terça-feira, 5 de maio de 2015

John Corabi – Unplugged (2012):



Por Davi Pascale

Em Unplugged, John Corabi revive sua trajetória. Com arranjos bem elaborados e ótimo trabalho vocal, o cantor norte-americano relembra sua curta discografia e apresenta novas canções.

John Corabi é aquele caso clássico do cara que é extremamente talentoso, mas nunca teve a atenção necessária da mídia para que se tornasse um grande nome. Chegou perto, é verdade. Seu grupo Scream chegou a colocar alguns clipes na programação da MTV, além de ter tido uma rápida passagem no Motley Crue, com quem gravou apenas um trabalho em 1994. Embora fosse um ótimo disco, a até então recente briga dos músicos com a emissora (que, naquela época, era o principal meio de divulgação de uma música) e a mudança de direcionamento fez com que o álbum não ganhasse a atenção necessária. Não demorou muito para que chutassem o rapaz da banda e trouxessem de volta seu antigo vocalista, Vince Neil.

John chegou a participar ainda de dois projetos ao lado do Bruce Kulick: o projeto de covers ESP e o autoral Union. Formado pouco após a saída de Kulick do Kiss, as revistas comentaram bastante sobre o Union na época. Mas, foi isso. Os rapazes não conseguiram emplacar musicas nas rádios e emissoras de TV, o que é uma pena. O grupo era bem legal. Fizeram dois álbuns fantásticos que pouca gente conhece.

Unplugged, lançado pelo selo independente Rat Pak Records, mais uma vez passou batido. Aqui, faz meio que um resumo de sua carreira. Apresenta músicas de todos seus discos, além de apresentar 5 canções inéditas. Para concluir esse trabalho, Corabi contou com o apoio de Matt Farley, Cheney Brannon (Collective Soul), Topher Nolen e D.A. Karkos. Bruce Kulick faz participação especial em “Hooligan´s Holiday” e “Man In The Moon”.

Unplugged mistura velhas e novas canções

 Com seu timbre rasgado, quase bluesy, e ótimo domínio vocal, o rapaz brilha no CD. Algumas canções como “Love (I Don´t Need It Anymore)” e “Father, Mother, Son”, tiveram seu arranjo original mantido. Trocando apenas as guitarras pelos violões. Outras como “Hooligan´s Holiday”, ganharam uma nova levada.

As faixas inéditas são ótimas. “Are You Waiting” é um presente para seus fãs. Trata-se de uma canção perdida. Existe uma demo dessa faixa com um grupo chamado Angora. Sim, era Corabi nos vocais, pré Scream. Essa demo, que até hoje não viu a luz do dia, foi produzida por ninguém mais, ninguém menos do que Steve Vai. Outra que seus fãs de carteirinha já conheciam é “Open Your Eyes” de um projeto que lançou em 2002 com o nome de Zen Lunatic. Essas músicas nunca foram lançadas em formato físico, somente digital. “If I Had a Dime”, “Crash” e “If I Never Get To Say Goodbye”, foram escritas especialmente para o CD acústico. Trata-se de 3 baladas cativantes que ficam na sua memória após poucas audições. John Corabi sempre teve preocupação na criação de melodias (influência vinda provavelmente dos Beatles, grupo que adora) e aqui não é diferente.

Muitos podem achar que é fácil fazer um CD acústico, mas definitivamente não é. Existe todo um cuidado especial. Desde escolha de repertório (não é toda música que funciona nesse formato), criação dos arranjos e, principalmente, vocalização. Nesse formato, a voz costuma ganhar maior destaque. Pode reparar que tem muito artista que lança disco acústico e passa vergonha. John Corabi conseguiu fazer um trabalho que é, ao mesmo tempo, elaborado e despretensioso. Faixas como “I Never Loved Her Anyway” soa como se fossem amigos brincando dentro do estúdio. Trabalho fantástico que prova todo seu talento.

Nota: 9,0 / 10,0
Status: Fantástico

Faixas: 
      01)  Love (I Don’t Need It Anymore) (Union)
      02)  If I Never Get To Say Goodbye (Inédita)
      03)  Are You Waiting? (Inédita)
      04)  Crash (Inédita)
      05)  Everything´s Alright (Union)
      06)  Father, Mother, Son (Scream)  
      07)  Hooligan´s Holiday (Motley Crue)
      08)  If I Had A Dime (Inédita)
      09)  Loveshine (Motley Crue)
      10)  Man In The Moon (Scream)
      11)  Open Your Eyes (Inédita)
      12)  I Never Loved Her Anyway (Scream)

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Karmaflow: The Rock Opera Videogame Original Soundtrack (2015)

Por Rafael Menegueti

Karmaflow - The Original Soundtrack
Ano passado eu fiz um post falando sobre o Karmaflow, um projeto de um grupo de desenvolvedores holandeses para criar um game que fosse também uma opera rock (leia o post aqui). Para isso, inúmeros nomes consagrados da cena atual do metal foram convidados, gravando as vozes e o instrumental acompanhados pela orquestra holandesa Metropole. Cada cantor assumiu um personagem da historia, e as canções são parte do jogo também, embora nem todas que o jogador encontra no game estejam na trilha sonora que, finalmente, foi lançada.

Finalmente porque o jogo já estava disponível desde janeiro, quando foi lançado pela Steam. E de fato os desenvolvedores entregaram o que prometeram, um jogo envolvente, inovador e com personagens e enredo bem exóticos. Surpreendente por ser um projeto independente, bancado por um sistema de croudfunding. O CD com a trilha, a princípio limitado a mil cópias, saiu no ultimo dia 29 de abril. Mas é possível encontrar a versão digital também através do site Bandcamp.

A banda que se apresenta ao vivo como Karmaflow In Concert
Vale lembrar que as canções são apresentadas dentro do contexto do jogo e não como um projeto musical comum. Sendo assim, a trilha sonora não é exatamente o objetivo principal do lançamento. Mas as faixas são boas demais para serem simplesmente um complemento do mesmo. Nesta trilha, encontramos varias vinhetas e canções apresentadas pelas vozes presentes no game.

Após o tema inicial, apresentado no menu do jogo, a primeira canção é a vinheta “The Essence of Grief”, gravada por Charlotte Wessels (Delain), que é a narradora da historia (uma narração obviamente cantada). Ela tem apenas pouco mais de um minuto, e apresenta a introdução do enredo. Charlotte ainda aparece em outros quatro interlúdios da trilha, que separam as partes do enredo em intervalos. Em seguida já temos a primeira música mais elaborada, “The Muse and the Conductor”, que mostra o dueto de Alissa White-Gluz (Arch Enemy) e Marc Hudson (Dragonforce), respectivamente como os personagens que dão nome a faixa, com Alissa usando tanto seus guturais quanto a voz limpa, e Marc complementando com vocais masculinos competentes.

Os cantores presentes na trilha (clique para ampliar)
Após Charlotte reaparecer no interlúdio “The Essence of Despair”, vem a parceria de Mark Jansen (Epica) e Lindsay Lovecraft (Cradle of Filth) em “The Guide”. Já em “The Bird Goddess” quem solta a voz é a vocalista do Tristania, Mariangela Demurtas. “The Twins” é um belo dueto com Tony Kakko (Sonata Arctica) e Elize Ryd (Amaranthe), fazendo os personagens “Irmão Sol” e “Irmã Lua” respectivamente. Já em “The Heart” quem aparece é Henning Basse (MaYaN, ex-Metalium) e Daniel de Jongh (Textures) que fazem uma das duplas mais entrosadas entre os duetos. A inusitada parceria entre Dani Filth (Cradle of Filth) e Simone Simons (Epica) resulta na faixa mais longa e progressiva da trilha, “The Creator and the Destructor”, ponto alto do lançamento. “The Sacrifice”, cantada pela desconhecida mas talentosa Lisette van den Berg, encerra a trilha sonora.

Os instrumentistas por trás das músicas (clique para ampliar)
O trabalho dos músicos é muito bom, ao criar um clima nas canções que de fato remete a uma opera rock, com elementos épicos, boa orquestração e que não poupou em peso e riffs potentes. Um verdadeiro músical para headbangers. Os nomes envolvidos, não só dos cantores, mas também dos músicos da banda (veja a lista na imagem acima) jamais decepcionariam com o currículo que tem. Seria interessante apenas que eles tivessem incluído todas as canções apresentadas no game, ao invés de optar por deixar algumas que seriam cantadas por personagens repetidos de fora, já que, com excessão de Charlotte Wessels, todos os outros nomes aparecem em apenas uma canção no disco. Mas nada que tirasse a beleza do projeto. Pelo contrario, ficou um gostinho de “quero mais”.


Nota: 8,5/10
Status: Epico e inovador

Faixas:
1. Karmaflow Main Theme
2. The Essence Of Grief
3. The Muse And The Conductor
4. The Essence Of Despair
5. The Guide
6. The Essence Of Jealousy
7. The Bird Goddess
8. The Twins
9. The Essence Of Greed
10. The Heart
11. The Creator And The Destroyer
12. The Sacrifice

domingo, 3 de maio de 2015

Mr Catra não é a salvação



Por Davi Pascale

Mr Catra não salvará o rock. Não, você não leu errado. E eu também não enlouqueci. A conversa chegou nesse nível. O funkeiro lançou um grupo de rock chamado Mr Catra & Os Templários, deu uma entrevista dizendo que vai salvar o rock, comparando sua voz à de David Coverdale e agora tem um monte de gente que no ano passado tirava sarro do cara, idolatrando-o.

É claro que quando falamos da cena precisando de mudanças, estamos nos dirigindo à cena mainstream. Ou seja, aos grupos que fazem parte da grande mídia. Concordo que o rock brasileiro, mais uma vez falando de mainstream, carece de bons artistas nesse momento. O problema é que Mr Catra é mais um desses que carecem de talento. E não, não estou sendo preconceituoso.

Estamos trocando 6 por meia dúzia. Nesse caso, talvez, 6 por 4. Assisti ontem ao tal clipe de “O Retorno é de Jedi”. Não consigo entender a tal celebração. Rock pesadinho com percussão? Ostheobaldo fez isso nos anos 90 e já não eram considerados inovadores. Concordo que o clipe está bem produzido e que os músicos que o acompanham aparentemente são bons. Digo aparentemente porque ainda não vi os caras ao vivo. E, honestamente, acho que nem quero.  O lance é que em um grupo com esse nome, obviamente, a estrela é o Mr Catra. E o que ele nos entregou? Uma letra ridícula e um trabalho vocal tenebroso. 

Muitos falam da atitude rock de Mr Catra. Para mim, é pouco. Aplaudir isso é dizer que a música é secundária. Então se o cara tem 30 filhos, tudo bem gravar música de merda? Não tem problema escrever letras ridículas e não saber cantar, desde que ele tenha a atitude rock? Faça-me o favor...

O que falta é que as pessoas que estão por trás do negócio, tomem vergonha na cara e parem de investir em pessoas sem talento e passem a investir em artistas que tenham o que dizer. Existem dois tipos de artista que respeito: aquele cara que estuda horas a fio e sabe por a+b tudo o que está fazendo ali e aquele cara que, apesar de não ser um grande músico, é um cara criativo e/ou um bom compositor... Nosso amigo Mr Catra não se encaixa em nenhum dos dois grupos.

Essa situação toda serve somente para demonstrar o quão preocupante está nosso cenário. E o mais triste de tudo é que temos ótimos artistas espalhados Brasil afora, esperando por oportunidades. Se o espaço que a mídia está dando para esse cara falar essas bobagens (sério, um cara desses se comparar ao Coverdale é uma heresia), desse para artistas realmente talentosos, a história seria diferente. Sinto dizer, mas o sucesso de Mr Catra não vai resgatar o gênero, irá ajudar a matá-lo de vez. Quando alguém se destaca, é comum que passem a investir em cópias. Ou seja, teremos mais uma geração de artistas focando mais em imagem do que em música. Por sua conta e risco, eu estou fora.

sábado, 2 de maio de 2015

Kiske / Somerville – City of Heroes (2015)

Por Rafael Menegueti

Kiske/Somerville - City of Heroes
O projeto que uniu dois grandes vocalistas do metal está de volta. Michael Kiske, ex-vocalista do Helloween e agora no elogiado Unisonic, e Amanda Somerville, conhecida por sua banda Trillium, além de inúmeras participações e parcerias com nomes como Avantasia, Epica, Edguy, Kamelot, HDK e muitos outros, lançam o segundo disco de seu projeto Kiske / Somerville. Eles mantem a mesma fórmula de seu primeiro trabalho, mas com algumas mudanças na formação.

Alem da dupla de vocais, se mantiveram na banda o baixista Mat Sinner e o guitarrista e tecladista Magnus Klarsson. Sander Gommans, ex-guitarrista do After Forever e hoje no HDK não voltou a aparecer nesse disco. Já a bateria ficou a cargo da tcheca Veronica Lukešová. A pequena diferença no line-up do projeto também resultou em pouca diferença no som apresentado. A mescla de hard rock, power metal e elementos sinfônicos e progressivos segue sendo a base por onde o projeto se desenvolve.

O disco abre com o single “City of Heroes”, que também dá nome ao disco. A faixa é empolgante e tem uma levada agitada com um refrão potente, com a dupla fazendo um excelente dueto. “Walk On Water” é mais melódica, com mais ênfase em arranjos de teclado, assim como “Salvation”. “Rising Up” tem belos arranjos sinfônicos e mais velocidade na pegada, com Amanda comandando os vocais no refrão. Já “Lights Out” é uma faixa cheia de energia com um refrão cativante.

Amanda Somerville, Michael Kiske e os outros membros da banda
Em “Breaking Neptune” a interação dos dois vocalistas ganha um destaque melhor, assim como o bom tema de guitarra apresentado. A sequencia de peso é interrompida com a balada “Ocean of Tears”, que vai crescendo até estourar em um bom solo de guitarra, mas acaba de repente. “Open Your Eyes” é uma faixa bastante animada com mais um refrão chamativo. Mais perto do fim do disco, “Last Goodbye” é mais um hard rock de peso, seguido pela semi-balada “After the Night Is Over”, mais um bom respiro do disco. “Run With a Dream” não traz muitas surpresas, termina quando fica boa. A faixa que encerra o disco, no entanto, já soa bacana desde o início, “Right Now”. É onde Kiske consegue mostrar mais de sua capacidade em relação ao resto do disco, embora o destaque seja mais de Amanda.

Apesar de ser um ótimo disco, com faixas cheias de energia e levadas típicas do hard rock, é possível apontar também que ele não parece ser o melhor que a dupla poderia apresentar. O nível de capacidade tanto de Kiske quanto de Amanda são muito maiores do que eles imprimem em vários momentos. Sem falar que algumas faixas demoram pra acontecer de fato, encerrando no momento em que elas parecem melhores. Poucas são as músicas realmente marcantes. O que não chega a ser um grave problema, já que como um todo o disco cumpre o seu papel dentro do estilo que se propõe. Vale bastante a pena pra todos que são fãs dos dois cantores e do estilo como um todo.


Nota: 7/10
Status: Interessante

Faixas:
01. City Of Heroes
02. Walk On Water
03. Rising Up
04. Salvation
05. Lights Out
06. Breaking Neptune
07. Ocean Of Tears
08. Open Your Eyes
09. Last Goodbye
10. After The Night Is Over
11. Run With A Dream
12. Right Now

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Notícias do Rock (Pra Não Ficar Por Fora)

Fique por dentro das ultimas noticias do rock. Separações, lançamentos, shows no Brasil. Confira, na reportagem a seguir.

Por Davi Pascale


Richie Kotzen tocará com Extreme no Brasil




O guitarrista norte-americano Richie Kotzen foi confirmado pela produtora Free Pass como uma segunda atração na turnê que o Extreme fará no Brasil. Exatamente, não trata-se de um numero de abertura e sim, de um special guest. Ou seja, assistiremos dois shows na integra. Sim, nós da Riff Virtual estaremos no show de São Paulo cobrindo esse evento para vocês. Será bem interessante, ver dois guitarristas que despontaram mais ou menos na mesma época e foram considerados pela mídia como menino prodígio, tocando na mesma noite.


Kiss e Scooby Doo juntos




Pelo visto não é apenas a família dos Simpsons que trazem convidados de rock como participação. A trupe do Scooby Doo se uniu aos roqueiros do Kiss em seu novo filme que chegará às lojas no mês de julho. Atendendo pelo nome Scooby Doo! & Kiss: A Rock n Roll Mistery, a animação trará uma musica inédita dos mascarados, além da participação especial do grupo no desenho. A dublagem foi feita pelos próprios músicos.


Kid Abelha chega ao fim




A cantora Paula Toller anunciou essa semana à Folha de São Paulo que o grupo Kid Abelha não volta mais. "A carreira do grupo acabou. Não tem mais turnê, nem disco. Custei a admitir para mim mesma, mas precisa ter espírito de grupo e nós não temos mais", desabafou a loirinha na entrevista. Sua carreira-solo que até então era um trabalho esporádico, agora torna-se seu trabalho principal. Desejamos boa sorte nessa nova empreitada.


Skid Row negou fortuna oferecida por reunião




Em recente entrevista ao site Loudwire, o vocalista Sebastian Bach disse que Rachel Bolan não topou se reunir com os antigos músicos para uma série de apresentações. “Recebemos uma oferta para duas noites no Sonisphere. Uma sexta e um sábado. Iriam nos pagar meio milhão de dólares e Rachel não quis”. Bach deu a entender que a desavença entre os músicos ocorreu porque ele fechou um acordo para o Skid Row dividir o palco com o Kiss, sem consultar a banda, em 1996. O musico disse que lamenta também que não exista uma preocupação em manter o legado da banda, lançado DVD´s e reeditando seus antigos álbuns.


Capital Inicial grava acústico em NY




Exatamente! A banda brasiliense Capital Inicial gravará um acústico volume 2. Até aí, nenhuma novidade. Artistas como Lulu Santos e Engenheiros do Hawaii também fizeram um segundo volume. E no caso do Capital era meio que esperado que, mais cedo ou mais tarde, fizessem uma continuação. Afinal, seu disco desplugado foi responsável pela nova consagração do grupo, além de ter sido o disco que mais vendeu em sua carreira. A grande novidade é que eles gravarão fora do Brasil. O show ocorrerá na cidade de Nova Iorque no dia 6 de Junho. Quem tiver interesse em conferir isso de perto, basta acessar o seguinte site: http://bit.ly/pacotesDVDNY. A apresentação contará com a participação especial de Seu Jorge, Lenine e Thiago Castanho (Charlie Brown Jr). 

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Discografia comentada: Nemesea

Por Rafael Menegueti


Hoje decidi falar sobre mais uma banda pouco conhecida por aqui da cena do metal holandês com vocal feminino, o Nemesea. A banda já tem mais de 10 anos de estrada, mas apenas 3 álbuns de estúdio (o mais recente de 2011) e um ao vivo. No entanto, o que me chamou a atenção foi o fato de o som deles ser bem simples e evoluído consideravelmente de um trabalho para o outro. E para alegria de seus fãs, eles estão preparando um novo disco.

O grupo foi fundado pela vocalista Manda Ophius e pelo guitarrista Hendrik Jan de Jong, conhecido como HJ, em 2003. A princípio, a banda fazia metal sinfônico. Dentre as varias mudanças de formação, o único membro que segue desde o principio na banda além de Manda e HJ é o baixista Sonny Onderwater.

Mana (2004)


O primeiro disco da banda foi lançado por uma gravadora pequena e mostrava uma banda com uma sonoridade mais sombria e voltada para o gothic/symphonic metal. As composições são boas, mesmo não sendo tão elaboradas quanto um disco desse tipo costuma ser. A banda abusa do uso de teclado e corais, os riffs de guitarra são envolventes e os vocais de Manda são afinados e sem muito rodeio. A simplicidade valeu os elogios que o disco recebeu. Destaques: Threefold Law, Angel In The Dark, Lucifer.


In Control (2007)


Depois de flertar com algumas gravadoras maiores, a banda decidiu lançar seu segundo disco através do sistema de crowdfunding do site holandês Sellaband. A iniciativa foi muito bem sucedida, e a banda conseguiu um número recorde de doações, lançando então seu segundo disco, “In Control”. Diferente de "Mana", a banda deixou de lado as influências de metal sinfônico de bandas como After Forever e Nightwish, partindo para uma sonoridade mais voltada ao gothic rock e com forte uso de sintetizadores. As canções continuam simples, mas agora um pouco mais radiofônicas. Apesar de tudo, “In Control” soa muito pouco ousado e é menos marcante, mas já mostra uma banda caminhando positivamente em direção de sua própria proposta músical. O disco ainda conta com a inusitada participação do cantor havaiano Jake Kongaika, mais conhecido como Cubworld, na faixa “The Way I Feel”. Destaques: No More, The Way I Feel, Remember.


Pure: Live @ P3 (2009)


Após o começo promissor a banda lançou seu primeiro CD ao vivo. “Pure: Live @ P3” contem faixas gravadas nas apresentações dos dias 02 e 03 de julho de 2009, na cidade de Purmerend, na Holanda. O show teve uma inovação na engenharia de som, ao ser realizado em surround 7.0, um projeto em parceria com estudantes de uma universidade de artes de Utrecht. No CD estão versões ao vivo de todas as faixas do álbum “In Control”, alguns improvisos instrumentais e uma cover de “No Good (Start the Dance)” do Prodigy. Apenas duas faixas do primeiro disco, “Mana”, aparecem no CD, “Lucifer” e “Angel In the Dark”.


The Quiet Resistance (2011)


O mais recente disco da banda saiu em 2011. “The Quiet Resistance” foi o primeiro disco da banda após assinar com a gravadora austríaca Napalm Records, e a evolução que a banda mostra nele é considerável. Nele a banda finalmente conseguiu dar uma cara mais potente e empolgante às suas composições, mesmo com a simplicidade característica do grupo. As faixas transitam bem entre canções mais melodiosas, com influencias que iam do rock alternativo ao metal industrial. Aqui os sintetizadores e teclados conseguem dividir bem o papel de carregar as músicas com a guitarra de HJ, e os vocais de Manda estão com uma personalidade própria. O disco ainda conta com as participações especiais de Charlotte Wessels (Delain), na faixa “High Enough”, e Heli Reissenweber (Stahlzeit, uma banda cover do Rammstein), na ótima “Allein”. Destaques: Caught In the Middle, Afterlife, High Enough, Say, Allein.


quarta-feira, 29 de abril de 2015

Quase Famosos (2000):



Por Davi Pascale

Estou de volta com mais uma dica cinematográfica. Há aproximadamente 15 anos chegava aos cinemas, esse que muitos consideram um dos melhores filmes sobre rock. Misturando fatos reais com histórias inventadas, a película se passa nos anos 70, resgatando um pouco da cultura da época.

Quase Famosos é uma história ficcional, mas nem tanto. O diretor Russel Crowe baseou-se na sua própria história para escrever o roteiro do filme. Nascido em Palm Springs (California), Crowe iniciou sua carreira como jornalista, chegando a escrever para revistas musicais super respeitadas como Cream Magazine e Rolling Stone. Durante sua trajetória, chegou a entrevistar artistas icônicos como Bob Dylan, David Bowie, Neil Young, Eric Clapton, Santana, Led Zeppelin, Allman Brothers, entre outros. O grupo de Gregg Allman, na real, foi sua primeira capa na Rolling Stone.

A história gira em torno de William Miller, um jovem apaixonado por rock, criado por uma mãe super-protetora, que se lança no universo do jornalismo musical. William encontrou significado em sua vida fuçando a coleção de discos de sua irmã que havia saído de casa. Foi ali que descobriu seus heróis. No longa, tem uma cena marcante, onde recebe uma dica do respeitado Lester Bangs, assim que começa dar as caras para bater com seus textos: “seja honesto e impiedoso”. Crowe realmente teve contanto com Bangs enquanto trabalhava como critico. Na época em que escrevia para a Cream, Lester Bangs era o editor da publicação.

Kate Hudson no papel de Penny Lane

O filme ganha fôlego quando o garoto consegue uma entrevista com um grupo em ascensão, Stillwater. O garoto passa a excursionar ao lado dos músicos e ali passa por uma nova transformação. É o momento onde perde a inocência e passa a ver o lado negro da coisa. Bebida e droga por todo lado. Briga por egos. Músicos fazendo tipo e dizendo coisas sem pé, nem cabeça. Garotas passando em mãos de diferentes músicos, de diferentes bandas. Músicos disputando para ver quem iria dormir com tal groupie, etc. Há uma cena onde uma garota é trocada por uma lata de cerveja e 50 dólares. Podem acreditar, essas coisas acontecem nos bastidores.

Miller consegue vender a matéria para a Rolling Stone, que promete capa aos rapazes. Quando ficam sabendo da noticia, transformam o menino um herói. Ao ficarem sabendo do conteúdo, contudo, negam tudo, colocando o garoto, que havia dito nada mais do que a verdade, em maus lençóis. E daí ele ganha mais um aprendizado: muito se aproximam por interesse e mantém uma amizade enquanto aquilo for interessante para eles. Infelizmente, não se pode confiar em todos. O garoto que era fã dos caras, volta pra casa desiludido.

Na película, há várias referências. Penny Lane (Kate Hudson), groupie por quem o garoto se apaixona, é o nome de uma canção dos Beatles. É também o nome de uma rua de Liverpool. A banda Stillwater do filme é ficcional. Entretanto, existiu um grupo nos anos 70 com esse mesmo nome. Uma banda de southern rock que durou não mais do que 2 ou 3 discos. As canções que vocês ouvem no filme, entretanto, foram compostas por Peter Frampton e Nancy Wilson (esposa de Crowe e guitarrista do Heart). Como curiosidade, vale lembrar que Mike McReady, guitarrista do Pearl Jam, foi o responsável pela gravação de boa parte das guitarras e que Frampton também serviu como consultor para o roteiro da película. Para quem não sabe, o rapaz é um guitarrista famoso e nos anos 70 (período em que se passa a história) fez parte do icônico Humble Pie.

Stillwater: grupo criado para o filme

E não para por aí. Quem assiste ao longa, sempre comenta de duas cenas em especial. Uma de quando o guitarrista Russell Hammond sobe no telhado de uma casa, chapado de LSD, e sai gritando: “Eu sou um Deus dourado”. E, outra, quando a banda está em uma viagem de avião. E durante uma forte turbulência, todos começam a revelar seus podres acreditando que o avião vai cair. Essas histórias foram inspiradas em Robert Plant (cantor do Led Zeppelin) e The Who, respectivamente. Plant fez aquele papelão no topo de um hotel em Los Angeles. O quase acidente com o The Who, ocorreu durante uma excursão nos EUA, na qual Crowe estava junto para escrever uma matéria.

Apesar do que pode parecer, o filme não é forte, nem chocante. Pelo contrario, é um filme bem leve e gostoso de assistir que chega a render algumas risadas, inclusive. Lançado no Brasil em DVD e blu-ray é bem fácil de ser encontrado por aí. Recomendadíssimo!