sábado, 7 de março de 2015

Notícias do Rock (pra não ficar por fora)

Por Rafael Menegueti

Rock In Rio confirma mais atrações

Mastodon será atração do Rock In Rio
Depois do Metallica e Queen + Adam Lambert, o Rock In Rio anunciou oficialmente mais dois nomes essa semana. Mastodon, uma das bandas mais aclamadas da atualidade, e o projeto De La Tierra, que une músicos latinos, entre eles Andreas Kisser (Sepultura) e Alex Gonzalez (Maná), tocaram na noite dedicada ao metal. Outras fontes dão como quase certo que o Angra também deve ser anunciado em breve. Vamos aguardar.

Dimmu Borgir está produzindo novo álbum

Depois de cinco anos do lançamento de “Abrahadabra”, os noruegueses do Dimmu Borgir estão finalmente trabalhando em novo disco. A banda de black metal não deu muitos detalhes, apenas que eles entraram em estúdio para iniciar os trabalhos de pré-produção do disco, que eles esperam lançar ainda esse ano.

Novo disco do Cain's Offering tem detalhes anunciados

O projeto que envolve o vocalista Timo Kotipelto (Stratovarius), o guitarrista Jani Liimatainen (ex-Sonata Arctica) e o tecladista Jens Johansson (Stratovarius, ex-Dio e Yngwie Malmsteen) está com segundo disco pronto, que será lançado no final de abril. O trabalho se chama “Stormcrow”. Veja a capa e o tracklist:


1. Stormcrow 
2. The Best of Times 
3. A Night to Forget
4. I Will Build You A Rome 
5. Too Tired To Run 
6. Constellation of Tears 
7. Antemortem
8. My Heart Beats For No One 
9. I Am Legion
10. Rising Sun 
11. On The Shore  
12. Child of the Wild (Bonus Track)

David Gilmour anuncia novo álbum solo para o segundo semestre

David Gilmour: Turnê e disco novo em setembro
O guitarrista do Pink Floyd anunciou em seu site que um novo disco de estúdio, o quarto de sua carreira solo, deverá ser lançado em setembro desse ano. O lançamento coincide com o início de uma nova turnê do músico. Ano passado, o músico já havia lançado “The Endless River”, ultimo e bem sucedido disco do Pink Floyd.

Morre Vital, primeiro baterista do Paralamas do Sucesso

Vital Dias, ex-baterista do Paralamas do Sucesso morreu no último dia 3. O músico, que ficou imortalizado na historia da banda por ter sido o tema da canção “Vital e Sua Moto”, primeiro hit do grupo, morreu em decorrência de um câncer. A banda lamentou a morte do amigo em um post no Facebook. Foi a segunda perda de um ex-integrante da cena do rock de Brasília em poucos dias, já que na semana passada o ex-baixista da Legião Urbana Renato Rocha também havia nos deixado.

sexta-feira, 6 de março de 2015

Dr. Sin – Intactus (2015):



Por Davi Pascale
            
Trio paulista chega à seu sétimo álbum de inéditas mantendo sua tradicional mistura de hard/heavy com progressivo. Em Intactus, trio não reinventa a roda, mas mantém a qualidade de seus trabalhos anteriores.

Dr. Sin é aquela típica banda que tinha de tudo para acontecer, mas a mídia insiste em fingir que não vê. Com músicos de primeiro time, ótimas composições, tinham de tudo para estar entre os grandes vendedores de discos em nosso país. Parte dessa não consagração, acredito ser por cantarem em inglês. Por conta do modo como ocorreu a explosão do Sepultura, criou-se um mito de que era possível atingir fama mundial, caso cantassem na linguagem do Tio Sam. Isso fez com que vários artistas que não tinham domínio do idioma começassem a gravar em um inglês macarrônico, o que ajudou a afastar ainda mais os empresários. Se heavy metal já não era bem visto em nosso país, depois dessa moda (que dura até hoje) então...

Tomei conhecimento do trio por ser, até então, o novo grupo dos ex-integrantes da banda Taffo. Engraçado que na época do primeiro disco, tinha certeza que os caras iam arregaçar. Sua apresentação no Hollywood Rock em 1993 foi considerada um dos grandes destaques do festival pela imprensa. Os clipes de “Emotional Catastrophe” e “Silent Scream” tiveram um destaque razoável na MTV. Essa mesma MTV chegou a exibir um programa chamado Peso Local com os melhores momentos dos shows de 3 grupos brasileiros: Pitbulls On Crack, Angra e o Dr. Sin. Outra situação que ajudou a abafar o reconhecimento dos meninos foi o fato da Rock Brigade (até então a principal publicação de rock pesado do país) ter empresariado o Angra. Esse fato fez com que ficasse cada vez mais raro grupos nacionais ganharem um grande destaque na publicação (principalmente capa). Muitos ótimos artistas nacionais passaram despercebidos por seus leitores. A revista era uma referência para os amantes de hard/heavy em nosso país. Sem apoio da grande mídia e com descaso da mídia especializada fica difícil dominar o mercado.

Mesmo assim, conseguiram criar uma base de fãs incrivelmente fiéis. E, certamente, irão mantê-los com esse lançamento. “Saturday Night” abre o CD com um tema que é um pouco clichê, mas que os fãs do movimento amam. Fala sobre curtir o fim-de-semana, esquecendo dos problemas, ao som do bom e velho rock n´ roll. O arranjo é bem pra cima, um som divertido de se escutar. “How Long” vem na sequencia trazendo o som tradicional do Dr. Sin. O grande destaque nessa música é o trabalho vocal de Andria Busic. Após mais de três décadas esgoelando por aí, o cara encontra-se com as cordas vocais em perfeitas condições ainda.

Trio se destaca por capacidade técnica e ótimas composições

“We´re Not Alone” traz aquele som pesado misturando momentos velozes com momentos arrastados, nos remetendo aos tempos de Brutal. A primeira balada do disco é Soul Survivor”, onde os irmãos Busic dividem os vocais. Alguns elementos de Southern rock aparecem por aqui. Especialmente na linha vocal de Ivan, que em certos momentos nos remete à Lynyrd Skynyrd. “The Great Houdini” traz um som mais cadenciado, casando baixo com guitarra. Uma das características principais do trio, que os acompanha desde seu debut. No meio dessa música tem uma quebrada de tempo altamente influenciado por Rush. Outra característica que os acompanha desde sempre.

“This Is The Time” e “Without You” são as baladas presentes na segunda parte do disco. Dessa vez, com uma cara mais anos 80. “The Big Screen” deve fazer a cabeça dos fãs de Van Halen. Tanto o trabalho de Edu Ardanuy quanto o de Ivan Busic nos remetem aos trabalhos do Van Halen fase David Lee Roth. Andria e Edu roubam a cena na cativante “Set Me Free”. Já a faixa de encerramento,“Fight The Good Fight”, surpreende ao trazer um arranjo trincado, com influencias de prog (o inicio me lembrou Dream Theater) em um som não tão pesado assim. Ficou bacana.

Espero que um dia esses caras consigam atingir o reconhecimento que merecem. A prova de que não precisa criar novos grupos para ter uma cena forte de rock na mídia. Os ótimos artistas estão por aí. Basta investirem. O mais triste de tudo é saber que com bandas desse nível, a atenção da imprensa está voltada para o disco de rock que o Mr. Catra está gravando. E mais triste ainda é notar que tem fã de rock apoiando. Hora de acordar...

Nota: 9,0 / 10,0
Status: Excelente

Faixas:
      01)   Saturday Night 
      02)   How Long
      03)   We´re Not Alone
      04)   Soul Survivor
      05)   The Great Houdini
      06)   This Is The Time
      07)   The Big Screen
      08)   Set Me Free
      09)   Without You
      10)   Fight The Good Fight

quinta-feira, 5 de março de 2015

Amoral - Fallen Leaves & Dead Sparrows (2014)

Por Rafael Menegueti

Amoral - Fallen Leaves & Dead Sparrows
A Finlândia é sem dúvidas o país do heavy metal. É impressionante como lá o estilo tem popularidade e rende tantas bandas boas. O metal está para eles como o sertanejo está para nós brasileiros, por exemplo. E isso facilita que inúmeros grupos consigam se consolidar com o tempo. Uma das bandas que vem na estrada há um certo tempo e agora lança um de seus melhores trabalhos é o Amoral.

A banda passou por uma mudança drástica de sonoridade. O grupo nasceu em 1997, e lançou seu primeiro álbum apenas em 2004 como uma banda de death metal. A banda lançou três discos nessa pegada, mas ai veio a mudança. Niko Kalliojärvi deixou o grupo e foi substituído por Ari Koivunen, jovem vocalista que ficou conhecido por vencer a versão finlandesa do reality show Idolos e já havia lançado dois bons discos solo. Ari não cantava em gutural, e a banda virou um grupo de power metal progressivo. Preciso dizer que os fãs antigos odiaram? Pois é, mas eles o fazem com a cabeça de quem sempre exige que sua banda seja sempre aquilo que eles aprenderam a ouvir, não dá pra culpa-los. Mas musicalmente a banda seguiu tão boa ou até melhor que antes.

A entrada de Ari Koivunen (centro) mudou drasticamente o estilo da banda
“Fallen Leaves & Dead Sparrows” é o terceiro disco após a mudança de estilo, e o sexto da banda no geral. E nele a banda ganha créditos pelo excelente trabalho de composição, arranjos e produção. Com elementos bastante técnicos e uma boa transição entre os estilos mais progressivo, as baladas e os momentos mais pesados, o disco é uma aula de metal moderno.

“On The Other Side Pt. 1” abre o disco com uma boa pegada, e dá uma mostra do que está por vir. “No Familiar Faces” é mais agitada e possui um riff empolgante. “Prolong A Stay” segue a mesma linha, com um pouco mais de velocidade e técnica. “Blueprints” é uma balada carregada pelo violão e voz de Ari Koivunen, tem uma levada meio blues, meio rock setentista, claramente influenciada por Led Zeppelin. A melhor do álbum é “If Not Here, Where?”. A faixa começa leve, com dedilhados e bateria cadenciada e vai crescendo até estourar em um metal rasgado no meio, com Ari fazendo guturais e bastante peso, sem deixar o aspecto melódico/progressivo de lado.

O que vem em seguida é a instrumental “The Storm Arrives”, seis minutos e meio de pura experimentação progressiva clássica, quase uma demonstração técnica. “See This through é outra semi-balada, que dá outra quebrada no clima do álbum. O CD encerra excelentemente com “On the Other Side Pt. II”, outra viagem progressiva, que flui como uma montanha russa sonora entre os elementos de power, death e melódico que encontramos por todo o álbum.

Os fãs e a critica podem até massacrar essa banda, mas eles fazem isso cegos (ou surdos) pela sombra de sua antiga fórmula. Se prestassem atenção veriam uma banda bem intencionada, que não deixa em nada a dever. Basta deixar o preconceito de lado e viajar com o ótimo som de mais uma criação do metal finlandês.


Nota: 9/10
Status: viajado e pesado


Faixas:
1. On The Other Side Pt. I
2. No Familiar Faces
3. Prolong A Stay
4. Blueprints
5. If Not Here, Where
6. The Storm Arrives
7. See This Through
8. On The Other Side Pt. II

quarta-feira, 4 de março de 2015

Blues Pills – Blues Pills (2015):


Por Davi Pascale

Debut dessa que é considerada uma das grandes promessas do rock. Com integrantes vindo de diferentes países, o quarteto aposta em uma sonoridade altamente influenciada pela sonoridade do final dos anos 60 e início dos anos 70. Boa pedida para quem não se identifica com a sonoridade mais moderna dos grupos mainstream atuais.

Sempre resenhei discos dos grandes nomes do rock. Desde novos lançamentos até matérias especiais por conta de alguma data comemorativa. E continuarei fazendo. Não sou daqueles que acredita que o rock n roll tenha que ser feito exclusivamente por jovens. Estão aí artistas como AC/DC, Ace Frehley, Motorhead e tantos outros, lançando novos trabalhos de alto calibre, que não me deixam mentir. Por outro lado, acho importante falarmos da nova cena. Afinal, os novatos de hoje são os grandes astros de amanhã, certo? Quando comecei a acompanhar artistas como Korn e Muse eles também não passavam de grandes promessas do rock. E veja só onde chegaram...

Difícil dizer de onde vem o Blues Pills, da mesma forma que seria difícil dizer se o Soulfly é uma banda nacional ou internacional. O guitarrista Dorian Sorriaux, de apenas 19 anos, veio da França, o baixista Zack Anderson é norte-americano, enquanto a vocalista Elin Larsson é sueca. O grupo, entretanto, vem sendo vendido como um conjunto sueco. Larsson conheceu Anderson e o baterista original Corry Berry durante sua estadia na California. Havia sido despedida do seu emprego de garçonete e decidiu fazer uma viagem para repensar a vida. O trio se mudou para Örebro, uma pequena cidade da Suecia. E lá se firmaram. Berry não está mais na banda. Hoje, o responsável pelas baquetas é André Kvarnström, um músico local, mais conhecido pela sua participação no TruckFighters. Um trio que vai em uma onda parecida com a do Kyuss.

Elin Larsson: de garçonete à cantora de rock

A sonoridade do Blues Pills é uma outra jogada. Com referências de Led Zeppelin, Cream, Jimi Hendrix... A influência do blues se faz presente, assim como a influencia do hard rock e da cena psicodélica.  Entretanto, não tentam ficar soando old school. É algo que vem natural. Os músicos cresceram ouvindo artistas dessa época. Em uma recente entrevista à revista Classic Rock Magazine, a vocalista mandou: “Acho que a música era mais honesta, tinha mais emoção. Não sei se em 60 anos as pessoas estarão ouvindo Britney Spears, mas certamente estarão ouvindo Led Zeppelin e Black Sabbath”.

A garota, aliás, é o grande destaque do grupo. Sua voz potente e marcante chama a atenção durante a audição. Em “High Class Woman”, faixa que abre o CD, já dá para sacar sua potência vocal. Sua interpretação em “Ain´t No Change” e na balada “No Hope Left For Me” não ficam atrás. O álbum foi gravado ainda contando com a presença de Cory Berry. Suas levadas trazem bastante suingue, contam com bastante groove, como podemos notar com maior clareza em “Jupiter” e “Devil Man”. Dorian, embora seja ainda extremamente jovem, chama a atenção com seu bom gosto para criação de riffs e solos. O riff de “Gypsy” me remeteu bastante à Jimi Hendrix. Já canções como “River” e “Astralplane” me recordou de Janis Joplin, principalmente as linhas vocais de Elin Larsson.  

Blues Pills foi lançado no Brasil. E, mesmo para os colecionadores mais exigentes, vale recorrer à edição nacional que conta com duas faixas bônus: “Dig In” e “Time Is Now”. Existe uma nova cena rolando fora do Brasil que muitos não se ligaram ainda por aqui. Aos poucos, vou trazendo as dicas pra vocês. 

Nota: 8,0/10,0
Status: Rock retrô

Faixas:
      01)   High Class Woman
      02)   Ain´t No Change
      03)   Jupiter
      04)   Black Smoke
      05)   River
      06)   No Hope Left For Me
      07)   Devil Man
      08)   Astralplane
      09)   Gypsy
      10)   Little Sun
      11)   Dig In (bônus)
      12)   Time Is Now (bônus)

terça-feira, 3 de março de 2015

Música comentada: Epica – Consign to Oblivion

Por Rafael Menegueti

Epica está de volta ao Brasil
O Epica começa hoje a turnê brasileira de seu mais recente disco, “The Quantum Enigma”. O grupo holandês se apresentará em cinco cidades, começando hoje em Porto Alegre. Nas outras quatro datas terá ainda a companhia do Dragonforce. Para dar esse pontapé em mais uma passagem da banda no Brasil, decidi falar sobre uma das melhores músicas da banda, e que é a faixa que encerrou todos os shows do grupo desde que foi lançada no álbum de mesmo nome em 2005: “Consign to Oblivion”.

A longa faixa é também a mais potente e impactante do álbum, com orquestração pesada e atmosférica, coral e ênfase nos guturais de Mark Jansen em muitos momentos. A letra é uma reflexão ao modo como a sociedade tem evoluído para se tornar cada vez mais egoísta e egocêntrica. Na minha opinião, a melhor letra de uma música da banda, com versos que atingem diretamente a ferida e mostram como aos poucos fomos nos tornando esses seres aprisionados pelos nossos próprios hábitos, rotinas e manias. No final a música dá uma sugestão: abandonar tudo, voltar às “leis da natureza e nos livrar da loucura”.

How can we let this happen and
Just keep our eyes closed 'till the end

The only thing that counts
Is the prosperity of today
Most important to us
Is that our bills get paid

Our good intentions
Have always been delayed

How can we let this happen and
Just keep our eyes closed 'till the end
When we will stand
In front of heaven's gate
It will be too late!

Try to unlearn all that you've learnt
try to listen to your heart
No, we can't understand the universe
By just using our mind
We are so afraid
Of all the things unknown

A must we appease
Is the lust to get laid
Nothing really matters
Just devouring our prey

Our good intentions have always been delayed
Our generous acts have always come too late

We are so afraid
Of all the things unknown
We just flee into a dream
That never comes true

Low to the ground we feel safe
Low to the ground we feel brave

Oblivisci tempta quod didicisti

Open your eyes
We're not in paradise
How can't you see
This stress is killing me
Fulfil your dreams
Life is not what is seems
We have captured time
So time made us all
Hostages without mercy

Seemingly generous
Fooling ourselves
Selfishly venomous time tells

Too much thinking
Goes at the cost of all our intuition
Our thoughts create reality
But we neglect to be!
So we're already slaves
Of our artificial world
We shouldn't try to control life
But listen to the laws of nature

We all think we're generous
But we only fool ourselves
The only thing that matters is
Our way and our vision

Selfishly we're venomous
But you know the time tells us
There is more to life than our
Higher positions, race for perfection
Better, faster
We must return to the laws of the nature
Free ourselves from madness
Como pudemos deixar isto acontecer e
Apenas manter nossos olhos fechados até o fim?

A única coisa que conta
É a prosperidade de hoje
Mais importante para nós
É que nossas contas sejam pagas

Nossas boas intenções
Foram sempre adiadas

Como podemos deixar isto acontecer e
Apenas manter nossos olhos fechados até o fim?
Quando estivermos parados
Em frente ao portão dos céus
Será tarde demais!

Tente esquecer tudo o que você aprendeu
Tente dar ouvidos ao seu coração
Não, não podemos entender o universo
Apenas usando nossa mente
temos tanto medo
De todas as coisas desconhecidas

Uma obrigação que saciamos
É a cobiça para transar
Nada realmente importa
Apenas devorar nossa presa

Nossas boas intenções foram sempre adiadas então
Nossos atos generosos vieram sempre tarde demais

Nós temos tanto medo
De todas as coisas desconhecidas
Nós apenas fugimos para dentro de um sonho
Que nunca vira realidade

Descendo ao chão nos sentimos seguros
Descendo ao chão nos sentimos bravos

Tente esquecer o que aprendeu

Abra seus olhos
Não estamos no paraíso
Como não pode ver?
Este estresse está me matando
Realize seus sonhos
A vida não é o que parece
Nós capturamos o tempo
Então o tempo nos fez
Reféns sem piedade

Aparentemente generoso
Enganando a nós mesmos
Egoisticamente maldoso, o tempo diz

Pensamento demais
Vai ao custo de toda a nossa intuição
Nossos pensamentos criam a realidade
Mas nós negligenciamos!
Dessa forma seremos sempre escravos
De nosso mundo artificial
Não deveríamos tentar controlar a vida
Mas dar ouvidos às leis da natureza

Todos nós achamos que somos generosos
Mas apenas enganamos a si próprios
A única coisa que importa é
Nosso caminho e nossa visão

Egoisticamente somos maldosos
Mas você sabe que o tempo nos dirá
Existe mais para a vida do que nossas
Mais altas posições, correr pela perfeição
Melhor, mais rápido
Nós precisamos retornar às leis da natureza
Libertar a nós mesmos da loucura


segunda-feira, 2 de março de 2015

Exxótica – Não Me Cobre (2014):



Por Davi Pascale

A banda Exxótica está de volta à ativa e com novo EP no mercado. Novo trabalho traz as velhas características do trio e deve agradar seus velhos seguidores. Quem curtiu a primeira encarnação da banda, pode comprar sem medo.

O Exxótica nunca foi unanimidade. Pelo contrário, sempre dividiu opiniões. Parece fazer parte do velho esquema: ame ou odeie. Ao mesmo tempo em que traziam uma preocupação com o visual (altamente influenciado por Kiss), traziam um certo despojamento, que muita gente confundia com amadorismo. Nunca foram pretensiosos. Sempre cantaram em português, fizeram refrões pegajosos, melodias simples. O que sempre faltou, na minha visão, foi um bom empresário e um bom fotógrafo. Várias imagens dos rapazes passam uma idéia de banda podreira, o que definitivamente não é o caso. Sempre tiveram uma pegada mais comercial por trás. Nos shows, por outro lado, o visual funciona legal.

Ok, algumas letras apostam em uma temática mais sarcástica (principalmente as que contam com a interpretação do “Reverendo” Marcelo Rossi), mas não é de hoje que isso faz parte do rock nacional. Essa característica é mantida no EP em “O Homem do Bisturi”. Canção que havia sido composta para o Exxótica e lançada no projeto que o baixista criou após o término do grupo, Reverendo. Entre as duas cantadas pelo rapaz, é a mais forte.

EP marca retorno do grupo após 3 anos separados

Entretanto, quem sempre me chamou a atenção de verdade no Exxótica foi Daniel Iasbeck. Além de ser um guitarrista de mão cheia, sempre gostei muito mais do seu trabalho vocal. Sempre considerei seu timbre de voz melhor, além de possuir um maior alcance. Aqui, fica responsável pelas outras 4 faixas do CD. Onde o destaque fica por conta da faixa-título. Dentre as 6 músicas, além da regravação da faixa de Palhaço Maldito do Rock Brasileiro, arriscaram uma nova versão de “Meu e de Ninguém Mais”, lançada originalmente em Jogos de Azar. Gosto muito da música, mas achei a atitude desnecessária.

Do mais, é o velho Exxótica de sempre. Altamente influenciado pelo hard rock dos anos 70 e 80, entregam 6 faixas com refrões grudentos e ótimos riffs de guitarra. O único senão, como 90% dos álbuns independentes da cena de rock brasileira, é a qualidade de gravação da bateria. O instrumento está com um som bem magro, que destoa da sonoridade do grupo que busca manter o peso nas canções, apesar do apelo comercial (Apelo esse que não considero uma falha e acho essencial para quem quer viver de rock no Brasil). Esperando agora por um álbum completo. Como um pequeno aperitivo, está valendo!

Nota: 7,0 / 10,0
Status: hard rock despretensioso

Faixas:
      01)   Não Me Cobre
      02)   Lobotomia
      03)   Conspiração
      04)   O Homem do Bisturi
      05)   Meu e de Ninguém Mais
      06)   A Ex

domingo, 1 de março de 2015

Sonata Arctica – Centro de Eventos Pedro Bertolosso (Osasco, São Paulo – 27/02/2015)

Por Rafael Menegueti

Os finlandeses do Sonata Arctica estão fazendo a maior turnê pela américa latina de sua história. Só no Brasil são 10 shows. Na ultima sexta feira (27/02) a banda se apresentou na cidade de Osasco, o quinto show em solo brasileiro.


O local do show não era uma casa de shows habitual, mas sim um centro de eventos. Talvez o lugar um pouco isolado, e o fato de a banda se apresentar ainda no dia seguinte em São Paulo fizeram com que o show de Osasco tivesse publico modesto. Mas isso não 
pareceu problema nem para os músicos e nem para os fãs.

Antes da atração principal, duas bandas fizeram a abertura: Velvet Moonlight e Troll. Duas bandas originadas em Osasco e que viveram uma oportunidade única. A primeira, que ganhou o direito de abrir a noite em um concurso cultural, teve desempenho modesto. Os rapazes da Velvet Moonlight pareciam um pouco tímidos e inexperientes no palco, mas fizeram um show honesto e tocaram bem. Já a banda Troll parecia mais desenvolta. Formada apenas por dois músicos mais experientes, o grupo me deixou na duvida no inicio do motivo que levou uma banda punk a abrir um show do Sonata, mas eles surpreenderam e fizeram um show divertido e carismático, agradando ao público.

Por volta das 21:30, os finlandeses subiram ao palco. Abriram com “The Wolves Die Young” e de cara já mostravam por que provocam tanta adoração de seus fãs. A banda é carismática e liderada por um vocalista cheio de presença de palco e uma grande voz: Tony Kakko. “Losing My Insanity” foi a segunda a ser executada. O primeiro momento de maior euforia dos fãs veio na terceira canção, “Paid In Full”, single do álbum “Unia”. “Replica” veio em seguida trazendo os primeiros momentos de emoção para os fãs.


Outro clássico do álbum “Ecliptica”, “My Land”, veio em seguida. A banda fez questão de ressaltar o fato de o álbum estar já com 15 anos de seu lançamento, e que iria executar varias faixas dele. Depois de “Black Sheep”, veio mais uma dele, “Letter to Dana”, a grande balada do disco de estreia. Músicas dos mais recentes álbuns vieram em seguida, “Blood” e “I Have a Right”.

O show então atingiu um momento de maior energia e interação. Primeiro com “X Marks the Spot”, faixa perfeita para a interação da banda com a plateia. Depois e pesada e acelerada “8th Commandment” agitou os fãs. A calmaria voltou com outra balada clássica da banda, “Tallulah”. Em seguida veio outro dos pontos altos do show, a sempre ovacionada “Fullmoon”, sucesso absoluto da banda. Outra de “Ecliptica”, “UnOpened” veio em seguida, faixa que não era tocada ao vivo desde 2003. “San Sebastian” encerrou a primeira parte do show.


No encore, o grupo voltou trazendo duas faixas do álbum “Reckoning Night”. Eles subiram novamente ao palco para executar a excelente e longa “White Pearls, Black Oceans”, e encerraram a noite com a tradicional “Don´t Say a Word”. Um show que ficará na memoria dos fãs, recheado de sucessos e que comemorou em grande estilo os 15 anos de seu primeiro disco. A cena roqueira de Osasco teve uma noite histórica com a assinatura do Sonata Arctica.






Fotos: Rafael Menegueti

Setlist:
1. The Wolves Die Young 
2. Losing My Insanity
3. Paid in Full 
4. Replica 
5. My Land 
6. Black Sheep 
7. Letter to Dana 
8. Blood 
9. I Have a Right 
10. X Marks the Spot 
11. 8th Commandment 
12. Tallulah 
13. FullMoon 
14. UnOpened 
15. San Sebastian 

Encore:
16. White Pearl, Black Oceans... 
17. Don't Say a Word