quarta-feira, 1 de abril de 2015

Os Boatos do Rock

Por Davi Pascale

Hoje, será comum começarem a postar notícias sem pé, nem cabeça. Certeza que alguns de seus amigos irão tentar tapeá-lo por um breve momento. É o famoso “Dia da Mentira”. Mas o rock tem tanta história sem pé, nem cabeça, que não precisamos inventar nada. Para brincar com a data, resolvi lembrar de 5 boatos que rolaram no universo do rock. No ano passado, fizemos essa brincadeira. Mas são tantos e tantos casos que daria para fazer posts e mais posts. Por isso, apresento aqui 5 novos velhos casos. Confere aí...

Rod Stewart e a lavagem de estômago
Hoje, é comum inventarem boatos de morte, especialmente no Facebook. Durante muito tempo, vários artistas foram acusados de terem passado por lavagem intestinal por terem consumido grande quantidade de sêmen. No rock, o caso mais famoso foi o de Rod Stewart. A razão de tanta polêmica é que a notícia foi espalhada por um rapaz de sua equipe, Tony Toons. O rapaz cuidava da imagem pública de Rod e ficou irado quando foi despedido pelo cantor. Stewart estava casado com a atriz Alana Hamilton e o casal foi passar férias no Hawaii. Tony resolveu ir para lá e, assim que chegou, descobriu que o hotel estava lotado. Por conta disso, ficou no quarto onde estava hospedado o filho de Alana, até então com 7 anos. O rapaz resolveu ir para o bar do hotel e voltou de lá carregado. Na manhã seguinte, o cantor o demitiu. A vingança? O garoto espalhou para a imprensa que Rod Stewart havia passado por uma lavagem intestinal depois de ter praticado sexo oral para um bando de marinheiros em um bar gay de San Diego. Mais alguns artistas sofreriam com o boato durante os anos. Entre eles, Jon Bon Jovi, Elton John, David Bowie, Mick Jagger e Alanis Morissette.

Mama Cass morreu engasgada
Mama Cass era uma das cantoras do famoso grupo Mamas & Papas. Manja “California Dreamin´”? É dela mesma que estamos falando. Seu nome artístico na verdade era Cass Elliot, mas durante os anos, muitos passaram a se referir à ela como Mama Cass por conta do nome do grupo. A garota morreu em 29 de julho de 1974, aos 32 anos, vítima de parada cardíaca. Muito provavelmente, ocasionado por conta de seu peso. Ao lado de seu corpo foi encontrado um sanduíche. Foi o suficiente para que algum engraçadinho começasse a divulgar que a cantora havia morrido engasgada com um sanduiche de presunto. Os médicos alegaram que não havia restos de comida na traqueia. Mesmo assim, o boato ficou famoso e até hoje é comentado.

Kiss: Knights In Satan´s Service
Não é segredo para ninguém que fanáticos de igreja não gostam muito de roqueiros, certo? Vários grupos já foram perseguidos por fanáticos religiosos. E nos anos 70 foi a vez do Kiss. Um grupo de mães evangélicas resolveu protestar contra os rapazes por considerarem má influencias aos jovens, já que faziam um som pesado e tinham letras com conotações sexuais. As senhoras inventaram que o nome da banda era uma sigla que significava Knights In Satan´s Service. A confusão ocorria porque o logo da banda, criado pelo guitarrista Ace Frehley,  traz as 4 letras em maiúsculo. A razão era uma estratégia visual. Com um nome curto, utilizando apenas a primeira letra em maiúsculo não se cria impacto visual. Pode reparar que não há nenhum tipo de sinal entre uma letra e outra como ocorre nos logos de grupos como W.A.S.P. ou Ratos de Porão (RxDxPx). O nome, criado pelo Paul Stanley, sempre significou “beijo” e nada mais.

Keith Richards e a troca de sangue
Outro boato muito comentado é de que Keith Richards, guitarrista do Rolling Stones, teria trocado o sangue do seu corpo para se livrar das drogas. O boato surgiu de uma brincadeira do próprio músico. O guitarrista realmente passou por uma transfusão de sangue para se livrar de algumas impurezas, mas obviamente está longe de ter sido todo o sangue de seu corpo. O que ocorreu é que durante uma de suas entrevistas, o músico não aguentava mais ouvir os repórteres perguntando como havia se livrado das drogas e resolveu tirar um barato dizendo que havia trocado todo o sangue de seu corpo durante sua passagem pela Suíça. Muitos acreditaram e a história é comentada até os dias de hoje.

Jim Morrison estaria vivo
Essa é a história mais comum de todas. Toda vez que algum artista muito famoso morre, aparece algum infeliz para dizer que ele está vivo, vivendo escondido com outro nome. Até com o Michael Jackson já fizeram essa acusação. Jim morreu aos 27 anos, vítima de um ataque cardíaco (provavelmente causado pelo excesso de drogas). Muitos dizem que o corpo enterrado em Paris não é o dele e de que haveria forjado a morte para se livrar da vida artística. Chegaram até a comercializar um vídeo onde alegavam que ele estava vivendo em uma fazenda. O vídeo, obviamente, é fake.

terça-feira, 31 de março de 2015

Notícias do Rock (pra não ficar por fora)

Por Rafael Menegueti

Chris Adler confirmado como baterista em novo álbum do Megadeth

Os boatos acabaram se confirmando, e Chris Adler do Lamb of God de fato tocará bateria no novo álbum do Megadeth. A banda, no entanto, deu a entender em seu comunicado que a parceria será apenas no estúdio, e que Adler não será o novo baterista definitivo da banda. A outra metade do boato que circulava, dizendo que Kiko Loureiro seria o novo guitarrista da banda, porem, acabou não se confirmando, e o Megadeth deve gravar o disco apenas como um trio, com Dave Mustaine gravando todas as guitarras.

Leaves’ Eyes e Atrocity tocam no Brasil em maio

Os membros do Leaves' Eyes
Depois de uma longa espera de seus fãs, finalmente as bandas Leaves’ Eyes e Atrocity confirmaram mais uma turnê juntas no Brasil. As bandas, que tiveram de cancelar a sua ultima turnê agendada por aqui, farão turnê pela América Latina no próximo mês. Ambas sempre excursionam juntas por serem lideradas por Alexander Krull. O Leaves’ Eyes tem a vocalista Liv Kristine, esposa de Alexander, como destaque, enquanto Alexander é o vocalista na Atrocity. No Brasil, as bandas se apresentam em Curitiba no dia 28 de maio e em São Paulo no dia 30 de maio, shows que irão encerrar a turnê sulamericana.

Unleash the Archers anuncia detalhes do novo álbum

Os canadenses, que fazem uma mistura de power e death metal, assinaram recentemente com a gravadora Napalm Records e lançarão o seu terceiro disco, o primeiro não independente, em junho. “Time Stands Still” chega as lojas no dia 26 de junho, e terá a seguinte capa e tracklist:


1. Northern Passage (Intro)
2. Frozen Steel
3. Hail Of The Tide
4. Tonight We Ride
5. Test Your Metal
6. Crypt
7. No More Heroes
8. Dreamcrusher
9. Going Down Fighting
10. Time Stands Still
11. Tonight We Ride (Video Edit)

Esperado álbum de estreia do Frantic Amber será lançado em abril

Frantic Amber
A banda de death melódico, formada na suécia por quatro mulheres e um homem na bateria (sendo eles de quatro nacionalidades diferentes: suecos, uma dinamarquesa, uma japonesa e um colombiano), lançará seu aguardado full-lenght de estreia no próximo dia 15. A banda já havia lançado alguns singles e um EP antes, inclusive o próprio disco citado teve uma tiragem limitada lançada no país natal da banda em setembro, mas agora finalmente ele chegará as mão dos fãs de outros lugares do mundo. “Burning Insight” possuirá as seguintes faixas:


1. Intro
2. Burning Insight
3. Bleeding Sanity
4. Soar
5. Drained
6. Awakening
7. Entwined
8. Wrath of Judgement
9. Unbreakable
10. Destruction
11. Ghost


segunda-feira, 30 de março de 2015

Autoramas & BNegão – Auto Boogie (2013):



Por Davi Pascale

Parceria realizada em grande festival originou a gravação de EP. Misturando faixa inédita e releituras, os músicos entregaram um trabalho criativo e competente. Lançado no formato vinil 10”, o projeto acabou passando batido por grande parte do público.

Já faz um tempo que o festival Rock In Rio vem apostando em parcerias. Desde a criação do Palco Sunset que temos visto misturas inusitadas no palco. Às vezes, o resultado é interessante como a parceria de Nando Reis com Samuel Rosa ou do Sepultura com Tambours Du Bronx. Às vezes, é desastrosa como o show extremamente mal ensaiado do Angra com a Tarja Turunen ou do fraquérrimo Republica com o ótimo Dr. Sin (sim, o trio paulista mandou muito bem, como de costume, mas os dois juntos no palco só serviu para demonstrar o quão caquético era o outro grupo). Por que estou comentando isso em uma resenha do Autoramas?

Porque a parceria originou-se daí. Os músicos resolveram estender a parceria que fizeram no festival para o disco. E ficou bem legal! Lembro que, na época, o show deles não havia me chamado tanto a atenção. Embora goste muito dos dois artistas, tinha ficado um pouco decepcionado com o trabalho vocal. Principalmente, do BNegão. Gosto do trabalho do músico. Mas, se por um lado, o cara esbanja energia e domina a galera com facilidade, de outro, fica quase impossível entender o que canta ao vivo. Nos discos, contudo, sempre soube trabalhar legal sua voz. Os dois trabalhos que realizou ao lado do Seletores de Frequência são bem bacanas.

Para quem não está por dentro do trabalho dos grupos. Autoramas surge no Rio de Janeiro em 1997 marcando a união do ex-Planet Hemp, Bacalhau, com o ex-Little Quail And The Mad Birds, Gabriel Thomaz.  O som aposta em uma mistura de new wave, punk, surf music e garage. O trio sempre foi mais profissional do que o Little Quail, que era mais escrachadão. B-Negão & Os Seletores da Frequência aposta em uma mistura de soul com hip hop. Tive o primeiro contato com o tal projeto, do também ex-Planet, pelo CD encartado na extinta revista OutraCoisa. Auto Boogie marca o último registro do Autoramas como trio. A última notícia que seus fãs receberam foi que a banda havia se transformado em um quarteto e estava preparando um novo disco, através do crowdfunding. Da formação original, apenas Gabriel segue adiante.  

Projeto nasceu no Rock In Rio

Nesse projeto especial, apenas 4 músicas. 1 inédita e 3 covers. Os rapazes aproveitaram o formato vinil para fazer a divisão das canções. Talvez os ouvintes mais novos, que começaram a ouvir música através do CD ou do MP3, não saibam. Boa parte dos artistas escolhia a sequência das faixas pela lógica Lado A, Lado B. Isso poderia ocorrer de diferentes maneiras. Faixas longas de um lado, curtas de outra. Faixas mais comerciais de um lado, menos comerciais de outro. E por aí vai. Aqui, ocorre a divisão. Faixas com BNegão à frente no Lado A, faixas com Autoramas à frente no Lado B.

Contando com a produção de Roberto Frejat (líder do Barão Vermelho), o disco captou com maestria o que há de melhor em cada artista. A malandragem do BNegão com o rrrrrrock esperto dos Autoramas. A ótima faixa inédita “O Giro” mostra bem essa mistura. “Kiss” ganhou uma roupagem totalmente diferente. A clássica canção do Prince ganhou um ar mais rock n´ roll. Com guitarra levemente distorcida, mais acelerada e sem os históricos falsetes do multi-instrumentista norte-americano. Versão interessantíssima.

O Lado B inicia com “Walk On The Wildside” de Lou Reed, tendo a baixista Flavia Couri assumindo os vocais. Nunca fui muito com a cara do Lou Reed, mas para quem curte ficou bacaninha. Está muito bem tocada. Com arranjo mais próximo da original, inovaram ao misturar a letra da canção original com a letra de “Enxugando o Gelo” do grupo Seletores de Frequência. A última música não é exatamente um cover. Trata-se de uma releitura de uma velha canção do Little Quail. A musica perdeu um pouco da sujeira do arranjo original, mas ficou bem divertida.

Auto-Boogie passou um pouco batido pelo público, o que é realmente uma pena. Os músicos fizeram um trabalho redondo com arranjos inteligentes e bem executados. Vale a pena correr atrás.

Nota: 8,0 / 10,0
Status: Divertido e bem produzido

Faixas:
      01)   O Giro
      02)   Kiss
      03)   Walking On The Wildside
      04)   1,2,3,4

domingo, 29 de março de 2015

Nightwish – Endless Forms Most Beautiful (2015)

Por Rafael Menegueti

Nightwish - Endless Forms Most Beautiful
Foi um longa espera. Os fãs de Nightwish conviveram com longos meses de ansiedade pelo lançamento de “Endless Forms Most Beautiful”, e eram inúmeros os motivos que fizeram a ansiedade aumentar. O mistério em torno das canções, quando a banda simplesmente não mostrou nada, nem uma nota sequer, enquanto apareciam em trailers falando sobre a criação e produção do novo álbum. A expectativa de saber como seria o primeiro registro de inéditas com Floor Jansen, e também com Troy Donockley, novo integrante da banda que incorporou instrumentos de sopro à sua sonoridade. O anuncio de uma música de 24 minutos, a mais longa da carreira da banda. E a participação improvável do escritor e biólogo Richard Dawkins. E então o álbum foi lançado. E dividiu opiniões.

Não sei ao certo o que pode ter provocado tamanho contraste na reação dos fãs ao receberem o novo disco, mas talvez uma explicação simples possa ser que a própria ansiedade criada em torno do disco, provocado pelo mistério em torno dele, fez com que se criasse uma expectativa muito acima do que o disco deveria ter recebido. O vazamento do single “Élan” ajudou para criar um clima não muito positivo para o que viria. Enquanto alguns fãs receberam o novo álbum com certa decepção, outros consideraram um trabalho digno da banda.

Uma coisa eu digo, “Endless Forms Most Beautiful” não é o melhor álbum da banda, mas está muito longe de ser o desastre que alguns fãs decepcionados apontam. O disco segue a linha dos trabalhos mais recentes da banda, como uma continuação da evolução que o Nightwish vinha promovendo em sua música. Alias, evolução é justamente um dos temas centrais do disco.

Segundo o tecladista e compositor da banda, Tuomas Holopainen, o disco é inspirado na obra de Charles Darwin, “A Origem das Especies”, tendo inclusive o nome sido tirado de uma passagem do mesmo. Segundo o compositor, o disco trata da beleza da vida, da existência e da evolução, sendo o conceito do álbum um tributo à ciência e ao poder da razão. A obra “O Maior Espetaculo da Terra: O Poder da Evolução”, de Richard Dawkins (que contribuiu com algumas narrações no disco), serviu de inspiração principalmente para a faixa que encerra o disco, “The Greatest Show On Earth”, a já citada canção mais longa da banda.

A sonoridade do disco remete muito ao que a banda apresentou em seus dois trabalhos anteriores. Muita melodia, arranjos feitos com instrumentos não comuns no metal, como flautas, gaitas e percussão, mas com a mesma pegada característica da banda. “Shudder Before the Beautiful” é uma faixa com a energia característica das que costumam abrir os discos da banda. Guitarra agressiva, levada empolgante e um refrão contagiante, ela é precedida por uma rápida narração de Richard Dawkins. A canção seguinte, “Weak Fantasy”, é uma das melhores do disco, agitada e com vocais potentes de Floor e Marco Hietala. Em seguida vem o single “Élan”, que divide os fãs. Embora ele possa parecer muito limpa e suave, a faixa aparece como um respiro no disco, dando um toque de melodia e beleza antes do que viria a seguir.

Os membros do Nightwish
“Yours Is An Empty Hope” compete com “Weak Fantasy” para ser a mais pesada do disco. Riff de guitarra potente, vocais com personalidade de Floor, que chega a mandar guturais no refrão, e boa participação do baterista Kai Hahto, que substitui Jukka Nevalainen no disco. Já “Our Decades In The Sun” é uma balada com uso de corais e belos arranjos sinfônicos e de violão. “My Walden” é uma faixa onde começa a se destacar a figura de Troy Donockley na banda, com vocais e suas flautas. A faixa título vem em seguida com mais peso e um refrão bem destacado.

A faixa “Edema Ruh” tem um andamento mais calmo, mas com um pouco mais de peso do que “Élan” por exemplo, além de um solo de guitarra interessante. “Alpenglow” tem uma pegada característica da banda, mas não empolga tanto quanto as demais do disco. O disco vai chegando ao final com a instrumental “The Eyes of Sharbat Gula”, totalmente orquestral e com uso de corais.

E enfim, a faixa que encerra o disco é “The Greatest Show on Earth”, uma canção grandiosa, que se inicia com um piano e vai crescendo junto com a orquestração e a voz de Floor durante alguns minutos. Mais da narração de Richard Dawkins surgem antes da canção ganhar nova cara com a entrada de Floor meio como declamando a letra e a guitarra de Emppu Vuorinen. A canção logo vai progredindo, ganha energia, arranjos com backing vocals de corais, até ganhar um novo andamento, com o ritmo da bateria aliado as vozes antes de uma sequencia de sons de animais selvagens misturados a alguns toques de orquestração interromper a canção. Logo, a guitarra volta com peso e a voz de Marco Hietala.

E isso é só a primeira metade da faixa. É curioso que mesmo assim, a canção não cansa. Ela ganha vida nova depois disso, os vocais trazem empolgação, uma verdadeira evolução dentro da música. Por volta dos 16 minutos, a canção para totalmente, entra de novo o piano e arranjos orquestrais leves, seguido em seguida pela bateria e baixo ditando um ritmo cadenciado, lento, para mais narração de Dawkins. Mais orquestração, que vai diminuindo, sons de mar, mais narração. A canção já acabou, agora o que resta são sons da natureza e de animais, até que com 24 minutos o ciclo se encerra. Encerra um bom disco, com ótimas canções, com a cara atual do Nightwish.

Um trabalho bem produzido, com uma proposta interessante e com belos arranjos de metal sinfônico. Floor Jansen também não decepciona em sua estreia em um álbum de estúdio da banda. Mesmo que ela não tenha mostrado toda a potencia de sua voz no disco, o fato é que ela não precisa, a música do Nightwish não pede isso. Sua participação é exatamente da forma que as canções pedem, harmoniosa e com personalidade nos momentos certos. “Endless Forms Most Beautiful” não é como os grandes álbuns clássicos da banda finlandesa. Ele é único e diferente, mas ainda belo, e faz jus a historia da banda.


Nota: 8/10
Status: Espetacular

Faixas:
01. Shudder Before The Beautiful
02. Weak Fantasy
03. Élan
04. Yours Is An Empty Hope
05. Our Decades In the Sun
06. My Walden
07. Endless Forms Most Beautiful
08. Edema Ruh
09. Alpenglow
10. The Eyes Of Sharbat Gula
11. The Greatest Show On Earth

sábado, 28 de março de 2015

The Wonders: That Thing You Do (1996)



Por Davi Pascale

Em 1996, uma canção com uma batida típica dos anos 60 invadiu as FMs de todo o mundo. Não se tratava da tal ‘nova salvação do rock’, onde toda semana os críticos elegiam uma. E, sim, da trilha sonora de um filme. A canção que dava titulo ao longa, transformava em realidade a ficção.  Escrito, dirigido e com atuação de Tom Hanks, a película fez um sucesso inesperado. Confere aí...

A história retratada não é assim tão incomum. Do That Thing You Do retrata a história de um grupo que chegou com tudo, arrebentou a boca do balão. Porém, apenas com uma música. O famoso ‘one hit wonder’. Nossa geração viu vários desses por aí. De 4 Non Blondes à New Radicals. De The Knack à Lou Bega. A lista é longa... E nos anos 60 a história não era muito diferente. Richard Harris, The Honeycombs, The Easybeats são apenas alguns dos inúmeros nomes que estouraram com uma canção e sumiram de vista.

O ano era 1964. Ano da Beatlemania. A história aconteceu por acaso. Uma banda formada por amigos, batizada de One Ders, participaria de um show de calouros apresentando uma balada escrita pelo cantor, o egocêntrico Jimmy. Quando estavam perto da data da apresentação, seu baterista, Chad quebrou o braço. Para não cancelarem, recrutaram Guy Patterson, um músico aficcionado por jazz que trabalhava na loja de seus pais. Contrariando o gosto do cantor, Guy transforma a musica em um rock com pegada beatnick e os rapazes vencem a premiação.

Contrariando à tudo e à todos, os garotos começam a criar fama. Conseguem um empresário, gravam um disquinho. Pouco tempo depois, caem nas mãos de Mr. White que os oferece um acordo para serem parte do cultuado selo Playtone. Do dia para a noite, tornam-se ídolos. Shows começam a ter histeria, a música vai para o topo das paradas, começam a dividir o palco com seus ídolos. O nome que vinha causando confusão é ajustado. De The One Ders para The Wonders. Não demora muito e tudo começa a ruir. O sucesso sobe na cabeça dos rapazes. O grupo vai se afastando, até que, pouco tempo depois, se separam.

Filme narra história de grupo one hit wonder

Contando com bom elenco, o filme conta com um tom cômico. Há várias referências à época. Os estúdios de gravação, as roupas, os cabelos, tudo reproduzido de acordo com a época. Fora as indiretas. A idéia de tentar emplacar One Ders, por exemplo. Um trocadilho claramente inspirado em Beatles (o nome do grupo não é besouro como muitos traduzem. É um trocadilho criado por John Lennon com a palavra beat, de batida musical). No elenco, além de Tom Hanks, tínhamos a presença de Liv Tyler (filha do cantor do Aerosmith, Steven Tyler. Liv e Alicia Silverstone ganharam destaque na época depois de participarem de alguns vídeos musicais dos rapazes como “Cryin´” e “Crazy”).

A faixa “Do That Thing You Do”, escrita para o grupo ficcional, foi composta por Adam Schlesinger, baixista do Fountains of Wayne. A música tornou-se um hit em diversos países, inclusive no Brasil. A história da tela vinha para o mundo real. Afinal, foi a única vez que ouvimos do The Wonders nas rádios... O filme, lançado no Brasil com o nome de O Sonho Não Acabou, é bem bacana e foi prensado em VHS e DVD. Fica a dica...

sexta-feira, 27 de março de 2015

Kontrust – Explositive (2014)

Por Rafael Menegueti

Kontrust - Explositive
A banda austríaca de metal crossover Kontrust lançou seu quarto disco de estúdio em novembro passado. No ano passado eu havia resenhado o antecessor “Second Hand Wonderland”, de 2012, e agora, comentando sobre o novo disco, devo dizer que pouco mudou. A proposta do som do sexteto é a mistura de metal com vários estilos de diversas origens, como a polka, ritmos latinos, um pouco de reggae e ska, muita percussão e levadas cheias de groove e funkeadas.

Em “Explositive” a banda explora ainda mais essa sua sonoridade, com uma pegada pesada e ao mesmo tempo dançante. A faixa “Dance” abre o disco bem nesse estilo. Os vocais da polonesa Agata Jarosz e Stefan Lichtenberger são versáteis e empolgantes. Na faixa “Why”, eles fazem um bom dueto, em uma faixa que bem poderia ter surgido de uma banda dos anos 80 e com um refrão simples mas grudento. O primeiro single do disco, “Just Propaganda” vem em seguida com um riff bacana e uma letra bem crítica. O que é outro ponto interessante da música da banda. Mesmo com essa sonoridade irreverente e animada, as letras mostram uma banda engajada em apontar pontos em que a sociedade precisa ser melhorada.

Os membros do inusitado Kontrust
O álbum segue com a faixa “I Freak On”, bem inusitada, com presença de guitarras e teclado formando um som consistente, e mais um refrão pra ficar na cabeça por uns 12 dias, algo em que a banda parece ser especialista. Essa formula poderia fazer do Kontrust uma banda previsível, mas não. Cada canção parece uma surpresa diferente. “Shut Up” já tem outra pegada, convidando o ouvinte a pular com o refrão. Não da nem tempo de respirar, tamanha a frequência com que os andamentos mudam, as músicas ganham peso e novos elementos são inseridos.

“Cosmic Girl” é outra faixa diferente, começado com um banjo e uma guitarra abafada e a voz de Agata, logo mudando com os vocais Stefan e ganhando mais energia. “Vienna” é uma das melhores do álbum, onde predominam os riffs de guitarra e a melodia nos vocais de Agata. “Bulldozer” também não deixa a desejar, com uma levada pesada e bem hard rock. “Play!” é outro momento bem grooveado, com destaque para o baixo de Gregor Kutschera, e um refrão mais alternative rock.

Chegando a parte final do disco, temos a animada e cheia de ritmo “This Is My Show”, uma das mais dançantes do disco. “Bad Time” tem um andamento mais lento, mas ainda é bem empolgada. “Ladies” é mais uma sonora pancada, rápida e com outro refrão daqueles. O disco encerra com a funkeada e bacana “Lucky Bastards”, que deixa o ouvinte querendo mais. Um trabalho divertido, abrangente, rico em boas referências e influências. O que poderia ter ficado repetitivo e previsível se mostrou um trabalho renovado e convidativo. Muito bom para uma banda que deve continuar crescendo na cena do rock e metal moderno.


Nota: 8,5/10
Status: Animado e variado


Faixas:
1. Dance
2. Why 
3. Just Propaganda 
4. I Freak On 
5. Shut Up 
6. Cosmic Girls 
7. Vienna 
8. Bulldozer 
9. Play! 
10. This is My Show 
11. Bad Time 
12. Ladies
13. Lucky Bastard

quinta-feira, 26 de março de 2015

Europe – War of Kings (2015):



Por Davi Pascale

Grupo sueco chega à seu décimo álbum. Novo trabalho mantém a pegada hard rock com influência setentista de seus trabalhos anteriores, deixando cada vez mais afastado seus dias de visual exagerado e arranjos comerciais. Recomendado até mesmo para quem odeia o som que os rapazes faziam em seus dias de glória.
Talvez muitos de você se recordem do grupo de Joey Tempest apenas pelo megahit “The Final Countdown”. Talvez alguns se lembrem de canções como “Carrie” e “Open Your Heart”. A verdade é que desde que retornaram à ativa em 2004, os músicos contam com outra sonoridade e outra postura. Ficaram para trás as coreografias àla “You Give Love a Bad Name”, os teclados diminuíram de volume e ficaram mais encorpados, os vocais não contam mais com tonalidades exageradas, seus arranjos ganharam mais peso. Ou seja, é literalmente outra banda.
O Europe ainda precisa lidar com esse fantasma. Não que seu passado seja uma vergonha. Pelo contrário, gosto muito dos discos que lançaram nos anos 80. Canções como “Superstitious”, “Let The Good Times Rock”, “Ready Or Not”, “Halfway to Heaven” e “Bad Blood” sempre estiveram em meu CD player, e mais recentemente no Ipod que me acompanha no carro. O problema é que os grupos dessa cena sempre foram tratados com desdém pela imprensa (dita) especializada e muitos ainda olham com o mesmo desdém, por simplesmente não se darem ao trabalho de ouvir o que andam fazendo, em uma época onde é possível ouvir discos de graça em programas como Spotify ou até mesmo no Youtube. Realmente uma pena!
Grupo chega à seu décimo álbum mantendo a veia hard de seus últimos discos
 
War Of Kings segue a mesma lógica de Bag of Bones, Last Look At Eden e Secret Society. Arranjos altamente influenciados por grupos como Uriah Heep, Led Zeppelin e até mesmo Deep Purple tomam conta do disco. John Norum, quem considero um dos grandes guitarristas da década de 80, continua roubando a cena não apenas com ótimos riffs, mas também com solos inspiradíssimos. Embora as referências sejam, em sua maioria, vinda dos anos 70, o álbum conta com uma mixagem mais moderna. A escolha do produtor, Dave Cobb (Rival Sons), foi mais do que acertada.
A influência Zeppelin aparece em faixas como “Light It Up” e “Rainbow Bridge” (a levada de Ian Haugland em “Light It Up” é quase uma homenagem à Bonham). A faixa título traz aquele arranjo mais pesado e, de certa forma, mais sombrio nos remetendo aos tempos de Secret Society. “Praise You”, por outro lado, nos leva de volta ao (ótimo) Bag of Bones com sua levada bluesy. “California 405” e “Days of Rock n´ Roll” trazem riffs no melhor estilo Ritchie Blackmore. Essa última, a dobrada de guitarra com teclado me remeteu bastante ao Rainbow. “The Second Day” é a famosa balada rocker, dona de um ótimo refrão.
Joey Tempest, John Norum, Mic Michaeli, John Levén e Ian Haugland continuam nos entregando discos de excelente qualidade. Bem tocado, bem cantado e bem escrito. Tenho certeza de que aqueles que pararem para ouvir essa nova fase dos rapazes, mudarão sua visão sobre o grupo. Se você ainda enxerga eles como um Bon Jovi que não deu certo, dê uma nova chance ao grupo. Se você continuou acompanhando os músicos, não há razão para não adquirir o novo CD. Trabalho inspiradíssimo.
Nota: 8,0 / 10,0
Status: Explosivo
Faixas:
01)   War of Kings
02)   Hole In My Pocket
03)   The Second Day
04)   Praise You
05)   Nothin´ To Ya
06)   California 405
07)   Days Of Rock n´ Roll
08)   Children Of The Mind
09)   Rainbow Bridge
10)   Angels (With Broken Hearts)
11)   Light It Up
12)   Vasastan