quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Silverchair: 20 anos do Tomorrow EP

Por Rafael Menegueti

Nessa semana, uma excelente matéria do jornal australiano “The Herald” lembrou os vinte anos do debut do Silverchair, no EP “Tomorrow” (leia a matéria em inglês aqui). Lançado em setembro de 1994, esse material hoje é praticamente uma raridade. O fato é que a historia de como a banda surgiu para o mundo começa nesse EP, e em um programa de rádio.

Os garotos tinham apenas 15 anos em 1994 quando uma vizinha os avisou que a radio Triple J estava organizando um concurso de fitas demo, e a banda vencedora gravaria um EP. Os três garotos (na época quatro, com o segundo guitarrista Tobin Finanne), ensaiavam e compunham sem grandes pretenções na garagem do baterista Bem Gillies na época. Parecia uma boa idéia entrar no concurso.


A demo de “Tomorrow” tinha sete minutos, bem mais longa do que a que conhecemos. Com um andamento mais lento e muitas partes repetitivas que viriam a ser encurtadas e alteradas mais tarde, alem de uma letra ligeiramente diferente. A fita foi mandada e executada na rádio, e desbancou outras centenas de faixas mandadas por outros aspirantes ao sucesso do país inteiro. “Tomorrow” fisgou a audiência, os produtores musicais e a critica, que ficou espantada com a capacidade de uma banda adolescente em fazer uma música tão marcante.

“Tomorrow” não era uma faixa profunda e revolucionaria, como outras músicas que marcaram os anos 90. Seria esperar demais de alguns adolescentes de Newcastle. Mas era suficientemente impactante para despertar o interesse do público, e também da indústria fonográfica. A banda foi lapidada, assim como sua faixa principal, para que seu potencial desse o resultado esperado. Agora um trio, e com um novo nome (Innocent Criminals não estava agradando mais), o silverchair (assim, em minúscula mesmo na época) produziu seu EP, um prêmio muito bem dado.


As quatro faixas que fazem parte dele são simples, possuem letras modestas mas encantam pela força instrumental. “Tomorrow” virou um hit pronto para atingir as rádios (o que de fato ele fez), “Blind” é mais arrastada, sombria, quase um lamento que ganha peso logo depois. “Acid Rain” tem um riff impressionante, e “Stoned” fazia uma linha mais grunge tradicional, simples e despretenciosa.

O EP conseguiu o que pretendia. A banda alcançou o sucesso e logo a Austrália inteira queria um full-lenght da banda. “Frogstomp” viria alguns meses depois para alçar a banda em escalas mundiais. O videoclip de “Tomorrow” ganharia uma versão bem melhor do que a do EP, e essa seria uma das faixas de rock mais tocadas em 1995. Alias, todas as faixas do EP seriam regravadas mais tarde, ficando ainda mais interessantes, mas apenas “Tomorrow” entraria em “Frogstomp”, as outras viraram b-sides. E com esse sucesso, a banda começaria sua trajetória.



terça-feira, 2 de setembro de 2014

Hangar: Sesc Santo Andre (30/08/2014)




Por Davi Pascale
Fotos: Natalia Lett (extraidas da pagina oficial do Facebook)

Noite de sábado. Para muitos, noite de encher a cara com os amigos em algum boteco ou de ficar em alguma danceteria até de madrugada. Para mim, noite de curtir um bom show no teatro do Sesc. Dessa vez, um bom show de heavy metal. Quem estaria se apresentando é o grupo Hangar que conta com o renomado Aquiles Priester.

Aquiles ganhou popularidade depois de integrar o grupo Angra. Já conhecia o trabalho dele um pouco antes disso por conta do CD que gravou ao lado do ex-vocalista do Iron Maiden, Paul Di´Anno, o (ótimo) Nomad. Muita gente tem criticado o rapaz por ter sido reprovado no teste que realizou com o Dream Theater, quando estavam em busca de um substituto para Mike Portnoy, mas honestamente acho que só de ter sido convidado para fazer o teste com os caras já demonstra sua competência. E isso ficou mais do que comprovado durante sua apresentação no fim-de-semana.

Logo de cara, me surpreendi ao me deparar com o teatro lotado. Show sold out!! Já assisti nesse mesmo teatro artistas que têm um apoio de mídia muito maior – como Céu e Cachorro Grande – e que não conseguiram esse feito. Embora ambos tenham realizado ótimos shows também. Sim, gosto de outros gêneros além do heavy metal. Para alguns, isso pode ser um problema. Para mim, também é um problema. Um problema meu. Não gostou? Foda-se!

Fabio Laguna em ação

O show teve um pequeno atraso. 10 minutos apenas. Talvez para dar tempo de todos se acomodarem em seus lugares. Os rapazes iniciaram a apresentação com “The Infallible Emperor”. De cara, já notamos uma surpresa. O vocalista era outro. Pedro Campos que, segundo palavras do Aquiles, gravou as 5 musicas do teste em uma semana. Aliás, o músico não perdeu a chance de alfinetar o ego dos músicos da cena. “Todos os vocalistas bambambans entraram em contato comigo dizendo que queriam se juntar ao Hangar. Disse: ‘ótimo. Mande as gravações’. Me responderam: ‘estou atarefado’. E eu disse: Então o senhor pode ir pra puta que o pariu”. A platéia deu altas risadas.

Pedro demonstrou eficiência. Tem uma boa voz e ganhou o respeito do público. Priester calou a boca dos haters com uma performance impecável. Embora tenha ótimos músicos ao seu lado, como o não menos cultuado Fabio Laguna e o guitarrista Eduardo Martinez, o cara realmente rouba a cena com o bumbo na velocidade da luz e quebradas de tempo onde 90% de quem o critica é incapaz de reproduzir metade.

Durante 90 minutos, o grupo demonstrou simpatia e profissionalismo. Com som alto, fizeram uma apresentação cativante, agradando os presentes. No repertório, canções de diferentes períodos “To Tame a Land” (Inside Your Soul), “The Reason of Your Conviction” (do album de mesmo nome), “Colorblind” (Infallible)... Mas seus fãs ainda teriam mais uma surpresa. “Meet & Greet de cú é rola. Em 10 minutos estaremos aí na frente para falarmos com todos vocês”, avisou o desbocado baterista. Os caras cumpriram a promessa e atenderam a todos com fotos e autógrafos. Aproveitei a oportunidade para assinar meus discos com os músicos. Aquiles teve enorme paciência ao me assinar não apenas os discos do Hangar, mas também o demais material que tinha dele, que não é pouco. Não apenas assinou, como fez comentários. “Cara, esse seu DVD é raro. Essa tarja azul significa que é a prensagem de 100 cópias”.

Meus discos do Hangar assinados

O show acabou cedo. Cheguei em casa 22h30. Voltei feliz. Não apenas assisti um ótimo show, como adquiri alguns objetos que não tinha ainda e de quebra, assinei meu material. Para muitos a noite, estava apenas começando. Resolvi permanecer o resto da noite fria no meu apartamento, desfrutando de uma pizza com meus familiares. Não havia necessidade de after party...

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Você precisa conhecer: Poets of the Fall

Por Rafael Menegueti

Hoje decidi apresentar uma banda que conheci recentemente e percebi que ainda não tem muito publico por aqui, a finlandesa Poets of the Fall. O grupo foi formado em 2002 e consiste de três músicos, mas que são auxiliados por mais três ao vivo. Os membros fixos da banda são: Marko Saaresto (vocais), Olli Tukiainen (guitarra) e Markus Kaalornen (teclados). Ao todo já são cinco álbuns de estúdio lançados, o ultimo em 2012. E o sexto disco da banda está pra ser lançado agora, em 19 de setembro.


Apesar de serem bastante desconhecidos do cenário mundial, a banda tem certo reconhecimento pela Europa, o que parece bastar para eles. Na Finlândia, todos os seus discos alcançaram o primeiro lugar das paradas e garantiram vários discos de ouro e platina. Fora os inúmeros prêmios internacionais que a banda já garantiu ao longo desses anos.

E o motivo de tamanho reconhecimento é muito simples: a banda é genial. Um grupo de rock moderno, que une elementos de rock progressivo, pop, alternativo e metal. A voz de Marko Saaresto é singular, o que dá um aspecto único a banda. “Signs of Life”, primeiro do grupo, já deu as caras criando essa certeza. O grupo já estava surpreendendo antes mesmo de seu lançamento, pois a pré-venda do disco foi mais do que bem sucedida. O sucesso fez com que o segundo disco da banda saísse rápido, pouco mais de uma no após o primeiro.

“Carnival of Rust” é um dos melhores trabalhos da banda, e sua faixa título é memorável. O grupo ainda viria a melhorar em “Revolution Roulette”, seu terceiro disco. A banda ainda viria a incorporar outras influencias diversas, de diversas épocas em seu som ao longo de seus trabalhos seguintes.

“Temple of Though” é a perfeita síntese do trabalho da banda. Todos os elementos que fazem deles excelentes esta presente nesse que é o disco mais recente. A turnê de divulgação resultou em um DVD gravado em Moscou e lançado no ano passado. Agora ficamos esperando o novo disco, “Jealous Gods” para ver se eles seguem com o mesmo ritmo que os mantem em alta desde a sua estréia.


Vejam agora uma das musicas da banda e decidam por si mesmo o que acham. Eu particularmente fiquei bem satisfeito em ver uma banda moderna e inovadora que usa tão bem as diversas influencias que eles se propuseram a trazer. Poets of the Fall é para mim definitivamente uma banda que merece um maior reconhecimento por aqui.


domingo, 31 de agosto de 2014

Avenged Sevenfold – Waking the Fallen Resurrected (2014)

Por Rafael Menegueti

Avenged Sevenfold - Waking the Fallen Resurrected
Para se tornarem um dos principais nomes do heavy metal da atualidade, os californianos do Avenged Sevenfold precisaram evoluir seu som como todas as bandas fazem. Antes de serem artistas de uma grande gravadora, o grupo se ergueu com trabalhos que realmente demonstravam o amadurecimento deles. Em “Sounding the Seventh Trumpet” a banda ainda parecia tentar se encontrar em um estilo, uma evolução que viria  a ser notada em “Waking the Fallen”. O segundo disco da banda, lançado em agosto de 2003 pela Hopeless Records, e hoje, 11 anos depois, é relançado em edição comemorativa.

“Waking the Fallen” é um disco que resume bem a transição que a banda buscou em sua sonoridade. No seu primeiro disco a banda usou um metalcore veloz e focado em riffs e solos agressivos e enérgicos. Em seu segundo disco, uma abordagem mais melódica e madura pode ser observada. Ao assinar com a Warner em seguida, e com o lançamento de “City of Evil”, em 2005, ficou claro como a banda planejou essa transição. As composições são bem superiores as do primeiro álbum e em “City of Evil” a banda ficou ainda mais madura musicalmente.

O disco é repleto de momentos em que o peso se mistura a melodias fortes e faixas marcantes. Casos de “Chapter Four”, “Eternal Rest” e “Second Heartbeat”. Outras faixas interessantes ainda mostram andamentos e levadas bem diferentes do que a banda fez em seu primeiro trabalho, como no single “Unholy Confessions” e em “Radiant Eclipse”. O Momento maximo do disco fica por conta de “I Won’t See You Tonight Part 1 & 2”, onde a banda mostra todo seu potencial para criar faixas melódicas e partir rapidamente para uma agressividade característica de seu trabalho. Por isso o disco foi tão elogiado na época de seu lançamento.

Os membros do Avenged Sevenfold na época de Waking the Fallen
Para coroar esse relançamento especial, a banda complementou o pacote com um CD bônus, com versões demo e ao vivo de algumas das faixas. A demo de “Chapter Four” chama a atenção por ser bem diferente da versão conhecida do álbum, tanto na letra quanto em certos momentos da música. As outras demos parecem bem mais próximas do que o ouvinte pode conferir no álbum. As versões ao vivo são um outro atrativo do disco, visto que é raro conseguir material ao vivo do grupo nessa fase para acompanhar.

À época era notório que a banda ainda não tinha a desenvoltura que tem hoje no palco, mas já podemos observar lampejos dela. Na versão de pré-venda ainda estão incluídas as versões ao vivo de “I Won’t See You Tonight”, as duas partes,algo bem curioso uma vez que essas duas ótimas faixas eram bem desconhecidas por muitos em formato ao vivo. Alem disso tudo, ainda há o DVD, com um breve documentário sobre o disco, duas versões de videoclipes para “Unholy Confessions” e um vídeo ao vivo de “Chapter Four”, coroando esse presente da banda aos fãs. Sem duvida algo que qualquer fã do grupo não pode deixar de conferir.

Nota: 9/10

Faixas:

CD1
1- Waking The Fallen
2- Unholy Confessions
3- Chapter Four
4- Remenissions
5- Desecrate Through Reverence
6- Eternal Rest
7- Second Heartbeat
8- Radiant Eclipse
9- I Won’t See You Tonight Part 1
10- I Won’t See You Tonight Part 2
11- Clairvoyant Disease
12- And All Things Will End

CD 2
1- Waking The Fallen: Resurrected
2- Second Heartbeat (Versão Alternativa)
3- Chapter Four (Demo)
4- Remenissions (Demo)
5- I Won’t See You Tonight Part 1 (Demo)
6- I Won’t See You Tonight Part 2 (Demo)
7- Intro/Chapter Four (Ao vivo em Ventura)
8- Desecrate Through Reverence (Ao vivo em Pomona)
9- Eternal Rest (Ao vivo em Pomona)
10- Unholy Confessions (Ao vivo em Ventura)
11- Second Heartbeat (Ao vivo em Ventura)
12- I Won’t See You Tonight Pt. 1 (Ao vivo em Ventura) (Exclusivo para pré-venda na Hopeless Records)
13- I Won’t See You Tonight Pt. 2 (Ao vivo em Ventura) (Exclusivo para pré-venda na Hopeless Records)

DVD
1- Waking The Fallen: Resurrected Documentário
2- Chapter Four (Imagens registradas ao vivo)
3- Unholy Confessions (Clipe)
4- Unholy Confessions (Clipe Original com primeiro corte)


sábado, 30 de agosto de 2014

Rock e religião: casos polêmicos





Por Davi Pascale

Religião sempre foi algo polêmico dentro do rock. No inicio, as igrejas atacavam o gênero declarando ser uma má influência aos jovens. Depois, surgiram os grupos de rock com temáticas religiosas. Alguns muito bacanas, inclusive, como Stryper, Whitecross, Bride, Guardian, Oficina G3... Mas nada causa mais polêmica do que um artista que não pertencia à esse gênero religioso transformar-se em um. Relembraremos agora alguns artistas brasileiros que se dedicaram ao gospel.


      Rodolfo Abrantes



Esse é o mais polêmico de todos. Primeiro porque abandonou o Raimundos no auge do sucesso. Depois, porque foi para um caminho que era totalmente o oposto ao que pregava. Não que o Raimundos pregasse violência, longe disso. O grupo sempre fez um som alegre, pra cima. Mas as temáticas de suas letras eram exatamente o oposto daquilo que a igreja prega. Ou seja: sexo, drogas (no caso deles, maconha mais do que as demais) e rock n roll. Seu novo estilo de vida interrompeu o sucesso de uma das bandas mais interessantes da década de 90, o que é uma pena. Mas longe de querer julgá-lo, boa sorte ao rapaz.


      Catalau



Esse é outro que sofre com ataques, mas em proporção menor. Até porque o Golpe de Estado nunca teve a mesma popularidade que os Raimundos (Embora merecesse. Sério, a banda é sensacional). Os motivos eram basicamente os mesmos de Rodolfo. O cara levava a vida de rockstar ao pé da letra com uma vida regrada à cerveja, mulheres e, ao que dizem, drogas. Pelo menos, quando resolveu se converter, já estava fora da banda há alguns anos. Atualmente o rapaz atua como pastor da Igreja Bola de Neve. O ultimo registro fonográfico que tenho conhecimento foi o álbum Jesus Está Voltando, lançado em 2003 pelo selo Baratos Afins. E, assim como seu primeiro registro solo, dividiu opiniões entre seus antigos admiradores.


      Claudia Lino



Outro nome do rock que atua como pastora na Bola de Neve é a cantora Claudia Lino. Todo mundo que conhece rock brasileiro um pouquinho mais à fundo já ouviu falar dela. Para quem não está associando o nome à pessoa, trata-se da primeira vocalista do grupo Velhas Virgens. Manja a, não menos polêmica, faixa “Abre Essas Pernas”? Pois bem, foi ela quem gravou. Durante muitos anos, a moça provocou a platéia com performances sensuais e palavras de baixo calão. Bom... Não preciso nem dizer que isso não existe mais, né? Quer dizer, para ela, não para o Velhas hehehe


      Baby do Brasil



Outra cantora que chamava a atenção dos rapazes – pelo menos nos primeiros anos de sua carreira – era Baby do Brasil. Na época, ainda com o nome de Baby Consuelo. Com esse nome, fez parte do cultuado (e excelente) grupo Novos Baianos, com quem viveu o estilo hippie como ninguém. Depois, dominou as paradas de sucessos de todo o país, sempre com visuais extravagantes e performances divertidas. Dizem, inclusive, que a historia da letra “Barradas na Disneylandia” é real. Deu o que falar quando se apresentou grávida na (lendária) primeira edição do Rock in Rio. Vocês conseguiriam imaginar uma mulher dessas tornando-se artista gospel? Pois é, eu também não... Bom, pelo menos ela continua com seu jeito maluco beleza.


      Tim Maia



Esse entra mais como uma curiosidade mesmo. Nos anos 70, Tim gravou um álbum duplo intitulado Tim Maia Racional, baseado no livro Universo em Desencanto. Há quem diga que a Cultura Racional é uma religião, há quem diga que não (daí o motivo de colocá-lo como uma curiosidade). O fato é que o cantor mesmo não sabia explicar direito o que era. Dizia que era uma coisa pura. Depois de ver sua carreira e seu dinheiro naufragando, nosso sindico resolveu abandonar o conceito e retomar sua carreira à formula original. Durantes muitos anos, esses discos eram quase impossíveis de serem encontrados. No entanto, esses títulos foram adicionados na coleção de CD´s lançados pela Folha alguns anos atrás. Há quem cultue esses discos. Honestamente falando, acho fracos. Considero seus 4 primeiro álbuns bem superiores, mas daí é questão unicamente de gosto. Escute e tire suas próprias conclusões.

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Kid Abelha: 30 Anos Multishow Ao Vivo DVD (2012)



Por Davi Pascale

Kid Abelha em um blog de rock? Pois é... Há quem diga que o trabalho que o grupo de Paula Toller executa é nada mais do que simplesmente pop. Até no extra do DVD há quem dê a entender essa afirmação. Eu, enquanto ouvinte e fã, diria que essa frase é um pouco simplista demais. Consigo perceber grandes influências de Beatles e Jovem Guarda, por exemplo, em vários momentos da carreira deles. E muitos dos meus amigos roqueiros compartilham da minha opinião de que esse grupo é uma das melhores coisas do cenário mainstream brasileiro. Então... Por que não?

Sem contar que esse conceito de pop é totalmente discutível. Hoje, ele é vendido como um rótulo de um segmento musical. No entanto, sou muito mais fã da teoria de que a ideologia pop está relacionada ao sucesso, ao tamanho de seu público. Analisando a partir deste ângulo, U2 é pop, Eric Clapton é pop, Iron Maiden é pop e Kid Abelha, é claro, é pop.

O grupo realmente merece respeito. Durante 30 anos foram massacrados pela crítica musical. Sofreram preconceito de público (podemos citar como exemplo o tratamento que os músicos receberam das pessoas presentes na edição do primeiro Rock In Rio) e até de colegas de profissão (como o comentário infame do músico Ed Motta em Maio de 2011). Paula Toller sempre foi muito lembrada por sua beleza (que continua intacta), mas quase nunca mencionada por sua habilidade enquanto compositora e letrista. Ela e o multi-instrumentista George Israel têm sido os principais responsáveis pelas composições desde a saída do músico Leoni em 1986. George foi mais além e conseguiu emplacar canções suas nas vozes de outros artistas. Entre eles; Cazuza, Frejat, Ney Matogrosso e Moska. Mesmo com todo o preconceito, seguiram adiante, conquistaram um grande público e lotam shows sempre que se reúnem. Pode acreditar... Parece fácil, mas não é.

Das 21 músicas apresentadas, 18 são hits. E o mais legal de tudo, grandes sucessos que estavam esquecidos nas últimas turnês retornaram ao repertório como “Educação Sentimental”, “Todo o Meu Ouro” e “Em Noventa e Dois”.


Grupo entrega show profissional e nostálgico

Os músicos de apoio são ótimos. Destaque para o baterista Adal Fonseca (ex-Engenheiros do Hawaii) que substituiu com competência o excelente Kadu Menezes. Bruno e George sempre foram músicos acima da média (embora poucos sejam capazes de perceberem isso). Paula sempre dividiu opinião. Eu, particularmente, fiquei muito satisfeito com sua performance. Marcelinho da Lua e Ivo Meirelles são as participações especiais. Mas, calma, elas não comprometem o espetáculo.

Paula Toller, George Israel e Bruno Fortunato continuam com sua postura de sempre. Apresentam-se alegres, com uma postura descontraída, como se estivesse participando de um ensaio ou tocando em algum baile de formatura. O espetáculo conta com uma ótima produção de palco. Simples, porém bonito e impactante. O show é dividido em 3 atos: canções pop/rock, baladas e músicas mais festivas. Algumas faixas sofreram alterações no arranjo. Entre estas, destaca-se a citação de “Louras Geladas” (RPM) dentro da balada “Garotos”, dando um ar meio sacana à canção. O concerto é extremamente profissional e deve calar a boca de muitos que os criticam gratuitamente por aí... Minha queixa fica por conta do documentário no extra. O filme é muito curto e apenas uma parte de sua trajetória é explicada. E, mesmo assim, alguns temas são passados meio que por cima como o incidente do Rock In Rio e a saída de Leoni.

As músicas do Kid Abelha já estão em nosso inconsciente. Mesmo aquela faixa que você não ouve há anos, você automaticamente começa a se lembrar da letra logo que começa a ser executada. Poucos artistas conseguiram isso. E acredito que pouquíssimos irão surgir em um futuro próximo com esse talento. Pena que o retorno tenha durado tão pouco. Espero que voltem à ativa em breve com material inédito. O cenário pop/rock brasileiro anda muito pobre. O grupo faz falta...

Nota: 09/10
Status: Nostálgico

Faixas:
No Seu Lugar
Nada Tanto Assim
Educação Sentimental II
Por Que Eu Não Desisto de Você?
Na Rua, Na Chuva, Na Fazenda
Dizer Não é Dizer Sim
Todo Meu Ouro
Amanhã é 23
Em Noventa e Dois
Garotos
Grand Hotel
Nada Sei
Seu Espião
Tudo de Nós
Lágrimas e Chuva
Eu Tive Um Sonho
Alice (Não Me Escreva Aquela Carta de Amor)
Fixação
Te Amo Pra Sempre
Caso de Verão
Como Eu Quero
Pintura Íntima

Extra:
Documentário

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Música Comentada: Delain - We Are the Others

Por Rafael Menegueti


Hoje eu escolhi mostrar uma música que fala de uma historia triste que envolveu um crime brutal. Em 2007, a adolescente inglesa Sophie Lancaster e seu namorado foram espancados por um grupo de cinco jovens em Lancashire. Sophie acabou em coma, e morreu treze dias depois. O motivo de tamanha brutalidade: Sophie e o namorado eram góticos.

O crime gerou uma enorme repercussão, e iniciou uma discussão sobre a intolerância que grupos praticavam contra tribos de jovens pela Europa. Foi criada até uma fundação em nome da garota para combater esses crimes de ódio. E o Delain dedicou seu Álbum “We Are the Others” a ela. A música título do disco fala justamente sobre esse fato. A banda escolheu usar a letra para demonstrar que tambem está na luta contra o preconceito, e que ninguém deve discriminar alguém por ser diferente. Se você se considera diferente, ou que não se encaixa na sociedade, deve saber que não é o único, existem outros que também passam por isso. Daí a idéia de “We Are the Others”.

I'm walking with Sophie tonight,
She lives in the air that I breathe;
I can't get it out of my mind
How you were left to bleed...
Was it how you dress?
Or how you act?
I can't believe
How they could act so violently,
Without regret,
We will not forget...
Eu estou andando com Sophie, esta noite,
Ela vive no ar que eu respiro;
Eu não posso tirá-la da minha mente
Como você foi deixada para sangrar ...
Foi como você se veste?
Ou como você age?
Eu não posso acreditar
Como eles poderiam agir de forma tão violenta,
Sem arrependimento,
Não vamos esquecer ...

We are the others,
We are the cast outs,
We're the outsiders
But you can't hide us,
We are the others,
We are the cast outs
You're no longer on your own
If you feel mistreated,
Torn and cheated,
You're not alone,
We are the others
Nós somos os outros,
Nós somos os excluídos,
Nós somos os marginais
Mas você não pode esconder-nos,
Nós somos os outros,
Nós somos os excluidos
Você não está mais em seu si próprio
Se você se sente maltratado,
Despedaçado e enganado
Você não está sozinho,
Nós somos os outros

As simple as air in your lungs,
As simple as words on your lips,
And no one should take that away,
No one should have killed this
Now with our heads up high,
We'll carry on,
And carry out,
And we won't let them get us down,
Wear us out,
'Cause we are not alone...
Tão simples como o ar em seus pulmões,
Tão simples como palavras em seus lábios,
E ninguém pode remover isso
Ninguém deveria ter matado isto
Agora com nossas cabeças pra cima,
Seguiremos em frente,
E realizar,
E não iremos deixá-los nos colocar pra baixo,
Nos despir,
Porque não estamos sozinhos ...

Normal is not the norm,
It's just the uniform...
(We are the others)
Forget about the norms,
(We're the outsiders)
Take off your uniform,
(We are the others)
We are beautiful,
(We are the others)
Normal não é o padrão,
É apenas o uniforme ...
(Nós somos os outros)
Esqueça as regras,
(Nós somos os estranhos)
Tire seu uniforme,
(Nós somos os outros)
Nós somos bonitos,

(Nós somos os outros)