domingo, 10 de maio de 2015

Kurt Cobain: Montage of Heck (2015)

Por Rafael Menegueti

Kurt Cobain: Montage of Heck
Foi exibido no ultimo dia 04 de maio na TV norte-americana o aguardado documentário “Kurt Cobain: Montage of Heck”, do diretor Brett Morgen, que conta a historia do músico mais importante dos anos 90. O filme de pouco mais de 2 horas contou com a produção-executiva de Frances Bean, filha do cantor, e traça um retrato da vida de Kurt de uma maneira única e extremamente íntima.

São inúmeras as obras que já buscaram mostrar e contar a historia de Kurt. A filmografia e bibliografia, tanto de obras autorizadas quanto não, é imensa de material que possui diferentes ângulos e objetivos ao tratar da vida e obra do músico de Aberdeen. No entanto, nenhum desses trabalhos até hoje foi tão fundo na busca de mostrar detalhes antes nunca vistos a respeito do músico. Mas creio que o mais importante a ressaltar seja o fato de o filme não ser exatamente uma biografia, mas um perfil detalhado de sua vida, e que parece tentar retratar com riqueza de detalhes sua cabeça e alma.

Filme possui imagens inéditas de Kurt em diversas fases de sua vida
Através de entrevistas com algumas das pessoas mais próximas na vida do cantor (seus pais Wendy e Don, sua irmã Kim, o amigo e baixista do Nirvana Krist Novoselic, sua primeira namorada Tracy Marander e, principalmente, Courtney Love), trechos de suas músicas, vídeos caseiros, desenhos e rascunhos feitos pelo cantor, arquivos de áudio e animações criadas especialmente para o documentário, o filme cria uma colagem que mergulha no universo de Kurt, de modo a nos mostrar muito de sua intimidade em diversos momentos de sua vida.

Uma das coisas que torna esse filme único é o fato de ele não buscar reafirmar aquilo que todos nós já sabemos sobre Kurt, e que já foi mostrado em tantas outras obras como eu já citei. Ao invés disso ele explora elementos nunca antes vistos e os relaciona aos fatos e acontecimentos que rodearam a vida do cantor. Esqueça todo o dramalhão que poderia ser explorado com a relação conturbada de Kurt com os pais, a trajetória do Nirvana, os constantes dilemas com a fama, drogas etc. Embora tudo isso seja abordado, a proposta não é discutir e reafirmar fatos já conhecidos por todos, mas sim mostrar como eles afetavam a mente do músico.

O universo pessoal e artístico de Kurt são mostrados através de sua intimidade
O filme busca mostrar todos esses pontos cruciais que definiram e fizeram parte da vida de Kurt como da perspectiva do músico. Um exemplo: uma das questões mais importantes da formação desse perfil cinematográfico se passa no momento em que Kurt forma sua família, com Courtney e Francis. O filme mostra como, em meio às constantes acusações de uso de drogas durante a gravides de Courtney (nunca provadas e sempre negadas por eles), Kurt buscou tirar dessa situação inspiração para seguir com seu trabalho, expondo seus sentimentos através de letras de música, ilustrações e ideias. Talvez até pelo motivo de querer mostrar mais o íntimo de sua vida e personalidade ao invés de enumerar fatos e acontecimentos em si, o filme tenha deixado de fora os meses finais de sua vida e sua morte, se limitando a retratá-lo até o incidente de Roma, quando Kurt quase morreu de overdose, em março de 1994.

Mas provavelmente o principal atrativo de toda essa produção seja a imensidão de imagens e objetos inéditos, conseguidos graças à colaboração de todas essas pessoas próximas do músico. É como se um baú repleto dessas singularidades particulares tivesse sido desenterrado e seu interior mostrado pela primeira vez. O que por si só já torna esse filme obrigatório para qualquer um que admire Kurt, por qualquer motivo. “Montage of Heck” é uma obra que tem mais o objetivo de impressionar do que debater e pontuar. É como uma pintura em exposição, para quem quiser ver e por a sua própria interpretação nela, mas de uma maneira inteligente e que, sem sombra de dúvidas, traça um retrato digno da mente de um músico que influenciou e mexeu com toda uma geração.

sábado, 9 de maio de 2015

Lita Ford – The Bitch Is Back... Live! (2013):



Por Davi Pascale

Depois de passar por um período obscuro, a cantora Lita Ford dá a volta por cima e lança novo registro ao vivo com uma performance contagiante.

Recentemente, a cantora Lita Ford passou por um período negro em sua vida. Depois de vários anos casada com o cantor Jim Gillete (Nitro), seu casamento foi para o vinagre. E de uma maneira não muita bacana. Lita deu a entender, em algumas entrevistas, que havia apanhado de seu ex-marido. E, para piorar a situação, seus filhos viraram as costas para ela. O resultado de todo esse conflito está por trás de seu mais recente álbum Living Like a Runaway (já resenhado nesse blog). E foi justamente do registro dessa turnê que nasceu o disco.

A artista não deixa transparecer suas dores em nenhum momento. O show é bem pra cima, bem rock n roll. Lita Ford sempre foi um acaso atípico na indústria. Apesar de ter sido considerada um sex symbol nos anos 80, nunca deixou a musicalidade em segundo plano. Sempre foi uma boa cantora, uma boa guitarrista e sempre trabalhou com bons músicos. Nesse caso, musica e imagem sempre andaram de mãos dadas. E aqui não é diferente. Os músicos estão bem entrosados e sua voz continua intacta.

Enquanto muitos artistas vêm apostando cada vez mais em ficar tocando apenas os clássicos, a ex-Runaway fez diferente. Trouxe 4 músicas de seu mais recente álbum: “Devil In My Head”, “Hate”, “Relentless”, além da faixa título. Duas canções não tão manjadas entre seus fãs de MTV, mas que seus fãs de carteirinha adoram: “Out For Blood” e "Dancin´ On The Edge". Além de um cover de Elton John, “The Bitch Is Back”.

Registro traz apresentação bem rock n roll e enérgica

A ausência de teclados fez com que as músicas de sua fase mais comercial passassem a se focar mais nas guitarras, ganhando mais peso. Enquanto vários artistas optam por entrar em estúdio para refazer todos os erros do show, a cantora optou por deixar o som nu e cru. O que ouvimos aqui é exatamente o que rola nas apresentações.

Aqueles que gostam de seus hits não precisam se preocupar. Lita continua executando-os em seus shows e aparece o registro de alguns deles por aqui como “Hungry”, “Kiss Me Deadly” e “Close My Eyes Forever”. Infelizmente, meu disco favorito, Dangerous Curves, foi esquecido. Nem mesmo a manjadíssima “Shot of Poison” deu as caras por aqui. Talvez tenha sido uma escolha na hora de montar o repertório do disco, já que esse não é seu primeiro registro ao vivo. De todo modo, trata-se de um grande show. Lita Ford demonstra que ainda consegue levantar a galera e que ainda tem muita lenha pra queimar. Continuo na torcida para que resolva dar uma passadinha aqui no Brasil para alguns showzinhos. Esse é um show que eu gostaria de assistir.

Nota: 8,0/10,0
Status: Empolgante
      
      01)   The Bitch Is Back
      02)   Hungry
      03)   Relentless
      04)   Living Like a Runaway
      05)   Devil In My Head
      06)   Back To The Cave
      07)   Can´t Catch Me
      08)   Out For Blood
      09)   Dancin´ On The Edge
      10)   Hate
      11)   Close My Eyes Forever
      12)   Kiss Me Deadly

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Notícias do Rock (pra não ficar por fora)

Por Rafael Menegueti

Anneke van Giersbergen lançará caixa do Agua de Annique


A cantora holandesa que fez parte do The Gathering e hoje faz sucesso em projetos como o The Gentle Storm, além de sua carreira solo, irá lançar um box com os quatro discos do Agua de Annique, nome que ela deu ao seu projeto solo antes de decidir assinar com seu próprio nome. Além dos discos, a caixa conterá artwork maior, mais fotos, comentários e letras das canções. O lançamento será no dia 15 de junho, mas já é possível adquirir a pré-venda.

Scott Weiland chama a atenção em performance estranha ao vivo


Um vídeo de um show que o ex-vocalista do Stone Temple Pilots realizou na última semana no Texas com sua nova banda, The Wildabouts, vem deixando seus fãs preocupados. Ao tentar cantar “Vasoline”, um dos clássicos de sua antiga banda, Weiland aparece completamente desnorteado, cambaleante e totalmente fora do tom, aparentando estar sobre efeito de drogas ou álcool inclusive. O músico alegou que o motivo da performance estranha teria sido problemas com os fones de seu retorno, que não funcionavam corretamente. No entanto, o histórico do músico faz com que muita gente considere a primeira hipótese. O que será que realmente aconteceu?

Novo álbum do Soulfly já tem data de lançamento

O decimo álbum de estúdio da banda liderada por Max Cavalera será lançado no dia 14 de agosto e se chamará “Archangel”. O trabalho será o segundo com a participação de Zyon Cavalera, filho de Max, na bateria. A banda deve sair em turnê a partir de setembro. Outra informação recente sobre o grupo foi o anuncio da saída do baixista Tony Campos, que agora se une ao Fear Factory.

Linkin Park já deve lançar novo álbum em 2016


O sucesso do mais recente disco, “The Hunting Party” (2014), parece ter deixado o Linkin Park ainda mais empolgado em continuar na ativa. Segundo entrevista do vocalista Mike Shinoda ao site Altwire, a banda está pronta para começar a trabalhar em um novo disco. Segundo ele o novo lançamento deve sair ano que vem. Recentemente a banda lançou um single em parceria com o DJ Steve Aoki, chamada “Darker Than Blood”.

Novo disco com faixas inéditas de Kurt Cobain a caminho
 
O diretor Brett Morgan
Segundo Brett Morgan, diretor do documentário sobre o líder do Nirvana, morto em 1994, chegará em breve às lojas um CD com músicas inéditas de Kurt, encontradas durante suas pesquisas para o filme que produziu. O diretor de “Montage of Heck” ainda afirmou que as pessoas irão se surpreender com o tipo de material encontrado. O lançamento deve ocorrer ainda no meio desse ano.


quinta-feira, 7 de maio de 2015

Lynch Mob – Sun Red Sun (2014):



Por Davi Pascale

Lynch Mob chega à seu décimo-primeiro álbum. Contando com dois integrantes da formação original, grupo surpreende com trabalho inspirado. Provavelmente, o melhor disco lançado pelos músicos dentre todos os retornos.

Da formação original, continuam o vocalista Oni Logan e o guitarrista George Lynch. Completam o time, o baterista Scott Coogan (Brides of Destruction, Ace Frehley) e o baixista Kevin Baldes (Lit). A mesma formação do EP Sound Mountain Sessions (2012). Quem acompanha a cena de perto, provavelmente se lembrou do saudoso Ray Gillen ao se deparar com o nome do novo trabalho. Sun Red Sun é o nome de uma musica do ultimo álbum do Badlands (Dusk) e também o nome do ultimo grupo que Gillen esteve à frente. E não foi uma coincidência, não. Aqui, há uma canção com esse nome que é justamente uma homenagem ao falecido vocalista. Ray e George Lynch eram amigos próximos. O cantor chegou, inclusive, a gravar uma faixa no primeiro álbum solo de Lynch, Sacred Groove (1993).

“Believers Of The Day” abre o disco já causando uma ótima impressão. Oni Logan, que gravou o cultuado Wicked Sensation, demonstra estar com uma ótima voz ainda. George Lynch continua debulhando trazendo seus solos sempre criativos e técnicos dentro da sonoridade hard costumeira do grupo. Os fãs das antigas irão delirar ainda com “Play The Game” (não, não é a do Queen) e “Subliminal Dream”.

Nome de álbum é homenagem à Ray Gillen

Embora George Lynch seja conhecido por sua técnica, nunca deixou o feeling de lado. Por um pouquinho só, o rapaz não adentrou a banda solo de Ozzy Osbourne nos anos 80. Ele chegou a ser contratado, mas alguns dias depois, Ozzy decidiu que o guitarrista certo era Jake E Lee e o demitiu. Ainda fico imaginando como seria sua participação na banda do madman. Acho que ele se sairia bem.

Não é surpresa para ninguém a admiração que os músicos têm pelo rock dos anos 70. No segundo álbum, lançado em 1992 com o vocalista Robert Mason, os caras fizeram uma releitura de “Tie Your Mother Down” (Queen). Aqui, optaram por “Burnin´ Sky” do Bad Company. O arranjo é bem próximo da original e casou bem com a voz de Logan. “Black Waters” é um numero instrumental de Lynch (essa eu achei que poderia ser mais inspirada), enquanto a já citada “Sun Red Sun” é uma bonita balada em formato acústico. Fecha o álbum as músicas do EP Sound Moutain Sessions, que ganharam nova masterização. Rock n roll para ninguém botar defeito.

Nota: 9,0/10,0
Status: Mortal

Faixas:
      01)   Believers Of The Day
      02)   Erotika
      03)   Burnin´ Sky
      04)   Black Waters
      05)   Play The Game
      06)   Subliminal Dream
      07)   Sun Red Sun
      08)   Slow Drag
      09)   World of Change
      10)   City of Freedom
11)  Sucka

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Kamelot – Haven (2015)

Por Rafael Menegueti

Kamelot - Haven
Desde que foi escolhido novo vocalista do Kamelot, em 2012, Tommy Karevik vem provando que pode sim substituir à altura o idolatrado Roy Khan. Sua boa atuação em “Silverthorn”, lançado ainda naquele ano, além de sua grande performance ao vivo serviram para superar a desconfiança dos fãs sobre o novo frontman. Agora com o lançamento de “Haven”, Karevik consegue se firmar e deixar de vez o estigma do “substituto” para trás.

O disco veio depois de uma longa espera, até porque o Kamelot fez uma extensa turnê para divulgar seu trabalho anterior. Mas é notável como esse tempo serviu para consolidar a nova formação e entrosar ainda mais o novo vocalista. A banda conseguiu fazer seu habitual som com ainda mais consistência e composições que são a sua cara.

A melodia que sempre é o ponto forte da banda, emotiva e com toques dramáticos , segue sendo o ponto forte e principal característica do som. O grande lance desse disco é que nele a banda conseguiu trazer harmonias e riffs bem mais marcantes que no antecessor, o que fez com que ele ficasse em um nível próximo dos grandes lançamentos da historia da banda. Ouso dizer que esse é o melhor desde “Black Halo” de 2005.

“Fallen Star” é uma faixa envolvente para abrir o disco, seguida pelo single “Insomnia”, que consegue ganhar fácil na primeira audição. “Citizen Zero” tem uma melodia mais sombria, com arranjos muito bem produzidos. “Veil of Elysium” é pesada e tem um excelente tema de guitarra, sendo outra das melhores faixas do disco. Já “Under Grey Skyes” é aquela balada cheia de emoção, típica da banda, e conta com a perfeita participação de Charlotte Wessels, do Delain, fazendo o dueto com Tommy. “My Therapy” é outra faixa que destoa positivamente no disco, possui um ritmo bem empolgante.

Os membros do Kamelot
O disco então é dividido pela faixa “Ecclesia”, uma vinheta com vozes sussurrando e um leve coro que serve mais para introduzir a faixa seguinte, “End of Innocence”, que mais uma vez mistura melodia com um tema de guitarra forte e arranjos sinfônicos. “Beautiful Apocalypse” é outro momento de mais peso, onde os backing vocals femininos se destacam no refrão. Em “Liar Liar (Wasteland Monarchy)” temos a participação de Alissa White-Gluz, que volta a trabalhar com a banda depois de aparecer em “Silverthorn” e ter acompanhado a banda em quase toda a turnê de divulgação do disco, fazendo da faixa outro bom momento do álbum.

O disco vai chegando ao final com mais uma balada, “Here’s to the Fall”, onde os apenas arranjos sinfônicos e piano acompanham a voz em tom melancólico de Tommy. Ela precede a ultima porrada do disco, “Revolution”, que mais uma vez tem o peso reforçado pelos guturais de Alissa White-Gluz. O disco encera com a instrumental “Haven”, que é formada por corais e arranjos sinfônicos e orquestrais.

A edição deluxe tem um CD bônus com versões instrumentais, orquestrais e acústicas das faixas do disco, uma adição interessante para os fãs mais apaixonados. O fato é que “Haven” trouxe todos os elementos que fazem do Kamelot uma banda tão admirada dentro do power/symphonic metal. O trabalho vocal é bastante melódico e impecável. As músicas transitam entre os arranjos sinfônicos, com os teclados de Oliver Palotai, e o peso da guitarra de Thomas Youngblood com riffs empolgantes e criativos. O disco todo é muito agradável, sem ter uma única faixa que possa ser considerada ruim. Para os fãs da banda, “Haven” é sem dúvida um disco a ser celebrado pela ótima forma que a banda continua apresentando depois de tantos anos na estrada.


Nota: 9/10
Status: Emocional e potente

Faixas:
1. Fallen Star
2. Insomnia
3. Citizen Zero
4. Veil of Elysium
5. Under Grey Skies
6. My Therapy
7. Ecclesia
8. End of Innocence
9. Beautiful Apocalypse
10. Liar Liar (Wasteland Monarchy)
11. Here's To The Fall
12. Revolution
13. Haven

terça-feira, 5 de maio de 2015

John Corabi – Unplugged (2012):



Por Davi Pascale

Em Unplugged, John Corabi revive sua trajetória. Com arranjos bem elaborados e ótimo trabalho vocal, o cantor norte-americano relembra sua curta discografia e apresenta novas canções.

John Corabi é aquele caso clássico do cara que é extremamente talentoso, mas nunca teve a atenção necessária da mídia para que se tornasse um grande nome. Chegou perto, é verdade. Seu grupo Scream chegou a colocar alguns clipes na programação da MTV, além de ter tido uma rápida passagem no Motley Crue, com quem gravou apenas um trabalho em 1994. Embora fosse um ótimo disco, a até então recente briga dos músicos com a emissora (que, naquela época, era o principal meio de divulgação de uma música) e a mudança de direcionamento fez com que o álbum não ganhasse a atenção necessária. Não demorou muito para que chutassem o rapaz da banda e trouxessem de volta seu antigo vocalista, Vince Neil.

John chegou a participar ainda de dois projetos ao lado do Bruce Kulick: o projeto de covers ESP e o autoral Union. Formado pouco após a saída de Kulick do Kiss, as revistas comentaram bastante sobre o Union na época. Mas, foi isso. Os rapazes não conseguiram emplacar musicas nas rádios e emissoras de TV, o que é uma pena. O grupo era bem legal. Fizeram dois álbuns fantásticos que pouca gente conhece.

Unplugged, lançado pelo selo independente Rat Pak Records, mais uma vez passou batido. Aqui, faz meio que um resumo de sua carreira. Apresenta músicas de todos seus discos, além de apresentar 5 canções inéditas. Para concluir esse trabalho, Corabi contou com o apoio de Matt Farley, Cheney Brannon (Collective Soul), Topher Nolen e D.A. Karkos. Bruce Kulick faz participação especial em “Hooligan´s Holiday” e “Man In The Moon”.

Unplugged mistura velhas e novas canções

 Com seu timbre rasgado, quase bluesy, e ótimo domínio vocal, o rapaz brilha no CD. Algumas canções como “Love (I Don´t Need It Anymore)” e “Father, Mother, Son”, tiveram seu arranjo original mantido. Trocando apenas as guitarras pelos violões. Outras como “Hooligan´s Holiday”, ganharam uma nova levada.

As faixas inéditas são ótimas. “Are You Waiting” é um presente para seus fãs. Trata-se de uma canção perdida. Existe uma demo dessa faixa com um grupo chamado Angora. Sim, era Corabi nos vocais, pré Scream. Essa demo, que até hoje não viu a luz do dia, foi produzida por ninguém mais, ninguém menos do que Steve Vai. Outra que seus fãs de carteirinha já conheciam é “Open Your Eyes” de um projeto que lançou em 2002 com o nome de Zen Lunatic. Essas músicas nunca foram lançadas em formato físico, somente digital. “If I Had a Dime”, “Crash” e “If I Never Get To Say Goodbye”, foram escritas especialmente para o CD acústico. Trata-se de 3 baladas cativantes que ficam na sua memória após poucas audições. John Corabi sempre teve preocupação na criação de melodias (influência vinda provavelmente dos Beatles, grupo que adora) e aqui não é diferente.

Muitos podem achar que é fácil fazer um CD acústico, mas definitivamente não é. Existe todo um cuidado especial. Desde escolha de repertório (não é toda música que funciona nesse formato), criação dos arranjos e, principalmente, vocalização. Nesse formato, a voz costuma ganhar maior destaque. Pode reparar que tem muito artista que lança disco acústico e passa vergonha. John Corabi conseguiu fazer um trabalho que é, ao mesmo tempo, elaborado e despretensioso. Faixas como “I Never Loved Her Anyway” soa como se fossem amigos brincando dentro do estúdio. Trabalho fantástico que prova todo seu talento.

Nota: 9,0 / 10,0
Status: Fantástico

Faixas: 
      01)  Love (I Don’t Need It Anymore) (Union)
      02)  If I Never Get To Say Goodbye (Inédita)
      03)  Are You Waiting? (Inédita)
      04)  Crash (Inédita)
      05)  Everything´s Alright (Union)
      06)  Father, Mother, Son (Scream)  
      07)  Hooligan´s Holiday (Motley Crue)
      08)  If I Had A Dime (Inédita)
      09)  Loveshine (Motley Crue)
      10)  Man In The Moon (Scream)
      11)  Open Your Eyes (Inédita)
      12)  I Never Loved Her Anyway (Scream)

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Karmaflow: The Rock Opera Videogame Original Soundtrack (2015)

Por Rafael Menegueti

Karmaflow - The Original Soundtrack
Ano passado eu fiz um post falando sobre o Karmaflow, um projeto de um grupo de desenvolvedores holandeses para criar um game que fosse também uma opera rock (leia o post aqui). Para isso, inúmeros nomes consagrados da cena atual do metal foram convidados, gravando as vozes e o instrumental acompanhados pela orquestra holandesa Metropole. Cada cantor assumiu um personagem da historia, e as canções são parte do jogo também, embora nem todas que o jogador encontra no game estejam na trilha sonora que, finalmente, foi lançada.

Finalmente porque o jogo já estava disponível desde janeiro, quando foi lançado pela Steam. E de fato os desenvolvedores entregaram o que prometeram, um jogo envolvente, inovador e com personagens e enredo bem exóticos. Surpreendente por ser um projeto independente, bancado por um sistema de croudfunding. O CD com a trilha, a princípio limitado a mil cópias, saiu no ultimo dia 29 de abril. Mas é possível encontrar a versão digital também através do site Bandcamp.

A banda que se apresenta ao vivo como Karmaflow In Concert
Vale lembrar que as canções são apresentadas dentro do contexto do jogo e não como um projeto musical comum. Sendo assim, a trilha sonora não é exatamente o objetivo principal do lançamento. Mas as faixas são boas demais para serem simplesmente um complemento do mesmo. Nesta trilha, encontramos varias vinhetas e canções apresentadas pelas vozes presentes no game.

Após o tema inicial, apresentado no menu do jogo, a primeira canção é a vinheta “The Essence of Grief”, gravada por Charlotte Wessels (Delain), que é a narradora da historia (uma narração obviamente cantada). Ela tem apenas pouco mais de um minuto, e apresenta a introdução do enredo. Charlotte ainda aparece em outros quatro interlúdios da trilha, que separam as partes do enredo em intervalos. Em seguida já temos a primeira música mais elaborada, “The Muse and the Conductor”, que mostra o dueto de Alissa White-Gluz (Arch Enemy) e Marc Hudson (Dragonforce), respectivamente como os personagens que dão nome a faixa, com Alissa usando tanto seus guturais quanto a voz limpa, e Marc complementando com vocais masculinos competentes.

Os cantores presentes na trilha (clique para ampliar)
Após Charlotte reaparecer no interlúdio “The Essence of Despair”, vem a parceria de Mark Jansen (Epica) e Lindsay Lovecraft (Cradle of Filth) em “The Guide”. Já em “The Bird Goddess” quem solta a voz é a vocalista do Tristania, Mariangela Demurtas. “The Twins” é um belo dueto com Tony Kakko (Sonata Arctica) e Elize Ryd (Amaranthe), fazendo os personagens “Irmão Sol” e “Irmã Lua” respectivamente. Já em “The Heart” quem aparece é Henning Basse (MaYaN, ex-Metalium) e Daniel de Jongh (Textures) que fazem uma das duplas mais entrosadas entre os duetos. A inusitada parceria entre Dani Filth (Cradle of Filth) e Simone Simons (Epica) resulta na faixa mais longa e progressiva da trilha, “The Creator and the Destructor”, ponto alto do lançamento. “The Sacrifice”, cantada pela desconhecida mas talentosa Lisette van den Berg, encerra a trilha sonora.

Os instrumentistas por trás das músicas (clique para ampliar)
O trabalho dos músicos é muito bom, ao criar um clima nas canções que de fato remete a uma opera rock, com elementos épicos, boa orquestração e que não poupou em peso e riffs potentes. Um verdadeiro músical para headbangers. Os nomes envolvidos, não só dos cantores, mas também dos músicos da banda (veja a lista na imagem acima) jamais decepcionariam com o currículo que tem. Seria interessante apenas que eles tivessem incluído todas as canções apresentadas no game, ao invés de optar por deixar algumas que seriam cantadas por personagens repetidos de fora, já que, com excessão de Charlotte Wessels, todos os outros nomes aparecem em apenas uma canção no disco. Mas nada que tirasse a beleza do projeto. Pelo contrario, ficou um gostinho de “quero mais”.


Nota: 8,5/10
Status: Epico e inovador

Faixas:
1. Karmaflow Main Theme
2. The Essence Of Grief
3. The Muse And The Conductor
4. The Essence Of Despair
5. The Guide
6. The Essence Of Jealousy
7. The Bird Goddess
8. The Twins
9. The Essence Of Greed
10. The Heart
11. The Creator And The Destroyer
12. The Sacrifice