quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Europe – Live At Sweden Rock: 30th Anniversary Show (2013)





Por Davi Pascale

A banda sueca Europe completou 30 anos de estrada. E, para celebrar, resolveram colocar no mercado um CD e DVD ao vivo com uma apresentação realizada no Sweden Rock Festival, o maior festival música de seu país. Por mais de duas horas, os músicos fazem uma apresentação pesada e contagiante.

Esqueça daquele Europe que invadiu as rádios nos anos 80 com uma sonoridade hard pop à la Bon Jovi. Para dizer a verdade, eu gosto muito daquela fase, mas o grupo está cada vez mais distante dessa sonoridade. Os teclados diminuíram, o peso da guitarra subiu, o alcance vocal desceu (esse, provavelmente, por conta da idade). Quem tem acompanhado o grupo desde que retornaram com o (ótimo) Start From The Dark, sabe que a proposta do grupo hoje é outra.

Esse não é um trabalho criado a partir da releitura de velhos hits. Vários deles, inclusive, ficaram de fora como “Cherokee”, “I´ll Cry For You”, “Dance The Night Away” (não confundir com a do Van Halen)... A jogada deles foi pegar canções dos seus álbuns mais recentes e misturar as canções antigas que mais se aproximavam da proposta. O set é bem dosado. Dos 5 primeiros discos, entraram 3 músicas por álbum...  Entretanto, daquelas com uma pegada mais comercial, marcam presença somente as que não têm como negar. E, pelo visto, isso não irá mudar.

Quando escrevia para a revista RockLife tive a oportunidade de bater um papo com o baterista Ian Haughland por telefone, quando eles estavam no estúdio gravando o que viria a ser o Secret Society, e ele me confidenciou que os músicos não morrem de amores pelo material dessa época mais popular. Que eles tocam algumas músicas em respeito aos fãs, mas que aquele não era exatamente o som que queriam fazer. Que ele considera o trabalho atual mais honesto. Portanto, é bom irem se acostumando com a ideia...


Apresentação foi gravada diante de uma enorme plateia no Sweden Rock Festival

Em relação à técnica, não dá para questiona-los. Essa é uma daquelas bandas que a galera tendia a tirar sarro quando olhavam para o visual ou ouviam as baladas mais melosas nas rádios, mas calavam a boca quando viam o grupo em ação. Os músicos sempre foram extremamente competentes e seus guitarristas (primeiro John Norum, depois Kee Marcelo) sempre foram extremamente respeitados. Aliás, considero John Norum um dos grandes músicos da sua geração, lado a lado com nomes de peso como George Lynch, Warren De Martini, Jake E Lee, Reb Beach (que embora atualmente seja guitarrista secundário no Whitesnake, fez trabalhos simplesmente fantásticos ao lado do Winger). E é justamente ele quem está no posto hoje. A banda conta com sua formação clássica. Joey Tempest não tem mais aquele alcance que estávamos acostumados a ver nos VHS´s lançados durante a tour do Final Countdown, mas ainda faz bonito. E Ian está cada vez mais preciso...

A apresentação traz duas participações super especiais. O guitarrista Scott Gorham do Thin Lizzy relembrando o clássico “Jailbreak” (não é a do AC/DC, é a do Thin Lizzy mesmo) e o também guitarrista Michael Schenker relembrando seus tempos de Ufo com “Lights Out”. Outros dois grandes músicos, por sinal.

Embora tenha faltado algumas músicas que gostaria de ouvir, o resultado é bem bacana. Talvez os fãs mais antigos fiquem um pouco com indignados com a mudança de direção musical dos rapazes, mas não dá para negar a qualidade musical dos mesmos, nem dá para dizer que o show deixe a desejar, longe disso. Até porque os discos que eles têm apresentado, tem sido bem legais. Várias canções bem bacanas desses trabalhos são apresentadas aqui, podendo servir de referência para quem está por fora do trabalho atual do grupo. Da nova fase, destacaria “Not Supposed to Sing The Blues”, “The Beast”, “New Love In Town’ e “Last Look at Eden”. Das classiconas, fico com “Let The Good Times Rock”, “Superstitious”, “Wings of Tomorrow” e “Open Your Heart” (que ganhou uma versão acústica bem interessante). Grande apresentação de uma grande banda!

Nota: 08 / 10
Status: Divertido

Faixas:

CD 01:
      01)   Riches to Rags
      02)   Firebox
      03)   Not Supposed to Sing The Blues
      04)   Scream of Anger
      05)   Superstitious
      06)   Not Stone Unturned
      07)   New Love In Town
      08)   In The Future to Come
      09)   Paradize Bay
      10)   Girl From Lebanon
      11)   Prisoners in Paradise
      12)   Always The Pretenders
      13)   Drink and Smile
      14)   Open Your Heart
      15)   Love Is Not The Enemy
      16)   Sign of the Times

CD 02:
      01)   Start From The Dark
      02)   Wings of Tomorrow
      03)   Carrie
      04)   Jailbreak (c/ Scott Gorham)
      05)   Seven Doors Hotel
      06)   Drum Solo
      07)   The Beast
      08)   Let The Good Times Rock
      09)   Lights Out (c/ Michael Schenker)
      10)   Rock The Night
      11)   Last Look At Eden
      12)   The Final Countdown

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Agridoce - 20 Passos DVD (2012)



Por Davi Pascale

A banda Pitty ficou um tempo de férias, contudo, isso não impediu que cantora soteropolitana lançasse um material novo nesse meio tempo. Ao lado do guitarrista Martin (Pitty, ex-Cascadura), a ídola da juventude resolveu lançar um trabalho que é exatamente o oposto que sua banda principal costuma fazer: disco em um formato meio que acústico com linhas vocais mais suaves. E o trabalho ficou bom! Quem ainda não ouviu, consegue ter uma base por esse documentário realizado em parceria com a Multishow.

Para esse projeto, os músicos se trancaram em uma casa na Serra da Cantareira e levaram o equipamento de gravação para lá. Sem internet, sem telefone, sem entrevistas no caminho, conseguiram focar 100% na produção do disco. Sem músicos extras, os dois não tinham empecilho e, portanto, começaram a experimentar novos sons nos instrumentos, fazer aquilo que desse na telha. 

O vídeo mostra o ar de descontração que fluiu das gravações e das criações das músicas. As canções foram compostas basicamente em piano e violão. O produtor Rafael Ramos ficou responsável pela gravação e não perdia a oportunidade de dar seus pitacos nos arranjos. Alguns aceitos pela dupla, outros não. 

Video traz imagens das gravações


Durante pouco mais de 50 minutos o curta mostra como os músicos criaram as canções, como foram realizadas as gravações, como surgiam as linhas melódicas, além de algumas brincadeiras que faziam entre eles. Às vezes, essas brincadeiras vinham em forma de música como o “Beethoven´s Blues”, com letra baseada no cachorro que rondava a casa, ou “Amor Promiscuo”.

Por essas e outras o filme acaba sendo interessante até para quem não é fã de Pitty. Todo fã de música que se preze tem a curiosidade de saber como funciona a gravação e criação de um álbum. Todo músico que se preze tem curiosidade em saber como o artista criou determinado som. Com certeza, essa é uma das fitas musicais nacionais mais interessantes que assisti nos últimos tempos. Deixe o preconceito de lado e assista!

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Tambalane - Tambalane (2005)

Tambalane – Tambalane (2005)

Por Rafael Menegueti

Tambalane - Tambalane
Às vezes existem projetos paralelos que acabam não tendo a atenção e o reconhecimento que mereceriam. Bandas que poderiam ter nos proporcionado excelentes trajetórias com ótimos trabalhos, mas que por azar ou falta de interesse de alguém, acabam não passando de meros projetos paralelos, descartados logo depois. Infelizmente esse foi o caso do Tambalane. Quando o baterista do Silverchair, Ben Gillies, se juntou ao então desconhecido Wes Carr, que depois viria a vencer o reality show musical “Australian Idol”, a idéia era criar uma banda que unisse um pop rock mais moderno com o classic rock que tanto fazia a cabeça dos dois.

O único disco da banda, lançado em 2005, é uma combinação perfeita de elementos e influencias que vão de rockabilly e folk até o indie rock atual. Num tom de positivismo, o disco abre com “Free”, faixa que chegou a ser hit na Austrália na época. Esse tom é o que encontramos por todo o álbum. Recheado de faixas radiofônicas e gostosas de se ouvir. As letras são divertidas e simples, falando sobre temas diversos, sem grandes pretenções. O objetivo do Tambalane é a simplicidade apenas.

“Little Miss Liar”, o outro single desse trabalho, tem uma refrão cativante e que facilmente ganha o ouvinte. “Sail” tem mais pegada de rock alternativo dos anos 90, e dá uma cara bem moderna ao disco. “All Wounds Heal” já faz a linha baladinha motivacional. “Become” tem uma clara influencia de Beatles, é uma das mais cativantes do álbum. “Livin’ On the Upside” faz a linha rockabilly bem ao estilo clássico, e é uma das mais animadas do disco, assim como “Skywalk”. “Jungle” tem uma levada mais arrastada, com uma linha de guitarra bem interessante.

Os membros do Tambalane, Ben Gillies (esq.) e Wes Carr (centro)  em destaque

Quando o disco vai se aproximando do fim, ele vai ficando ainda melhor. “Dreammaker” é de longe minha faixa preferida. Poderia ter sido hit facilmente com seu refrão pegajoso e a boa sonoridade vinda dos teclados e da guitarra. Já “Just My Luck”se destaca pela levada com uma slide guitar. O disco encerra com estilo com outra de minhas músicas favoritas, a tocante “Mannequin Parade”.

Em seu único lançamento, o Tambalane conseguiu se mostrar uma ótima banda e me faz lamentar bastante ter durado tão pouco. Segundo dizem, após esse lançamento, uma disputa entre Wes Carr e Bem Gillies por liderança no grupo, já que ambos comporam juntos quase tudo, fez com que eles se afastassem e o projeto caísse no esquecimento. Tristemente, mais uma ótima banda que passa desapercebida quando poderia ter sido bem melhor aproveitada.

Nota:9/10
Status: Empolgante

Faixas:

  1. Free
  2. Back to You
  3. Little Miss Liar
  4. Sail
  5. All Wounds Heal
  6. Become
  7. Livin’ On the Upside
  8. Skywalk
  9. Jungle
  10. Dreammaker
  11. Just My Luck
  12. Mannequin Parade
Tambalane - Free