “Stream of Passion featuring Ayreon”. As duas primeiras faixas de “Embrace the Storm” abrem o show, “Spellbound” e o single “Passion”. O show é carismático, sem enrolações e grande produção, o foco é o som da banda. A mescla das músicas dos dois projetos é bem executada, pois Arjen possui um estilo próprio em suas composições. “Waracle”, “Computer Eyes”, “Valley of the Queens” “Day Three: Pain”, “Into the Black Hole” e “Day Eleven: Love” são algumas das principais faixas do Ayreon apresentadas, e tem uma cara mais gothic metal que contrasta bem com as faixas mais sinfônicas do Stream of Passion. Ainda são apresentados trechos de faixas do Ambeon e Star One, outros dois projetos de Arjen, durante o show.


Já entre as composições feitas para o disco de estreia do SoP, destaco “Wherever You Are”, “Deceiver”, “Out In The Real World” e “Nostalgia”, balada em espanhol ao piano onde se sobressaem a parte latina da banda, com apenas Marcela e Alejandro no palco. A banda ainda apresentou uma interessante cover de “When the Levee Breaks”, clássico do blues composta por Kansas Joe McCoy e Memphis Minnie, e depois regravado pelo Led Zeppelin, versão na qual a banda se inspirou.

Esse registro é uma ótima pedida para os fãs da banda acompanharem uma fase que dificilmente volta. Até pelas mudanças na formação, a direção musical do Stream of Passion mudou muito daquela época até hoje. E mesmo que você não seja tão habituado a um ou outro projeto de Arjen, ou conheça apenas o Stream of Passion atual, esse show é excelente pela sua musicalidade forte, grandes composições e músicos habilidosos e entrosados, e por isso vale a conferida.


Nota: 10/10
Status: Vibrante

Faixas:
1. Intro
2. Spellbound
3. Passion
4. Waracle
5. Wherever You Are
6. Computer Eyes
7. Calliopeia
8. Valley Of The Queens
9. Haunted
10. The Charm of the Seer
11. Deceiver / Songs of the Ocean
12. Day One: Vigil
13. Day Three: Pain
14. Nostalgia
15. Out in the Real World
16. The Castle Hall
17. Into The Black Hole
18. When The Levee Breaks
19. Day Eleven: Love

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Matanza – Pior Cenário Possível (2015):



Por Davi Pascale

Grupo carioca chega ao seu sétimo álbum de estúdio com nova formação. Contando, mais uma vez, com a produção de Rafael Ramos (Pitty, Titãs), músicos mantêm sua sonoridade característica.

Matanza inicia uma nova fase, mas nem tanto. Como os fãs mais antigos já estão carecas de saber, o guitarrista Donida continua participando da criação e da gravação dos discos, mas desde 2008 que não excursiona com os rapazes. O que muda agora nessa história é que Maurício Nogueira (ex-Torture Squad), que o substitui nas apresentações desde então, agora também participa das gravações. Ou seja, o grupo gravou como um quinteto. Outra mudança foi a saída do baixista China. O cara decidiu que quer ser guitarrista daqui pra frente. Com isso, temos a estréia de Don Escobar. Em termos de apostas, a situação não muda muito, não.

A sonoridade countrycore continua.  A sonoridade direta continua. A curta duração do álbum continua. As letras ásperas e, por vezes, irônicas seguem firme e forte. A verdade é que apesar de contar com uma nova formação, o grupo não perdeu sua identidade. Ou seja, quem é fã vai delirar. Quem não é fã, não perca seu tempo. Simples assim!

Mauricio Nogueira grava pela primeira vez com a banda

Embora Jimmy London seja uma figura forte dentro do conjunto, o rapaz não participa das composições. O guitarrista Marco Donida continua sendo a alma da banda e escreveu o disco inteiro sozinho. Tanto letras, quanto arranjos. Talvez por isso mesmo que sua proposta tenha se mantido intacta. Jimmy continua com seu estilo característico e sua performance ajuda a reforçar a identidade do grupo. Há quem diga que esse é o melhor caminho. Há quem diga que é falta de coragem para se arriscar. Na real, isso varia muito de grupo para grupo. Não gostaria que bandas como AC/DC ou Motorhead mudassem sua sonoridade para se demonstrarem antenados. No caso do Matanza, a fórmula vem funcionando muito bem.

Na verdade, os caras estão bem antenados. Embora o disco tenha chegado às lojas à poucas semanas, já tem algum tempo que os músicos vêm trabalhando sua divulgação. Se aproveitaram da tecnologia para demonstrar algumas canções antes de seu lançamento. Antes que tivessem o CD nas mãos, aqueles que os acompanham de perto já tinham assistido alguns clipes na internet.

Algo que vem assombrando os roqueiros do nosso país são as letras pau-molenga e atitude engraçadinha, alegrinha. Dos grupos com maior expressão midiática, talvez o Matanza seja a melhor antítese. Sempre apostaram em uma postura mais agressiva e as letras seguem o mesmo caminho. Não falam de praia, namorinho, dia de sol. Aqui, falam sobre assassinato, diabo, caos... Faixas de destaque: “A Sua Assinatura”, “O Que Está Feito, Está Feito”, “A Casa em Frente Ao Cemitério”, “Chance Pro Azar” e "O Pior Cenário Possível".

Nota: 8,0/10,0
Status: Direto e honesto

Faixas:
      01)   A Sua Assinatura
      02)   O Que Está Feito, Está Feito
      03)   Matadouro 18
      04)   A Casa Em Frente Ao Cemitério
      05)   Sob A Mira
      06)   Pior Cenário Possível
      07)   O Pessimista
      08)   Chance Pro Azar
      09)   Orgulho e Cinismo 
      10)   Conversa de Assassino Serial 

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Battle Beast - Unholy Savior (2015)

Por Rafael Menegueti

Battle Beast - Unholy Savior
Vocês já sabem como a Finlândia se tornou simplesmente um dos maiores produtores de bandas de metal nos últimos anos. Hoje eu mostro mais um excelente exemplo de criação da terra escandinava: o Battle Beast. Aqui temos uma banda que parece ter levado a fusão de estilos a outro nível, com power metal, hard rock e heavy tradicional  e uma interessante dose de pop dos anos 80. Curioso certo? Pois saiba que o terceiro disco de sua carreira, lançado esse ano, é o mais ousado de seus trabalhos e tem feito a banda alçar voos ainda mais altos.

“Unholy Savior” tem exatamente aquilo que faz do metal grandioso e empolgante, e é incrementado com uma variedade de estilo e pegada que torna o disco viciante. Vou começar falando que a capacidade da vocalista Noora Louhimo, que entrou na banda no segundo disco, vai da potência estilo Accept, Judas Priest ou Doro, como no single “Madness” e em “Far Far Away”, à suavidade pop, casos de “Sea of Dreams” e “Angel´s Cry”, com um timbre de voz muito bem trabalhado. Os riffs e solos de guitarra são poderosos, os teclados dão grande abrangência às canções e juntos servem pra demonstrar todas as influências perceptíveis da sonoridade do grupo, como heavy metal clássico, Nightwish, Sabaton, uma pitada de Sonata Arctica e até... Cindy Lauper (!).

Os membros do Battle Beast
Como disse, o som oitentista é a fonte de inspiração das canções. Mas eles bebem da fonte sem parecer forçar ou copiar a formula de suas influências. Basta ver como faixas como “Lionheart”, que abre o disco, “I Want the World... And Everything In It” e a ousada fusão de pop dos anos 80 e heavy metal tradicional de “Touch In The Night” ganham vida própria e dão o tom inovador por trás de toda a influência nostálgica da banda. Ainda destaco a faixa título como uma das melhores e mais potentes da banda, e “Speed and Danger” como uma faixa que faz jus ao nome.

Esse disco, assim como a banda, é um prato cheio para aqueles que estão atrás de um som mais tradicional, mas que ao mesmo tempo inova e não fica somente num saudosismo exagerado. Eles soam modernos e interessantes ao mesmo tempo em que se apoiam em tantas sonoridades diferentes. Não à toa, têm sido elogiados por onde passam. Essa é pra todos: os que querem a sonoridade clássica de volta e os que querem algo de novo, diferenciado e interessante na cena.


Nota: 9/10
Status: Tradicional e inspirado

Faixas:
01. Lionheart
02. Unholy Savior
03. I Want The World... And Everything In It
04. Madness
05. Sea Of Dreams
06. Speed And Danger
07. Touch In The Night
08. The Black Swordsman
09. Hero’s Quest
10. Far Far Away
11. Angel Cry