domingo, 25 de janeiro de 2015

Sonata Arctica – Pariah’s Child (2014)



Durante o mês de Janeiro, o Riff Virtual está de férias. Nesse período, estaremos reprisando algumas de nossas melhores matérias. A partir de 1 de Fevereiro estaremos de volta com matérias inéditas. Obrigado pelo apoio. Rock On!




Por Rafael Menegueti
Os finlandeses do Sonata Arctica são experts na arte de fazer heavy metal capaz de esquentar até a mais gélida região da Europa. Seu power metal com influencias folk e temas variados, com letras bem escritas, é um dos exemplos do porque a Finlândia pode ser considerada a terra do metal na Europa.

Em “Pariah’s Child” a banda volta a abordar a metáfora e a imagem do lobo, tão usada pela banda em seus trabalhos, mas deixada de lado em “Stones Grow Her Name”. A banda de fato busca uma volta às origens nesse disco, embora seja possível perceber influencias de varias épocas da banda nesse trabalho.

O disco promete agradar os fãs que esperavam essa dita volta às origens. As faixas tem uma levada rápida, pesada, bem característica do power metal. A faixa que abre o disco, e também é o primeiro single, “The Wolves Die Young”, tem um riff muito bom e uma melodia contagiante. “Running Child” seria apenas uma faixa bônus da edição japonesa, mas agradou tanto os músicos que virou a segunda faixa do disco, e é um tributo a Lou Reed. “Cloud Factory” e “Blood” são duas faixas bem pesadas e aceleradas, que se destacam nessas características. A ótima “What Did You Do In the War, Dad?”, alem de “Take One Breath” e “Larger Than Life” podem ser consideradas as mais progressivas do disco. Já em “Half A Marathon Man” a banda usa um estilo mais proximo do classic rock, com uma levada meio hard rock, e pode ser considerada uma das melhores do disco.

Esse é o oitavo disco da banda finlandesa.
Não preciso falar da ótima performance vocal de Tony Kakko, pois isso é sempre certo em qualquer trabalho da banda. O que chama a atenção são os arranjos de órgão, muito usados nas músicas, alem das linhas de baixo do novo baixista Pasi Kauppinen, bem aparentes e destacadas nas faixas. Com todas essas novidades no som da banda, fica difícil dizer qual é a direção que a banda toma em suas composições. A capacidade inventiva da banda nesse álbum esta mais evidente do que nunca. E a banda conseguiu produzir um álbum cheio de inovações e boas inspirações por isso. “Pariah’s Child” é sem duvida um disco que merece ser ouvido.

Nota:9/10
Status: Criativo

Faixas:
01. The Wolves Die Young
02. Running Lights
03. Take One Breath
04. Cloud Factory
05. Blood
06. What Did You Do In The War, Dad?
07. Half A Marathon Man
08. X Marks The Spot
09. Love
10. Larger Than Life

sábado, 24 de janeiro de 2015

Metallica: Through The Never (2013)



Durante o mês de Janeiro, o Riff Virtual está de férias. Nesse período, estaremos reprisando algumas de nossas melhores matérias. A partir de 1 de Fevereiro estaremos de volta com matérias inéditas. Obrigado pelo apoio. Rock On!


Por Davi Pascale
Não há dúvidas de que a turnê de Death Magnetic rendeu bons frutos para o grupo. Depois de lançarem o box Orgulho, Paixão e Gloria: Três Noites Na Cidade do México, os DVD´s Quebec Magnetic, Francais Por Une Nuit e o projeto Big Four (apresentação ao lado do Anthrax, Megadeth e Slayer), os músicos demonstram que suas ideias ainda não haviam se esgotado. Embora o repertório traga poucas novidades, o elemento visual acaba tornando o projeto em algo totalmente diferenciado e criativo. Mesclando cenas de ação com imagens de show com megaprodução, saem do senso comum e entregam à seus fãs um filme empolgante. Ítem obrigatório!
O Metallica é aquela banda que todo mundo adora falar mal em rodas de amigos, grupos de Facebook, mas quando chega em casa, coloca o disco deles no talo e esquece do sentimento ‘rebelde sem causa’. E, claro, quando se apresentam no Brasil, depois de xingarem nos fóruns, todos vão lá prestigiar, aplaudir, bangear e saem do estádio falando ‘puta show’. Prova de que a qualidade deles é incontestável.
Durante os extras, em vários momentos, os músicos comentam que sempre correram riscos, que sempre fizeram o que estavam a fim. Embora muitos artistas gostem de bater a afirmação no peito, poucos são tão honestos quanto o grupo. Realmente, se arriscam bastante em seus trabalhos de estúdio. Comecei a acompanhar a banda ainda criança quando estavam lançando o LP And Justice For All... Naquela época, acredite se quiser, já existia quem taxava a banda de vendida. A razão, na época, era o fato de terem realizado um clipe para One. Depois foram perseguidos novamente com o Black Album e sua aparição constante na MTV. Depois por terem cortado os cabelos em Load. Depois por terem se posicionado contra o Napster. Bom, nessa última até que dá para entender a indignação, vai... Entretanto, mesmo com a avalanche de críticas, nunca abaixaram a cabeça e sempre entregaram algo diferenciado. Muitos consideram isso um crime. Eu, não! É verdade que existem bandas que sempre foram fiel ao seu estilo e sempre foram empolgantes – como Motorhead e AC/DC, por exemplo – mas esses caras que saem constantemente da zona de conforto são intrigantes. Não vejo problemas em uma banda buscar novas influencias nos seus trabalhos. Mesmo! Nos dois universos existem artistas bacanas.
Banda traz megaprodução ao palco
Through The Never, nome extraído de uma faixa do Black Album, foi exibido nos cinemas em formato 3-D. Gravado em alta resolução e com diversas cenas de impacto, a experiência deve ter sido inesquecível. Se já foi empolgante assistir em meu home-theater sem a presença do formato 3-D, imagina isso na tela de um cinema com o recurso. Os músicos declaram que não queriam que os espectadores ficassem com a sensação de estarem assistindo à um filme, mas sim de estarem participando de um filme.
Intercalado com a performance, tem uma película de ação que conta a história de Trip (interpretado por Dane DeHann, o Duende Verde de O Espetacular Homem-Aranha 2), um fã da banda que trabalha nos bastidores e que, mais uma vez, é impedido de assistir ao show por ter um trabalho à fazer. O que seria um trabalho simples, torna-se uma grande aventura envolvendo acidente de carro, perseguições... Não vou falar tudo para não estragar a surpresa. Só vou falar uma coisa. Preparam-se para loucuras.
Muitos criticam o Lars Ulrich e alguns chegam ao ponto de dizerem que gostariam de ver outro baterista no Metallica. De boa, é bom passarem a gostar dele porque se esse cara abandonar o barco, o grupo termina. Fora o fato de ser um musico criativo e ter um estilo diferenciado (o que ajuda com que o grupo não soe igual à outras milhares de bandas), Lars está por trás de todas as decisões. Fica claro isso ao assistir os bônus desse vídeo. É o que mais fala nas coletivas, é o que mais interfere nas decisões. Sem um cara desses, difícil atingirem o status que atingiram. Sem dúvidas, James Hetfield é um cara indispensável, mas Ulrich também é.
Cena de Dane DeHaan em Through The Never

É importante saber não apenas quais decisões tomar, mas também quando toma-las. Aqui, o baterista comenta que já tinha recebido um convite para fazer esse projeto em 1997, mas que achava que a tecnologia não havia desenvolvido o suficiente. Segundo o mesmo, era muito caro e muito difícil fazer. Também é o que melhor explica a ideia das imagens intercaladas. O musico explicou que queriam uma certa dramaticidade, assim como ocorreu em Some Kind of a Monster. Diz que não queria fazer mais um DVD ao vivo e sim, um 'filme de concerto', assim como ocorre em The Song Remais The Same (Led Zeppelin) e Let There Be Rock (AC/DC). Só que eles quiseram fugir do óbvio. Sair daquela ideia de mostrar os músicos chegando em limousines, se preparando no backstage, chegando em aeroporto, etc. Deu certo! E ficou bem legal... 
No palco, dessa vez, não temos somente os fogos na já citada “One”. A estrutura, que traz o público todo em volta, traz várias menções à carreira do Metallica. A estátua de And Justice, os caixões de Death Magnetic, a cadeira elétrica de Ride The Lightning, está tudo ali. Nunca tinha visto esses caras investirem tanto assim em produção. Simplesmente mágico! Durante 90 minutos, os ícones da bay area entregam uma performance extremamente bem produzida e cheia de garra. Um dos melhores lançamentos em vídeo dos últimos anos.
Nota: 10/10
Status: Imperdível
Faixas:
01) Introduction
02) The Ecstasy of Gold
03) Creeping Death
04) For Whom The Bell Tolls
05) Fuel
06) Ride The Lightning
07) One
08) The Memory Remains
09) Wherever I May Roam
10) Cyanide
11) ... And Justice For All
12) Master of Puppets
13) Battery
14) Nothing Else Matters
15) Enter Sandman
16) Hit The Lights
17) Orion
Extras:
* Master of Puppets Video
* Trailer
* Thorugh The Never Featurette
* Entrevista de Bastidores com o Time de Som e Música
* Documentário Hit The Lights: making of de Through The Never
* Entrevistas com Metallica e diretor Nimrod Antal
* Destaques da Tenda de Cinema do Orion Festival com Lars Ulrich

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

The Red Jumpsuit Apparatus - 4 (2014)



Durante o mês de Janeiro, o Riff Virtual está de férias. Nesse período, estaremos reprisando algumas de nossas melhores matérias. A partir de 1 de Fevereiro estaremos de volta com matérias inéditas. Obrigado pelo apoio. Rock On!



 Por Rafael Menegueti

Há algumas semanas, falei aqui sobre essa banda Americana que faz post-hardcore de ótima qualidade. O grupo estava pra lançar “4”, seu quarto álbum de estúdio. O disco foi lançado oficialmente em 4 de julho, e a banda ainda disponibilizou não apenas ele como toda a sua discografia para download de graça em seu site (basta clicar aqui ). Nada mais justo então, do que falar sobre esse novo lançamento da banda.

4 não foge do que a banda vinha fazendo em seus trabalhos anteriores. Rock cristão, com temperos de metalcore, punk e uma energia típica de bandas adolescentes. O vocalista Ronnie Winter continua dando seus gritos em meio a melodias que andam do mais suave ao mais pesado e típico punk pop (algumas pessoas devem odiar esse termo, mas ele soa perfeito para essa banda).

A música que abre o disco é “Grim 2.0”. a faixa é uma espécie de segunda parte de “Grim Goodbye”, faixa presente no primeiro álbum da banda como bônus. Assim como a primeira, “Grim 2.0” é longa, tem uma estrutura parecida e varias mudanças de andamento e ritmo. A faixa tem momentos pesados e mais suaves, e dita como será o disco que o ouvinte está começando a conhecer.

Em seguida vem “Califórnia”, faixa mais animada, como o nome já sugeriria, e com um refrão bem pegajoso. Ouvindo o disco, nem parece que o grupo passou por algumas mudanças de formação desde “Am I the Enemy”, último disco da banda. Os músicos estão entrosados e continuam mostrando que sabem o que fazem. “The Right Direction”, primeiro single desse trabalho é sem duvida uma das faixas mais fortes do disco. O tipo de música que facilmente conquista o ouvinte.

The Red Jumpsuit Apparatus
O disco consiste principalmente de faixas rápidas e diretas. Poucos momentos do álbum soam leves ou melosos. Nada de sonoridade muito emotiva. “You’re the Mocking Jay” tem muito peso e é carregada por uma forte bateria. “Not My Style” tem uma pegada mais próxima de um hard rock, mas sem perder a essência hardcore. E “ignorance Is Bliss” tem um ar andamento acelerado e agitado. O disco só volta a apresentar faixas menos agressivas e mais radiofônicas em “Other Side”. Já “I Know, Right?” é enérgica e tem uma ótima melodia e refrão. O disco encerra com a baladinha “Jesus Is My Rock Star”, levada por piano e arranjos de cordas, com os vocais de Ronnie Winter completando a melodia, com uma letra que pode ser considerada a primeira faixa realmente gospel da banda.

Com “4”, eu presumo que o The Red Jumpsuit Apparatus esteja firmando cada vez mais seu estilo. Faixas rápidas, simples e pesadas, com mensagens reflexivas e cheias de sentimento e referencias religiosas. Não pense você que ela é uma banda pra cristãos apenas. Seu som é bem abrangente a ponto de agradar qualquer fã desse estilo sem esforço. O disco não é nenhuma obra prima, mas cumpre seu papel na historia dessa banda da Flórida.

Nota: 8/10
Status: enérgico

Faixas:
1."Grimm 2.0"
2."California"
3."The Right Direction"
4."Who Do You Work For?"
5."It Was You"
6."You're the Mocking Jay"
7."Not My Style"
8."Ignorance is Bliss"
9."Other Side"
10.""I Know, Right?""
11."JIMRS (Jesus Is My Rock Star)"

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Paralamas do Sucesso – 30 Anos: Multishow Ao Vivo (2014)



Durante o mês de Janeiro, o Riff Virtual está de férias. Nesse período, estaremos reprisando algumas de nossas melhores matérias. A partir de 1 de Fevereiro estaremos de volta com matérias inéditas. Obrigado pelo apoio. Rock On!



Por Davi Pascale

Os Paralamas do Sucesso estão comemorando 30 anos de estrada. Para celebrar a data, soltam no mercado seu oitavo álbum ao vivo, contendo os melhores momentos do show realizado no Citibank Hall do Rio de Janeiro, no final do ano passado.

Na apresentação, o trio resgata sua essência. Nos primeiros anos; Herbert Vianna, João Barone e Bi Ribeiro faziam um show extremamente simples. Somente os três no palco esbanjando energia e mostrando ao publico seu pop/rock mesclado com ska. Aos poucos foram introduzindo novos elementos e deixando seu som cada vez mais particular. Podemos dizer, sem medo de errar, a influência da música afro e da MPB em Selvagem! e a presença dos metais em Bora Bora. Nos shows, os metais ganhavam destaque e cresciam em intensidade, conforme deixou explícito o (bom) Acústico MTV e o (excepcional) Vamo Batê Lata Ao Vivo. Nesse novo registro, contudo, os metais aparecem quase nada e a guitarra volta a ganhar volume dando um ar mais rock n´ roll ao espetáculo.

Desde que sofreu o acidente com o ultraleve em 2001, o musico Herbert Vianna foi afetado. Fisicamente e musicalmente. Preso à uma cadeira de rodas, Herbert não tinha mais o mesmo domínio que possuía antes da tragédia. Nem na guitarra, nem nos vocais. Embora sempre tenha se saído bem nos discos, nas apresentações o músico demonstrava que não tinha mais a mesma habilidade de outrora, embora sempre tenha se entregado inteiramente em cada performance. Isso ficava nítido nos shows com transmissões ao vivo. Embora haja algumas engasgadas aqui e acolá, sua performance agrada. A parte vocal, inclusive, está bem legal. Bi e Barone continuam com a eficiência de sempre.

Trio relembra musicas que marcaram sua trajetória

Outra mudança notável foi nos arranjos. Mais diretos e mais próximos às versões originais. Há inclusive, alguns pequenos medleys. Os Paralamas têm o costume de fazer citações de outros artistas durante o show. Aqui ela ocorre em “Vital e Sua Moto”, onde os músicos fazem citações de dois grandes hits do The Police: “Don´t Stand So Close To Me” e “Every Breath You Take”. Não surpreende a escolha de utilizar músicas do ex-grupo de Sting, uma vez que os criticos adoravam compara-los nos anos 80. Dois trios de rock com uma pegada comercial e forte influencia de ska e reggae invadindo as rádios, do que mais precisavam?

A qualidade de áudio é excelente. Escutando pelo fone, é quase como se estivéssemos no local presenciando o show. As falas foram quase todas cortadas, fazendo com que a apresentação ganhe um verdadeiro clima de festa. A sensação é quase como se estivéssemos participando de um evento de flashback. Hit atrás de hit atrás de hit atrás de hit....

O CD não traz o espetáculo inteiro. A edição em DVD conta com 10 musicas adicionais, trazendo mais canções da fase mais recente. O repertório escolhido para o compact disc prioriza a fase de ouro do trio (Cinema Mudo - Big Bang). Há algumas poucas músicas dos anos 90/00. Aquelas que são mais essenciais como "Uma Brasileira", "Lourinha Bombril" e "Ela Disse Adeus". Do mais, o que temos aqui são grandes clássicos revisitados como "Alagados", "Meu Erro" e "Óculos"; além de algumas menos óbvias como "Patrulha Noturna" e "Cinema Mudo". Três décadas depois, o trio carioca continua alegrando os brasileiros. Se na década de 80, Herbert era visto como um herói por conta da qualidade de suas composições, hoje pode ser considerado um herói pela sua determinação em não abandonar a música e a (infinita) vontade de driblar seus problemas. Quanto ao disco? Uma cativante e emocionante volta ao passado.

Nota: 9,0 / 10,0
Status: Divertido e nostalgico

Faixas:
01) Alagados
02) Patrulha Noturna / Cinema Mudo / Ska
03) Mensagem de Amor
04) Cuide Bem Do Seu Amor
05) Busca Vida
06) Saber Amar / Romance Ideal
07) Quase Um Segundo
08) Meu Erro
09) Óculos
10) Lanterna dos Afogados
11) Ela Disse Adeus
12) Melô do Marinheiro
13) Uma Brasileira
14) O Beco
15) Lourinha Bombril
16) Aonde Quer Que Eu Vá
17) Caleidoscópio
18) Vital e Sua Moto / Don´t Stand So Close To Me/ Every Breath You Take