segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

DragonForce - Maximum Overload (2014)

Por Rafael Menegueti
DragonForce - Maximum Overload
Poucas bandas dividem tanto opiniões quanto os britânicos do DragonForce. Eles fazem parte daquele grupo de bandas de power/speed metal que se destacam pelo incrível domínio da técnica, o que para alguns parece apenas exibicionismo sem qualquer emoção ou paixão. Mas eu deixo claro: não concordo com essa ideia, e o DragonForce é um dos grupos que me ajudam a enxergar isso.

Obvio que a técnica e o exibicionismo do instrumental são coisas presentes no trabalho do Dragonforce, mas eles não deixam de ser uma banda com substancia e conteúdo. A habilidade de seus músicos, em especial dos guitarristas Herman Li e Sam Totman, são apenas alguns dos ingredientes que fazem o sucesso da banda.

A banda continua virtuosa e com muita energia
Em seu mais recente trabalho, “Maximum Overload”, o grupo tratou de caprichar na mistura de melodia, velocidade e virtuosismo. Esse é o segundo trabalho com o vocalista Marc Hudson, que apesar de também sofrer com alguma resistência (como sempre acontece nesses casos) dos que ainda preferem ZP Theart, consegue tirar de letra graças a seu carisma e bom trabalho nos vocais.

O disco possui faixas muito potentes e que trazem todas essas características que já citei. “The Game”, primeiro single e faixa que abre o disco, possui um refrão pegajoso e empolgante, conta ainda com a participação de Matt Heafy do Trivium. O mesmo também aparece em outras duas faixas: “Defenders” e “No More”, outros destaques. Outras boas canções do disco são “Tomorrow´s Kings”, “The Sun Is Dead” e a curiosa cover de “Ring of Fire” de Johnny Cash.

Não preciso dizer que o trabalho instrumental é impecável, que as músicas estão bem produzidas e com arranjos excelentes. O Dragonforce mostrou mais uma vez sua competência com um belo álbum. E os fãs brasileiros ainda terão a oportunidade de ver a força e a energia que o grupo exala ao vivo em 2015, na turnê conjunta com o Epica pelo país. É só aguardar.

Nota: 9
Status: Frenético

Faixas:
1. The Game
2. Tomorrow’s Kings
3. No More
4. Three Hammers
5. Symphony of the Night
6. The Sun is Dead
7. Defenders
8. Extraction Zone
9. City of Gold
10. Ring of Fire


domingo, 28 de dezembro de 2014

Humberto Gessinger – Insular Ao Vivo DVD + CD (2014):





Por Davi Pascale

A voz do Engenheiros do Hawaii acaba de lançar mais um DVD ao vivo. O sexto de sua carreira e o primeiro enquanto artista solo. Musico mistura canções de seu disco solo com as de seu ex-conjunto e aposta em participações especiais.

Os anos 80 foram marcados, no Brasil, pelo retorno do rock à mídia (algo que já havia ocorrido com o fenômeno Jovem Guarda) e também por uma boa safra de compositores/letristas. Entre esses, estavam Cazuza, Lobão, Renato Russo, Arnaldo Antunes, Herbert Vianna, Paulo Ricardo e Humberto Gessinger. Esses dois últimos eram massacrados pela mídia, mas o público os acolheu de braços abertos. Gessinger era idolatrado entre a juventude.

Nem é preciso dizer que existem fãs Brasil afora implorando por uma volta do trio gaucho. Sim, é isso mesmo. Seus fãs não querem apenas que Humberto volte a gravar como Engeneheiros do Hawaii, mas querem a volta da formação clássica Gessinger, Licks & Maltz. Honestamente? Ficaria feliz, já que sou fã dessa época e não consegui ver essa formação ao vivo, mas acho difícil...

Humberto Gessinger nunca gostou de se prender ao passado. Sempre buscou novas sonoridades, novos músicos, novos arranjos à velhas canções. Aqui, contudo, uma boa notícia aos fãs. O rapaz está de volta ao contrabaixo, está voltando a atacar a voz lá em cima, além de ter retornado ao formato trio. Agora não mais com Augusto Licks e Carlos Maltz, mas com Esteban Tavares e Rafael Bisogno.

Musico retorna ao baixo

As mudanças nos arranjos, contudo, continuam. O músico ousa ao transformar uma balada piano/voz como “Somos Quem Podemos Ser” em acordeon/violão. Ou ainda em trazer uma pegada de samba para “Ilex Paraguariensis”. Não foi apenas no instrumental que houve variações. “Somos Quem Podemos Ser” ganhou uma nova linha de voz (mais declamada do que cantada) e uma nova crítica. A frase ‘garotos inventam um novo inglês’ foi substituída por ‘garotos não sabem mais português’. Bela sacada...

Assim como acontecia nas apresentações do duo Pouca Vogal, não limita-se à um único instrumento. O fato de ter uma formação reduzida, fez com que Humberto tivesse que se responsabilizar pela performance de vários instrumentos, assim como fez também em seu disco solo. Passa pelo baixo, guitarra, teclado, acordeon, gaita, pedalboard, além de ficar responsável pelos vocais. Esteban divide o vocal com ele em alguma músicas. O rapaz é afinadinho, mas onde me chamou a atenção mesmo foi em seu trabalho enquanto guitarrista. Quem assistir com a intenção de tirar um barato dele por ter pertencido ao Fresno, vai quebrar a cara bonito... Rafael é preciso, mas bem mais contido do que seus bateristas anteriores.

O filme intercala cenas do show filmado em Belo Horizonte com jams realizadas na serra gaúcha. Os convidados? Luiz Carlos Borges, Bebeto Alves, Paulinho Goulart e seus ex-companheiros Glaucio Ayala (Engenheiros do Hawaii) e Duca Leindecker (Pouca Vogal). No set, misturam-se canções do Insular, do Pouca Vogal e dos Engenheiros. Contudo, não vá esperando releituras de velhos hits. Até há alguns deles – como “Pra Ser Sincero”, por exemplo – mas seu foco foram canções lado B. Principalmente dos últimos álbuns. Há ainda um videoclipe e depoimentos de Humberto.

Com uma produção simples, porém eficaz, Humberto Gessinger entregou um trabalho honesto, repleto de ótimas canções e certamente irá agradar seus velhos fãs. Recomendado!

Nota: 8,0 / 10,0
Status: Bom show com set diferenciado

Faixas:
01) Até o Fim
02) Armas Químicas e Poemas
03) Bora
04) Ilex Paraguariensis
05) Surfando Karmas & DNA
06) Eu Que Não Amo Você
07) Insular
08) Ando Só
09) A Ponte Para o Dia
10) Voo do Besouro
11) Deserto Freezer
12) Milonga Orientao
13) Somos Quem Podemos Ser
14) De Fé
15) Sua Graça (somente no DVD)
16) Nuvem
17) 3X4
18) Dançando no Campo Minado
19) Tchau Radar, a Canção
20) Pra Ser Sincero
21) Dom Quixote
22) O Exército de Um Homem Só
23) Tudo Está Parado (somente no DVD)

sábado, 27 de dezembro de 2014

Ritchie Valens – LA Bamba (1987):





Por Davi Pascale

Sábado. Final de ano. Nada melhor do que assistir um filme, certo? Pois bem, hoje trazemos mais uma dica cinematográfica. Lançado em 1987, produzido por Luis Valdez, La Bamba conta a história de Ritchie Valens. Uma das grandes promessas do rock que teve sua carreira abruptamente interrompida por conta de um desastre aéreo. Filme mostra sua curta trajetória.

Vindo de uma família pobre e sem a presença do pai, Ricardo Valenzuela era um garoto que sonhava em ser um astro do rock. Mimado por sua mãe e sempre enfrentando problemas com seu meio-irmão, o arruaceiro Bob, não demoraria muito para realizar seu grande sonho. Com apenas 17 anos de idade, o garoto entrou nas paradas de sucesso e tornou-se o principal nome do selo Del-Fi.

Passou por vários problemas. Sustentava a sua mãe, disputava o amor de uma garota que havia conhecido nos seus tempos de escola. O problema não era os outros rapazes, já que a menina também era apaixonada por ele. Era o pai dela quem não aprovava o namoro. A razão? Dois grandes preconceitos: vinha de uma família humilde e era cantor de rock.

O romance inspirou a criação de um de seus grandes sucessos, a balada “Donna”. No lado B do compacto, outro de seus (poucos) grandes hits: “La Bamba”. Engana-se, contudo, quem acredita que a ideia foi da gravadora. Pelo contrário, os executivos não apostavam na canção. Achavam loucura lançar um rock cantado em espanhol. Sem contar que, embora fosse chicano, o garoto não dominava a língua. Valens insistiu e a música foi gravada. Contrariando a expectativa, tornou-se uma verdadeira febre.

Sua mãe, Connie, era quem mais apostava no sucesso do filho. Entretanto, seus familiares ficavam um pouco incomodados com a americanização de seu nome. Ritchie Valens foi um nome criado por seu empresário para que se tornasse mais acessível nas rádios. Assim como acontece frequentemente no Brasil, especialmente no mercado sertanejo, foi criado um nome artístico que tivesse sonoridade e fosse de fácil compreensão.

Canção Donna foi composta para sua namorada

Seu sucesso durou pouco. Apenas 2 discos e 8 meses de trajetória. Assim como ocorreu no Brasil com o grupo Mamonas Assassinas, o cantor morreu em um desastre de avião pouco após ter atingido o estrelato. O mais tenso de tudo é que ele evitava voar. Sempre pedia para ir de ônibus, mas nesse dia resolveu encarar porque estava doente. O cantor havia participado de um evento junto com outros grandes artistas de rock da época. Buddy Holly havia fretado um avião, mas seus lugares já estavam tomados. Valens perguntou para o cantor Tommy Allsup se ele se incomodaria de lhe ceder o lugar, já que não estava se sentindo bem. Decidiram resolver na base do cara ou coroa. E Valens venceu... 

Naquele 3 de Setembro de 1959 morria não apenas Ritchie Valens (aos 17 anos), mas também os músicos Buddy Holly (aos 22 anos) e J.P. ‘The Big Booper’ Richardson (aos 27 anos). O evento ficou conhecido como ‘o dia em que a música morreu’ e é citado na canção “American Pie” de Don McLean (regravado anos mais tarde pela Madonna). E foi a partir daqui que começaram com o interminável discurso da morte do rock. O nosso saudoso Raul Seixas é um que costumava se referir ao acontecimento como a morte do rock n roll.

Embora sua história seja triste, o filme não é. Sua morte, obviamente, é citada, mas o enfoque principal é sua trajetória. Seus primeiros shows, sua primeira banda, sua primeira música. E, claro, sua relação com familiares e amigos. Contando com a participação do músico Brian Setzer (Stray Cats) no papel de Eddie Cochran (outro cantor de grande sucesso da época), o longa é bem bacana de assistir e fez um grande sucesso no Brasil na década de 80. Não apenas a película, que passava constantemente na televisão, quanto sua trilha sonora que trazia a regravação de Los Lobos. Quase três décadas depois, a música voltava a ser um grande sucesso. Filme essencial para conhecer um pouquinho dos anos iniciais do rock.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Yes – Heaven & Earth (2014):



Por Davi Pascale

Ícone do rock progressivo chega à seu 21º álbum. Sem a presença de dois integrantes da formação clássica e contando com uma linguagem mais simples, disco tem dividido opinião.

Os adorados e lendários Rick Wakeman e Jon Anderson continuam fora da banda. O teclado, assim como em Fly From Here, continua aos cuidados de Geoff Downes (que também já havia gravado o polêmico Drama). Os vocais, contudo, sofreram mais uma alteração. O canadense Benoit David também está fora da banda. Para seu lugar, veio Jon Davison. Assim como o cantor anterior, o rapaz tenta manter o estilo de Jon Anderson. Além de ter um timbre de voz super parecido, cria os mesmos tipos de vocalização.
  
O trabalho anterior, o já citado Fly From Here, havia nascido de velhas canções que haviam sido deixadas de lado pelos músicos. Aqui, resolveram começar o material do zero. Enquanto o trabalho de 2011 se mantinha fiel às raízes, o novo disco aponta em uma linguagem de mais fácil assimilação. Quando li as primeiras reclamações de que o novo disco tinha um pé no pop, achava que Downes estaria à frente das composições (por conta de seu passado com os The Buggles e com o Asia), mas qual não é minha surpresa ao abrir o encarte e reparar que ele ajudou a compor apenas “Subway Walls”, que é a que mais se aproxima do velho Yes? E qual não é minha surpresa também ao reparar que Davison ajudou a compor 7 das 8 faixas? Achei bacana a atitude de permitirem que o novo integrante contribuísse nas criações das músicas de igual para igual.

Isso não quer dizer, contudo, que eles voltaram aos anos 80. O novo material em nada se assemelha com “The Rhythm of Love” ou “Owner Of Lonely Heart”. O que tem feito com que as pessoas digam que esse álbum não é progressivo é porque os arranjos são mais lineares com menos viagens, não há tantas quebradas de tempo. Entretanto, continuam apostando em composições longas.

Disco marca a estreia de Jon Davison

As linhas vocais, como já disse, continuam no velho estilo do Yes. Steve Howe continua com sua pegada jazzy e é um dos que mais se destacam no novo disco. Downes fez um bonito trabalho de teclado, embora esteja fazendo algo simples para o padrão do Yes. Não me recordo de nenhum solo de teclado por aqui como ocorre em trabalhos clássicos da banda, por exemplo. Esqueça isso. Imagine o Yes fazendo um disco de baladas. É quase isso que ocorre aqui. Os arranjos são bastante calmos, que é algo que tem irritado os fãs mais xiitas. 

Outra razão que muitos têm criticado esse disco é justamente por conta do novo vocalista. Ainda tem gente que não se conforma com a ideia de seguirem sem Jon Anderson. Também gosto mais de Anderson, mas não dá para dizer que o novo cantor é ruim. Achei o cara bem competente.

Claro que não dá para comparar esse novo trabalho com discos clássicos como Fragile, Close To The Edge ou The Yes Album. Mas honestamente, gosto quando os artistas saem da sua zona de conforto e tentam algo diferente. Certamente, não trata-se de um clássico, mas também não é esse trabalho abominável como muitos andam pintando por aí. Até porque estamos falando de um grupo que possui músicos de altíssimo calibre. Os caras sabem o que estão fazendo. Minhas faixas prediletas são “Believe Again”, “The Game”, “In A World Of Our Own” e “Subway Walls”. Esqueça o que estão dizendo por aí e escute o álbum.

Nota: 7,0
Status: Arranjos calmos e menos complexos

Faixas:
      01)   Believe Again
      02)   The Game
      03)   Step Beyond
      04)   To Ascend
      05)   In A World Of Our Own
      06)   Light Of The Ages
      07)   It Was All We Knew
      08)   Subway Walls