sexta-feira, 15 de agosto de 2014

The Dissociatives – The Dissociatives (2004)

Por Rafael Menegueti

The Dissociatives
No começo da semana eu falei sobre o Tambalane, projeto paralelo do baterista do Silverchair, Ben Gillies. Hoje eu falarei sobre outro projeto paralelo de um membro do Silverchair, o vocalista e guitarrista Daniel Johns, lançado pouco antes do Tambalane. Trata-se do The Dissociatives, banda que lançou um CD e um DVD ao vivo, e que chegou a fazer bastante sucesso na Austrália, e chegou a atingir a Europa.

O grupo era liderado por Daniel Johns, que junto ao músico Paul Mac, que trabalhou em inúmeras oportunidades com Daniel no Silverchair. Juntos, a dupla buscou criar uma mistura de música eletrônica e pop rock, cheia de elementos bem diferentes do que estaríamos acostumados a ouvir de Daniel em suas composições para o trio australiano.

O processo de surgimento do Dissociatives não foi repentino. Antes, Daniel e Paul já haviam firmado parceria no EP “I Can’t Believe It’s Not Rock”, de 2000. Nele, a dupla cria um rock meio industrial, meio punk com interferência de teclados e sintetizadores por todos os cantos. O Dissociatives levou essa idéia alem. Menos punk, com guitarras mais leves, Johns e Mac buscam uma sonoridade mais radiofônica e com melodias pegajosas e carismáticas.

Cena do clipe de "Somewhere Down the Barrel"
O disco tem toques característicos do que Daniel viria a trazer para o próprio Silverchair no futuro. Uma experimentação sonora que vai alem do que o rock costuma trazer. “We’re Much Preferred Costumers” abre com uma batida eletrônica que dita o ritmo da melodia criada pela voz e pela guitarra de Daniel. Uma faixa que abre espaço para “Somewhere Down The Barrel”, empolgante canção que foi o primeiro single da banda.

“Horror With Eyeballs” possui um dos melhores arranjos do disco, cheio de elementos sonoros que deixam o som ainda mais inusitado. A instrumental “Lifting the Veil From  the Braille” é carregada por um assovio, ao lado da melodia da faixa. “Thinking In Reverse” é mais agitada, lembra algo que o Devo poderia ter lançado nos anos 80. “Forever and a Day” faz a linha baladinha. “Young Man, Old Man” é bem suave e parece ser carregada por um arranjo mais acústico, alem de contar com um coro e um refrão bem cativante. Uma das melhores do disco é “Aaängry Megaphone Man”, com arranjos bem trabalhados e uma melodia empolgante, a faixa cresce nos nossos ouvidos e vai progredindo bem para o final. Apenas o encerramento, com “Sleep Well Tonight”, parece destoar um pouco da proposta do disco. A faixa é lenta e parece mais uma cantiga de ninar pela entonação e melodia que Johns usa para cantar. Mas a julgar pelo nome, talvez fosse justamente essa a intenção.

Ao todo, o The Dissociatives não fez uma obra revolucionaria, que inovou ou criou uma nova idéia de pop rock alternativo. Fizeram apenas um disco divertido e bem despretensioso. Johns e Mac possuem uma boa sintonia e se entendem para fazer música. O disco de 2004 é uma bela mostra dessa parceria. Pena que ficou nisso. Eles até chegaram a ensaiar que poderiam lançar um segundo disco, mas isso nunca se concretizou. Até é possível, com o hiato do Silverchair, já que Daniel Johns anda meio paradão, nem seu disco solo chegou a se concretizar ainda. Quem sabe a parceria volta.

Nota: 8/10
Status: Curioso

Faixas:
"We're Much Preferred Customers" – 5:46
"Somewhere Down the Barrel" – 4:39
"Horror with Eyeballs" – 4:45
"Lifting the Veil from the Braille" – 4:18
"Forever and a Day" – 4:49
"Thinking in Reverse" – 3:41
"Paris Circa 2007slash08" – 3:52
"Young Man, Old Man (You Ain't Better Than the Rest)" – 4:31
"Aaängry Megaphone Man" – 4:52
"Sleep Well Tonight" – 2:29


quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Europe – Live At Sweden Rock: 30th Anniversary Show (2013)





Por Davi Pascale

A banda sueca Europe completou 30 anos de estrada. E, para celebrar, resolveram colocar no mercado um CD e DVD ao vivo com uma apresentação realizada no Sweden Rock Festival, o maior festival música de seu país. Por mais de duas horas, os músicos fazem uma apresentação pesada e contagiante.

Esqueça daquele Europe que invadiu as rádios nos anos 80 com uma sonoridade hard pop à la Bon Jovi. Para dizer a verdade, eu gosto muito daquela fase, mas o grupo está cada vez mais distante dessa sonoridade. Os teclados diminuíram, o peso da guitarra subiu, o alcance vocal desceu (esse, provavelmente, por conta da idade). Quem tem acompanhado o grupo desde que retornaram com o (ótimo) Start From The Dark, sabe que a proposta do grupo hoje é outra.

Esse não é um trabalho criado a partir da releitura de velhos hits. Vários deles, inclusive, ficaram de fora como “Cherokee”, “I´ll Cry For You”, “Dance The Night Away” (não confundir com a do Van Halen)... A jogada deles foi pegar canções dos seus álbuns mais recentes e misturar as canções antigas que mais se aproximavam da proposta. O set é bem dosado. Dos 5 primeiros discos, entraram 3 músicas por álbum...  Entretanto, daquelas com uma pegada mais comercial, marcam presença somente as que não têm como negar. E, pelo visto, isso não irá mudar.

Quando escrevia para a revista RockLife tive a oportunidade de bater um papo com o baterista Ian Haughland por telefone, quando eles estavam no estúdio gravando o que viria a ser o Secret Society, e ele me confidenciou que os músicos não morrem de amores pelo material dessa época mais popular. Que eles tocam algumas músicas em respeito aos fãs, mas que aquele não era exatamente o som que queriam fazer. Que ele considera o trabalho atual mais honesto. Portanto, é bom irem se acostumando com a ideia...


Apresentação foi gravada diante de uma enorme plateia no Sweden Rock Festival

Em relação à técnica, não dá para questiona-los. Essa é uma daquelas bandas que a galera tendia a tirar sarro quando olhavam para o visual ou ouviam as baladas mais melosas nas rádios, mas calavam a boca quando viam o grupo em ação. Os músicos sempre foram extremamente competentes e seus guitarristas (primeiro John Norum, depois Kee Marcelo) sempre foram extremamente respeitados. Aliás, considero John Norum um dos grandes músicos da sua geração, lado a lado com nomes de peso como George Lynch, Warren De Martini, Jake E Lee, Reb Beach (que embora atualmente seja guitarrista secundário no Whitesnake, fez trabalhos simplesmente fantásticos ao lado do Winger). E é justamente ele quem está no posto hoje. A banda conta com sua formação clássica. Joey Tempest não tem mais aquele alcance que estávamos acostumados a ver nos VHS´s lançados durante a tour do Final Countdown, mas ainda faz bonito. E Ian está cada vez mais preciso...

A apresentação traz duas participações super especiais. O guitarrista Scott Gorham do Thin Lizzy relembrando o clássico “Jailbreak” (não é a do AC/DC, é a do Thin Lizzy mesmo) e o também guitarrista Michael Schenker relembrando seus tempos de Ufo com “Lights Out”. Outros dois grandes músicos, por sinal.

Embora tenha faltado algumas músicas que gostaria de ouvir, o resultado é bem bacana. Talvez os fãs mais antigos fiquem um pouco com indignados com a mudança de direção musical dos rapazes, mas não dá para negar a qualidade musical dos mesmos, nem dá para dizer que o show deixe a desejar, longe disso. Até porque os discos que eles têm apresentado, tem sido bem legais. Várias canções bem bacanas desses trabalhos são apresentadas aqui, podendo servir de referência para quem está por fora do trabalho atual do grupo. Da nova fase, destacaria “Not Supposed to Sing The Blues”, “The Beast”, “New Love In Town’ e “Last Look at Eden”. Das classiconas, fico com “Let The Good Times Rock”, “Superstitious”, “Wings of Tomorrow” e “Open Your Heart” (que ganhou uma versão acústica bem interessante). Grande apresentação de uma grande banda!

Nota: 08 / 10
Status: Divertido

Faixas:

CD 01:
      01)   Riches to Rags
      02)   Firebox
      03)   Not Supposed to Sing The Blues
      04)   Scream of Anger
      05)   Superstitious
      06)   Not Stone Unturned
      07)   New Love In Town
      08)   In The Future to Come
      09)   Paradize Bay
      10)   Girl From Lebanon
      11)   Prisoners in Paradise
      12)   Always The Pretenders
      13)   Drink and Smile
      14)   Open Your Heart
      15)   Love Is Not The Enemy
      16)   Sign of the Times

CD 02:
      01)   Start From The Dark
      02)   Wings of Tomorrow
      03)   Carrie
      04)   Jailbreak (c/ Scott Gorham)
      05)   Seven Doors Hotel
      06)   Drum Solo
      07)   The Beast
      08)   Let The Good Times Rock
      09)   Lights Out (c/ Michael Schenker)
      10)   Rock The Night
      11)   Last Look At Eden
      12)   The Final Countdown

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Agridoce - 20 Passos DVD (2012)



Por Davi Pascale

A banda Pitty ficou um tempo de férias, contudo, isso não impediu que cantora soteropolitana lançasse um material novo nesse meio tempo. Ao lado do guitarrista Martin (Pitty, ex-Cascadura), a ídola da juventude resolveu lançar um trabalho que é exatamente o oposto que sua banda principal costuma fazer: disco em um formato meio que acústico com linhas vocais mais suaves. E o trabalho ficou bom! Quem ainda não ouviu, consegue ter uma base por esse documentário realizado em parceria com a Multishow.

Para esse projeto, os músicos se trancaram em uma casa na Serra da Cantareira e levaram o equipamento de gravação para lá. Sem internet, sem telefone, sem entrevistas no caminho, conseguiram focar 100% na produção do disco. Sem músicos extras, os dois não tinham empecilho e, portanto, começaram a experimentar novos sons nos instrumentos, fazer aquilo que desse na telha. 

O vídeo mostra o ar de descontração que fluiu das gravações e das criações das músicas. As canções foram compostas basicamente em piano e violão. O produtor Rafael Ramos ficou responsável pela gravação e não perdia a oportunidade de dar seus pitacos nos arranjos. Alguns aceitos pela dupla, outros não. 

Video traz imagens das gravações


Durante pouco mais de 50 minutos o curta mostra como os músicos criaram as canções, como foram realizadas as gravações, como surgiam as linhas melódicas, além de algumas brincadeiras que faziam entre eles. Às vezes, essas brincadeiras vinham em forma de música como o “Beethoven´s Blues”, com letra baseada no cachorro que rondava a casa, ou “Amor Promiscuo”.

Por essas e outras o filme acaba sendo interessante até para quem não é fã de Pitty. Todo fã de música que se preze tem a curiosidade de saber como funciona a gravação e criação de um álbum. Todo músico que se preze tem curiosidade em saber como o artista criou determinado som. Com certeza, essa é uma das fitas musicais nacionais mais interessantes que assisti nos últimos tempos. Deixe o preconceito de lado e assista!