terça-feira, 7 de abril de 2015

Blondie – Live By Request (2004):



Por Davi Pascale

Em 2003, Blondie lançava seu oitavo álbum de inéditas, The Curse of Blondie. O trabalho era o segundo desde sua volta em 1997. O anterior, No Exit, havia colocado o grupo de volta às paradas com o hit “Maria”. O disco não conseguiu repetir o sucesso comercial, mas agradou seus seguidores. A apresentação ocorrida no ano seguinte, gravada como um especial de TV, provava estarem em uma ótima fase enquanto instrumentistas. 

Embora seja um programa de televisão, esse DVD faz parte da videografia oficial do conjunto. Não se trata daqueles ‘piratas oficiais’ que invadem as bancas e livrarias por aí. Muitos se dirigem ao grupo de Debbie Harry como um grupo disco, mas é um erro. É verdade que se utilizaram do gênero para a criação de algumas músicas, como o megahit “Heart of Glass”, mas eles sempre foram mais do que isso. Sua sonoridade sempre foi uma mistura de diferentes vertentes. Do funk ao regggae. Do disco ao punk. Do pop ao rock. Criaram uma sonoridade própria. Há quem ame, há quem odeie. Nas apresentações, contudo, especialmente a desse DVD, o lado rock fala mais alto. Por isso, me senti à vontade para comentar dele por aqui.

Live By Request é um programa televisivo do canal A&E, onde o artista cria seu repertório a partir do pedido do publico. Alguns por carta, mas a maioria por telefonemas. A idéia é muito legal, mas poderiam ter aberto ao menos um pedido para alguém da platéia. Antes de pedir a canção, a pessoa se identifica e tem a oportunidade de trocar rápidas palavras com o artista. Para o fã, isso é praticamente a realização de um sonho. Infelizmente, as pessoas que telefonaram deixaram seu lado admirador falar muito alto e ficavam apenas rasgando elogios ao artista. Principalmente à cantora Debbie Harry, que ouvia com atenção e agradecia educadamente aos comentários. Nenhum depoimento marcante por conta dos participantes.

A apresentadora também é fraquinha e não soube explorar a entrevista com os músicos. Os comentários sempre meio bobinhos e com muita babação de ovo, não soube aproveitar as deixas que os músicos deram. Uma pena! Esse pessoal tem muita história para contar. Mas porque, resolvi recomendar o vídeo, apesar dos pesares? Porque os comentários são extremamente curtos. A música é o que fala mais alto no programa e a performance é realmente muito boa.

Músicos atendem pedidos dos telespectadores

Quando gravaram esse programa, já havia 7 anos que eles haviam retornado à ativa. Os músicos estavam muito entrosados. Vale destacar a performance do baterista Clem Burke, cada vez mais preciso, e da cantora Deborah Harry, carismática e extremamente afinada. Na época, ela se aproximava dos 60 anos (agora, se aproxima dos 70), mas estava em melhor forma física do que quando fez o DVD Live, 5 anos antes.

No show, o lado rock fala mais alto, o som é mais puro. A bateria se faz mais presente, as guitarras ganham mais volume. Músicas como “Hangin´ On The Telephone”, “Rip Her To Shreds” e “Call Me” se tornam empolgantes. As grandes surpresas, contudo, são a versão rock de “Good Boys” (musica de trabalho do momento, onde o arranjo original contava com uma pegada mais dançante) e “Accidents Never Happen”, uma canção de Eat To The Beat que não costuma ser muito lembrada. O DVD ainda traz de bônus 4 canções que não foram ao ar na ocasião. A que mais me chamou a atenção foi “(I´m Always Touched By Your) Presence, Dear” do inicinho da carreira. Outro momento bem interessante foi a versão acustica de “The Dream´s Lost On Me”.

O vídeo não é muito longo. São pouco mais de 90 minutos (já contando o material extra) e a qualidade imagem/som é muito boa. Se você é fã do grupo nova-iorquino, Live By Request é diversão garantida. E se não conhece muito, é uma boa porta de entrada. Afinal, suas principais canções estão aqui.

Nota: 9,0/10,0
Status: performance bem profissional

Faixas:
01)  Dreaming
02)  Hangin´ On The Telephone
03)  Accidents Never Happen
04)  Tide Is High
05)  Good Boys
06)  Undone
07)  Rip Her To Shreds
08)  One Way Or Another
09)  Rapture
10)  X Offender
11)  Call Me
12)  Union City Blue
13)  Heart of Glass
14)  The Dream´s Lost On Me (Bonus)
15)  End to End (Bonus)
16)  Hello Joe (Bonus)
17)  (I´m Always Touched By Your) Presence, Dear (Bonus)
18)  Good Boys (videoclipe)
19)  Galeria de Fotos

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Halestorm - Into the Wild Life (2015)

Por Rafael Menegueti

Halestorm - Into the Wild Life
Está previsto para lançamento nessa semana o terceiro disco dos norte-americanos do Halestorm. “Into the Wild Life” tem a difícil tarefa de suceder “The Strange Case of…”, um disco aclamado pela crítica e público e que rendeu até um Grammy para o quarteto, e seria lançado na semana passada, mas acabou adiado. Mesmo assim, acabou sendo liberado via streaming antes do lançamento oficial no dia 10. Liderada pelos irmãos Lzzy (vocal, teclado e guitarra) e Arejay Hale (bateria), a banda conquistou o mainstream com sua atitude e um som fortemente influenciado pelo hard rock, algo que faltava no cenário do rock mundial mais popular.

O novo disco é uma continuação dessa investida do grupo, e vem em boa hora depois de três anos. Mesmo que nesse meio tempo a banda tenha lançado um EP de covers, nada melhor do que um novo álbum de inéditas. Para abrir esse novo trabalho, a banda escolheu a faixa “Scream”. Confesso que estranhei um pouco a música. Com arranjos de teclado e efeitos de sintetizadores, não me pareceu ter a potência característica das criações do grupo. Alem de que essa coisa de bandas de rock mais cruas começarem a abusar de elementos sintéticos nas canções é uma tendência que me irrita. Mas ela transita bem para “I Am the Fire”, faixa que já mostra mais personalidade e tem mais a ver com a proposta da banda, me mostrando que não seria a primeira impressão que ficaria.

A diversidade nas composições é uma marca da banda, e na terceira faixa, “Sick Individual”, eles trazem um som mais cadenciado, enquanto “Amen”, terceiro single já lançado do disco, é mais próxima da energia mostrada pela banda em seus trabalhos antecessores. “Dear Daughter” aparece como a primeira balada do disco, levada bem pelo piano e com arranjos de violão bem introduzidos para fazer a transição para “New Modern Love”, uma faixa de rock bem suave e cativante, com ótimas linhas de guitarra e percussão. “Mayhem” vem em seguida com a mesma força que o nome sugere, sendo uma das melhores do disco, mostrando uma Lzzy Hale inspirada nos vocais.


Na segunda metade do disco, chegamos à “Bad Girls World”, uma criativa balada com um ar mais retrô. Em seguida mais um momento com um rock bem animado e tradicional em “Gonna Get Mine”, seguida de mais uma balada poderosa, “The Reckoning”. O primeiro single mostrado do disco, “Apocalyptic”, vem em seguida e é outro destaque do álbum, com um refrão marcante. Mais uma faixa leve, “What Sober Couldn’t Say”, vem em seguida antes do enceramento empolgante de “I Like It Heavy”, que acaba com Lzzy cantando um country a capella. A versão deluxe ainda conta com duas faixas bônus: “Jump the Gun” e “Unapologetic”.

O disco é definitivamente um grande passo na carreira do Halestorm. Com canções fortes e que trouxeram outras sonoridades ao seu trabalho, ele é o mais rico musicalmente e também o mais criativo. A banda conseguiu fugir do que poderia parecer repetitivo, mantendo os elementos bons de sua formula antiga e trazendo novas influencias e abordagens. “Into the Wild Life” é melhor do que seu antecessor, e me arrisco a dizer que pode repetir o feito dele no Grammy. Seria até injusto ele não ser pelo menos indicado. Um dos melhores trabalhos do ano até agora.


Nota: 9/10
Status: criativo e poderoso

Faixas:
01. Scream
02. I Am The Fire
03. Sick Individual
04. Amen
05. Dear Daughter
06. New Modern Love
07. Mayhem
08. Bad Girl's World
09. Gonna Get Mine
10. The Reckoning
11. Apocalyptic
12. What Sober Couldn't Say
13. I Like It Heavy
14. Jump The Gun (Bonus Deluxe Edition)
15. Unapologetic (Bonus Deluxe Edition)

domingo, 5 de abril de 2015

John Lennon e a Comparação Com Cristo



Por Davi Pascale

Em 4 de março de 1966, foi publicada pela primeira vez uma fala de John Lennon que até hoje é motivo de discussão. Aqueles que não são fãs se utilizam, até hoje, do argumento para tentar diminuí-lo, mesmo que a história não seja bem essa. No artigo de hoje, tentarei explicar sua fala. A ideia não é questionar religião, nem a crença de ninguém. É apenas demonstrar o poder da mídia, mesmo quando sensacionalista. Confere aí...

Tive a ideia desse texto quando estava escrevendo o artigo do primeiro de Abril, onde comentei sobre alguns dos famosos boatos do rock e de onde eles surgiram. Pensei por algum momento em colocá-lo na relação, mas depois achei melhor não. Há uma meia verdade. A frase foi dita, mas foi retirada de contexto. E achei que o numero de linhas para explicar o caso, talvez não fosse suficiente. Por isso, resolvi fazer esse texto.

Na época, o jornalista Maureen Cleave estava fazendo uma série chamada “How Does a Beatle Live?”. Ou no bom e velho português: “Como vive um beatle?”. Foi realizada uma matéria com cada integrante. E foi nessa série que nasceu o famoso depoimento. No entanto, não foi nessa publicação que o fato criou alvoroço. Claro que houve alguns comentários, algumas indignações, mas nada além do que qualquer entrevista possa ocasionar. O assunto pegou fogo mesmo depois que o depoimento foi publicado de maneira distorcida em uma revista adolescente norte-americana chamada Datebook.

Capa da publicação norte-americana

Fico me questionando o que teria acontecido com o cantor nos dias de hoje, onde a velocidade da informação está cada vez mais rápida e cada vez mais pessoas tiram suas conclusões pelo título de uma matéria. Nos últimos 6 meses, já tivemos varias matérias que fizeram com que vários fãs xingassem o artista desesperadamente e quando líamos a matéria por completo, víamos que o significado era outro. Claro que há uma parte de culpa das publicações que colocam manchetes sensacionalistas preocupados com o numero de cliques e se lixando para a credibilidade do artista que lhes rende os cliques. Até quando teremos que lidar com essa babaquice? Honestamente, não sei. É possível criar manchetes chamativas, sem distorcer. Basta criatividade.

O artigo original foi publicado dentro de um jornal inglês chamado London Evening Standard e tinha como intenção traçar um retrato de John Lennon. Demonstrar para seus fãs como ele era fora dos palcos. Seus gostos, suas crenças, seus costumes. Em um determinado momento, Lennon declarou: “O cristianismo irá desaparecer. Não preciso discutir sobre isso. Estou certo e irei prová-lo. Nesse momento, nós somos mais populares do que Jesus Cristo. Não sei o que irá desaparecer primeiro: o rock n´ roll ou o cristianismo”.

Como podem ver, ele não está se colocando superior à Cristo, que foi o que o artigo dos Estados Unidos deu à entender com a frase “Os Beatles são maiores do que Jesus”. Até porque ele também questionava o rock n roll e ele era um musico de rock. O que ele estava questionando é justamente até onde o cristianismo tinha toda aquela influencia na juventude que muitos pregavam, uma vez que um grupo de rock causava um fanatismo maior. Era no sentido de 'que religião é essa que causa menos impacto do que um conjunto de rock?'. E, realmente, o cristianismo em muitos países, naquela época, estava em declínio. Inclusive, na própria Inglaterra, onde o depoimento foi dado pela primeira vez. Por isso, quando o jornal foi publicado, não houve todo aquele estardalhaço que ocorreu na terra do Tio Sam. O que ele estava questionando não era o que a religião pregava, mas se ainda causava o mesmo impacto na juventude como costumava ser tempos atrás.

Artigo original pretendia demonstrar o dia-a-dia de um beatle

Durante sua estadia em Chicago, Lennon explicou: “Meu ponto de vista é baseado sobre o que li e o que observei sobre o cristianismo. Sobre o que ele era, sobre o que é e sobre o que poderia ser”. Não adiantou muita coisa. Os mais velhos começaram com a ladainha sobre a má influencia dos Beatles para a juventude, estações de rádio cristãs começaram a promover queima de discos dos Beatles, houve protestos da Klu Klux Klan, suas musicas foram proibidas de tocar nas rádios e os músicos sofreram ameaças de morte.

Em dezembro de 1966, John Lennon voltou à falar sobre o assunto para a revista Look: “Eu disse que somos mais populares do que Jesus, o que é um fato. Acredito que Jesus estava certo, Buddha estava certo, todas essas pessoas estavam certas. Todas elas estavam dizendo a mesma coisa e eu acredito. Acredito nas coisas que Jesus disse sobre amor e bondade. O que não acredito é no que as pessoas dizem que ele disse”. O artista fez questão de deixar claro que não era anti-cristo e que não considerava a aproximação da religião como algo ruim ou errado. E, mesmo assim, até hoje somos obrigados a ler depoimentos como ‘morreu cedo porque peitou Cristo’ e outros absurdos.

E quem acredita que nos dias atuais, os artistas não sofrem represálias, engana-se. Recentemente, tivemos no Brasil dois músicos declarando terem sofrido ameaças de morte por conta de seus depoimentos sobre a atual situação política do país. Um deles é o Tico Santa Cruz, cantor do Detonautas Roque Clube, que é defensor da política esquerda. O outro foi o cantor Lobão, defensor da política de direita. Quando o presidente George W Bush declarou guerra ao Iraque, o grupo country Dixie Chics comentou em um talk show que não apoiavam a guerra, as meninas foram barradas das rádios dos Estados Unidos, sumindo da mídia. Marylin Manson quando lançou seu álbum Antichrist Superstar teve que lidar com fanáticos religiosos que se plantavam na porta de seus shows tentando impedir que a apresentação ocorresse, fazendo balburdia e agredindo os jovens que apareciam no concerto. Ou seja, o fanatismo seja político ou religioso, não apenas é algo perigoso como ainda existe e sempre existiu. Cuidado com seus comentários em posts por aí. Sem querer, pode estar dando margem para algo muito maior e muito mais sério.

sábado, 4 de abril de 2015

Kiko Loureiro no Megadeth: a notícia que agitou a cena no metal nacional

Por Rafael Menegueti

Kiko Loureiro
Desde a noite da ultima quinta-feira não se fala em mais nada entre os fãs de metal que não seja o anuncio de Kiko Loureiro como o novo guitarrista do Megadeth. O guitarrista do Angra já era apontado como substituto de Chris Broderick em boatos que circulavam a internet. Essa semana já havia ocorrido a confirmação de que o baterista do Lamb of God, Chris Adler, gravaria o novo álbum da banda. A confirmação de Kiko no grupo só ocorreu alguns dias depois, o que fez com que muita gente, eu inclusive (como cheguei a descrever no post de notícias da semana), acreditasse que Dave Mustaine gravaria todas as guitarras do novo trabalho para então buscar um segundo guitarrista para a turnê.

Embora o boato já tenha deixado todo mundo preparado para o que viria, foi notável como a confirmação da notícia pela banda norte-americana sacudiu as redes sociais entre fãs brasileiros e também da banda de Los Angeles. Houve quem apoiasse, se sentisse orgulhoso de um músico brasileiro atingir um status de tamanha importância em uma das maiores bandas de metal do mundo. Houve também os que não aprovaram, ou por simplesmente não gostarem de Kiko, ou por acharem que ele não combina com o estilo do Megadeth.

Uma coisa ninguém pode negar: Kiko é um guitarrista com imensa capacidade, embora não o considere o melhor de todos por aqui. É um dos membros de um dos maiores expoentes do metal nacional, o Angra, há mais de 20 anos e tem também uma carreira solo consistente. Sua historia na cena do metal nacional é incontestável. Alçado ao status de um “guitar hero” brasileiro, o reconhecimento em escala mundial pode vir agora. Não que o metal nacional não tenha qualquer reconhecimento lá fora.

Kiko e Mustaine agora formam a dupla de guitarras do Megadeth
O Angra já é uma banda bem conhecida nos meios do metal melódico/power metal. O grupo construiu sua reputação ao longo dos mais de 20 anos de estrada, e os músicos da banda já provam desse reconhecimento. Tanto André Matos quanto Edu Falaschi, primeiros vocalistas da banda, são bem conhecidos e elogiados na cena internacional por seu trabalho com a banda. Quando Edu deixou o grupo, eles conseguiram recrutar Fabio Lione, vocalista italiano mundialmente conhecido por seu trabalho com o Rhapsody of Fire, grande nome do power metal europeu.

A cena brasileira anda em crescente ascensão lá fora. Não existe um headbanger por ai que não conheça o Sepultura, e que não acompanhe os trabalhos dos irmãos Cavalera, fundadores da banda, hoje excurcionando pelo mundo com o bem sucedido Cavalera Conspiracy. Outras bandas como o Krisium, Korzus, Shadowside, Torture Squad e o projeto Soulspell, que une diversos músicos brasileiros e alguns famosos estrangeiros, também se destacam. Mais recentes, o trio feminino gaúcho de thrash metal Nervosa fez barulho lá fora com seu primeiro disco, lançado pela Napalm Records, uma das maiores do gênero na Europa. Tem também o Hibria, banda gaúcha que lembro ter ouvido de um fã inglês ser uma de suas favoritas de nosso país.

O reconhecimento de nossos músicos já não é novidade também. Jeff Scott Soto tem dois brasileiros em sua banda, Edu Cominato e BJ. Aquiles Priester, considerado um dos melhores bateristas do Brasil e ex-Angra, entrou ano passado para o Primal Fear, histórica banda de power metal alemã. André Matos já gravou participações com o Avantasia, o Epica e outras inúmeras bandas. E agora a entrada de Kiko no Megadeth vem pra reafirmar o nosso talento para o metal no exterior.

Embora Kiko Loureiro seja um guitarrista mais técnico e voltado para o melódico, não creio que ele vá ter problemas para se adaptar ao estilo cru e pegado do thrash do Megadeth. Dave Mustaine tem anos de experiência, e jamais apostaria num músico sem ter a certeza de que está fazendo a escolha certa. Com essa nova fase em sua carreira, e o apoio de seus fãs e de seus companheiros de Angra, agora Kiko pode não só se colocar em um patamar entre os melhores do mundo, como ainda ajudar a mais uma vez voltar os olhos do mundo para nossa cena nacional. E isso só pode trazer coisas boas para nós.

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Pitty – Pela Fresta (2015):



Por Davi Pascale

Cantora soteropolitana chega à seu quinto DVD solo. Misturando clipes, performances em estúdio e imagens de gravação, vídeo distrai, mas deixa gosto de quero mais...

Já se tornou meio rotineiro à cada álbum lançado, um DVD vir ao mercado. A única exceção até agora foi o Anacrônico. Mesmo assim, o disco teve uma tiragem dualdisc, onde o registro em vídeo era formado por material exclusivo. Portanto, não sei se dá para considerá-lo uma exceção de fato. Creio que não...

Como de costume, a cantora optou por fazer um vídeo focando única e exclusivamente seu mais recente álbum, Sete Vidas. Justo! Se os álbuns anteriores também já tiveram registros, não tem o porquê ficar revivendo material. A não ser que faça um novo DVD ao vivo, o que não é o caso aqui. E, honestamente, espero que demore mais um pouquinho para o próximo registro ao vivo. Gosto dos shows dela, acho que a banda está em uma fase incrível. Mesmo! Acompanhei a transmissão do Lollapalooza e achei uma das melhores apresentações do festival. Entretanto, preferia que apresentasse mais uns dois discos de estúdio antes, para ter um leque maior de opções na hora de montar o repertório.

A idéia de mostrar as gravações, acho genial. Para quem gosta de música, é mágico ter a chance de espiar um pouquinho dentro do estúdio, ver como nasceram as músicas, o que o artista estava querendo transmitir ali (muitas vezes, é o oposto do que se imagina), reparar como tal som foi criado. E foi onde acho que o documentário pecou um pouco. Lembro de ter assistido dois documentários de gravação, na minha adolescência, que me deixaram realmente empolgado. Funky Monks do Red Hot Chili Peppers e, o mais legal de todos, The Making Of Pump do Aerosmith. Foi onde percebi quão importante era Steven Tyler dentro da banda. O quão criativo o cara é.

Documentário é bom, mas deixa questões em branco

Pela Fresta traz alguns depoimentos legais por parte dos músicos sobre o formato de gravação, sobre as pessoas envolvidas no projeto, mas até pelo nome do vídeo, achei que teria a oportunidade de espiar mais de perto a criação dos arranjos, os timbres, etc. Faltou atenção à alguns detalhes. Por exemplo, o guitarrista Martin diz em determinado momento. “Essa musica teve pelo menos uns 4 arranjos diferentes até chegarmos ao resultado final”. Cria-se uma expectativa de ouvir um trecho dessas versões... E nada! A Pitty diz: “Chorei quando ouvi a masterização da primeira música. O cara adicionou elementos...” E nada de demonstrar o antes e depois. Também poderiam explorar mais o Tim Palmer. O cara foi responsável pela masterização do álbum, é uma figura lendária e aparece segundos no vídeo.

Outra questão também é a parte das letras. A artista poderia ter explicado um pouco mais a fundo algumas delas. Até entendo a idéia de que cada pessoa pode ter uma visão diferente, mas se a idéia é olhar um pouco mais atento a criação, tem a ver... O depoimento dela sobre “Pouco”, relacionando com Sonic Youth, achei fantástico. Esperava mais depoimentos do tipo. Há também um problema na edição de áudio, o volume das músicas não bate com o volume da entrevista. A captação de imagem, por outro lado, está muito legal.

Os clipes são aqueles que estamos acostumados a assistir pelo televisor. O tal vídeo inédito já caiu no Youtube há alguns dias, portanto, muitos já assistiram. Honestamente, teria demonstrado apenas um trecho para estimular a pessoa a correr atrás do vídeo. Aqui não há segredos. Pitty sempre teve um cuidado com os clipes. São vídeos divertidos e bem editados. A Galeria de Fotos também ficou muito legal. Não é muito longo e a edição está bacana.

O DVD traz ainda registro em vídeo de 9 faixas do disco. Sacada muito legal, mas seria mais bacana se tivessem deixado o som mais cru. Como se fosse a espécie de um ensaio. De todo modo, ficou bacana de assistir. A edição de vídeo de “A Massa” ficou, literalmente, massa. O vídeo não é ruim, pelo contrario. Passa o tempo rapidinho e diverte. Mas como disse, deixa um gostinho de quero mais. O vídeo do Agridoce me impactou mais. Quem sabe na próxima...

Nota: 7,0 / 10,0
Status: Agradável

Faixas:
01) Pouco
02) Deixa Ela Entrar
03) Pequena Morte
04) Um Leão
05) Olho Calmo
06) Boca Aberta
07) A Massa
08) Sete Vidas
09) Serpente
10) Sete Vidas (Clipe)
11) Serpente (Clipe)
12) Um Leão (Clipe)
13) Galeria de Fotos (Lado de Lá)

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Wovenwar - Wovenwar (2014)

Por Rafael Menegueti

Wovenwar - Wovenwar
Após a polemica prisão de Tim Lambesis, líder do As I Lay Dying, acusado de contratar um assassino de aluguel para tentar matar sua ex-mulher, a banda de metalcore cristã da Califórnia entrou em uma hibernação por tempo indeterminado, e seu retorno parece incerto, pelo menos nos próximos anos. Com isso, não restou outra alternativa aos ex-companheiros de Tim, a não ser iniciar uma nova banda. Começava assim o Wovenwar.

Jordan Mancino (bateria), Nick Hipa (guitarra), Phil Sgrosso (guitarra) e Josh Gilbert (baixo e vocais) se uniram ao vocalista da banda Oh, Sleeper, Shane Blay, para formar um grupo que segue rumos musicais parecidos na pegada e voracidade, mas com uma proposta de estilo diferente na execução. A maior diferença são os vocais. Sem os guturais de Lambesis, a voz limpa de Shane trouxe uma personalidade totalmente diferente aos ex-AILD. Um som mais alternativo, e também mais acessível.

Os membros do Wovenwar
Os elementos trazidos pelos membros da banda ainda são bem próximos do que era a banda antiga. As guitarras versáteis e cheias de vida de Hipa e Sgrosso, os vocais de apoio intensos do baixista Josh Gilbert e a bateria pesada de Mancino criam um som pesado mas ao mesmo tempo radiofônico, incrementado pelos vocais melodiosos e eficientes de Shane. O vocalista ainda adiciona algumas guitarras às canções, deixando elas ainda mais cheias e pesadas.

Depois da vinheta de introdução “Foreword”, vem o a faixa “All Rise”, primeiro single e que abre o álbum com maestria. A faixa é carregada de melodia e tem um refrão simplesmente cativante, uma característica presente em quase todas as músicas do disco. “Death to Rights” é mais pesada, mas ainda segue uma linha mais melódica. Não à toa a faixa também virou single. Em Tempest, a banda abusa de linhas de guitarra com solos e riffs dedilhados. A pesada “The Mason” é outra faixa que se destaca pelo peso. “Moving Up” é uma das mais radiofônicas do disco, lembrando o estilo de rock alternativo popularizado nos anos 2000 com bandas como Three Days Grace ou Disturbed.

As demais faixas do disco seguem esse mesmo estilo, sendo as que mais se sobressaem, a semi-balada “Father/Son”, as agitada “Profane” e “Archers”, a quase thrash “Matter of Time” e “Profets”, que precede a vinheta que encerra o disco, “Onwards”. Com um forte apelo comercial, o resultado é um disco interessante, com canções pesadas mas agradáveis, melodias próprias do metal alternativo moderno.

Apesar da certa sequencia de canções de estilo muito similares, a estreia do Wovenwar é bem executada. Uma boa renovação para um grupo que fazia um excelente trabalho como As I Lay Dying, mas que se viu forçado a recomeçar do zero por conta de uma situação inesperada e que poderia ter deixado uma imagem muito negativa. Muito bom que eles tenham conseguido se desvencilhar dessa situação com sucesso.


Nota: 8/10

Status: Renovado e potente

Faixas:
01. “Foreword”
02. “All Rise”
03. “Death To Rights”
04. “Tempest”
05. “The Mason”
06. “Moving Up”
07. “Sight Of Shore”
08. “Father / Son”
09. “Profane”
10. “Archers”
11. “Ruined Ends”
12. “Identity”
13. “Matter Of Time”
14. “Prophets”
15. “Onward” 

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Os Boatos do Rock

Por Davi Pascale

Hoje, será comum começarem a postar notícias sem pé, nem cabeça. Certeza que alguns de seus amigos irão tentar tapeá-lo por um breve momento. É o famoso “Dia da Mentira”. Mas o rock tem tanta história sem pé, nem cabeça, que não precisamos inventar nada. Para brincar com a data, resolvi lembrar de 5 boatos que rolaram no universo do rock. No ano passado, fizemos essa brincadeira. Mas são tantos e tantos casos que daria para fazer posts e mais posts. Por isso, apresento aqui 5 novos velhos casos. Confere aí...

Rod Stewart e a lavagem de estômago
Hoje, é comum inventarem boatos de morte, especialmente no Facebook. Durante muito tempo, vários artistas foram acusados de terem passado por lavagem intestinal por terem consumido grande quantidade de sêmen. No rock, o caso mais famoso foi o de Rod Stewart. A razão de tanta polêmica é que a notícia foi espalhada por um rapaz de sua equipe, Tony Toons. O rapaz cuidava da imagem pública de Rod e ficou irado quando foi despedido pelo cantor. Stewart estava casado com a atriz Alana Hamilton e o casal foi passar férias no Hawaii. Tony resolveu ir para lá e, assim que chegou, descobriu que o hotel estava lotado. Por conta disso, ficou no quarto onde estava hospedado o filho de Alana, até então com 7 anos. O rapaz resolveu ir para o bar do hotel e voltou de lá carregado. Na manhã seguinte, o cantor o demitiu. A vingança? O garoto espalhou para a imprensa que Rod Stewart havia passado por uma lavagem intestinal depois de ter praticado sexo oral para um bando de marinheiros em um bar gay de San Diego. Mais alguns artistas sofreriam com o boato durante os anos. Entre eles, Jon Bon Jovi, Elton John, David Bowie, Mick Jagger e Alanis Morissette.

Mama Cass morreu engasgada
Mama Cass era uma das cantoras do famoso grupo Mamas & Papas. Manja “California Dreamin´”? É dela mesma que estamos falando. Seu nome artístico na verdade era Cass Elliot, mas durante os anos, muitos passaram a se referir à ela como Mama Cass por conta do nome do grupo. A garota morreu em 29 de julho de 1974, aos 32 anos, vítima de parada cardíaca. Muito provavelmente, ocasionado por conta de seu peso. Ao lado de seu corpo foi encontrado um sanduíche. Foi o suficiente para que algum engraçadinho começasse a divulgar que a cantora havia morrido engasgada com um sanduiche de presunto. Os médicos alegaram que não havia restos de comida na traqueia. Mesmo assim, o boato ficou famoso e até hoje é comentado.

Kiss: Knights In Satan´s Service
Não é segredo para ninguém que fanáticos de igreja não gostam muito de roqueiros, certo? Vários grupos já foram perseguidos por fanáticos religiosos. E nos anos 70 foi a vez do Kiss. Um grupo de mães evangélicas resolveu protestar contra os rapazes por considerarem má influencias aos jovens, já que faziam um som pesado e tinham letras com conotações sexuais. As senhoras inventaram que o nome da banda era uma sigla que significava Knights In Satan´s Service. A confusão ocorria porque o logo da banda, criado pelo guitarrista Ace Frehley,  traz as 4 letras em maiúsculo. A razão era uma estratégia visual. Com um nome curto, utilizando apenas a primeira letra em maiúsculo não se cria impacto visual. Pode reparar que não há nenhum tipo de sinal entre uma letra e outra como ocorre nos logos de grupos como W.A.S.P. ou Ratos de Porão (RxDxPx). O nome, criado pelo Paul Stanley, sempre significou “beijo” e nada mais.

Keith Richards e a troca de sangue
Outro boato muito comentado é de que Keith Richards, guitarrista do Rolling Stones, teria trocado o sangue do seu corpo para se livrar das drogas. O boato surgiu de uma brincadeira do próprio músico. O guitarrista realmente passou por uma transfusão de sangue para se livrar de algumas impurezas, mas obviamente está longe de ter sido todo o sangue de seu corpo. O que ocorreu é que durante uma de suas entrevistas, o músico não aguentava mais ouvir os repórteres perguntando como havia se livrado das drogas e resolveu tirar um barato dizendo que havia trocado todo o sangue de seu corpo durante sua passagem pela Suíça. Muitos acreditaram e a história é comentada até os dias de hoje.

Jim Morrison estaria vivo
Essa é a história mais comum de todas. Toda vez que algum artista muito famoso morre, aparece algum infeliz para dizer que ele está vivo, vivendo escondido com outro nome. Até com o Michael Jackson já fizeram essa acusação. Jim morreu aos 27 anos, vítima de um ataque cardíaco (provavelmente causado pelo excesso de drogas). Muitos dizem que o corpo enterrado em Paris não é o dele e de que haveria forjado a morte para se livrar da vida artística. Chegaram até a comercializar um vídeo onde alegavam que ele estava vivendo em uma fazenda. O vídeo, obviamente, é fake.