sábado, 14 de junho de 2014

Noticias do Rock (Pra Não Ficar por Fora)



Por Davi Pascale 

Within Temptation retorna ao Brasil

Os fãs da belíssima Sharon Den Adel já podem comemorar! A Dark Dimensions confirmou o retorno do grupo holandês para 3 concertos em nosso país no mês de Novembro. A notica foi anunciada na página oficial que a empresa Metal Concerts tem no Facebook. Os shows ocorrem dia 28 de Novembro em Recife (Clube Português do Recife), 29 de Novembro no Rio de Janeiro (Circo Voador) e 30 de Novembro em São Paulo (Via Marques).

  Grunge Beatles

O baterista Matt Cameron (Soundgarden, Pearl Jam) e o baixista Ben Shepherd (Soundgarden) estão unindo forças à Alain Johaness (Queens Of The Stone Age) e Dimitri Coats (Off!) para uma nova banda. O projeto havia sido idealizado em 2008, mas somente agora toma forma. Coats declarou que considera a sonoridade do conjunto um grunge Beatles. Já existem dez faixas que estão sendo trabalhadas para um futuro álbum.

 Novo álbum tributo ao The Doors à caminho

No dia 24 de Junho será lançado pela Pyramid Purple Records um novo álbum tributo ao The Doors. Embora os fãs do lizard king não sejam muito receptivos à outros artistas interpretando as canções do grupo, parece que dessa vez vai ser difícil conseguirem pisotear o projeto. Entre os músicos participantes estão nomes do calibre de Ian Gillan, Steve Morse, Rick Wakeman, Edgard Winter e Joe Lynn Turner, somente para citar alguns. Esse promete!  

 Revista Mojo faz homenagem à música brasileira

Enquanto os brasileiros estão reclamando (com razão) da infame abertura da Copa do Mundo e de toda a roubalheira em torno do evento, a revista inglesa Mojo resolveu comemorar o torneio disponibilizando no site oficial da publicação uma lista com 15 músicas brasileiras. Entre os escolhidos estão os grupos Novos Baianos e Mutantes. Para ver a lista completa (com texto em inglês, obvio), clique aqui http://www.mojo4music.com/15033/15-amazing-brazilian-songs/

                                  Rob Zombie atacando movimento grunge

Em recente entrevista à publicação Classic Rock, o cantor Rob Zombie declarou que considera o Nirvana e o grunge como os responsáveis por terem afastado a juventude do rock. Segundo a tese dele, os garotos hoje recorrem ao rap porque os artistas de rap pregam hoje o que os artistas de rock pregavam nos anos 80. Gene Simmons já tinha declarado algo parecido em relação ao rap atual. Entretanto alguém precisa avisar ele, que o rock continuou dominando as paradas com o britpop, o new metal, o rock industrial...

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Raimundos X Rodolfo – Quando a hipocrisia fala mais alto!

Por Rafael Menegueti

Na ultima semana, Rodolfo Abrantes, ex-vocalista do Raimundos, reacendeu uma polemica que parecia ter acabado. Tudo começou com uma declaração em entrevista a revista Trip. O ex-Raimundos, que hoje é cantor evangélico e pastor, afirmou que está 100% arrependido de suas letras na antiga banda. Antes, ele já havia afirmado que sentia vergonha de suas músicas. Se para ele, aquilo era apenas mais um testemunho de sua mudança de vida, após se converter ao protestantismo, para seus ex-companheiros, foi um insulto.

Digão e Canisso, membros originais do Raimundos que ainda seguem na banda, usaram as redes sociais para manifestar sua indignação com Rodolfo. “100% arrependido, mas 100% usufruindo dos direitos autorais das músicas”, bradou Digão pelo Facebook. Canisso por sua vez foi ainda mais contundente em sua critica. Chamou Rodolfo de hipócrita e mentiroso, e disse que é contraditório ele se arrepender mas usufruir desse dinheiro sem culpa. “Passam os anos e nada, nosso Rodolfo morreu mesmo... Triste, não conheço esse parvo aí”, completou Canisso em seu twitter.

Raimundos: Irritação com a postura de Rodolfo Abrantes
Rodolfo até tentou se expicar, alegando que não pretendia denegrir ou expor seus ex-companheiros, e afirmou que recebe dinheiro por todas as suas composições, não apenas no Raimundos, e que seu arrependimento era com base em sua fé cristã, sendo apenas sobre seus pecados, e por não ter usado sua fama para influenciar positivamente quem o ouvia. Mas essa explicação não convenceu Digão, que rebateu em seguida, afirmando que ele só é lembrado pelo que fez no Raimundos, e, portanto, o que ele recebe em direitos corresponde em grande parte a sua ex-banda.

Mas afinal, porque essa briga toda me chamou a atenção a ponto de eu fazer esse texto aqui? Eu explico. Em minha opinião, o que incomoda os ex-companheiros do Raimundos não é o dinheiro, tampouco a religião de Rodolfo. O que os incomoda, e nesse ponto eu concordo com eles, é a insistência de Rodolfo em, após todos esses anos, afirmar que o trabalho dele com o Raimundos foi errado. Rodolfo sempre fala de sua ex-banda de modo negativo, quando na verdade, quem tinha problemas era ele.

Rodolfo mudou de vida em 2001, após 14 anos a frente do grupo brasiliense, depois de se converter ao cristianismo e buscando se libertar de problemas relacionados às drogas. Mas seu vicio e seus problemas pessoais não foram causados pelo Raimundos. Foi Rodolfo quem escolheu viver daquele modo. Se ele mudou de vida, isso não deveria significar virar as costas para aqueles com quem ele antes tinha uma boa relação e ainda culpar seu passado ao lado deles por seus erros. Imagine como isso deve soar ofensivo para Digão e Canisso. Ser destratado por uma pessoa como se eles fossem relacionados aos problemas dela.


Se Rodolfo errou na vida, o Raimundos não foi esse erro. Desde 1994, quando a banda lançou seu primeiro álbum, foi o Raimundos que pôs comida em sua mesa. Dizer que está arrependido disso, como se esse fosse seu erro, não só é contraditório, como é desrespeitoso. O Raimundos precisou suar a camisa e se reconstruir totalmente após sua saída, ele não tem o direito de tratá-los assim.

Não há nada de errado em fazer música irreverente como a do Raimundos. Nunca foi errado ser um rockeiro e viver esse sonho. O que você faz e escolhe fazer junto com isso é que pode ser um problema. E isso me faz pensar que, se Rodolfo realmente associa sua ex-banda aos seus erros e escolhe se distanciar e se arrepender disso, no fundo, ele só quer transferir essa responsabilidade. Ele, na verdade, apesar de seu discurso, segue querendo ter sua imagem limpa e seu bolso cheio, mas a cabeça está vazia.

quinta-feira, 12 de junho de 2014

O Som da Copa




Por Riff Virtual

Hoje é dia de copa. E em nosso blog não poderia ser diferente. Resolvemos celebrar o início da Copa 2014 relembrando músicas e clipes relacionados ao tema. E como o evento esse ano ocorre no Brasil, resolvemos selecionar apenas canções brasileiras. Confira quem escolhemos para montar nossa seleção...

      01.   Angra – Pra Frente Brasil.
Essa faixa foi composta originalmente por Miguel Gustavo para inspirar a seleção brasileira na edição de 70, a primeira edição a ter transmissão ao vivo. Não existe um torcedor brasileiro que não tenha escutado essa música ao menos uma vez na vida. Relembramos aqui uma versão mais moderna e mais rock feita pelo grupo de heavy metal Angra. O clipe foi bastante exibido em 2002 pelo canal SporTV durante o torneio daquele ano.


      02.   Skank – É Uma Partida de Futebol
Essa música é uma parceria de Nando Reis e Samuel Rosa, ambos fanáticos por futebol. Lançada originalmente no terceiro álbum do Skank, O Samba Poconé, a canção acabou sendo incluída no disco oficial da Copa de 1998, a pedido da Fifa. Somente 2 artistas brasileiros participaram da coletânea daquela ano: o grupo mineiro Skank e a cantora baiana Daniela Mercury com uma releitura de “País Tropical” do Jorge Ben.


      03.   Jorge Ben Jor – Filho Maravilha
Lançada originalmente no álbum de 72 Ben, a música chamava-se “Fio Maravilha”, apelido do jogador João Batista de Sales. A música era uma homenagem ao rapaz. Infelizmente, o atleta não entendeu a homenagem e abriu um processo contra o músico que teve que alterar o nome da canção para Filho Maravilha

      
      04.   Soulfly – Umbabarauma
Mais uma canção de Jorge Bem relacionado ao futebol. Mais uma vez uma homenagem à um jogador. Dessa vez, africano. “Umbabarauma me inspirou pelo fato de ser o primeiro jogador africano a jogar na Europa, numa época em que o racismo era maior no futebol europeu”, declarou o cantor em entrevista à Isto É Gente. Aqui escolhemos a versão do grupo Soulfly, liderado pelo Ex-Sepultura Max Cavalera.

      
      05.   Novos Baianos – Só Se Não For Brasileiro Nessa Hora
O clássico grupo Novos Baianos, além de fazer a capa de um LP com a imagem de um jogo de Futebol, ainda escreveu uma canção sobre o tema nesse mesmo disco, intitulado Novos Baianos FC. Em seu blog Luiz Galvão explicou a origem da história dizendo que a inspiração veio de dois lugares. De um garoto que havia morrido atropelado quando foi buscar uma bola na rua e das peladas que fazia em sua rua. Ambas situações ocorridas em seu período de infância em Juazeiro.

  
      06.   Dr. Sin – Futebol, Mulher e Rock n Roll
O maior sucesso desse ótimo power trio brasileiro. Na canção falam sobre suas três maiores paixões. Além de ser a única faixa em português do grupo, é bem lembrada pela participação do lendário Silvio Luiz, tanto no disco quanto no clipe. Sobre o vídeo, o locutor esportivo admitiu que se divertiu muito. Em entrevista à RockLife declarou “adoro essas palhaçadas”. Confere aí!




      07.   Viper – Na Cara do Gol
Em 1996, o grupo de heavy metal Viper despertou a ira dos headbangers com o lançamento de Tem Pra Todo Mundo. O fato de cantarem em português era o de menos. O segmento começou no Brasil com bandas como Salario Minimo e até mesmo Korzus cantando em nossa língua. O problema é que aqui eles vinham com uma linguagem mais radiofônica e isso deixou a galera maluca. Confira a crítica e irreverente “Na Cara do Gol”.


      08.   Ultraje a Rigor – Independente Futebol Clube
Não tem como falar de critica e irreverencia andando juntos e não falar do grupo de Roger Moreira, certo? Lançada no clássico Nos Vamos Invadir Sua Praia, a faixa foi gravada ao vivo no Radio Clube e fala sobre independência. O nome da faixa contudo recorre à um clube de futebol brasileiro da cidade de Limeira, existente desde 1944.


      09.   O Rappa – Eu Quero Ver Gol
Lançada originalmente no CD Rappa Mundi de 1996, a faixa narra justamente a história do brasileiro que encontra no futebol a válvula de escape para esquecer dos seus problemas. Em 2005, o grupo regravou a canção no acústico MTV e citaram vários futebolistas que provavelmente jogariam na Copa de 2006. Erraram somente em Roque Junior e Renato.


      10.   Kid Abelha – Eu Tive Um Sonho
Essa música não tem nenhuma ligação com o futebol. Já o clipe traz imagens da linda Paula Toller jogando futebol com o ídolo Raí. Qual dos dois você prefere?

          
      11.   Ronaldo & Os Impedidos – O Nome Dela
Para encerrar a nossa seleção, não poderíamos deixar de fora o grupo de rock que o goleiro corinthiano Ronaldo Giovanelli fundou nos anos 90. Abaixo, o clipe de “O Nome Dela”. Video que foi bastante executado na MTV na época.

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Entrevista – Edgar Avian, baterista da banda Estiletes!

Por Rafael Menegueti, colaborou Davi Pascale

Pra quem gosta de punk rock, fiquem ligados na banda independente Estiletes. O grupo está prestes a lançar seu primeiro disco, e para conhecer um pouco melhor desse trabalho, e apresentá-lo a vocês, conversamos com o baterista do grupo, Ed Avian. Ele já é figura conhecida nesse cenário. Toca como músico de apoio do Brothers of Brazil, de Supla e João Suplicy, também já tocou com o Inocentes e em vários outros projetos. Além dele, também faz parte da banda o vocalista e baixista Cris “Crass”. Confira agora a entrevista com Ed:

Riff Virtual: O Estiletes está pra lançar um disco, o que você pode nos falar dele?

ED Avian: O álbum do Estiletes já está gravado, serão 10 canções, sendo que 7 letras em português e 3 em inglês, e nesse momento está sendo masterizado. O nome do álbum será “Foda-se!” Totalmente Rock N' Roll!

Estiletes

RV: Vocês fizeram um vídeo para a música “Pelo que é nosso”, como surgiu a idéia desse vídeo? Vocês levam o estilo de vida mostrado nele? (Veja o clipe da música abaixo)

EA: A idéia do vídeo veio do Cris, ele queria algo tipo o clipe “I wanna be sedated” (Ramones) com “Subterrannean Homesick Blues” (Bob Dylan) a letra diz que o governo rouba o que é nosso, e as pessoas estão acordando agora! O que fizemos foi beber e fumar, o que fazemos quando nos encontramos, foi tudo bem rápido e quase nada programado, foi na sala da minha casa, gravado com um celular.

RV: Alem do Estiletes, você também toca bateria com o Brothers of Brazil, qual é a diferença de trabalhar nesses dois projetos?

EA: Muda completamente, não sou um membro oficial do Brothers, toco cerca de 10 músicas nos shows. Já com os Estiletes, está muito no começo, mas toco o show inteiro, com a bateria na posição certa para mim, isso me faz tocar bem melhor.

RV: O que você acha da cena de rock independente no Brasil hoje? Dá pra viver nesse meio?

EA: Bom, eu acho que a cena independente sempre vai existir, mas hoje vejo que está uma péssima fase para o rock em geral. Alguns estilos se sobressaem, mas poucas bandas se dão bem independente. O Brothers é uma banda independente, mas tem mídia, eles correm muito atrás, o Estiletes está numa gravadora, a Crasso Records e é independente. O que as bandas têm que fazer é sair tocando em todos os lugares, juntar público, sair divulgando, não só na internet.

RV: Pra quem ainda não conhece o som do Estiletes, como você definiria o som que a banda faz? Quais são as influências mais diretas e o que vocês estão trazendo de diferencial?

EA: Eu do punk rock e hard rock, o Cris do hardcore e ska, ainda tem country, blues... Gostamos de tudo isso, nossas músicas têm a energia punk, com solos, o vocal tem um jeito falando e gritado, mas para ter uma idéia tocamos Johnny Thunders and the Heartbreakers e The Ramones nos shows.

RV: Como você conheceu o punk rock e qual impacto ele teve em você na época?

EA: Cresci na Casa Verde, onde já existiam várias bandas punk, em 1994 por aí, teve um festival na escola Albert Einstein e tocaram várias bandas, foi quando conheci meus vizinhos que todos tinha Banda, Desobediência Civil, RDH, Invasores de Cerebro, entre outras e montei uma Banda chamada Impacto, nessa época ia pra galeria no Beatmones e conheci tudo muito depressa, comprei muito material e nunca mais mudei.

RV: Como você se juntou aos outros membros para formar a banda? Eles também têm um passado na cena?

EA: O guitarrista conheci numa festa de um amigo, ficamos conversando sobre música e não acreditei que um cara tão novo conhecia tanto som antigo que eu piro. Então ele me convidou para ir a casa dele ouvir o que ele tinha e já começamos estruturar os sons, chamei umas 3 pessoas antes do Cris, que na verdade ele seria apenas o baixista, fizemos mais alguns testes entre vocalistas e guitarrista, mas optamos por ficar nós 3, acabamos compondo o que tínhamos e sempre com decisões rápidas já fomos para o estúdio. O Cris tocava no Radio Ska e depois tocou no Aditive e tem o Marzela (uma ótima banda de ska).

RV: Como vocês pretender divulgar a banda e qual o modo mais eficiente de fazer isso hoje em dia?

EA: Eu pretendo pegar todos meus contatos, juntar bandas de amigos, como eu disse não é só internet, e o modo mais eficiente para divulgar uma banda sempre vai ser fazendo shows, sem parar.

RV: Você pretende sair em turnê com o Estiletes? Como fará para conciliar suas datas com o Brothers of Brazil?

EA: Dou preferência para o Brothers, pois estou há mais tempo e é o que me sustenta, além de me realizar como músico. Turnê é uma coisa que não existe no cenário rock independente aqui no Brasil, não tem bandas que tocam de domingo a domingo. São shows espaçados, por exemplo, ir para o Norte ou Nordeste, você não consegue marcar 10 shows. Tento agendar nas datas vagas do Brothers ou me desdobrar para fazer os dois no mesmo dia.

RV: Mudando um pouco o assunto pro seu outro trabalho, o Supla é meio que o cabeça do Brothers of Brazil. Muitas pessoas da cena punk têm preconceito com o trabalho dele. Você já tocava punk antes de se juntar a ele, tendo participado inclusive do Inocentes que é uma banda lendária. Como é sua relação com o publico punk? Você sofre ou já sofreu na mão dos caras por conta do seu trabalho ao lado do Supla?

EA: Realmente quem fala mal não conhece quase nada dos trabalhos dele. Eu pude compor um cd totalmente punk com ele, o “Vicious”, e não foi com nenhuma outra banda que se intitula punk. O Supla nunca disse que é do movimento punk daqui, as pessoas não sabem as influências dele, o que ele conquistou por ele, como ele realmente é. Cara, é sério, esse cara rala e trabalha muito, eu sei e posso dizer isso, são mais de 10 anos trabalhando com ele e o conheço desde 2000. Lógico que tem uns panacas que falam merda, mas não fazem idéia que lá fora ele morou com os caras do Casualties, fazia shows com Madball, Murphy's Law, entre muitos outros. Os caras que curtem ele lá, não tem esse papinho que tem aqui. Os verdadeiros punks o respeitam demais, ele nunca desfez de ninguém, já outros...

RV: Pra finalizar, quem se interessar pelo trabalho do Estiletes pode encontrá-lo como?

EA: Por enquanto por aqui: https://www.facebook.com/estiletes?ref=hl. E indo aos shows!


terça-feira, 10 de junho de 2014

Pitty – Sete Vidas (2014)



Por Davi Pascale

A cantora soteropolitana Pitty está de volta. Depois de um hiato de 5 anos, o ultimo grande nome da cena brasileira retorna com seu projeto principal. As guitarras e baixo distorcidos voltam à marcar presença junto com seu vocal gritado. Em seu novo trabalho, a cantora toca em assuntos delicados como morte e sexo, sem perder seu estilo de composição. Realizado durante periodo delicado, o grupo de Priscilla Novaes Leone volta cheio de gás.

Dentro da cena mainstream brasileira, essa é a artista que considero como quem faz a diferença. É verdade que no underground temos ótimos grupos, mas o que fica marcado na memória das pessoas quase sempre são os trabalhos de grande expressão. Esse é um dos motivos que me deixa extremamente preocupado com o rumo que o rock n´ roll anda tomando. Não há quase nada para ser lembrado daqui alguns anos. De vez em quando, surgem algumas exceções. Até agora, para mim, ela foi a ultima exceção. Infelizmente, muitos ainda não se ligaram nisso. Muitos insistem em não levar seu trabalho a sério por conta de ter uma grande influencia entre o publico jovem. Ela pode ter bastante adolescente na platéia, mas seu trabalho não é adolescente. Não se trata da versão brasileira da Demi Lovato. Aqui, o buraco é e sempre foi mais embaixo.

Em Sete Vidas, Pitty traz algumas mudanças. A primeira é na formação. O baixista Joe, para quem ainda não sabe, está fora da banda. Sua saída foi tumultuada e envolveu processo judicial e tweets irônicos. Embora ninguém tenha falado por A+B a causa do problema, tudo leva a crer, pelo andar da carruagem, que a razão principal foi dinheiro. Uma surpresa e tanto. Na minha cabeça, quem não agüentaria a pressão seria o Duda. A minha lógica é que uma vez que o rapaz é ex-marido dela, talvez tivesse dificuldades em lidar com a nova realidade. Achava que em algum momento ele explodiria. No entanto, com a saída de Joe, o baterista se torna o único músico da formação original. Quem assume as quatro cordas é Guilherme Almeida. Para quem não se recorda, o gaucho participava dos shows do projeto Martin & Eduardo. Sendo assim, sua escolha era meio obvia. Já era meio parte da família.

Outra mudança, em relação à formação, é a maneira como ela é apresentada. Antigamente, a cantora dizia que Pitty era o nome da banda. Os músicos apareciam tanto nas fotos promocionais como nas imagens do encarte quanto nos créditos do disco. Aqui, embora os 4 tenham participado de todas as faixas, em baixo de cada nome de musica vêm a formação que a gravou, não importando se há ou não participação especial. Os músicos não aparecem no encarte também. Para mim, a mensagem é nítida. A banda não existe mais. Agora, é sua carreira-solo. Acredito que tenha ficado traumatizada com os rolos envolvendo o Joe Gomes. Bom, pelo menos, os caras continuam tendo espaço para colaborarem nas composições.

Banda volta à ativa depois de encarar batalha judicial com ex-integrante

Mais uma vez contando com a produção de Rafael Ramos e lançando pela Deckdisc (ambos, parceiros dos tempos de Admiravel Chip Novo), o projeto contou com uma ajudinha de fora. Literalmente. Embora a gravação tenha ocorrido no Brasil, o processo de mixagem e masterização ocorreu nos Estados Unidos. A mixagem ficou por conta do britânico Tim Palmer que já chegou a trabalhar com artistas do porte de U2, Ozzy Osbourne, Tears for Fears, além de ter trabalhado no cultuado Ten, álbum de estréia do Pearl Jam. A masterização ficou por conta de Ted Jensen. Em seu currículo, estão trabalhos de grandes nomes como Paul McCartney, Alice In Chains, Bon Jovi, Megadeth e Dream Theater.

Muitos têm tratado Sete Vidas como o retorno da Pitty ao rock. Daí eu pergunto: como se retorna a algo do qual você nunca saiu? Chiaroscuro pode ter menos distorções nas guitarras, mas ainda assim é um disco de rock. Aliás, é o álbum que tem maior proximidade com o novo trabalho. Se por um lado, faixas como “Olho Calmo” e “Boca Aberta” nos remetem um pouco à Anacrônico, de outro, faixas como “Deixa Ela Entrar”, “Pequena Morte” e “Um Leão” poderiam estar facilmente no play de 2009. As guitarras podem estar com mais volume, mas são os mesmos tipos de arranjos. As letras também seguem um pouco a lógica daquele material. Contando mais uma vez com temáticas mais obscuras e metaforas.

“Lado de Lá” é uma das mais tocantes. Em (Des)Concerto, a musa dos jovens roqueiros, entrou em uma polêmica com a faixa de trabalho “Pulsos”, onde ela foi acusada de incentivar o suicídio. O tema retorna na quinta faixa de seu novo trabalho. Dessa vez, tendo como inspiração a morte de seu ex-guitarrista Peu Sousa. A música retrata a dificuldade da artista para lidar com a situação. Um verso que deixa isso explicito é: “o imenso silencio que atravessou o domingo de sol/ e eu chovi sem parar”. Chovi, certamente se refere às lágrimas em seu rosto ao saber da noticia. O refrão indaga o porquê do ato. “Pra quê essa pressa de embarcar na jangada que leva pro lado de lá”.

“Olho Calmo” me soa como uma resposta à seu ex-baixista. Frases como “Nem esperava que essa hora ia chegar”, “o traquejo de esperar a hora certa de esbravejar” e “do cão que nem ladra mais, só morde” cabem bem à situação. Curiosamente, é a única faixa assinada pelos 4 integrantes da banda. Essa idéia de lidar e vencer dificuldades é temática recorrente no disco. Logo na faixa de abertura, “Pouco”, já escutamos depoimentos como “sigo tentando sair do fundo. Nado, não quero morrer”. Essa musica, aliás, traz de volta os vocais gritados de Pitty. Algo que ela já havia feito em faixas como “No Escuro” e “De Você”.

Morte de Peu Sousa inspirou "Lado de Lá"

Entretanto, há momentos menos tensos, mais relacionados à desejos, principalmente sexuais. Em “Um Leão” provoca a imaginação dos garotos com o verso “escute bem o que vou propor/ nós a sós no elevador / use bem meu despudor/ sou harém ao seu dispor”. O erotismo também está presente na já citada "Pequena Morte". Algumas vezes, com versos bem diretos, inclusive. "De repente a gente nessa dança muito doida/ Rolando, suando, nunca para de pulsar/ Lá se vão horas, ninguém conta mais o tempo/ O arrebatamento não demora a chegar". Para quem gosta de dizer que não quer ser mais uma gostosinha no pedaço, esse é um terreno perigoso. 

“Massa” é outra que foge do território comum. A cantora escreveu uma letra critica utilizando o termo massa como se fosse de uma receita. Uma curiosidade interessante é que na época de ditadura militar no Brasil, os jornalistas postavam receita de bolo para demonstrarem que estavam sendo censurados. Já vi algumas pessoas associando essa letra com temática política, mas acredito que aqui a história seja outra. Posso até estar errado, mas a minha teoria é de que esteja voltada aos ataques que sofre pelas redes sociais e fóruns, quase sempre criados em cima de achismos ou então em cima de meias-verdades e que mesmo assim, causam fúrias em diversos de seus admiradores. Seria de certa forma, uma censura da sua liberdade (uma vez que está sempre sendo vigiada) e também uma censura do ato de pensar (uma vez que várias pessoas passam a acreditar naquilo cegamente, depois que tais deduções começam a se repetir como se fossem mantras. Lembre-se, toda história tem dois lados). Letra bem inteligente. Em termos de arranjo, a que causará maior estranheza é a faixa “Serpente” que conta com uma forte influencia de musica africana. Influencia cada vez mais comum na musica baiana e cada vez mais incomum no rock n´roll. Atitude, no mínimo, corajosa.

Sete Vidas foge do senso comum da atual cena roqueira mainstream brasileira. É um trabalho inteligente, bem arranjado, bem produzido, bem gravado, bem cantado e bem tocado (aliás, vale lembrar que os músicos gravaram tocando ao vivo dentro do estúdio). Trabalho onde a artista resgata velhos elementos e acrescenta novos ingredientes. Só torço para que não demore mais 5 anos para lançar um novo disco.

Nota: 8,0/10,0
Status: Reflexivo

Faixas:
      01)   Pouco
      02)   Deixa Ela Entrar
      03)   Pequena Morte
      04)   Um Leão
      05)   Lado de Lá
      06)   Olho Calmo
      07)   Boca Aberta
      08)   A Massa
      09)   Sete Vidas
      10)   Serpente

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Aletrix – Herpes Aos Hipsters (2013)

Por Rafael Menegueti

Aletrix - Herpes aos Hipsters
Hoje em dia é difícil encontrar bandas legais e que não pareçam forçar a barra pra tentar ter atitude rock ‘n roll no Brasil. De toda essa onda de bandas que surgiram nos últimos anos, são poucas as que podemos apontar que fazer rock de atitude, sem pretensões comerciais que as façam parecer dispensáveis. Na minha opinião a grande resposta para uma banda soar com verdadeira atitude é a falta de qualquer pretensão que não seja fazer música para divertir e curtir, seja com trabalhos mais sérios, emocionais, ou irreverentes, caso da banda que falarei agora.

O Aletrix é dessas bandas, que é original sem nem querer ser. Irreverente, com um som que mistura apenas as melhores influências possíveis, e um tanto de provocação, essa é a atitude que realmente faz a diferença no rock atual. O projeto do músico Alê Lima (o Aletrix) lançou seu primeiro disco, “Herpes aos Hipsters” em dezembro de 2013. Rockabilly, punk, grunge e indie rock são os estilos que se misturam nas faixas desse disco, lançado de forma independente, como muitas boas bandas fazem nesse país.

A irreverência das letras é uma das marcas desse trabalho. Com um humor acido e provocativo, o músico brinca com situações cotidianas relacionadas à sociabilidade entre as pessoas. Ele alfineta aqueles tipos que são tão conhecidos por todos nós, da sub-celebridade inútil, em “Ex-BBB”, até aquele sujeito perfeito e arrogante que se acha superior (“Ele É Mais Qualificado). Mas a grande provocação do disco está na faixa titulo, onde o alvo são os hipsters, tipinhos cheios de querer inventar moda e se fazer de “cools”. E a letra (“faxina na Augusta / e o fim do Twitter”) não podia ser mais perfeita nessa alfinetada.

Alê Lima, também conhecido como Aletrix 
Musicalmente o disco também não decepciona. As canções são simples e sem enrolação. Algumas faixas, como “UFC/Anorexia” e “Eros X Tanatos”, tem pegada e peso. Outras como “Caixa Vazia”, “Ele É Mais Qualificado” e “Milk Shake” tem melodias mais leves e levadas mais pop. Outras faixas interessantes possuem estilos próximos de um blues (“Dr. Bichano”), e rock clássico (“Louie Louie Chuva Dourada” e “Debut do Aletrix”).

Dentre as bandas independentes que vem surgindo no Brasil recentemente, posso apontar o Aletrix como uma que merece atenção. O disco deles é bem produzido, possui canções divertidas e ao mesmo tempo recheadas de grandes referencias de diversos estilos. Uma boa pedida de banda nacional, que espero que siga fazendo trabalhos como esse por um bom tempo.

Nota: 9/10
Status: Irreverente

Faixas

1. UFC/Anorexia
2. Eros X Tanatos
3. Caixa Vazia
4. Herpes Aos Hipsters
5. Ele É Mais Qualificado
6. Dr. Bichano
7. Milk Shake
8. Ex-BBB
9. Garfinho de Ouro
10. Mestre e Pupilo
11. Louie Louie Chuva Dourada
12 Debut do Aletrix
13. DJ Nerd