quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Accept – Blind Rage CD+DVD (2014):





Por Davi Pascale

Accept mantém boa fase em seu terceiro álbum com o vocalista Mark Tornillo. Contando, mais uma vez, com a produção de Andy Sneap, lançam um álbum típico e devem agradar seus velhos fãs.

Quando anunciaram que seu cantor Udo Dirkschneider estava fora da banda, e que iriam continuar sem ele, muitos começaram a duvidar do futuro do Accept. Eu fui um deles. Não que achasse que tudo girasse em torno do Udo. Sem duvidas, sua voz é uma marca registrada dentro da sonoridade do grupo, mas não dá para desmerecer os outros rapazes. Em especial, o guitarrista Wolf Hoffmann, puta músico. O problema é que seus fãs sempre demonstraram uma grande devoção ao rapaz. E o álbum que tinham gravado sem ele (Eat The Heat) não tinha vendido absolutamente nada e sempre foi meio que ignorado, tanto entre os admiradores quanto entre os críticos. Parecia que iam tomar na cabeça novamente. Bem... Estávamos errados. O grupo voltou revigorado e lançando grandes álbuns. Blood of Nations trazia o Accept em seu melhor momento desde Objection Overruled.

Entretanto, em um ponto o ex-cantor ainda ganha de goleada. Se por um lado Mark canta em um estilo similar (principalmente quando se lança nas notas mais altas), de outro não tem o mesmo carisma. E isso é evidente no DVD que acompanha o lançamento. O material é uma (belíssima) apresentação no Chile em 2013. Com um repertório matador, durante 2 horas mesclam clássicos com canções de sua nova fase. Os músicos estão incrivelmente bem entrosados, a qualidade de imagem e som é fantástica. Entretanto Mark, apesar de mandar bem no gogó, tem visual de caminhoneiro e presença de palco zero.

Accept se encontra em ótima fase criativa

E quanto ao novo material? O disco traz o Accept de sempre. Com baterias, na maior parte do tempo, simples, ótimos riffs de guitarra e vocais gritados, entregam o que os fãs esperam deles. O CD conta com uma sonoridade old-school. Não apresenta modernidades, efeitos malucos. Andy Sneap, que vem trabalhando com os músicos desde que retornaram à ativa com Mark, soube captar bem a essência do grupo.

“Stampede” abre o álbum com uma introdução alegrinha, antes de entrar pra valer em uma sonoridade mais agressiva. “Dark Side Of My Heart” já aposta na fórmula clássica da banda. Com um riff no melhor estilo “Up To The Limit”, baixo pulsante e bateria à la AC/DC. “Trail of Tears” traz uma construção similar à do clássico “Breaker”. As letras são repletas de inconformismo com a situação atual do mundo. “I Wanna Be Free” é uma mensagem de esperança diante de uma realidade violenta. “200 Years” fala sobre os danos causados por guerras e tecnologias. Parte da ótica, que por trás dos avanços, há muito retrocesso. “The Curse” sobre a idéia de viver entre o certo e o errado. De ter que agir muitas vezes de acordo com a situação, e não com seus ideais.

Blind Rage é um disco forte tanto em termos de arranjo, quanto em termos de letra. Se você não se identifica com esse metal mais moderno e sente falta daquele heavy mais tradicional que se fazia nos anos 80, esse álbum é pra você!

Nota: 8,0 / 10,0
Status: Fiel às origens

Faixas:

CD:
01)  Stampede 
02)  Dying Breed 
03)  Dark Side Of My Heart 
04)  Fall Of The Empire 
05)  Trail of Tears 
06)  Wanna Be Free 
07)  200 Years 
08)  Bloodbath Mastermind 
09)  From The Ashes We Rise 
10)  The Curse 
11)  Final Journey

DVD:
01)  Intro 
02)  Hung, Drawn and Quartered 
03)  Hellfire 
04)  Restless and Wild 
05)  Losers and Winners 
06)  Stalingrad 
07)  Breaker 
08)  Bucketfull of Hate 
09)  Monsterman 
10)  Shadow Soldiers 
11)  Amamos La Vida 
12)  Guitar Solo Wolf 
13)  Neon Nights 
14)  Bulletproof 
15)  Aiming High 
16)  Princess of the Dawn 
17)  Up To The Limit 
18)  No Shelter 
19)  Pandemic 
20)  Fast as a Shark 
21)  Metal Heart 
22)  Teutonic Terror 
23)  Balls to the Wall

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Noticias do Rock (pra não ficar por fora)

Por Rafael Menegueti

Mulher de Scott Stapp busca tratamento para ele

Depois de publicar vídeos contando seus graves problemas financeiros e afirmando ter sofrido golpes de sua gravadora e ter tido suas contas congeladas pela receita federal americana por conta de declarações contra o presidente Barack Obama, Scott Stapp pode ser internado compulsoriamente em uma clinica psiquiátrica. A esposa do músico, Jaclyn Stapp, teria entrado com um pedido na justiça para que ele passe por tratamento, mesmo que de forma forçada, afirmando que o músico está fazendo uso de drogas pesadas. Vale lembrar que Scott retirou os vídeos onde contava seus problemas das redes sociais, mas eles acabaram indo parar no Youtube.

Morre baixista da banda mineira Pleiades, Mateus Olivello


Mais uma vez o rock nacional está de luto. Morreu no ultimo dia 30 de novembro o baixista da banda mineira Pleiades, Mateus Olivello. O músico sofreu um acidente de moto após sair do trabalho em um bar de Belo Horizonte. O Pleiades é uma das novas bandas que vinham em ascensão no cenário nacional, tndo aberto apresentações de nomes como Raimundos e Deep Purple. O grupo vinha trabalhando em material novo, e já possui um álbum homônimo lançado em 2010.

Angra volta ao Wacken Open Air depois de 13 anos


Os organizadores do maior festival de metal do mundo, o Wacken Open Air da Alemanha, confirmaram o Angra como uma das atrações do evento em 2015. A banda já havia se apresentado por lá em outras três oportunidades, mas a ultima ocorreu em 2002. A banda está prestes a lançar seu novo disco, “Secret Garden”, o primeiro a contar com Fabio Lione nos vocais.

Baixista do Delain sofre acidente bizarro no palco



Um incidente doloroso e bizarro marcou a passagem dos holandeses do Delain pela Inglaterra. Durante a apresentação em Birmingham, o baixista do grupo, Otto Schimmelpenninck, foi atingido pelo disparo do canhão que arremessa papel picado prateado na plateia... nos genitais. O músico surpreendentemente conseguiu terminar a apresentação, apesar da intensa dor que ele descreveu em uma postagem (com detalhes aterrorizantes) no seu Facebook. No entanto, ele precisou ir ao hospital e passar por uma cirurgia, pois havia rompido um testículo e danificado artérias da região. A banda encerrou a passagem curta pelo Reino Unido sem o baixista, que está em recuperação.

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Def Leppard – Viva! Hysteria Live At The Joint, Las Vegas 2 CD + DVD (2013):





Por Davi Pascale

O grupo britânico Def Leppard realizou uma série de apresentações durante um mês em Las Vegas. Ao invés de simplesmente levarem seus shows aos cassinos, fizeram diferente. Reviveram seu maior clássico e trouxeram um numero de abertura inusitado. Tudo isso está nesse registro. Material indispensável na coleção de qualquer fã que se preze.

Durante muito tempo, o Def Leppard recusou a idéia de reviver um LP na integra. Normalmente saem em turnê quando estão divulgando um novo disco e os músicos achavam, com certa razão, de que esse tipo de atitude tiraria a atenção em cima do novo material. Sendo assim, não existiria oportunidade melhor para se fazer isso do que em LA. Afinal, não se tratava de uma turnê e sim, de shows especiais. Para quem vive de musica, não existe algo melhor. Tocam em lugares luxuosos com equipamentos de ultima geração. Recebem um cachê infinitamente maior (para garantir exclusividade naquele período) do que recebem em uma gira. Ficam em excelentes acomodações, comida de primeiro mundo, segurança ultra-eficiente e garantia de casa cheia. Que artista não gostaria de algo do tipo? Para celebrar, resolveram reviver seu maior clássico, Hysteria.

Produzido por Mutt Lange (o mesmo cidadão que produziu o clássico Back In Black do AC/DC), o LP levou o Def Leppard para outro patamar. O grupo ganhava identidade. A sonhada orquestração de guitarras tornava-se uma realidade. Para melhorar ainda mais, a popularidade do grupo atingiu o ápice. Faixas como “Animal”, “Pour Some Sugar On Me” e “Love Bites” invadiram as rádios. Essa ultima fez sucesso no Brasil duas vezes, inclusive. (Na versão original e na versão em português realizada pelo grupo de Robertinho de Recife, o Yahoo). Todo o investimento havia valido a pena. Foram três anos para conseguirem concretizar o LP. Parte por conta dos experimentos, parte pela readaptação de Rick Allen. Em dezembro de 1984, o baterista sofreu um acidente de carro que lhe custou um braço. O musico mandou construir uma bateria especial e reaprendeu a tocar. Esse foi o motivo que ocasionou o cancelamento das apresentações que ocorreriam no Rock In Rio em 1985.

A tour rendeu seu primeiro VHS ao vivo, o fantástico Live: In The Round, In Your Face. Algumas diferenças marcam os dois vídeos. Além do repertorio (o vídeo de 1989 não trazia o disco na integra), o pique é outro, a adoração é outra. Como disse, era o auge do sucesso, sendo assim tínhamos uma platéia estridente. Os músicos também se moviam mais no palco. Especialmente o vocalista Joe Elliot. Em termos de perfomance, quem menos mudou foi o guitarrista Phil Collen que continua tocando cheio de pose e movimentos corporais. A produção também é mais sutil. Embora conte com um palco bem montado, não existem mais aqueles efeitos de raio-laser que tinha no show da época, por exemplo.

Músicos revivem álbum clássico pela primeira vez

A ordem do disco original foi mantida. No bis, traziam duas canções do trabalho anterior (o ótimo Pyromania): “Rock of Ages” e “Photograph”. As linhas vocais de varias faixas são bem altas e embora não tenha mais a mesma potencia vocal que tinha nos anos 80, Elliot faz bonito. Vivian Campbell não gravou o disco original, mas já está mais do que entrosado com o grupo. Afinal, os acompanha desde Adrenalize. E varias dessas musicas estiveram no set ao longo dos anos. Em “Gods of War”, o falecido guitarrista Steve Clark aparece nos telões. Atitude realmente muito bacana, mas a sacada mais legal de todas foi o numero de abertura.

Os responsáveis por aquecerem os presentes foram os Ded Flatbirds. Grupo formado por Joe Elliott, Vivian Campbell, Phil Collen, Rick Allen e Rick Savage. Exatamente, o Def Leppard! Eles subiam ao palco com um pano cobrindo metade do palco, deixando-os mais à frente (como acontece com 90% das bandas de abertura), surgiam com roupas mais simples e um set de apenas 35 minutos. A cada noite vinham com uma seleção diferente. No repertorio, privilegiavam musicas lado B, principalmente dos 3 primeiros trabalhos. Joe brinca com o publico: “Nó somos os Ded Flatbirds. O melhor Def Leppard Cover do mundo”. Fazem um show direto. Sem muita fala, sem muita produção de palco. Como se estivessem retomando o início de tudo. Estão presentes aqui duas dessas performances na íntegra. Sacada simplesmente genial!

O material foi lançado em áudio e vídeo e traz uma apresentação bem profissional focada naquele que, sem duvidas, é o período de ouro da carreira dos rapazes. A qualidade de gravação é excelente e deve agradar até mesmo aquele fã mais exigente que gosta de ficar buscando pelinho. Essencial!

Status: Nostálgico e profissional
Nota: 10,0 / 10,0

Faixas:


CD/DVD Viva Hysteria:
01)  Women 
02)  Rocket 
03)  Animal 
04)  Love Bites 
05)  Pour Some Sugar On Me 
06)  Armageddon It 
07)  Gods of War 
08)  Don´t Shoot Shotgun 
09)  Run Riot 
10)  Hysteria 
11)  Excitable 
12)  Love and Affection 
13)  Rock of Ages 
14)  Photograph

CD/DVD Ded Flatbird:
01)  Good Morning Freedom 
02)  Wasted 
03)  Stagefright 
04)  Mirror Mirror (Look Into My Eyes) 
05)  Action 
06)  Rock Brigade 
07)  Undefeated 
08)  Promises 
09)  On Through The Night 
10)  Slang 
11)  Let It Go 
12)  Another Hit and Run 
13)  High n´ Dry (Saturday Night) 
14)  Bringin´ on the Heartbreak 
15)  Switch 425

DVD Bonus:
01)   Medley Acustico: Where Does Love Goes When It Dies /  Now / When Love And Hate Collide / Have You Ever Needed Someone So Bad / Two Steps Behind 
02)   Fotos

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

The Who – Quadrophenia Live In London (2014):





Por Davi Pascale

No ano passado, o The Who realizou algumas apresentações interpretando o LP Quadrophenia na integra. A idéia era celebrar os 40 anos de seu lançamento. A ultima apresentação dessa tour foi devidamente registrada e agora chega ao mercado em formatos CD, DVD e Blu-Ray.

Já tem alguns anos que está na moda os artistas elegerem um disco e o interpretarem na integra. Para quem conhece pouco do artista, talvez não seja algo muito animador. Afinal, vários b-sides tomam o lugar de números clássicos no repertório. Para quem é fã de carteirinha, é uma brincadeira divertida e emocionante. Não apenas por ver seus ídolos na sua frente interpretando um álbum emblemático (e que provavelmente foi trilha sonora de sua vida em algum momento), mas também por ter essa oportunidade de conferir canções que raramente se fazem presentes no setlist. Quem é realmente fã, adora isso. Agora, verdade seja dita. Os músicos são meio pioneiros nessa história. Quando eles gravaram Tommy em 1969, já tinham a idéia de levar o álbum para os palcos. E meio que tentaram. Chegaram a interpretar o trabalho quase que na integra, deixando apenas 4 números de fora. Reviveram a idéia nos anos 80 com apenas 2 canções sendo deixadas de lado. E o próprio álbum-homenagado aqui já havia sido interpretado em 1996.

Quadrophenia é um álbum perigoso para se fazer isso. Não digo pela complexidade dos arranjos. Sim, muitos são complexos, mas os músicos do The Who já estão acostumados com esse tipo de ‘brincadeira’. Mas justamente por ser um trabalho que divide a opinião de seus fãs. Há quem o considere um dos pontos altos de sua discografia, enquanto outros consideram que os músicos deram o passo maior do que as pernas. Eu sempre gostei. Embora prefira sua outra ópera-rock, o clássico Tommy, é inegável a qualidade das composições. Embora não tenha tantos hits (as mais conhecidas são “The Real Me”, “5:15” e “Love Reign Or Me”, que embora seja de conhecimento obrigatório entre seus seguidores, não possuem a mesma popularidade de um “I Can´t Explain”, “My Generation” ou “Pinball Wizard), o álbum prende a atenção do inicio ao fim. Nem sentimos o tempo passar.

Opera-rock é interpretada na integra

Em 8 de Julho de 2013, os rapazes subiram ao palco da Wembley Arena para reviver sua segunda ópera-rock. A história do adolescente Jimmy Cooper. Um rapaz de classe operária inglesa, rejeitado pelo pai e pelo seu patrão, e traído por sua namorada e pelo líder do seu grupo de mods. Seus rivais eram os rockers, garotos de classe média que andavam com motos mais potentes que as de seu grupo. O garoto sofre de um tipo de esquizofrenia e assume quatro personalidades distintas. À esse fenômeno dá-se o nome de quadrophenia. Ao lado dos lendários Roger Daltrey e Pete Townshend estão Simon Townshend (segunda guitarra), Pino Palladino (baixo), Frank Simes (teclados), John Corey (teclados), Loren Gold (teclados), Scott Devours (bateria), Dylan Hart (metais) e Reggie Grisham (metais).

Como já deu para notar, a formação é bem diferente daquela que realizou a lendária apresentação no histórico Woodstock (1969). Além de não estarem mais entre nós os icônicos Keith Moon e John Entwistle, existem vários músicos de apoio. O som é potente e encorpado. Seus lideres já estão próximos dos 70 anos, mas ainda conseguem emocionar os ouvintes. Daltrey fez um bom trabalho vocal, enquanto Townshend continua um verdadeiro monstro nas seis cordas, além de continuar realizando um trabalho vocal bem satisfatório.

Talvez o maior questionamento de seus fãs seja em relação à seus falecidos músicos. No trabalho original, Entwistle brilha em um belíssimo solo de baixo em “5:15”, enquanto Moon canta em “Bell Boy”. A equação foi resolvida com o uso da tecnologia. Os rapazes aparecem no espetáculo em forma de holograma e suas performances continuam ali como uma homenagem à dupla. Talvez muitos possam questionar a solução, mas certamente deve ser uma experiência emocionante. E não é uma escolha burra, afinal são dois músicos inimitáveis. Palladino e Devours são músicos de primeiro time e seguram o resto do espetáculo com uma competência invejável.

Além do trabalho na integra, apresentado na sequência original, os rapazes revivem 6 canções de diferentes fases no final do espetáculo. 5 clássicos e 1 faixa de seu mais recente álbum, Endless Wire. Peguei o CD sem saber muito bem o que esperar e me surpreendi (positivamente) com a qualidade da apresentação. Agora tenho que correr atrás do DVD...

Nota: 8,0 / 10,0
Status: Emocionante

Faixas:

CD 1:
01)  I Am The Sea 
02)  The Real Me 
03)  Quadrophenia 
04)  Cut My Hair 
05)  The Punk And The Godfather 
06)  I´m One 
07)  The Dirty Jobs 
08)  Helpless Dancer 
09)  Is It In My Head 
10)  I´ve Had Enough 
11)  5:15

CD 2:
01)  Sea and Sand 
02)  Drowned 
03)  Bell Boy 
04)  Doctor Jimmy 
05)  The Rock 
06)  Love Reign O´er Me
Bonus Performances: 
07)  Who Are You 
08)  You Better You Bet 
09)  Pinball Wizard 
10)  Baba O´ Riley 
11)  Won´t Get Fooled Again 
12)  Tea & Theatre

domingo, 30 de novembro de 2014

Julian Casablancas + The Voidz: Tyranny (2014):





Por Davi Pascale

Líder do Strokes se lança em mais uma aventura solo. Contando com um material experimental, afasta-se de vez da sonoridade rock de garagem que era associado no inicio de sua carreira, mas esquece-se de manter o nível das composições. Novo disco é arrastado e cansativo.

Quando o Strokes lançou seu debut em 2001, o cultuado Is This It, começaram a ser tachados de a salvação do rock. Embora tenha gostado disco, não dei bola para essa puxação de saco da imprensa. Até porque, na época, a cada semana surgia uma salvação do rock. E, pelo visto, agi certo. A cada trabalho, soavam menos interessantes. Parece que o ego começou a falar mais alto do que a música. Daí já viu... E esse é um dos defeitos do novo trabalho de Casablancas. É um disco prepotente. Até gosto quando o artista surpreende com algo novo, mas é preciso que saiba o que está fazendo. E não fiquei com essa certeza após ouvir esse CD. Há alguns bons momentos, mas também há muitas idéias que poderiam ser melhores desenvolvidas.

“Take Me In Your Army” foi escolhida como faixa de abertura. Nunca vi um inicio de disco tão apático. Musica extremamente para baixo. Tudo bem que esse não é o disco mais animado do mundo, mas poderia ter iniciado com uma faixa mais empolgante. Bom... pelo menos não começou com a chatíssima “Xerox”. Por outro lado, teve a manha de encerrar com a tenebrosa “Off To War...”

Cantor do Strokes lança álbum experimental, mas não convence

O disco transita por diversos universos. Há guitarras distorcidas e bateria eletrônica. Influencias da world music e do punk rock. Elementos da música africana e do synth pop. Se o cara não conseguiu criar uma obra-prima, pelo menos não dá para acusá-lo de não se arriscar artisticamente.

Entretanto, como disse, o CD apresenta bons momentos. Se não criou uma obra-prima, como já disse, certamente também não criou algo abominável. “Crunch Punch” e “Where No Eagles Fly” são as que talvez mais se aproximem do material do grupo que o deixou mundialmente famoso e são bem divertidas. “Father Eletricity” é a que conta com a tal influencia africana e oferece uma agradável viagem. “Human Sadness” começa devagar, mas logo prende a atenção do ouvinte. Interessante notar como vai construindo a canção aos poucos. Do mais, as composições variam entre medianas e chatas.

Suas linhas vocais não mudaram muito e continua abusando do vocal com efeito distorcido. Poderia ousar um pouco mais nesse aspecto também... O disco é muito bem gravado. Nesse quesito, não dá para criticá-lo. Seus discos sempre foram bem produzidos e aqui não é diferente. O que falta mesmo são composições memoráveis. Daquelas que te fazem pegar o disco para ouvir determinada faixa. Ainda não foi dessa vez que conseguiu me convencer sobre ter competência para levantar vôo sozinho. Pena!

Status: Cansativo
Nota: 5,0 / 10,0

Faixas:
01)  Take Me In Your Army 
02)  Crunch Punch 
03)  M.utually A.ssured D.estruction 
04)  Human Sadness 
05)  Where No Eagles Fly 
06)  Father Electricity 
07)  Johan Von Bronx 
08)  Business Dog 
09)  Xerox 
10)  Dare I Care 
11)  Nintendo Blood 
12)  Off To War…

sábado, 29 de novembro de 2014

Korzus – Legion (2014):





Por Davi Pascale

Ícones do thrash metal brasileiro lançam seu sétimo disco de inéditas. Gravado no estúdio da banda e produzido pelos próprios músicos, o grupo segue à risca a fórmula que seguem à tantos anos e entregam um dos melhores álbuns nacionais do ano.

Sempre que se comenta sobre thrash brasileiro, a primeira coisa que vem à mente é o Sepultura em sua fase Max Cavalera. Beneath the Remains, Arise e Chaos A.D. atualmente são considerados clássicos do metal nacional. Entretanto, essa mesma cena entregou outros nomes de altíssima qualidade que são super manjados por quem a frequenta, mas constantemente esquecidos pela grande mídia. Entre essas, poderia citar, sem medo de errar, o Dorsal Atlantica e o Korzus.

O começo do Korzus foi exatamente como o começo de qualquer banda de metal brasileira dos anos 80. Cheio de garra, ideologia, contavam com um público fiel. Investimento zero (no sentido de empresários e gravadoras). Tudo era suado. Os caras ralavam para manter o projeto em pé e para conseguir colocar um LP no mercado. Os discos, quase sempre, eram mal gravados. Não era raro uma banda gravar tocando ao vivo como se fosse um ensaio. O primeiro trabalho do Korzus, inclusive, era um EP ao vivo com o áudio extraído de uma gravação em fita k7. Conforme iam crescendo, iam se profissionalizando.

Em 2014, com uma carreira de mais de 30 anos de estrada, essa fase mais amadora já ficou para trás há um bom tempo. A banda amadureceu em todos os aspectos. Nos arranjos, nas letras, no trabalho vocal e, é claro, na sonoridade do álbum. Já faz um tempo que o guitarrista Heros Trench e o vocalista Marcello Pompeu tem atuado nessa área de produção de discos. Recentemente, se destacaram pelo trabalho realizado com o trio Nervosa (já resenhado nesse blog) e são eles quem estão por trás desse CD. Pompeu atacando como engenheiro de som e Trench atuando como produtor. O resultado não poderia ser mais positivo. Pesado e bem definido. É possível distinguir com clareza o que cada músico está tocando e compreender cada palavra que Pompeu canta.

Grupo entrega álbum thrash old school com canções inspiradas

O grupo não inventa moda. Segue fazendo aquilo que sabe de melhor. Thrash old-school. A dupla Heros Trench e Antonio Araujo entregam riffs poderosos. Rodrigo Oliveira é um verdadeiro monstro na bateria. Sempre gostei do estilo de Marcello Pompeu cantar. Lembro que o primeiro contato que tive com o grupo foi em sua apresentação no festival Monsters of Rock 1996 e um dos fatores que me chamou a atenção foi o trabalho vocal. Agressivo, mas sem ficar urrando. Sem dúvidas, um belo diferencial em relação à tantos outros grupos que têm por aí (muitos, talentosos até). O baixo continua a cargo do lendário Dick Siebert.

A influência de Slayer continua a todo vapor. Para quem acha que é perseguição por conta da interpretação de “Evil Has No Boundaries” no EP ao vivo, recomendo escutar com atenção faixas como “Lamb”, “Die Alone” e “Purgatory”. Tente escutar essas faixas e não se lembrar do grupo de Tom Araya. Legion traz composições inspiradas alternando arranjos agressivos com cadenciados em um trabalho empolgante. Os grandes destaques ficam por conta de “Die Alone”, “Bleeding Pride” e a faixa-título. Vale destacar também a participação especial de Edu Ardanuy (Dr. Sin) em “Time Has Come”.

O quinteto iniciou sua carreira cantando em português. Os velhos tempos são revividos em “Vampiro”. Sonho Maníaco é cultuado entre os fãs, mas o grupo não guarda boas recordações. Pouco após o lançamento, o baterista Zema cometeu suicídio. Um choque e tanto para os rapazes. O LP de estreia continha letras satânicas e isso mexeu com a cabeça dos integrantes. Desde então, pararam de escrever sobre o assunto. “Six Seconds” é uma música feita para levantar a plateia. “Bleeding Pride” reflete os conflitos da Síria, mas muitas músicas refletem sobre nosso país. “Broken” é meio que uma crítica ao governo e o modo como funciona. O tema ‘morte’ continua presente, mas de forma menos fantasiosa. Não se fala sobre diabo e, sim sobre guerras. 

Korzus pode demorar a lançar um novo trabalho, mas quando lança faz valer a pena. Mais uma vez, o alto nível foi mantido. Quem é fã, pode comprar sem medo. Quem não conhece, favor correr atrás.

Nota: 9,0 / 10,0
Status: Empolgante

Faixas:
      01)   Lifeline
      02)   Lamb
      03)   Six Seconds
      04)   Broken
      05)   Vampiro
      06)   Die Alone
      07)   Apparatus Belli
      08)   Time Has Come
      09)   Purgatory
      10)   Self Hate
      11)   Bleeding Pride
      12)   Devil´s Head
      13)   Legion