sábado, 27 de dezembro de 2014

Ritchie Valens – LA Bamba (1987):





Por Davi Pascale

Sábado. Final de ano. Nada melhor do que assistir um filme, certo? Pois bem, hoje trazemos mais uma dica cinematográfica. Lançado em 1987, produzido por Luis Valdez, La Bamba conta a história de Ritchie Valens. Uma das grandes promessas do rock que teve sua carreira abruptamente interrompida por conta de um desastre aéreo. Filme mostra sua curta trajetória.

Vindo de uma família pobre e sem a presença do pai, Ricardo Valenzuela era um garoto que sonhava em ser um astro do rock. Mimado por sua mãe e sempre enfrentando problemas com seu meio-irmão, o arruaceiro Bob, não demoraria muito para realizar seu grande sonho. Com apenas 17 anos de idade, o garoto entrou nas paradas de sucesso e tornou-se o principal nome do selo Del-Fi.

Passou por vários problemas. Sustentava a sua mãe, disputava o amor de uma garota que havia conhecido nos seus tempos de escola. O problema não era os outros rapazes, já que a menina também era apaixonada por ele. Era o pai dela quem não aprovava o namoro. A razão? Dois grandes preconceitos: vinha de uma família humilde e era cantor de rock.

O romance inspirou a criação de um de seus grandes sucessos, a balada “Donna”. No lado B do compacto, outro de seus (poucos) grandes hits: “La Bamba”. Engana-se, contudo, quem acredita que a ideia foi da gravadora. Pelo contrário, os executivos não apostavam na canção. Achavam loucura lançar um rock cantado em espanhol. Sem contar que, embora fosse chicano, o garoto não dominava a língua. Valens insistiu e a música foi gravada. Contrariando a expectativa, tornou-se uma verdadeira febre.

Sua mãe, Connie, era quem mais apostava no sucesso do filho. Entretanto, seus familiares ficavam um pouco incomodados com a americanização de seu nome. Ritchie Valens foi um nome criado por seu empresário para que se tornasse mais acessível nas rádios. Assim como acontece frequentemente no Brasil, especialmente no mercado sertanejo, foi criado um nome artístico que tivesse sonoridade e fosse de fácil compreensão.

Canção Donna foi composta para sua namorada

Seu sucesso durou pouco. Apenas 2 discos e 8 meses de trajetória. Assim como ocorreu no Brasil com o grupo Mamonas Assassinas, o cantor morreu em um desastre de avião pouco após ter atingido o estrelato. O mais tenso de tudo é que ele evitava voar. Sempre pedia para ir de ônibus, mas nesse dia resolveu encarar porque estava doente. O cantor havia participado de um evento junto com outros grandes artistas de rock da época. Buddy Holly havia fretado um avião, mas seus lugares já estavam tomados. Valens perguntou para o cantor Tommy Allsup se ele se incomodaria de lhe ceder o lugar, já que não estava se sentindo bem. Decidiram resolver na base do cara ou coroa. E Valens venceu... 

Naquele 3 de Setembro de 1959 morria não apenas Ritchie Valens (aos 17 anos), mas também os músicos Buddy Holly (aos 22 anos) e J.P. ‘The Big Booper’ Richardson (aos 27 anos). O evento ficou conhecido como ‘o dia em que a música morreu’ e é citado na canção “American Pie” de Don McLean (regravado anos mais tarde pela Madonna). E foi a partir daqui que começaram com o interminável discurso da morte do rock. O nosso saudoso Raul Seixas é um que costumava se referir ao acontecimento como a morte do rock n roll.

Embora sua história seja triste, o filme não é. Sua morte, obviamente, é citada, mas o enfoque principal é sua trajetória. Seus primeiros shows, sua primeira banda, sua primeira música. E, claro, sua relação com familiares e amigos. Contando com a participação do músico Brian Setzer (Stray Cats) no papel de Eddie Cochran (outro cantor de grande sucesso da época), o longa é bem bacana de assistir e fez um grande sucesso no Brasil na década de 80. Não apenas a película, que passava constantemente na televisão, quanto sua trilha sonora que trazia a regravação de Los Lobos. Quase três décadas depois, a música voltava a ser um grande sucesso. Filme essencial para conhecer um pouquinho dos anos iniciais do rock.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Yes – Heaven & Earth (2014):



Por Davi Pascale

Ícone do rock progressivo chega à seu 21º álbum. Sem a presença de dois integrantes da formação clássica e contando com uma linguagem mais simples, disco tem dividido opinião.

Os adorados e lendários Rick Wakeman e Jon Anderson continuam fora da banda. O teclado, assim como em Fly From Here, continua aos cuidados de Geoff Downes (que também já havia gravado o polêmico Drama). Os vocais, contudo, sofreram mais uma alteração. O canadense Benoit David também está fora da banda. Para seu lugar, veio Jon Davison. Assim como o cantor anterior, o rapaz tenta manter o estilo de Jon Anderson. Além de ter um timbre de voz super parecido, cria os mesmos tipos de vocalização.
  
O trabalho anterior, o já citado Fly From Here, havia nascido de velhas canções que haviam sido deixadas de lado pelos músicos. Aqui, resolveram começar o material do zero. Enquanto o trabalho de 2011 se mantinha fiel às raízes, o novo disco aponta em uma linguagem de mais fácil assimilação. Quando li as primeiras reclamações de que o novo disco tinha um pé no pop, achava que Downes estaria à frente das composições (por conta de seu passado com os The Buggles e com o Asia), mas qual não é minha surpresa ao abrir o encarte e reparar que ele ajudou a compor apenas “Subway Walls”, que é a que mais se aproxima do velho Yes? E qual não é minha surpresa também ao reparar que Davison ajudou a compor 7 das 8 faixas? Achei bacana a atitude de permitirem que o novo integrante contribuísse nas criações das músicas de igual para igual.

Isso não quer dizer, contudo, que eles voltaram aos anos 80. O novo material em nada se assemelha com “The Rhythm of Love” ou “Owner Of Lonely Heart”. O que tem feito com que as pessoas digam que esse álbum não é progressivo é porque os arranjos são mais lineares com menos viagens, não há tantas quebradas de tempo. Entretanto, continuam apostando em composições longas.

Disco marca a estreia de Jon Davison

As linhas vocais, como já disse, continuam no velho estilo do Yes. Steve Howe continua com sua pegada jazzy e é um dos que mais se destacam no novo disco. Downes fez um bonito trabalho de teclado, embora esteja fazendo algo simples para o padrão do Yes. Não me recordo de nenhum solo de teclado por aqui como ocorre em trabalhos clássicos da banda, por exemplo. Esqueça isso. Imagine o Yes fazendo um disco de baladas. É quase isso que ocorre aqui. Os arranjos são bastante calmos, que é algo que tem irritado os fãs mais xiitas. 

Outra razão que muitos têm criticado esse disco é justamente por conta do novo vocalista. Ainda tem gente que não se conforma com a ideia de seguirem sem Jon Anderson. Também gosto mais de Anderson, mas não dá para dizer que o novo cantor é ruim. Achei o cara bem competente.

Claro que não dá para comparar esse novo trabalho com discos clássicos como Fragile, Close To The Edge ou The Yes Album. Mas honestamente, gosto quando os artistas saem da sua zona de conforto e tentam algo diferente. Certamente, não trata-se de um clássico, mas também não é esse trabalho abominável como muitos andam pintando por aí. Até porque estamos falando de um grupo que possui músicos de altíssimo calibre. Os caras sabem o que estão fazendo. Minhas faixas prediletas são “Believe Again”, “The Game”, “In A World Of Our Own” e “Subway Walls”. Esqueça o que estão dizendo por aí e escute o álbum.

Nota: 7,0
Status: Arranjos calmos e menos complexos

Faixas:
      01)   Believe Again
      02)   The Game
      03)   Step Beyond
      04)   To Ascend
      05)   In A World Of Our Own
      06)   Light Of The Ages
      07)   It Was All We Knew
      08)   Subway Walls

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

We Wish You a Hairy Christmas (2003):





Por Davi Pascale

Hoje é dia de Natal. Nessa época, é muito comum ouvirmos canções mais calmas, mais populares para agradar nossos familiares. Existem aqueles que gostam de ouvir discos de megastars interpretando clássicos natalinos. Agora... E para quem não consegue abrir mão do rock n roll? Bem... Esses podem correr atrás de trabalhos temáticos realizados por astros do rock. Existem vários álbuns bacanas por aí. Hoje, lembraremos um deles...

We Wish You a Hairy Christmas é uma compilação lançada em 2003, através de um selo independente chamado Koch Records, que contava com a participação de vários artistas da cena hair metal. Mas o que vem a ser hair metal? Esse é o nome que os críticos criaram para se dirigir à toda aquela cena dos anos 80 que contava com bandas com cabelos volumosos. Quase sempre com grande apelo comercial, a maioria vinha de L.A., e aqui no Brasil foi vergonhosamente apelidada de rock farofa. Os críticos odiavam. A garotada adorava. Não existe quem tenha vivido essa época e não tenha, ao menos, um LP dessa safra em casa. Podem até dizer ‘dessa eu gostava porque tinha mais peso’ ou ‘o guitarrista era genial’. Tudo desculpinha para não reconhecer que curte (ou curtiu) a cena dos anos 80.

E existe algo em comum. Natal é uma data mágica, alegre. E esses grupos tinham uma sonoridade bem pra cima, não eram artistas deprê. Nesse álbum, misturam-se releituras para clássicos natalinos com canções criadas especialmente para o projeto.

Roqueiros dos anos 80 celebram o Natal em lançamento independente

O Warrant abre o disco com uma releitura de “Father Christmas”, composta originalmente por Ray Davies, líder do Kinks. O grupo britânico gravou ela em 1977. A história gira em torno de uma gangue formada por crianças pobres que invadem uma loja de brinquedos e dizem que eles querem levar apenas o dinheiro. Que os brinquedos ficam para as crianças ricas. Ainda contando com a performance do saudoso Jani Lane, a versão do Warrant ganhou mais velocidade e mais peso. Dentre os covers, esse é o único que não se trata de uma canção tradicional.

L.A. Guns, Tuff, Gilby Clarke, Roxx Gang e Faster Pussycat trouxeram um ar rock n roll para clássicos natalinos. Dentre essas, a melhor de todas foi a versão do L.A. Guns. Contando ainda com a presença de Phil Lewis e Steve Riley, os rapazes fizeram uma versão matadora de “Run, Run, Rudolph”. Essa faixa é muito lembrada pelo registro do lendário Chuck Berry. Aqui, aparece em uma versão um pouco mais lenta, com um pouco mais de peso, mas ainda mantendo a estrutura de rock tradicional. A pior ficou por conta do Faster Pussycat. Nessa época, o grupo estava apostando em uma sonoridade mais moderna, flertando o rock com eletrônica. Tentaram fazer isso com “Silent Night”, conhecida no Brasil por “Noite Feliz”, e ficou horripilante.

De outro lado; Danger Danger, Enuff Z´nuff, Bullet Boys, Every Mother´s Nightmare e Pretty Boy Floyd vieram com canções autorais. As faixas são boas, mas o ponto alto fica, sem nenhuma dúvida, com o Danger Danger. Não só a sacada de utilizar a entrada de “Jingle Bell Rock” foi sensacional, como a faixa tem ar de hit. Se tivesse tocado nas rádios, tornaria um grande sucesso. Aliás, chegou perto, já que ela foi utilizada no filme Meu Papai É Noel 2 (sucesso de bilheteria). Contando com o vocalista Paul Laine, a linha vocal nos remete bastante ao Jon Bon Jovi. Se você é daqueles que fica reclamando que no final de ano tem que aturar Simone, Chitãozinho & Xororó e Roberto Carlos, fique sabendo que você já pode mudar o discurso. Aumente o volume e boas festas!

Nota: 8,0 / 10,0
Status: Animado

Faixas:
      01)   Father Christmas (Warrant)
      02)   Naughty Naughty Xmas (Danger Danger)
      03)   Happy Holiday (Enuff Z´nuff)
      04)   Run Run Rudolph (L.A. Guns)
      05)   Everyday Should Be Like Christmas (Bullet Boys)
      06)   Jingle Bell Rock (Tuff)
      07)   Won´t Be Home For Christmas (Every Mother´s Nightmare)
      08)   I Saw Mommy Kissing Santa Claus (Gilby Clarke)
      09)   Happy Family (Pretty Boy Floyd)
      10)   Santa´s Back In Town (Roxx Gang)
      11)   Silent Night (Faster Pussycat)

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Smashing Pumpkins – Monuments of an Elegy (2014)

Por Rafael Menegueti

Smashing Pumpkins Monuments to an Elegy

Billy Corgan está de volta. Único membro da formação original do Smashing Pumpkins, o músico de Chicago trata de manter sua banda viva depois de mais de 25 anos de estrada e lança “Monuments to an Elegy”, nono álbum de estúdio da banda. Assim como “Oceania” (2012), esse trabalho faz parte do ciclo “Teargarden by Kaleidyscope”, que Corgan iniciou em 2009.

Billy Corgan é o único membro da formação original da banda

A banda novamente passou por muitas mudanças, com a saída de Mike Byrne (bateria) e Nicole Fiorentino (baixo). A principal novidade é a participação de Tommy Lee, do Mötley Crue, como convidado na bateria. Corgan gravou todo o resto junto do guitarrista Jeff Schroeder. O resultado é um disco que parece ter bem a cara das composições atuais de Billy. Cheio de referencias psicodélicas, com ênfase nas guitarras e sintetizadores, e com uma pegada alternativa já característica do atual Smashing Pumpkins.

Tommy Lee apareceu como convidado tocando bateria no disco

Não preciso dizer que esse trabalho não se compara aos clássicos do grupo. “Being Beinge”, primeiro single do disco, nem de longe causa o mesmo impacto que teríamos ao ouvir faixas como “Today” ou “Bullet With Butterfly Wings” pela primeira vez, por exemplo. Aquele velho Pumpkins deu lugar a uma banda menos ousada e impactante, mas que não decepciona ao entregar boas melodias e faixas de rock bem trabalhadas. Dentre as que se destacam estão “Drum + Fife”, “One and All (We Are)”, “Monuments”, “Anti-Hero” e “Tiberius”, que abre o disco.

O Pumpkins ainda volta em 2015. Não só com o disco “Day for Night”, mais uma parte do ciclo de lançamentos recentes do grupo, mas também aos palcos brasileiros no Lollapalooza 2015, onde a banda acaba de ser confirmada. Vale a pena, portanto, conferir mais esse novo lançamento dos Pumpkins e aguardar para ver o grupo ao vivo novamente.

Nota:7,5/10
Status: interessante

Faixas:
1. Tiberius
2. Being Beige
3. Anaise!
4  One and All (We Are)
5. Run2me
6. Drum + Fife
7. Monuments
8. Dorian
9. Anti-Hero