sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Billy Idol – Kings & Queens Of The Underground (2014):





Por Davi Pascale

Depois de 9 anos afastado dos estúdios, o cantor Billy Idol solta novo álbum de inéditas. Em seu sétimo trabalho, retorna à sonoridade mais pop, mas ainda não deve ser dessa vez que retorna às rádios com força.

Os mais jovens não irão se lembrar, mas já houve uma época em que parecia que Billy Idol iria dominar o mundo. Seus 4 primeiros LP´s emplacaram hits atrás de hits nas rádios e na MTV. De repente, o cara sumiu. As fortes críticas em relação ao seu trabalho Cyberpunk fez com que o musico perdesse sua confiança e ficasse 12 anos sem lançar material inédito.

Embora seja lembrado por suas canções radiofônicas como “White Wedding”, “Eyes Without a Face”, “Flesh for Fantasy”, “Cradle of Love” ou “Rebel Yell”, o rapaz iniciou sua carreira como um cantor punk. Ao lado do cultuado Generation X, lançou 3 LPS antes de se tornar um dos rostos mais conhecidos da década de 80. Em seu antecessor, Devil´s Playground, o músico tentava reviver seu anos iniciais, já no novo trabalho volta a trabalhar com uma linguagem mais pop tentando se reaproximar do público que o acompanhou no auge de sua carreira.

Com produção de Trevor Horn (Yes, Seal) e contando com as guitarras de seu velho companheiro Steve Stevens, retorna com uma pegada mais comercial. “Postcards From The Past” nos remete aos seus trabalhos oitentistas. Desde quando iniciou sua parceria com Stevens que sua jogada era misturar sons eletrônicos com som de banda. E é exatamente isso que temos nessa canção. Uma faixa que poderia muito bem estar em um LP como Charmed Life, por exemplo. “Love And Glory” também remete aos anos 80, mas soa mais como uma canção perdida do U2 do que um som do Billy Idol.

Com presença de Steve Stevens, Billy Idol retoma seu lado comercial

Durante os anos em que esteve afastado dos estúdios, Idol continuou excursionando e, por vezes, soltando no mercado coletâneas e discos ao vivo. Dentre esses, o que mais marcou seus fãs foi o acústico realizado em parceria com o canal televisivo VH1. Esse lado voz/violão aparece na autobiográfica “Kings & Queens Of The Underground”. Embora tenha ficado os anos 90 afastado de novas criações, parece que o rapaz não deixou de acompanhar a cena da época. “One Breath Away” lembra o Simple Minds na fase Good News From The Next World.

Quem teve a oportunidade de acompanhar a passagem de Bill Idol pelo Brasil, em 1991 como parte do cast da segunda edição do festival Rock In Rio, irá se recordar que suas apresentações contavam com um ar rock n roll e eram cheias de energia. Essas vibrações estão presentes em “Whiskey And Pills”. No restante do tempo é Billy Idol fazendo sua velha jogada de misturar som de banda com uma sonoridade eletrônica, com uma roupagem um pouco mais atualizada. Que o diga seu single “Can´t Break Down” ou então “Save Me Now”. Há também uma grande presença de baladas onde um destaque seria a bonita “Nothing to Fear”.

Billy Idol fez um disco bacana, mas tem poucas músicas com forças para tornarem-se grandes hits. Também falta aquela música animada estilo “Rebel Yell” que faz com que até seu maior hater deixe sua raiva de lado e saia cantando. Me dói o coração escrever isso, mas não será ainda dessa vez que reviverá seus dias de glória.

Nota: 7,5 / 10,0
Status: retorno ao lado comercial

Faixas:
      01)   Bitter Pill
      02)   Can´t Break Me Down
      03)   Save Me Now
      04)   One Breath Away
      05)   Postcards From The Past
      06)   Kings & Queens Of The Underground
      07)   Eyes Wide Shut
      08)   Ghosts In My Guitar
      09)   Nothing to Fear
      10)   Love And Glory
      11)   Whiskey And Pills

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Peter Frampton – Hummingbird In a Box (2014)





Por Davi Pascale

Depois de 4 anos sem lançar um disco de inéditas, o guitarrista Peter Frampton coloca no mercado um novo EP com uma ligação um pouco inusitada: o ballet. Aposto que você deve estar se perguntando como surgiu esse casamento e como isso afetou sua música, certo? Pois bem, vamos lá...

A ideia surgiu por acaso. A companhia de danças Cincinatti Ballet entrou em contato com Frampton dizendo que gostaria de utilizar algumas músicas suas em um espetáculo que estavam criando e queria saber se o músico autorizava. Desejavam utilizar 3 faixas do álbum Fingerprints e a canção “Not Forgotten” do álbum Now. O músico autorizou. Por estar excursionando, não conseguiu comparecer à apresentação. Peter recebeu a gravação em DVD, ficou maravilhado com o espetáculo e quis conhecer a diretora artística, Victoria Morgan. Em uma das conversas, a moça questionou se gostaria de fazer uma apresentação ao vivo junto com o ballet. 3 segmentos de 20 minutos, utilizando canções de seu repertório. Frampton topou e fez uma contra-proposta. “E se um dos segmentos fosse formado apenas por canções inéditas?”. E chegamos ao novo CD.

Justamente por ter sido criado com esse propósito, não espere nada no pique do Humble Pie, nem no pique de “Breaking All The Rules”. Não temos aqui seu famoso talk box também. Hummingbird In a Box é um álbum calmo. Isso não quer dizer que tenha se aventurado no universo da música clássica, como já fez algumas vezes o beatle Paul McCartney. É um álbum calmo, mas não conta com orquestrações, corais, nem nada do tipo. Uma diferença em relação à sua imagem, seria uma maior aproximação dos violões.

Disco foi criado inspirado em uma apresentação de ballet

O nome do álbum remete à uma memória afetiva. Um presente que ganhou de seu avô. Uma caixa que trouxe da China. Havia um segredo para abri-la e seu avô dizia que fazendo os movimentos certos chegaria ao grande prêmio. O grande prêmio era, obviamente, a abertura da gaveta. Dentro dela estava um beija-flor empalhado. O tal hummingbird.

Para compor o material, contou com a ajuda de seu velho parceiro Gordon Kennedy, músico e produtor norte-americano, muito lembrado por ter sido compositor da balada “Change The World”, grande hit de Eric Clapton. Peter Frampton disse que algo legal desse projeto seria poder escapar da obviedade da estrutura verso-refrão-verso-refrão. No entanto, o lado pop não está totalmente fora do disco. “Heart To My Chest” tem um refrão que nos remete bastante às baladas de John Lennon. A faixa de abertura, “The Promenade´s Retreat” tem um que de Mark Knopfler”. “Friendly Fire” também tem um lado pop presente.

Em termos de arranjo, as que causarão maior estranheza são a instrumental “The One In 901”, a faixa-titulo, com sua influência flamenca em alguns momentos, e o encerramento com a jazzy “Norman Wisdow”. Aliás, os momentos de maior estranheza mesmo são os momentos instrumentais. Nunca seus arranjos soaram tão sutis. Som predominantemente limpo, vários dedilhados... Quando entra cantando, no entanto, é difícil que não nos remeta à algo de sua extensa discografia. Frampton tem um estilo próprio de cantar e esse estilo não foi alterado.

Hummingbird In a Box: Songs For A Ballet é um álbum bem executado, bem elaborado, mas como já havia dito, extremamente calmo. E foge de sua sonoridade clássica. Quem estiver procurando um primeiro contato com o músico, recomendo começar por seus discos mais antigos como Something´s Happening, I´m In You ou o clássicão Frampton Comes Alive. O CD é bacana, mas é recomendado apenas para aqueles que já tem algum contato com seu trabalho...

Nota: 7,5 / 10,0
Status: Apostando em novos territórios

Faixas:
      01)   The Promenade´s Retreat
      02)   Hummingbird In a box
      03)   The One In 901
      04)   Friendly Fire
      05)   Heart To My Chest
      06)   Shadow Of My Mind
      07)   Norman Wisdow

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Kiss – Love Gun Deluxe Edition (2014):





Por Davi Pascale

Em 1977, os mascarados do Kiss lançavam seu sexto álbum de inéditas. Agora, em 2014 retorna ao mercado em uma edição dupla, contendo o disco original totalmente remasterizado e um segundo formado por raridades.

Os músicos estavam no auge de sua popularidade. Depois do estrondoso sucesso de Kiss Alive! (com seu primeiro hit, a versão ao vivo de “Rock n´ Roll All Nite”) e Destroyer (com a megabalada “Beth” disparando cada vez mais nas paradas), os rapazes conquistaram de vez os roqueiros da época. 1977 era o auge do punk. A cena que havia dominado as paradas nos Estados Unidos com os Ramones um ano antes, chegava agora com força total na Inglaterra com a explosão do Sex Pistols. Aqueles que não se identificavam com a linguagem punk, contudo, voltavam sua atenção para grupos como Thin Lizzy, Aerosmith, Queen, Ufo, AC/DC e Kiss.

A banda chegava ao período que é conhecido como kissmania. O termo é um trocadilho com beatlemania. Embora sejam dos Estados Unidos, alguns de seus grandes ídolos eram justamente a galera da British Invasion. Grupos como Rolling Stones, The Who, Kinks e, claramente, os Beatles foram a trilha sonora da adolescência dos músicos. Os Beatles atingiram em 1964, um sucesso nunca visto antes. A galera brincava dizendo que eram o Elvis multiplicado por 4 (já que também eram um quarteto). Naquela época, encontrava-se tudo que se podia imaginar do grupo de Lennon/Mccartney. Bonecos, fotos oficiais, revistas e mais revistas com os músicos na capa. Os shows eram uma verdadeira histeria. À esse período se deu o nome de beatlemania. Em 77, quem estava vivendo isso era o Kiss. Chegava ao mercado bonecos, lancheiras, revistas em quadrinhos, maquina de pinball... A lista é grande. Os shows ficavam cada vez mais grandiosos e cada vez mais lotados... 

Grupo já tinha grande linha de merchandisings

Depois da sofisticação de Destroyer, os músicos retornaram à simplicidade em Rock n Roll Over. E aqui não é diferente. Embora conte com a produção de Eddie Kramer, não havia aqui efeitos sonoros, músicas interligadas, orquestrações. Era um trabalho de rock n roll básico. Guitarra, baixo, bateria, voz. E fim. De diferente, apenas um teclado atrás do arranjo de “Christine Sixteen”. Gene Simmons explica no encarte. “Essa musica nasceu no teclado. Sempre fui fã de doop-wop. No lugar de ter um solo, os caras falam. Até Elvis fez isso”.

O álbum trazia uma sonoridade um pouco mais pesada do que o trabalho anterior. E também trazia a estréia de Ace Frehley nos vocais. O músico havia sido eletrocutado em uma apresentação na Florida e a banda sugeriu que escrevesse uma musica sobre o tema. Foi daí que nasceu “Shock Me”. Paul e Gene insistiram para que fizesse sua estréia enquanto vocalista. Ace se sentia tão inseguro que pediu para que Eddie Kramer desligasse a luz da sala do estúdio para se esquecer que estavam assistindo-o.
 
A música que fecha o disco é um cover. “Then She Kissed Me”, canção escrita originalmente por Phil Spector e que chegou às paradas de sucessos pela primeira vez com o grupo feminino The Crystals, da época da Motown. Originalmente, chamava-se "Then He Kissed Me". Paul Stanley adaptou a letra. No encarte, comenta que hoje se arrepende de tê-la gravado. Que considera que a versão não faz justiça à original. Outros grandes destaques são “I Stole Your Love”, “Got Love For Sale”, “Plaster Caster” e, é claro, a faixa título.

Reedição traz replica da arma de papel que acompanhava a primeira prensagem em LP


O segundo CD é formado por uma entrevista de Gene Simmons concedida à uma rádio de Montreal, poucas horas antes de uma apresentação na cidade, 7 versões demos e 3 ao vivo. Dessas todas, apenas a demo de “Reputation” já havia sido lançada anteriormente. As demais são inéditas.

Gravadas em Capital Centre, as versões ao vivo são extremamente cruas. Foi bacana ouvir, mas conheço registros melhores dessa turnê.  Aqui, tinham alguns momentos em que Peter Criss dava umas atravessadas de tempo. Tenho bootlegs dessa turnê onde isso não acontece. Não entendi a escolha dessa apresentação em específico. As versões demos contam com ótima qualidade de som e a mais bacana de todas é a inédita “I Know Who You Are”. Minha única queixa é que eles deixaram de fora as versões demos de “Christine Sixteen” e “Got Love For Sale”, cujos registros foram realizados por Gene Simmons e os irmãos Van Halen. Na entrevista, o mais interessante é ouvir Gene dizendo que não consideraria impossível que o Kiss se apresentasse um dia sem as máscaras. Um depoimento desse quando estavam no auge é, no mínimo, surreal. Ainda mais porque quem conhece a história da banda sabe quanto ele relutou para tirar as maquiagens nos anos 80.

O relançamento foi produzido pelo atual guitarrista do Kiss, Tommy Thayer, e traz um encarte repleto de fotos e comentários dos músicos. Acompanha também uma reprodução da arma de papel que acompanhava a primeira tiragem de LPs. Para quem é colecionador de discos e para quem é fã do quarteto, trata-se de um item indispensável.

Nota: 9,0 / 10,0
Status: reedição de álbum clássico

Faixas:
CD 01:
01) I Stole Your Love
02) Christine Sixteen
03) Got Love For Sale
04) Shock Me
05) Tomorrow And Tonight
06) Love Gun
07) Hooligan
08) Almost Human
09) Plaster Caster
10) Then She Kissed Me

CD 02:
01) Much Too Soon (Demo)
02) Plaster Caster (Demo)
03) Reputation (Demo)
04) Love Gun (Teaching Demo)
05) Love Gun (Demo)
06) Gene Simmons Interview 1977
07) Tomorrow And Tonight (Demo)
08) I Know Who You Are (Demo)
09) Love Gun (Live ´77)
10) Christine Sixteen (Live ´77)
11) Shock Me (Live ´77)

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Primal Fear – Delivering The Black (2014):



Por Davi Pascale

Os alemães do Primal Fear chegam ao seu décimo álbum. Em seu último trabalho com o baterista Randy Black, o grupo nos apresenta em CD bem feito, empolgante, pesado, mas sem novidades. Aquela velha história, quem é fã vai curtir; quem não é, não será dessa vez que mudará de idéia.

Liderado pelo vocalista Ralf Scheepers (ex-Gamma Ray) e pelo baixista Mat Sinner (Sinner), o grupo se tornou um dos principais nomes do metal germânico e é quase sempre comparado ao Judas Priest. E o pior é que tem a ver. O estilo de Scheepers é bem similar ao de Halford. Tanto nos vocais abusando de agudos, quanto no visual. Careca, trajando roupas pretas. Alguns riffs também são bem similares.

Do mesmo jeito que Ralf criou fama por sua incrível potência vocal, criou também por sua arrogância. Aqueles que, assim como eu, tiveram a oportunidade de conferir a apresentação que realizaram no extinto festival Live n Louder, viram o mesmo tendo ataque de chilique, interrompendo a apresentação no meio e atirando microfone no chão. O rapaz achou que a qualidade de som do palco estava ruim e resolveu encerrar o show antes do programado. Na época, cobri o evento e me recordo de vários jornalistas reclamando das atitudes dos músicos do Primal Fear. O que isso tem a ver com o disco?

Randy Black, baterista do grupo, abandonou o mesmo poucos meses após o lançamento desse álbum alegando “diferenças irreconciliáveis” com Ralf Scheepers. É óbvio que teve treta grande. Entretanto, nem o cantor, nem o baterista entraram em detalhes sobre o que seriam essas diferenças. Optaram por não lavar roupa suja em publico. Também acho desnecessário criar uma novela mexicana quando alguém sai da banda, mas acho que o publico mereceria um pouco mais de consideração e ter um pouquinho mais de informação. Não há necessidade de contar em detalhes as brigas, os podres, mas poderiam explicar por cima o que ocorreu. Se não concordavam com questões contratuais, se era falta de espaço... Afinal, Randy esteve na banda por 11 anos. Mas que não me surpreende essa briga com Ralf, é fato.

Ralf Scheepers é constantemente comparado à Rob Halford

Musicalmente, como disse, não traz novidades. Canções como “King For a Day”, “Delivering The Black” e “Inseminoid” apostam em arranjos velozes com Randy dobrando o bumbo na velocidade da luz. Algo característico em sua discografia. Exemplos? "Chainbreaker", "Angel In Black", "The Final Embrace", para ficar em alguns. Tem as músicas mais cadenciadas como “When Death Comes Kocking” e “Alive On Fire”, onde as guitarras se destacam com fraseados oitentista. Em uma onda meio parecido com "Running In The Dust". Além da esperada balada “Born With a Broken Heart”.

As músicas são excelentes e cheias de refrões memoráveis. Não há como negar que seja um bom álbum. Entretanto, falta o elemento surpresa. Gostaria de ver algumas novidades em seu som. Não estou falando de mudar de estilo, nem de ficar mais pop. Sei lá, um andamento diferente, um efeito vocal que nunca tenham usado, uma afinação de guitarra diferente do que costumam utilizar. Alguma coisa que diferenciasse esse trabalho aos demais, ainda que mantivesse a essência. A produção ficou a cargo do baixista Mat Sinner. E aqui, realmente não há do que reclamar. O som das guitarras está encorpado, o baixo está bem presente, bateria bem definida. Redondinho. Alguns meses atrás, Aquiles Priester (sim, o ex-Angra, atual Hangar) foi anunciado como o novo musico do grupo. Agora é esperar para ver se ele trará novas influencias ou não. A banda é excelente, tem composições ótimas, mas falta um pouco de ousadia...

Nota: 7,5 / 10,0
Status: Canções excelentes, porém previsíveis.

Faixas:
      01)   King For a Day
      02)   Rebel Faction
      03)   When Death Comes Knocking
      04)   Alive & On Fire
      05)   Delivering The Black
      06)   Road to Asylum
      07)   One Night In December
      08)   Never Pray For Justice
      09)   Born With a Broken Heart
      10)   Inseminoid