sábado, 28 de junho de 2014

Blondie – Live! Toronto, Canada 1982 DVD





Por Davi Pascale


Vira e mexe, nos deparamos com shows históricos à preço de banana nos mercados, lojas de conveniência e até mesmo megastores. O fato desses lançamentos não terem apoio do artista principal, nem de sua gravadora, faz com que muitos fãs fiquem com um pé atrás na hora de adquiri-los. Lançado pela Movieplay em 2007, e facilmente encontrado ainda hoje, esse vídeo é um dos poucos registros ao vivo da primeira fase do Blondie e torna-se aquisição obrigatória para seus fãs. 

Aquisição obrigatória não apenas por ser um dos shows da fase inicial, mas também por ser um dos últimos shows da fase inicial. A apresentação foi exibida na época pela HBO para o público norte-americano e teve lançamento em VHS. Incrível, não ter sido lançado oficialmente em DVD. É verdade que o grupo não atravessava seu melhor período, mas ainda assim era uma boa performance. Sem contar que esse é aquele show meio cult. Todo mundo sabe que existe, conhece, quer ter e não encontra, saca?

Como disse, estavam em um período delicado. A banda atravessava crises internas, seus dois últimos álbuns – Autoamerican e The Hunter – não haviam tido o êxito que esperavam e sua cantora, a playmate Debbie Harry (exatamente. Você não entendeu errado. Ela foi coelhinha da Playboy) começava a ganhar asas. Já havia lançado seu primeiro álbum solo (o bom, Kookoo) e já era tratada como destaque do conjunto pela mídia.

A situação fica nítida enquanto assistimos o vídeo. Debbie Harry é de longe, a mais animada do grupo. Dança, sensualiza mexendo nos cabelos, rebolando, enquanto outros músicos (inclusive seu marido e líder da banda, Chris Stein) parecem mais distantes, mais abalados. O que não é uma surpresa, uma vez que a gira não estava sendo um sucesso. A tour, inclusive, foi encurtada e teve vários shows cancelados. Como curiosidade, vale citar que o grupo Duran Duran era número de abertura em várias apresentações.

Capa do compacto de "Island of Lost Souls", musica que estava sendo trabalhada na época

Embora fosse uma mulher bonita, Debbie Harry não era somente mais um rostinho bonito. A moça realmente cantava bem. E isso fica nítido nessa performance. Sem contar que ela foi influência direta para vários grandes nomes de cena pop e da cena rock. Podemos citar, sem medo de errar, nomes como No Doubt, Paula Toller, Cardigans e até mesmo, Madonna. O grupo também contava com bons músicos, com destaque para o baterista Clem Burke, que tocava com vontade. Falharam, contudo, ao interpretar “Start Me Up” dos Rolling Stones. Amo Stones e gosto muito do Blondie, mas fica aquela sensação de estar faltando algo, sem contar que o teclado de James Destri não caiu bem nessa música.

As outras 10 faixas são do repertório do conjunto. 3 de seu até então mais recente álbum The Hunter e 7 clássicos. E nessas, se saem muito bem. Os arranjos são muito bem executados. Passam pelos seus principais hits como “Heart of Glass”, “Call Me” e “Hanging On The Telephone”. Claro que pela apresentação não estar na integra, faltam músicas como “Rip Her to Shreds” e “X Offender”. Do álbum de 1982, mandaram o single “Island of The Lost Souls” (a tentativa de compor uma nova “The Tide Is High”) e as boas “Danceway” e “War Child”. Gostaria de ter assistido eles tocarem “English Boys”, escrita em homenagem ao John Lennon que havia sido assassinado em Dezembro de 1980. Mas não rolou...

Durante quase uma hora o grupo nos apresenta o melhor de seu famoso caldeirão de pop, rock, new wave, disco, funk e reggae. Todos esses ingredientes estão juntos, misturados. E é justamente esse inusitada fusão que os transforma em um grupo único. Na esperança para que saia mais algum show dessa primeira fase. Gostaria muito de assistir alguma apresentação da tour do Eat To The Beat. Quem sabe um dia aparece por aí...


Nota: 8,0/10,0
Status: Apresentação clássica


Faixas:

      01)   Rapture
      02)   Island Of The Lost Souls
      03)   Danceway
      04)   The Tide Is High
      05)   Heart of Glass
      06)   Hanging on the Telephone
      07)   Dreaming
      08)   One Way Or Another
      09)   War Child
      10)   Start Me Up
      11)   Call Me

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Noticias do rock! (parte 2, pra não ficar por fora)

Por Rafael Menegueti

Primeiro álbum solo de Detonator sairá em julho

Bruno Sutter: o Detonator vem aí!

O ex-vocalista do Massacration, Detonator, personagem do humorista, músico e apresentador Bruno Sutter, já está com seu primeiro disco solo no forno, pronto para ser lançado. O disco, que irá se chamar “Metal Folclore: The Zuera Never Ends”, é totalmente em português e, como o nome sugere, tem como temática o folclore brasileiro. O disco ainda conta com participações especiais de Edu Ardanuy, Rafael Bittencourt, Felipe Andreoli, João Gordo e Alexandre Frota(!), entre outros. Portanto anote aí: o disco saí dia 17 de julho.

Avenged Sevenfold relança seu segundo disco “Waking the Fallen” em versões especiais

Avenged Sevenfold está cheio de trabalho
A banda de metal californiana irá relançar em agosto o seu segundo disco de estúdio, lançado originalmente em 2003, em versões CD duplo ou vinil quádruplo mais um DVD. No material, poderemos conferir demos, versões alternativas e faixas bônus desse clássico da banda. O DVD conterá um documentário sobre o disco e videoclipes. A banda está bastante empolgada em lançar novidades. Em breve eles terão seu próprio jogo para smartphones e mais um DVD, que se chamará “This Is Bat Country”.

Exodus vem ao Brasil em outubro

Exodus virá novamente ao Brasil
Os fãs da clássica banda de thrash metal Exodus já podem se preparar pro mosh pit. A banda confirmou uma turnê pela America Latina, com 3 shows no Brasil. Os fãs poderão conferir o grupo de Gary Holt e companhia em Belém (01/10), São Paulo (04/10) e Rio de Janeiro (05/10). O show em São Paulo será no Carioca Club, e os ingressos começam a ser vendidos em julho.

Mick Jagger confirma fama de pé frio na Copa do Mundo

Se depender dos fãs de futebol e torcedores que acompanham a Copa do Mundo da FIFA, o líder do Rolling Stones, Mick Jagger, não poderá passar sequer perto do estádio onde suas seleções irão jogar. A fama de pé frio do músico foi confirmada mais uma vez nesse mundial, depois de ele já ter virado motivo de piada na Copa da África do Sul em 2010. Agora, pouco depois de postar uma mensagem de incentivo à seleção inglesa, a mesma foi eliminada do mundial. Não satisfeito ele fez outra “vitima”: a seleção italiana. Isso porque ele cravou a Azurra como a campeã da Copa, e os italianos acabaram eliminados pelo Uruguai. Vamos torcer agora para que ele não decida torcer pelo Brasil. Quem sabe se alguém mandar uma camisa da seleção da Argentina pra ele, hein?

Delain troca de baterista

Sander (primeiro à esquerda) está de saída do Delain
Os holandeses do Delain anunciaram em sua pagina no facebook recentemente que, após os shows que irão rolar nos festivais do verão europeu, o baterista Sander Zoer irá deixar o posto no grupo. O músico estava na banda desde 2007, quando a banda começou a excursionar ainda como um projeto, e será substituído por Ruben Israel. Ruben já havia substituído Sander durante a turnê abrindo para o Kamelot nos EUA, no ano passado. Apesar de não tocar mais com o grupo, Zoer deverá permanecer próximo do mesmo, mas atuando em atividades de bastidores e gerenciamento.

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Noticias do Rock (Pra Não Ficar Por Fora)



Por Davi Pascale
 

Queen: Novo DVD à caminho



O grupo britânico Queen lançará mais um DVD ao vivo. E, sim, com Freddie Mercury nos vocais. Trata-se de uma apresentação histórica. A primeira tour que fizeram como headliners. O vídeo será duplo e trará duas apresentações realizadas em Londres. A primeira filmada em Março e a segunda filmada em Novembro do mesmo ano. Live At The Rainbow ´74 terá uma edição de luxo que trará um livro de 60 páginas, replica do ingresso, tourbook, pôster e passagem de backstage. Imperdível! Confira o trailer do vídeo!




Nightwish trabalhando em novo álbum


A cantora Floor Jansen, que deu o que falar na mídia nos ultimos tempos por ter tido alguns ataques de pitis durante sua ultima passagem ao Brasil, anunciou em sua página oficial do Facebook que a partir de agora estará 100% centrada na criação do novo álbum do Nightwish. Segundo a cantora, ela tem apenas mais duas datas para cumprir em Agosto e não fará mais nenhum show este ano. Disse ainda que os ensaios com o Nightwish já começam em Julho.


Kiss inicia nova turnê



O grupo norte-americano Kiss iniciou sua nova tour na ultima segunda-feira (23) em Salt Lake City. A nova gira é uma comemoração aos 40 anos de banda e está sendo realizada juntamente com o Def Leppard. O grupo também soltou no mercado uma nova coletanea dupla, "40", que traz 4 faixas inéditas (1 demo e 3 ao vivo). Os mascarados estão começando o show com "King of the Knightime World". A música já tinha sido utilizada como número de abertura na tour do Dynasty e tem dividido a opinião dos fãs. O grupo promete mudar algumas musicas de show para show. Na primeira apresentação da tour, surpreenderam todos com a inclusão de "Hide Your Heart" (Hot In The Shade). Já existem boatos sobre a nova tour passar pelo Brasil no final do ano. Será? 

 
Courtney Love afirma que Kurt Cobain sempre quis ser um rockstar



A líder do Hole afirmou no documentário The 90s: The Last Great Decade? que o líder do Nirvana corria atrás de selos o tempo todo e sempre desejou ser um astro do rock, contrariando a famosa teoria de que o sucesso o deprimia. Segundo a cantora, o que o assustava era o fato de ser tratado como “a voz da geração”. O especial será transmitido dia 6 de Julho nos Estados Unidos e conta com depoimentos inéditos de Butch Vig (baterista do Garbage e produtor do Nevermind) e imagens de arquivo de Kurt Cobain.


Paula Toller lança novo single



A cantora do Kid Abelha está para lançar seu terceiro trabalho solo de inéditas, conforme já foi comentado por aqui. O disco que recebe o nome de Transbordada e conta com a produção do lendário Liminha já está com uma faixa nas rádios. Escuta aí.

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Entrevista: Zuberoa Aznárez, vocalista do Diabulus In Musica

Por Rafael Menegueti, colaborou Davi Pascale

Uma das melhores bandas da nova safra do metal sinfônico europeu é o Diabulus In Musica, da Espanha. O grupo lançou recentemente seu terceiro álbum, “Argia”, e vem crescendo na cena ao longo do tempo. “Argia” vem fazendo sucesso entre os fãs do gênero, e não é por acaso. O disco é um dos melhores do estilo lançado esse ano e mostra uma grande evolução na sonoridade do quinteto espanhol. Para conhecer mais sobre essa banda e seu trabalho, tive o prazer de conversar com a vocalista do grupo, Zuberoa Aznárez. Veja abaixo o que ela falou sobre o novo disco, e sobre a historia da banda:

Zuberoa Aznárez
Riff Virtual: Primeiro, eu gostaria de saber sobre o sua historia. Como você começou a cantar e como a banda começou?

Zuberoa Aznárez: Eu canto desde quando me lembro. Minha mãe conduzia um coral de crianças, então eu costumava ir aos ensaios e aprendia todas as vozes de cor, até que eu cresci e comecei a cantar lá também. Quando eu tinha 8 anos comecei a aprender teoria musical e flauta. Nos também estudamos canto a capela na época, mas para uma criança não é fácil aprender técnicas vocais enquanto sua voz se desenvolve, então é melhor começar dos 16 anos pra frente. De qualquer modo, essas lições foram úteis pois você desenvolve uma capacidade de ouvir o resto das vozes e aprender outras habilidades: expressão, afinação... Eu comecei a aprender canto clássico quando tinha uns 20 anos. Ao mesmo tempo, eu comecei a cantar em uma banda de rock e um pouco mais tarde uma banda de metal me convidou para cantar com eles também. Gorka (Elso, tecladista do Diabulus In Musica) estava lá e quando a banda estava pra acabar eu pensei em montar uma nova e chamei Gorka pra nos juntarmos. Eu mostrei a ele algumas músicas que eu tinha escrito, ele gostou e assim nasceu o Diabulus In Musica.

R.V.: Neste novo álbum, “Argia”, a banda tem uma nova formação. Você acha que essas mudanças melhoraram sua musica em comparação aos trabalhos anteriores?

Z.A.: Os novos membros não participaram da composição de “Argia”, exceto por alguns riffs, pois Gorka e eu já estávamos trabalhando nisso quando eles se juntaram, então nos preferimos que eles se focassem em aprender as musicas antigas. De todo modo, eu estou ansiosa para trabalhar com eles nas composições também. Tenho certeza que podemos fazer coisas legais juntos agora.


R.V.: Qual é o conceito ou a idéia por trás desse novo álbum?

Z.A.: Argia significa luz ou claro em nossa língua regional, basco. Esse título de um certo modo reflete como nós nos sentimos agora. Gorka e eu tivemos que começar do zero quando os outros membros da banda saíram. Isso foi muito difícil no começo, mas nós conseguimos escrever novas músicas, encontrar novos membros e fazer alguns shows em apenas um ano. Por outro lado, essa situação e algumas outras pelas quais eu passei ao mesmo tempo me fizeram sobre alguns comportamentos humanos e me fizeram tentar entender melhor os outros e a mim mesma. Então, basicamente, esse é o conceito ao qual ele se refere. Esse é o álbum mais pessoal até agora e ele fala sobre alguns fatos, sentimentos, pensamentos ou situações que eu vivi nos últimos dois anos.

R.V.:Vocês tiveram a colaboração da Ailyn do Sirenia neste álbum, e do Mark Jansen, do Epica, no anterior (“The Wanderer”). Como surgiram essas participações especiais?

Z.A.: Eu imediatamente pensei na Ailyn para cantar essa música (“Fúria de Libertad”) comigo pois somos amigas e ambas somos da Espanha. Alem disso, Nós temos vozes diferentes que complementam uma à outra muito bem, então eu perguntei se ela gostaria de participar dessa canção. Ela gosta bastante da banda, estão ela prontamente aceitou e eu fiquei muito feliz em ter a bela voz dela em uma de nossas musicas! Sobre o Mark, nós queríamos uma colaboração “não melódica”, então primeiro pensamos em alguma banda de death metal, mas como somos bons amigos do Ad Sluijter (ex-guitarrista do Epica), então nós percebemos que podíamos contatar o Mark. Ele nos contou que realmente gostava do que fazemos e aceitou cantar também. Foi ótimo termos ele no disco.

R.V.: Esse ano vocês irão tocar novamente no Metal Female Voices Fest (festival belga apenas com bandas de vocal feminino). Qual é a importância desse festival na historia da banda?

Z.A.: Nós temos sorte de termos tocado lá mais de uma vez e agora a família MFVF é nossa família também. Amamos tocar lá e mal podemos esperar para voltar! Compartilhamos muitos bons momentos com fãs, organizadores, equipes e outras bandas. Tem uma atmosfera muito especial e um contato muito direto com o público. Isso é o que faz esse festival tão especial. Alem do mais, foi o primeiro festival que nos deu a oportunidade de tocar fora de nosso país e repetir. Então somos muito gratos aos organizadores e ao publico que nos quiseram de volta. Por esse motivo, nós sempre tentamos fazer algo especial lá. Nós costumamos levar um pequeno coral e fazer algo mais do que apenas tocar. Com certeza esse ano faremos algo especial também, mas ainda é cedo para dar detalhes.

Diabulus In Musica: Apenas Gorka Elso (2º da esq. pra dir.) e Zuberoa da formação original
R.V.: Na sua opinião, qual é o próximo passo para a banda? O que você espera conseguir com o Diabulus In Musica no futuro?

Z.A.: Eu sempre tento viver com o suficiente para isso, então cada pequena conquista é como um presente. Eu faço música apenas por que eu amo isso e eu sou muito grata por poder  ter a chance de espalhar isso. Alguns anos atrás nós nunca poderíamos imaginar que estaríamos onde estamos agora. De qualquer forma, o que eu realmente amaria alcançar seria poder viver de música, ou pelo menos sobreviver.

R.V.: A banda tem algum plano para um DVD ao vivo?

Z.A.: Não no momento, porque isso depende da gravadora. Mas, se nós o fizéssemos, seria em um show bem especial. Estamos tentando organizar algo especial para o ano que vem, então, se tudo correr como planejamos, com certeza iremos gravá-lo!

R.V.: O metal sinfônico é muito popular no Brasil e em toda a América Latina. Está nos planos da banda fazer uma turnê pela América Latina? O que você pode dizer aos seus fãs brasileiros?

Z.A.: Nós amaríamos! Tocamos uma vez no México e foi incrível, então não podemos esperar para voltar. Mas, infelizmente, organizar uma turnê ou abrir para outra banda é muito caro e nós não temos todo esse poder econômico, então em nosso caso fica impossível no momento. Outra possibilidade para ir seria qualquer produtor ou festival querer nos levar, então espalhe a noticia sobre a gente. E claro, se alguma chance de fazer uma turnê completa surgir, nós vamos fazer com muita alegria, é algo que estamos trabalhando duro para conseguir. Sabemos que temos fãs no Brasil e o quanto o público aí é maravilhoso, então seria como um sonho visitá-los.