segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Angra – Secret Garden (2014)



Por Davi Pascale

Sem lançar um álbum de inéditas desde 2010, o grupo brasileiro Angra retorna com uma sonoridade pesada, mais direta e mais moderna. Contando com a produção de Jens Bogren e Roy Z, os músicos lançam um bom trabalho, mas que revela momento confuso no grupo.

O Angra é certamente um dos nomes mais populares da cena metálica brasileira. Durante os anos conseguiram alguns feitos. Colocaram clipe na programação da Multishow e da MTV, tiveram música que foi gravada por grupo de forró, tiveram até música em rádio. Por mais que existam grandes bandas de heavy metal no Brasil, pouquíssimos nomes conseguiram esse nível de exposição. Entretanto, sempre encontraram um grande problema: a dificuldade em manter um line-up. Parece que estão seguindo o passo do Megadeth. A cada dois, três álbuns, uma nova formação.

E essa dificuldade permanece. Ricardo Confessori e Edu Falaschi que haviam gravado seu mais recente CD, Aqua, não estão mais na banda. Preencheram suas posições Bruno Valverde (que já havia excursionado ao lado do Kiko Loureiro) e Fabio Lione (Rhapsody), respectivamente. O grande problema é que se muitos estavam questionando se Lione seria ou não efetivado como um novo integrante após a turnê comemorativa do Angel´s Cry (que gerou, inclusive, um DVD ao vivo), agora após o lançamento de Secret Garden irão questionar ainda mais. Metade do álbum não conta com sua participação, o que deixa tudo ainda mais confuso. Afinal, seria o primeiro trabalho de inéditas com o novo cantor. Por mais que esse seja um diferencial em sua discografia, havia toda uma expectativa de ver o quanto ele acrescentaria ou não ao conjunto. Idéia bacana, mas no momento errado.

Disco novo foi gravado na Suécia e traz participações de Simone Simmons e Doro Pesch

Por que idéia bacana? Porque o guitarrista Rafael Bittencourt finalmente pôde demonstrar um pouco mais de sua competência vocal. O rapaz é dono de uma boa voz e sempre foi muito afinado. Acho bacana ele ter um espaço desses, ainda mais que ele foi um dos poucos que nunca abandonaram o barco. Na real, só restaram ele e o Kiko Loureiro da primeira formação. O disco ainda conta com duas participações mais do que especiais: Simone Simmons (Epica) e Doro Pesch (Warlock).

Como disse lá em cima, o novo disco traz uma sonoridade um pouco mais moderna (assim como ocorreu no cultuado Temple of Shadows). E acredito que muito disso venha da mão do Roy Z. Quando ele produziu Accident of Birth de Bruce Dickinson, conseguiu uma sonoridade mais atual, mas que ainda mantinha a essência do artista. O mesmo ocorre aqui. As influências power metal e progressiva continuam intactas. As referencias de musica brasileira ainda aparecem, mas em menor escala. Para ser mais preciso, aparecem em maior clareza na faixa que abre o disco e em “Upper Levels”

Simone Simmons e Doro Pesch brilharam nas suas participações, embora tenha achado a faixa-título meio desconexa com o restante do disco e me questione o porquê de Simone cantar sozinha uma musica no disco do Angra. A voz de Rafael Bittencourt se faz presente em 4 faixas (“Storms of Emotions”, “Violet Sky”, “Crushing Room” e “Silent Call”) e como era de se esperar, se saiu bem. Soube utilizar a voz que tem dentro das composições. Conseguiu fazer um trabalho que não ficasse forçado e com uma audição super agradável. Fabio Lione demonstra ser o cantor ideal para o Angra. O timbre de voz casa bem com a sonoridade da banda e não abusa tanto de falsetes quanto os vocalistas anteriores.

O novo disco traz uma sonoridade um pouco mais sombria. Há menos orquestrações, coros. Os andamentos quebrados, os solos trincados continuam. A idéia de trabalhar com disco temático também continua. A história gira em torno do personagem Morten Vrolik que, após a morte de sua grande paixão, começa a questionar o valor de tudo que está ao seu redor. Essa formação pode render ótimos frutos, mas os caras precisam decidir de uma vez de todas o que querem da vida. Espero que se acertem...

Nota: 7,5 / 10,0
Status: Mais pesado e direto

Faixas:
      01)   Newborn Me
      02)   Black Hearted Soul
      03)   Final Light
      04)   Storm of Emotions 
      05)   Violet Sky
      06)   Secret Garden
      07)   Upper Levels
      08)   Crushing Room
      09)   Perfect Symmetry
      10)   Silent Call

domingo, 15 de fevereiro de 2015

Triosphere – The Heart of the Matter (2014)

Por Rafael Menegueti

Triosphere - The Heart of the Matter

Hoje aproveito para apresentar uma grande banda ainda sem repercussão aqui no Brasil. O Triosphere é um quarteto norueguês de power/progressive metal que faz um som de extrema qualidade. O grupo tem três álbuns lançados, sendo o mais recente “The Heart of Matter”, lançado em novembro de 2014, e do qual irei falar agora.

A banda mostra um som potente, clássico e coeso. Dos vocais fortes e cheios de personalidade de Ida Haukland (que também é a baixista), às guitarras com excelente qualidade técnica e com a paixão merecida pra fazer rock desse tipo, da dupla Marius Bergesen e T.O. Byberg, o disco é uma verdadeira obra prima. Tudo que torna o metal um estilo tão apaixonante se encontra na formula do som desse grupo.

Começando com a empolgante “My Fortress”, a banda destila uma sequencia arrasadora de faixas dignas do gênero. Os vocais de Ida são impressionantes nesse disco no que diz respeito à técnica e imposição. Ela mostra que sabe o tempo certo de elevar sua voz e quando deve ser mais contida. Influências claras de Judas Priest, Black Sabbath, Dio e Iron Maiden são bem perceptíveis.

Os membros do Triosphere
Os riffs são matadores, velozes em certos momentos e cadenciados em outros, e os solos são excelentes e técnicos. “Steel Away the Light” e “The Sentinel” são exemplos que mostram bem esses momentos. Em “Breathless” a banda mostra um som mais melódico. “The Heart of Dominion” é um dos destaques do disco, com um belo estilo clássico. “Relentless” se aproxima da agressividade do thrash metal com riff acelerado e traz os vocais ao estilo Rob Halford. “Remedy” é enérgica e empolgante. O disco encerra com outra boa porrada, “Storyteller”, e com a suave “Virgin Ground”, com arranjos que misturam dedilhados na guitarra com um toque sinfônico de violoncelos e piano.

“The Heart of the Matter” é um disco perfeito do inicio ao fim. Bem produzido, com faixas que remetem ao melhor do gênero e potencial para agradar ao público mais antigo e o mais novo. É uma experiência altamente recomendada para qualquer um que realmente se considere um roqueiro ou headbanger de verdade.


Nota: 10/10
Status: Sensacional

Faixas:
1. "My Fortress"               
2. "Steal Away the Light"              
3. "The Sentinel"              
4. "Breathless"                  
5. "Departure"                  
6. "The Heart's Dominion"           
7. "As I Call"        
8. "Relentless"                  
9. "The Sphere"                
10. "Remedy"   
11. "Storyteller"                
12. "Virgin Ground"

sábado, 14 de fevereiro de 2015

Velhas Virgens – Reveillon 2001 (2001):



Por Davi Pascale

Há aproximadamente 14 anos, o grupo Velhas Virgens lançava o quarto álbum de sua carreira e o primeiro longe de sua sonoridade blues-rock. Mantendo a irreverência das letras, os músicos fizeram um álbum de marchinhas. Uma ótima dica para alegrar seu carnaval.

Quer curtir seu carnaval sem ter que aturar Carlinhos Brown, Ivete Sangalo e Latino? Dentro do universo rock n roll, existem alguns artistas que já investiram em uma aproximação com o samba. Caso do lendário Novos Baianos, do engraçadinho Virgulóides. Para quem quer manter o clima de festa, uma boa pedida são as marchinhas gravadas pelos grupos de rock. O Ultraje a Rigor já fez algumas músicas nesse pique, mas ninguém derruba o Velhas Virgens nesse quesito.

Em 2001, o grupo colocou no mercado o (divertido) Reveillon 2001. Lançado pela Gabaju Records (selo criado pela própria banda) e colocado no mercado em uma tiragem limitada, muitos viraram as costas para o grupo. Se hoje, a garotada já está acostumada com as aventuras que os músicos fazem nesse universo (mais dois álbuns do projeto Carnavellhas já foram lançados e eles costumam fazer shows temáticos em Fevereiro), nessa época muitos não entenderam o projeto. Muitas marchinhas de carnaval apostam no duplo sentido, caso da clássica “A Pipa do Vovô”, cantada por Silvio Santos. E na festa de Carnaval, o que mais vemos é a molecada enchendo a cara de cerveja e garotas seminuas. Ainda precisa explicar?

Grupo de rock lançou álbum de marchinhas mantendo sua irreverência

Algumas faixas desse projeto tornaram-se favoritas dos fãs e, por vezes, são apresentadas nos shows tradicionais. Caso de “Essa Tal de TPM”, “Hino dos Solteiros” e “Marcha do Tira Roupa”. Mas em termos de letras, nenhuma derruba “O Que É Que Você Tem Na Boca, Maria” e “Homem do Bigode Cheiroso”. Não contarei sobre o que se trata a letra para não tirar a graça, mas se você gosta de dar altas gargalhadas, ouça.

O cantor Bezerra da Silva ganhou uma homenagem de Paulão de Carvalho em “Aposentadoria de Malandro”. Quem já era fã da banda há algum tempo, já sabia da admiração que o cantor do Velhas tinha pelo sambista que chegou, inclusive, a ser citado na faixa “Sr Sucesso” (Vou pegar três ou quatro crioulos e pintar seus cabelos de loiro. E produzir dois brancos de beca. Dizer que são melhores que o Bezerra e o Zeca). O cantor tentou manter a vibe Bezerra em sua interpretação vocal. Ficou interessante.

Essa primeira tiragem contava ainda com um conteúdo interativo muito bacana, repleto de fotos e clips. Essa parte Enhanced CD ficou da fora da reedição de 2004. Na verdade, quem é fã,  é bacana correr atrás das duas edições. A segunda prensagem (que vinha com nova arte e o nome de Carnavelhas) conta com algumas faixas bônus.

Para quem não se incomoda em ouvir um trabalho que foge um pouquinho do senso comum (afinal, não é todo dia que uma banda de rock grava um álbum de marchinhas) e, principalmente, para quem não se incomoda em ouvir letras mais irreverentes com palavrões e tema de sexo recorrente, é uma ótima pedida. Agora você não precisa mais aturar atrocidades como “Rebolation” e "Lepo-lepo" com a desculpa que é Carnaval, certo?

Nota: 7,0 / 10,0
Status: Divertido

Faixas:
      01)   Samba de Natasja Kinski
      02)   O Que é Bom Tá Guardado
      03)   Marcha do Tira Roupa
      04)   Aposentadoria de Malandro
      05)   O Que É Que Você Tem na Boca, Maria?
      06)   Essa Tal de TPM
      07)   Hino dos Solteiros
      08)   Só pra Sacanear
      09)   Homem do Bigode Cheiroso

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Notícias do Rock (pra não ficar por fora)

Por Rafael Menegueti

Blind Guardian confirma shows no Brasil

Os ícones do power metal mundial, que acabam de lançar disco novo, confirmaram que irão retornar aos palcos brasileiros em uma turnê em outubro. Para promover “Beyond the Red Mirror” a banda irá passar por sete cidades brasileiras: Fortaleza, Recife, Porto Alegre, Curitiba, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e São Paulo. Com isso, aumentam ainda mais as atrações internacionais nos palcos brasileiros esse ano, que já está bem agitado. Ainda bem!

Sirenia anuncia detalhes do novo disco

A banda de gothic metal norueguesa, que conta com os vocais da espanhola Ailyn e a liderança do mítico Morten Veland, lançará seu sétimo álbum de estúdio na semana entre 8 e 12 de maio. O trabalho se chamará “The Seventh Life Path” e terá 12 faixas. Confira capa e tracklist abaixo:


1. Seti
2. Serpent
3. Once My Light
4. Elixir
5. Sons Of The North
6. Earendel
7. Concealed Disdain
8. Insania
9. Contemptuous Quitus
10. The Silver Eye
11. Tragedienne
12. Tragica (Tragedienne Spanish Version - Bonus Track)

Bruno Sutter deve lançar disco solo de metal ainda esse ano


O popular músico e humorista, criador do Detonator, prometeu que, se fosse eleito melhor vocalista do ano pelo site Whiplash, iria lançar um disco solo como Bruno Sutter esse ano. Pois ele venceu, e agora vai cumprir a promessa. “Eu tenho riffs guardados desde que comecei a compôr, quando ainda morava em Petrópolis e colecionava as edições da Rock Brigade. Eu jamais iria adivinhar tudo que aconteceu na minha carreira de lá pra cá, e sou eternamente grato por tudo que o Detonator me proporcionou. Mas a verdade é que no fundo eu sempre quis fazer um trabalho solo como Bruno Sutter, e acho que este é o momento”, declarou o músico. Sutter ainda deve lançar em breve o primeiro DVD ao vivo do Detonator e as Musas do Metal.

Baixista Jason “Jay” James deixa o Bullet for My Valentine

Bullet For My Valentine (Jason é o segundo da esq. à dir.)
A banda anunciou a saída do membro, responsável também por vocais guturais na banda, em um comunicado, mas sem indicar o motivo da saída. Jason havia participado de todos os lançamentos da banda, mas não era membro fundador. A banda está preparando seu novo disco de inéditas, o quinto da carreira.

Revelado nome do novo álbum do Faith No More



O primeiro disco de inéditas do grupo em 18 anos se chamará Sol Invictus. O lançamento está marcado para o dia 19 de maio, mas o grupo ainda não revelou o tracklist do trabalho. A banda já havia lançado em novembro do ano passado o single “Motherfucker”, que deverá fazer parte do disco.  

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Slipknot no Rock in Rio: a polêmica continua



Por Davi Pascale

Essa semana recomeçou uma discussão sobre a participação do Slipknot no Rock In Rio. Se os fãs mais xiitas já haviam ficados indignados por eles terem se apresentando em 2011 entre os lendários Motorhead e Metallica, a confirmação deles como headliner da noite do metal em 2015 está deixando vários fãs mais ortodoxos cada vez mais próximos da Vera Verão.

É realmente incrível o que o saudosismo faz esses caras dizerem e escreverem por aí. Sendo bem honesto, bandas que poderiam se apresentar como headliners de uma noite do heavy metal em um evento desse porte tem uma meia dúzia: Iron Maiden, Metallica, Ozzy Osbourne (com o Black Sabbath ou em carreira-solo), AC/DC, Kiss, Judas Priest (?!?) e, das bandas mais atuais, acho que somente o Slipknot mesmo. Tendo em consideração que AC/DC, Ozzy Osbourne, Judas Priest e Kiss já confirmaram shows no país esse ano, ficamos com 3 possibilidades. Se não conseguissem contratar esses 3 (por questão de agenda, cachê, exigências esdrúxulas etc), a saída seria pegar um grupo um pouco mais pesadinho, que contasse com um grande publico, para dar conta do recado (segurar uma massa de gente). Daí teríamos mais 2 opções: Avenged Sevenfold (não se esqueçam que eles se apresentaram na noite do metal na edição passada e ganharam a enquete oficial do evento)  ou Linkin´ Park. E daí, teríamos suicídio coletivo.

É triste, mas essa é a realidade. Os medalhões estão perdendo o pique (afinal, já estão na estrada há décadas e ninguém é de ferro) e quanto mais tempo passa, menos nomes são capazes de arrastar uma multidão aos seus concertos. Na área mais comercial também não é muito diferente. Tirando Lenny Kravitz, Coldplay, Foo Fighters, Kings of Leon e Pearl Jam, quantos nomes dos anos 90 para cá, são capazes de lotar um estádio? Deve ter mais uns 2, 3 e olhe lá. Depois quando algum artista fala que a cena está fraca, vem neguinho querer dar uma de expert e ficar citando nome de trocentos artistas menores nos comentários. Artistas bons sempre existiram e sempre irão existir. O que está faltando é artista que cause impacto na juventude. E o Rock In Rio é uma demonstração disso. A razão de vários nomes serem escalados várias vezes é uma demonstração da falta de opção.

Poucos grupos atuais conseguem arrastar multidões

Outro papinho chinfrim que vamos ler por aí. “Mas temos o Mastodon, o Arch Enemy, o Exodus, por que não colocam eles no lugar do Slipknot?” A resposta está logo acima. Esses caras, por mais talentosos que sejam, não têm público para arrastar 100.000 pessoas e empresário não gosta de perder dinheiro. Sim, esses eventos são criados por empresários e não por pesquisadores musicais. Essa é a mesma razão de uma banda mais nova se apresentar em uma posição melhor do que um artista lendário, como ocorreu na edição passada, onde tivemos o antológico Slayer abrindo para o Avenged Sevenfold. Isso, eu ouvi da boca do próprio Iggor Cavalera (Sepultura, Cavalera Conspiracy) quando entrevistei ele em 2006 e estava rolando algo parecido com o Sepultura. A resposta dele foi que isso (posicionamento) não importava porque não significava nada, que era apenas um dado mercadológico. E dêem graças à Deus que seja criado por empresários e não por fãs. Lembram-se do Metal Open Air? Pois é...

Honestamente, achei bacana a escalação do Slipknot. Sai da mesmice. Amo Iron Maiden e Metallica, mas que graça tem um festival sempre com os mesmos nomes com o povo pedindo as mesmas músicas? Variar um pouco é bacana. Parte da fragilidade da cena vem justamente do publico. De não aceitar novas sonoridades, novas canções e querer que os novos grupos copiem seus heróis. Se eu quiser assistir uma cópia descarada do Maiden, assisto uma banda cover. É necessário que o pessoal abra um pouquinho a cabeça. O primeiro álbum do Slipknot foi lançado, se não me engano, em 1998. Veja à quanto tempo está rolando essa ‘briguinha’. E quando esses medalhões não estiverem mais na ativa? Se não tivermos mais grupos como um Slipknot para fechar a noite? Qual você acha que será a solução? Pegar algum cara menor e dar uma chance de ouro? Certamente, não. A solução será extinguir a noite do metal. O primeiro passo para a cena fortalecer é parar com subdivisões. Começar a olhar um pouco mais para frente. Está em suas mãos.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Deadlock – The Re-Arrival (2014)

Por Rafael Menegueti

Deadlock - The Re-Arrival
Ainda não tão conhecida na cena do death metal melódico, os alemães do Deadlock são daquelas bandas que surpreendem pelo seu contraste. Isso se dá pela mistura dos guturais do vocalista John Gahlert com os vocais limpos femininos de Sabine Scherer, em faixas que vão de melodias agradáveis a riffs agressivos e ferozes em segundos, dando a banda um aspecto alternativo (meio metalcore) bem interessante. Sem falar que a banda é totalmente formada por veganos straight-edge.

O grupo passou por muitas mudanças de formação durante sua trajetória de 18 anos. Da formação original apenas o guitarrista Sebastian Reichl. A vocalista Sabine é a integrante mais antiga depois de Sebastian, tendo estado na banda desde 2004. Já John Gahlert era baixista da banda antes de assumir os vocais em 2011 após a saída do vocalista original Johannes Prem. A última mudança foi a saída do baterista Tobias Graf no começo do ano passado. Infelizmente o mesmo acabou morrendo em setembro vitima de um câncer. Apesar de tantas mudanças a sonoridade do grupo seguiu quase inalterada, tamanho foco deles em seu trabalho.

“The Re-Arrival” é uma coletânea dupla que chega pra marcar essa nova fase da banda. O disco traz algumas regravações, faixas com arranjos refeitos, demos, e algumas faixas inéditas, entre novas e coisas guardadas por anos. O nome é uma referencia ao primeiro disco da banda, “The Arrival”, lançado em 2002. As faixas abordam praticamente todas as fases da banda, ficando de fora apenas músicas do mais recente de inéditas “The Arsonist”, até porque ele é bem recente (2013).

Os membros do Deadlock
No primeiro disco encontramos vários singles e faixas que marcaram a trajetória do grupo. Casos de “Virus Jones”, “Renegade”, “Awakened By Sirens” e “Code of Honor”, essa última com participação do vocalista do Heaven Shall Burn, Marcus Bischoff. Três músicas novas também aparecem nesse primeiro disco: “An Ocean’s Monument”, “A New Era” e “The Arsenic River”.

No segundo disco as primeiras 6 faixas são demos gravadas em 1998. Há ainda duas canções não lançadas na demo homônima da banda, de 1999. Faixas tiradas dos primeiros dois discos de estúdio e ainda uma cover do Running Wild, uma versão acústica de “Awakened By Sirens” e uma faixa antes apenas lançada na versão japonesa de “Bizarro World” (2011) completam a lista de atrações da coletânea.

Um lançamento essencial para os fãs e também para quem quer conhecer essa boa bnda da cena alternativa de metal. O grupo agora está em pausa, já que Sabine estava gravida e só deve voltar a trabalhar em material novo e turnês depois que voltar da licença maternidade. Ficamos no aguardo, curtindo essa ótima coletânea.



Nota: 8,5/10
Status: Potente e furioso

Faixas:

CD 1 (New Songs * , Re-Recordings / Re-Arrangements **)

1. An Ocean's Monument (*)
2. Code Of Honor (part. Marcus Bischoff do Heaven Shall Burn) (**)
3. Earthlings (**)
4. The Brave / Agony Applause (**)
5. Dark Cell (**)
6. Virus Jones (**)
7. A New Era (*)
8. We Shall All Bleed (**)
9. Renegade (**)
10. Martyr To Science (**)
11. Awakened By Sirens 2014 (**)
12. To Where The Skies Are Blue (**)
13. Htrae (**)
14. End Begins (**)
15. The Arsenic River (*)

CD 2:

1. Petition For Mercy - Insist Demo Tape (1998)
2. Broken Mirror - Insist Demo Tape (1998)
3. What´s The Use - Insist Demo Tape (1998)
4. Face To Face - Insist Demo Tape (1998)
5. Ignorance - Insist Demo Tape (1998)
6. Deprivation - Insist Demo Tape (1998)
7. The One Who's Silent Seems To Consent - unreleased track from Deadlock 7" (1999)
8. Picture - unreleased track from Deadlock 7" (1999)
9. A Song Full of Abhorrence in a World Without Feelings… - I'll Wake You When Spring Awakes (EP) (Winter Recordings 2000)
10. With a Smile on My Face - The Arrival (Winter Recordings 2002)
11. The End Of The World - Deadlock / Six Reasons to Kill Split (Winter Recordings 2003)
12. 10.000 Generations In Blood - Earth.Revolt (2005)
13. When Time Runs Out (Running Wild Cover) - ReUnation Sampler- A Tribute To Running Wild (Remedy Records 2009)
14. Awakened By Sirens - Unreleased Acoustic Version (2011)
15. Earthlings - Bizarro World, Japanese Edition (2011)

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Adrenaline Mob – Covertá (2013)



Por Davi Pascale

Adrenaline Mob é mais um dos supergroups que surgiram por aí. Dessa vez, formado apenas por artistas de cena metálica, os rapazes lançaram em 2013, um EP somente com covers que vale a pena conferir. Esse foi o ultimo trabalho realizado ao lado do baterista Mike Portnoy. Completavam o time, Russell Allen (Symphony X), Mike Orlando e John Moyer (Disturbed).

Quem conhece a carreira do Mike Portnoy sabe que não é nenhuma surpresa ele se aventurar em um trabalho de covers. Ao lado do Dream Theater, grupo que o tornou famoso, fez inúmeras redenções, seja regravando álbuns de seus ídolos na íntegra (Dark Side Of The Moon, Master of Puppets...) ou resgatando canções avulsas (Deep Purple, Kansas, U2). Fora isso, ele sempre teve grupos covers para homenagear seus maiores heróis, que já renderam CD e DVD ao vivo.

As maiores surpresas surgem nas inovações dos arranjos. Em todos esses projetos, o músico sempre tentou se manter o mais próximo possível das gravações originais, enquanto nesse trabalho do Adrenaline Mob, várias musicas ganharam novos arranjos. “Break On Through”, clássico do The Doors, talvez seja a que sofreu a maior variação de arranjo. A música de classic  rock que, na versão original, tinha um lado totalmente swingado (dizem, inclusive, influenciados pela bossa nova) transforma-se aqui em um heavy metal moderno. Ficou interessante. “Romeo Delight”, clássico do Van Halen, ganhou novos elementos como a citação de “Whole Lotta Love” (Led Zeppelin), enquanto “Barracuda” (Heart) teve seu tempo alterado. A canção ficou um pouco mais rápida e pesada.

EP de covers foi o ultimo trabalho de Portnoy ao lado do grupo

Legal que nessas canções onde eles alteraram os arranjos, mantiveram vários elementos das canções originais. Não se trata daquelas versões irreconhecíveis que somente depois que você lê o encarte, se toca da releitura (sim, existe quem faça isso). Logo na primeira audição, você já reconhece. Logo após poucos acordes, para dizer a verdade. Simplesmente deram uma cara deles para as músicas.

Entretanto, há algumas que estão bem fieis às originais com pouquíssimas (ou nehuma) diferença. Caso de “Stand Up And Shout” (Dio), “Kill The King” (Rainbow), “Highwire” (Badlands) e “The Mob Rules” (Black Sabbath). Fiquei muito feliz, inclusive, com a lembrança do grupo de Ray Gillen. Embora tenham durado pouco, os discos eram impecáveis e Gillen foi uma das maiores vozes de sua geração. Uma pena que não seja tão lembrado por aí. Ao menos, não como mereceria. 

O trabalho de guitarra de Mike Orlando é matador, assim como o trabalho de bateria de Mike Portnoy (para mim, o melhor baterista da atualidade). Russel Allen também arregaça nos vocais. Por ter uma voz mais rasgada, as canções do Dio ficaram bem legais, mas onde ele mais me chamou a atenção mesmo foi com a interpretação de “Highwire” e “Barracuda”, onde as vozes originais são bem distintas da sua e, mesmo assim, conseguiu fazer um ótimo trabalho vocal. Disco divertidíssimo e extremamente bem feito. Para ouvir no último volume!

Nota: 9,0 / 10,0
Status: Empolgante

Faixas:
      01)  High Wire
      02)  Stand Up And Shout
      03)  Break On Through
      04)  Romeo Delight
      05)  Barracuda
      06)  Kill The King
      07)  The Lemon Song
      08)  The Mob Rules