sábado, 24 de maio de 2014

Deep Purple: Perfect Strangers Live (2013)




Por Davi Pascale


Um dos momentos mais difíceis de um artista é quando ele retoma sua carreira depois de uma longa pausa. Vários questionamentos começam a rondar sua cabeça. “Será que ainda há interesse no que fazemos?”, “Será que conseguiremos causar o mesmo impacto?”, “Será que a nova geração irá se ligar no nosso trabalho?”, “Será que conseguiremos nos reinventar?”. Essas são as perguntas mais frequentes, ainda mais quando você teve um passado glorioso. Em 1984, o Deep Purple soltava nas lojas o LP Perfect Stangers. A prova viva de que é possível sim, olhar para frente e conquistar um novo público, mesmo depois de uma férias de 9 anos, e entregar um grande álbum. No final do ano passado, o grupo britânico soltou pela primeira vez o show desta turnê nos formatos LP, CD e DVD

Nove anos, aliás, levando em conta o registro que até então era o único sem o guitarrista Ritchie Blackmore: Come Taste The Band, gravado com Tommy Bolin. Perfect Strangers marcava não apenas a volta da banda, quanto o retorno da famosa MK II. Se formos contar o último registro com essa formação havia uma diferença de 11 anos entre um trabalho e outro. Hoje, Gillan e Blackmore são inimigos mortais, mas nessa época os dois se davam bem. Ian Gillan solta vários sorrisos para o guitarrista no palco e chega até a brincar com o musico em determinados momentos.

Interessante notar a diferença de mentalidade daquele tempo para os dias atuais. O DVD além de trazer a apresentação na íntegra, traz um curto documentário com imagens de entrevistas da época. Em um determinado momento, a repórter dispara: “Desculpe-me fazer essa pergunta. Sei que pode soar ofensiva. Vocês não acham que estão velhos para isso?”. As imagens focavam os anos de 84 e 85 (ou seja, o período do lançamento do disco). Nessa época, os músicos estavam próximos dos 40 anos de idade. Alguns um pouco mais, outros um pouco menos. Hoje, um musico nesse faixa de idade é considerado jovem ainda.

Registro marca a volta da lendária Mark 2 aos palcos
Outro depoimento interessante é o momento onde os músicos comentam a diferença da geração dos anos 70 para a dos anos 80. Diziam que não se identificavam com o heavy metal que estava sendo feito naquela época e que não entendiam essa mentalidade do cara que ouve heavy metal não poder frequentar shows de outros estilos, que 10 anos antes isso não existia. Sempre com aquela mentalidade da década passada como sendo algo distante. Parece aquele conversa de avós. “No nosso tempo...”. De todo modo, concordo com a critica dos músicos em relação ao publico.  Já em relação ao estilo, não concordo muito, não...

O registro serve para demonstrar também o quão incômodo continuavam sendo. Há imagens de pessoas de igreja dizendo que a música que eles faziam era diabólica e logo em seguida Gillan pedindo, no meio de uma apresentação, para que os policiais fossem embora porque eles estavam criando tumulto onde não havia. No decorrer dos anos, infelizmente, veríamos essa perseguição com mais alguns artistas. Não foram os primeiros, nem os últimos.

É impressionante o poder de fogo que tinham nessa época. Energia realmente incrível. Muitos gostam de dizer que Steve Morse é melhor do que Blackmore, como se musica fosse competição e como se técnica fosse tudo. Mas já que o assunto é inevitável, prefiro 1.000 vezes Ritchie ao exímio músico do Dixie Dregs. Steve pode ser mais técnico, mas considero Blackmore muito mais criativo (que digam os memoráveis e inúmeros riffs criados pelo rapaz durante sua trajetória com o grupo) e me passava mais emoção nas interpretações. Sua performance aqui é espetacular. Pode ser maluco, egocêntrico, o que for, mas fazia a diferença.

Músicos estavam em ótima fase


Ian Gillan também estava em uma fase brilhante. Com a voz em plena forma, o rapaz canta com confiança, solta vários agudos, estava com a voz extremamente forte. Atualmente, tenho lido nos fóruns e grupos de Facebook da vida, garotos dizendo que Gillan não é um bom cantor. Muito provavelmente essas pessoas não ouviram os registros que ele fez nessa época e na década de 70. Sério. O que ele canta naquele vídeo Machine Head Live In Japan não é brincadeira. Quem conhece sua performance apenas na fase Steve Morse, por favor, corra atrás. Voces ainda não ouviram Ian Gillan. Sério mesmo!

Gravado em Melbourne, o set misturava canções do seu até então mais recente álbum com canções clássicas. Todas as marcas registradas estão aqui. A bateria de Ian Paice tocada com alma, o baixo pulsante de Roger Glover, os teclados únicos de Jon Lord, os números solos, os improvisos. Tudo aquilo que o fã espera em uma apresentação do grupo. Os grandes destaques ficam por conta de “Highway Star”, “Perfect Strangers”, “Knocking At Your Back Door”, “Child In Time”, “Space Truckin´” e “Speed King”. O entrosamento entre os músicos era tanto que nem parecia que estavam sem tocar juntos há mais de uma década. 2 horas que passam voando...


Nota: 10/10
Status: Essencial


Faixas:

      01)   Highway Star
      02)   Nobody´s Home
      03)   Strange Kind of Woman
      04)   A Gypsy´s Kiss
      05)   Perfect Strangers
      06)   Under The Gun
      07)   Knocking At Your Back Door
      08)   Lazy
      09)   Child In Time
      10)   Difficult to Cure
      11)   Jon Lord Solo
      12)   Space Truckin´
      13)   Black Night
      14)   Speed King
      15)   Smoke On The Water

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Kiss: 35 Anos de Dynasty




Por Davi Pascale

Há exatos 35 anos, os quatro mascarados do Kiss lançavam o LP Dynasty. E pela primeira vez, enfrentaram varias acusações pesadas em relação à sonoridade que estavam seguindo. Acusados de flertarem com a disco music (gênero repudiado pelos roqueiros da época) na sua música de trabalho, a hoje clássica “I Was Made For Lovin´ You”, os músicos perderam bastante seguidores em seu primeiro trabalho após as férias da banda. A situação pioraria ainda mais com os dois trabalhos seguintes (Unmasked e Music From The Elder). Entretanto vamos deixar isso para o futuro. Vamos manter nosso foco aqui.

Vindo de uma extensa maratona de shows na época de Love Gun e constantes brigas internas, a banda foi aconselhada a tirar um ano de férias. Mas não sem antes deixar algum material para que a gravadora pudesse trabalhar o grupo. Foram lançados nesse período a coletânea Double Platinum, os 4 álbuns solo e o filme, realizado em parceria com a Hanna-Barbera, Kiss Meets The Phantom Of The Park (no Brasil ficou conhecido como Kiss E O Fantasma das Trevas). O material solo não obteve o sucesso esperado, entretanto a gravadora depositava confiança de que o próximo álbum feito em conjunto traria a atenção de volta. Acreditava que a força estava na união de seus integrantes. E esse álbum seria justamente o Dynasty.

De alguma forma, Ace Frehley ganhou um pouco mais de destaque nos últimos álbuns que esteve com a banda. Parece que o fato do LP solo do spaceman ter atraído um pouco mais de atenção do que a dupla Simmons/Stanley, ajudou a inverter um pouco o jogo a seu favor. Nos últimos trabalhos que fez com o conjunto, passou a emplacar mais composições e a cantar um pouco mais – tanto nos LP´s quanto nos shows (na tour de Unmasked ele costumava cantar 4 faixas por noite). Peter, por outro lado, continuava a reclamar de falta de atenção. E ficava chateado por não aceitarem com facilidade composições suas nos álbuns. Dizia que não entendia a razão, uma vez que a balada “Beth” tinha sido o maior sucesso do Kiss e era dele (o que não é mentira). Criss também acreditava que os músicos sentiam vergonha de seu LP solo. Para demonstrar ao rapaz que não tinham nada contra ele, nem contra o disco dele, o grupo resolveu convidar Vini Poncia para produzir o próximo álbum. O mesmo produtor que havia produzido o disco solo de Peter um ano antes.
 
Banda atravessava momento delicado

O que ninguém esperava é que esse mesmo Vini Poncia seria o responsável por afasta-lo do projeto. Sua primeira recomendação era que Peter não teria permissão para palpitar em qualquer música, em qualquer arranjo. O produtor o considerava um musico fraco e dizia que o musico não tinha ouvido musical. Referia-se a ele como tone deaf. Termo utilizado para quando um musico é incapaz de distinguir duas notas ou incapaz de manter o andamento. Peter Criss sempre foi um ótimo cantor, portanto é capaz que estivesse se referindo à permanecer no tempo. Peter, na verdade, não era um musico ruim. Ele realmente sempre foi limitado, mas era competente. O problema é que quando realizou esses dois projetos ao lado de Vini, estava no auge de sua dependência química, abusando do álcool e tinha seus movimentos debilitados graças à um grave acidente de carro que havia sofrido no ano anterior. Todos esses itens quando somados, prejudicava consideravelmente o nível de sua performance. Por conta de todas essas confusões, acabou gravando apenas a faixa “Dirty Livin´”. O resto do material foi gravado por Anton Fig que anos mais tarde se juntaria ao Ace no Frehley´s Comet. 

Peter obviamente não estava feliz com toda essa situação e mais uma vez teve 3 das 4 faixas que levou para as gravações vetadas. A já citada “Dirty Livin´” foi a única aceita. Outras duas – “Out Of Control” e “There´s Nothing Better” seriam gravadas em seu primeiro trabalho solo pós-Kiss, lançado em 1980, enquanto “Rumble” permanece inédita. Catman passava por um período delicado, estava se separando de Lydia Criss que, segundo dizem, estava tentando ganhar rios de dinheiro no divórcio, estava ficando cada vez mais debilitado fisicamente por conta do vício. Afastá-lo das gravações foi um choque para o músico e ajudou a deixa-lo ainda mais para baixo. Sua saída do conjunto era realmente uma questão de tempo.

Embora a turnê recebesse o nome de The Return of Kiss, os músicos estavam mais afastados do que nunca. O disco foi gravado como se fossem sessões solo, praticamente. Em “Sure Know Something”, foi Paul Stanley quem gravou a linha de baixo e também a guitarra solo. Em “Magic Touch” também tomou o lugar de Gene, assumindo as quatro cordas. Ace Frehley gravou a linha de baixo em “Save Your Love”, “Hard Times” e “2.000 Man” (cover dos Rolling Stones que seria regravado mais tarde no MTV Unplugged). Com isso, o baixo do the demon é ouvido apenas em “Charisma” (faixa que ele criou em cima de “Simple Type” do Wicked Lester), “X-Ray Eyes” e a música mais lembrada do trabalho, “I Was Made For Lovin´ You”.

I Was Made For Lovin´ You ainda é muito pedida nos shows

Inspirada em suas visitas ao Studio 54, Stanley quis escrever uma canção disco, mas que ainda mantivesse a essência do Kiss. No box set da banda, o musico explicou sua sacada “Eu percebi que todas aquelas músicas tinham o mesmo andamento. Você poderia mistura-las sem nenhum corte. Todas eram sobre o hoje. Sobre o agora. Sobre se divertir e não se preocupar com o futuro”. A ideia era pegar essa batida e misturar com a guitarra do rock Foi a última faixa a ser apresentada para o LP. Gene Simmons, embora não morresse de amores pela canção acreditava que ela tinha que estar no disco justamente por ser algo que não se esperava deles. Essa ideia de elemento surpresa o agradava.

Embora seja a mais popular do projeto, muitos fãs torceram o nariz para o grupo na ocasião por conta disso. Não sei se a ideia de utiliza-la como primeira faixa de trabalho foi inteligente, justamente por conta desse impacto no ouvinte. Sem dúvidas, tinha um grande potencial. Tanto que até hoje é pedida nos shows. Mas acho que se tivessem trabalhado uma canção rock antes, os fãs iriam se ligar que o grupo não havia feito um álbum flertando com a disco music (como outros gigantes do rock, como Rolling Stones e Rod Stewart, estavam fazendo). Haviam feito apenas uma faixa. A situação não estava fácil. A turnê não foi um sucesso. Shows cancelados, público diminuindo, as brigas aumentando... E com Unmasked não seria muito diferente.

Entretanto, embora o relacionamento deles não estivesse em um ótimo momento, o resultado do disco é ótimo. Os elementos principais estão ali somando algumas novas influencias. Algo que, para mim, é sempre interessante. O som é um pouco mais polido do que o de Love Gun, mas ainda assim longe de algo que possa ser considerado pasteurizado. LP muito bem feito. Diversão garantida.

Faixas:

01)   I Was Made For Lovin´ You
02)   2.000 Man
03)   Sure Know Something
04)   Dirty Livin´
05)   Charisma
06)   Magic Touch
07)   Hard Times
08)   X-Ray Eyes
09)   Save Your Love

quinta-feira, 22 de maio de 2014

ReVamp – Clash Club, São Paulo – 20/05/2014

Por Rafael Menegueti

Um show que serviu para reforçar minha idéia de que Floor Jansen é uma vocalista de metal completa. Essa foi minha impressão principal sobre o show do ReVamp, que rolou no Clash Club na noite dessa ultima terça. E todos os fãs da banda holandesa saíram satisfeitos.

Essa foi a primeira passagem do ReVamp pelo Brasil
A noite tensa que a cidade de São Paulo tinha parecia não fazer parte da realidade dos fãs presentes na Barra Funda. Após a espera pelo inicio do show, a banda subiu ao palco tocando a faixa que abre seu novo disco, “The Anathomy of A Nervous Breakdown:On The Sideline”. A banda estava cheia de energia, e demonstrou simpatia e bom humor o tempo todo. Os músicos são muito bem entrosados e conseguem trazer o publico junto com sua empolgação.

Foi interessante ver Floor se arriscando a mandar vocais guturais nas faixas. E ela manda bem até nisso. Mesmo em “Misery’s No Crime”, onde os guturais foram feitos por Mark Jansen no disco, ela mostrou domínio da técnica vocal. Outro destaque do show foi a performance dos guitarristas Jord Otto e Arjan Rijnen. Ambos fizeram solos e riffs espetaculares e mostraram ótimo entrosamento.

Floor Jansen foi o destaque da noite como esperado

Outras faixas como “Wild Card”, “Precibus” e a aguardada “Nothing”, tiveram execuções impecáveis e foram pontos altos do show. Canções mais aguardadas do primeiro álbum, como “Kill Me With Silence”, “Million”, “Here’s My Hell” e “Head Up High” foram entoadas em coro pelo público. Também acompanhou as baladas “Distorted Lullabies” e “Sweet Curse”, sem falar na brilhante execução de “I Lost Myself”, com uma inspirada Floor Jansen.

No bis, mais três faixas, duas do novo disco, “Sins”, “Nothing” (com direito a piadinhas de Floor com o nome da música) e “Disgraced”, que encerrou a noite com chave de ouro. Foi um dos poucos shows que já assisti em que não senti falta de nenhuma música sequer. E ainda com uma performance de tirar o fôlego dos músicos holandeses.


Nota: 10/10
Status: incrível

Setlist:

The Anatomy of a Nervous Breakdown: On the Sideline
The Anatomy of a Nervous Breakdown: The Limbic System
In Sickness 'Till Death Do Us Part: All Goodbyes Are Said
Wild Card
Kill Me with Silence
Precibus
Sweet Curse
Amendatory
Million
Distorted Lullabies
I Lost Myself
Intermission
Here's My Hell
Head Up High
The Anatomy of a Nervous Breakdown: Neurasthenia
Misery's No Crime
In Sickness 'Till Death Do Us Part: Disdain
Wolf and Dog

Encore:
Sins
Nothing

In Sickness 'Till Death Do Us Part: Disgraced

Fotos: Rafael Menegueti

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Rockin´ Days (2006)


Por Davi Pascale
Hoje resolvi escrever sobre um projeto que sempre achei muito legal e acabou passando meio batido na época, tanto por parte de público, quanto por parte da mídia. Poucas pessoas deram a devida atenção. Em 2005 comemorava-se 50 anos do rock. Começaram com toda aquela ladainha, todo aquele blá-bá-blá, aquela coisa de programa feminino onde a apresentadora dança Latino falando sobre o Elvis Presley, pagodeiro cantando Beatles... Aquela palhaçada costumeira. Mas dentre tantas homenagens questionáveis, surgiu uma que foi muito legal que é esse DVD Rockin´ Days, que embora tenha sido gravado ainda em 2005, acabou chegando às lojas apenas no ano seguinte.
A ideia do projeto era simples. Escolheram alguns nomes do rock brasileiro - alguns grandes à época, outros nem tanto – e pediram para que executassem um clássico do rock n´ roll. A cantora Chrissie Hynde dos Pretenders estava no Brasil na ocasião e resolveu colaborar gravando uma música para o projeto. Atitude muito bacana da moça que já era um nome mais do que consagrado no meio quando o projeto foi viabilizado.
O Raimundos abre a fita com uma versão de “Private Idaho” do The B-52´s, ícone da New Wave. Muitos podem questionar a escolha, mas tem a ver. Ambas as bandas sempre tiveram uma temática bem-humorada. Claro que cada um da sua forma... Na época, ainda com Fred na bateria e Alf (Rumbora) no baixo, o grupo se sai bem. O arranjo não sofreu muita alteração e ganhou um gás extra.
Na sequência temos os mineiros do Skank recordando “You Really Got Me” dos Kinks. Muito bem tocado, mas achei que o vocal de Samuel Rosa não combinou com a música. O Biquini Cavadão se sai bem com “Overkill” do Men at Work, enquanto Chrissie Hynde empresta sua voz em uma bonita versão de “Love Song” (The Cure) e o Autoramas relembra o início do rock com uma versão de “Blue Suede Shoes”, clássico de Carl Perkins que ficou imortalizado na interpretação única de Elvis Presley. Claro que não dá para comparar com a versão do rei do rock, mas ficou bem bacana.
Chrissie Hynde, dos Pretenders, participou do projeto
A fita segue bem com a animada “Walking On Sunshine” na interpretação do Pato Fu e o clássico “People Are Strange” (The Doors) na voz de Uns e Outros. Essa aliás, minha primeira grande surpresa no DVD. Há alguns nomes que sempre que escuto que alguém vai fazer um cover já fico com calafrios antes mesmo de ouvir a versão. O Doors é uma dessas bandas. Todas as tentativas que vi de tentarem reproduzir Jim falharam vergonhosamente. E meus ataques voltaram com tudo depois que vi Eriberto Leão interpretando o rei lagarto no programa do Jo Soares. Ainda bem que o Jim Morrison está morto, senão morria na hora que encontrasse a versão no Youtube. O vocalista do Uns e Outros foi inteligente em não tentar copiar os vocais do rei lagarto e fez uma boa interpretação. Ponto para os rapazes.
O Leela fez uma versão bacana de "Lithium" do Nirvana. Pesadinha e bem tocada. O TH3 interpretou uma faixa do Spy VS Spy que é um grupo que nunca me chamou a atenção. Portanto, não me passou nada, mas não vi ninguém se queixando da versão deles.
Os Britos, supergrupo formado por George Israel (Kid Abelha) e ex-integrantes do Barão Vermelho, surpreendem por regravar uma música de outra banda inglesa, os Rolling Stones. O Tantra entrega uma performance inspirada de “Tambourine Man”, mas quem surpreende mesmo é o Vinny. Poucos sabem, mas o rapaz que ganhou as rádios com as dançantes “Shake Boom” e “Heloisa, Mexe a Cadeira” começou sua carreira cabeludo e cantando rock. Aqui, ele relembra “Black Dog” do Led Zeppelin em uma versão matadora. Quando li na caixinha que ele estava cantando esse som do Led fiquei com medo já que ele não tem uma extensão vocal tão grande quanto à de Robert Plant, mas o rapaz se saiu muito bem. Uma das melhores versões do DVD. Mesmo!
Vinny surpreende com versão do Led Zeppelin
O vídeo cai um pouco o nível com a versão de Erika e Telecats para “She Loves You” dos Beatles. Gosto da Erika Martins e já até escrevi sobre ela e sobre sua antiga banda – Penelope – nesse blog, mas sua performance vocal não me agradou nessa música. O instrumental ficou até interessante. A banda optou por fazer uma versão mais pesadinha e direta. Na parte instrumental não impressiona, mas também não frustra. O vídeo volta a surpreender com a versão de “My Generation” (The Who), feita pelo Tianastacia. Mais uma excelente surpresa. Não apenas escolheram uma faixa difícil de se interpretar, como se saíram bem. Gostei muito do trabalho de bateria que Glauco fez na música.
Para encerrar, mais uma ótima surpresa, Tihuana interpretando um medley do AC/DC. O Tihuana é uma daquelas bandas meio Charlie Brown de ser. Muita gente não leva a sério, mas possui ótimos músicos ali dentro. O instrumental é muito bem tocado e o vocal ficou bom. Egypcio cantou no estilo dele, mas o resultado ficou legal.
Rockin´ Days pode não ser algo revolucionário, mas é divertido e muito bem gravado. Uma boa pedida para aqueles dias que não tem nada que presta na televisão. Sabe aquele dia que você está em dúvida entre assistir o Datena e o Marcelo Rezende, ou então ter que optar entre aturar o Luan Santana no Faustão e a Valesca Popozuda na Sabrina Sato? Então... É só atacar essa fita e se divertir!

terça-feira, 20 de maio de 2014

Curiosidades sobre o grunge

Por Rafael Menegueti

Um dos mais importantes e expressivos movimentos do rock , o grunge dominou o período entre o final dos anos 80 e meados dos anos 90. Com uma sonoridade crua, melancólica, que misturava a atitude punk e o peso do metal, o estilo fez historia e lançou diversas bandas icônicas. Conheça agora algumas curiosidades sobre o gênero:

- O Green River foi um das bandas precursoras do gênero, seus membros viriam a formar mais tarde o Mudhoney e o Mother Love Bone.

Mother Love Bone
- O Pearl Jam é uma das bandas que mais lançou bootlegs em toda a música. Só entre 2000 e 2008 foram mais de 260.

- Apesar de ser um gênero formado em Seattle, algumas bandas não eram exatamente de lá. O Stone Temple Pilots era de San Diego, e o Hole e o L7, de Los Angeles.

- O pós-grunge, gênero que surgiu com bandas influenciadas pelo grunge, fez bastante sucesso após o surgimento do gênero. Entre as principais bandas que surgiram estão Creed, Bush, Silverchair, 3 Doors Down e Nickelback.

- O filme “Singles – Vida de Solteiro” aborda bastante o estilo. A trilha sonora é quase toda do estilo, e músicos de bandas como Pearl Jam, Alice In Chains e Tad fizeram pontas e aparições no filme.

- Dentro do grunge, as bandas abordavam influencias diversas para definir sua sonoridade. Soundgarden era mais hard rock e metal, assim como o Alice In Chains. Nirvana e Mudhoney se inclinavam para o punk. E o Pearl Jam era mais classic rock.
Soundgarden: metal e hard rock no DNA
- O ano de 1991 foi um dos melhores para a historia da música. Muitos grandes álbuns, de diversos estilos saíram nesse ano. No grunge, o Nirvana lançou “Nevermind”, o Soundgarden o “Badmotorfinger”, o Pearl Jam lançou “Ten”. Temple of the Dog, Hole e Screaming Trees também lançaram discos nesse ano.

Nevermind foi um dos maiores discos lançados em 1991
- Uma das marcas do grunge era o fato de eles ignorarem as grandes produções para fazer shows ao vivo. Nada de enrolações, era subir no palco, tocar e sair.

- Apesar de toda a rivalidade alimentada pela mídia entre Nirvana e Pearl Jam, Kurt Cobain e Eddie Vedder chegaram a ser amigos antes da morte de Kurt.


- O Alice In Chains, antes de virar um dos maiores nomes do grunge, era mais próximo do hair metal.

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Foo Fighters: celebrando com álbum de inéditas





Por Davi Pascale

O Foo Fighters completa 20 anos de estrada esse ano. Enquanto vários músicos comemoram sua trajetória, lançando compilações e fazendo turnês comemorativas, o grupo de Dave Ghrol decidiu fazer o oposto. A data será celebrada com um novo trabalho de inéditas que chegará às lojas no segundo semestre. E, ao que tudo indica, aposta em um formato diferente.

O novo trabalho será o primeiro desde Wasting Light, lançado em 2011. Na ocasião, a banda lançou o documentário Back and Forth que finalizava justamente nos comentários e imagens da gravação do álbum. Dessa vez seus fãs também poderão assistir os músicos dentro do estúdio e de maneira muito mais detalhada.

O mesmo Dave Ghrol está dirigindo um documentário que será exibido pelo canal HBO que mostrará a gravação de cada música do disco. O novo trabalho tem sido tratado pelo musico como “uma carta de amor à história da música norte-americana”. Declaração que tem deixado seus fãs curiosos com a direção que a nova música da banda está tomando. O documentário será exibido em 8 episódios diferentes.

A razão de serem 8 capítulos é porque o disco foi concebido em 8 cidades distintas (Chicago, Austin, Nashville, Los Angeles, Seattle, New Orleans, New York e Washington DC). Ou seja, um episódio para cada cidade. As letras eram finalizadas no dia da gravação para que pudessem acrescentar as experiências mais recentes possíveis. Cada cidade trazia também um convidado especial. Um deles já foi divulgado: o bluesman Buddy Guy.

Cantor não tem pressa para anunciar as novidades
Michael Lombardo, presidente de programação da HBO declarou à NME que ‘a entrega de Dave nesse projeto é contagiante e sua habilidade enquanto músico e diretor é inegável. Estamos animados de nos juntarmos à ele e ao Foo Fighters nessa jornada incrível que demonstrará o quanto a música regional inspirou as novas composições’.

Butch Vig que trabalhou no (excelente) Wasting Light está novamente com os garotos e disse que o novo disco já está com praticamente 50% do material pronto. Ghrol declarou em recente entrevista à BBC Radio 1 que “o álbum está demais e que todo o conceito deixará as pessoas surpresas”. 

As notícias que estão sendo dadas aos poucos estão deixando os fãs cada vez mais curiosos. Nunca se sabe quando, onde ou o que irá surgir como novidade. No último sábado, o Foo Fighters fez um show surpresa em New Orleans e durante a apresentação o cantor disse que “estivemos em vários lugares ótimos, fizemos jams com varias pessoas ótimas, mas nesta semana, essa cidade mudou a banda para sempre”. O que será que está a caminho?

domingo, 18 de maio de 2014

The Unguided – Fragile Immortality (2014)

Por Rafael Menegueti

The Unguided - Fragile Immortality
Quando os vocalistas Roland Johansson e Richard Sjunnesson decidiram deixar o Sonic Syndicate e formar uma nova banda, era possível imaginar que esse novo projeto seguiria um caminho parecido de sua banda anterior. A entrada do guitarrista Roger Sjunnesson, irmão de Richard, e também ex-Sonic Syndicate, deixou essa pista ainda mais clara. A banda lançou “Hell Frost”, em 2011, e confirmou as expectativas. Tratava-se de uma banda que tentava resgatar a sonoridade pesada e agressiva do inicio do Sonic Syndicate. Os suecos haviam se desligado do antigo grupo para buscar uma sonorodade menos comercial, que havia surgido nos últimos discos da banda.

A nova banda agradou os fãs dos antigos membros do Syndicate, que agora dão prosseguimento ao trabalho lançando seu segundo álbum, “Fragile Immortality”, pela Napalm Records. Com uma abordagem moderna, que prioriza as guitarras e os sintetizadores, alem de dar prosseguimento aos temas futuristas abordados no primeiro disco, assim como no primeiro álbum do Sonic Syndicate, “Eden Fire”.

As canções seguem a mesma linha habitual das composições dos irmãos Sjunnesson. A mescla entre as guitarras pesadas, os efeitos de teclado e os vocais guturais seguem sendo as principais características do som da banda, que pode ser definido como um death metal melódico moderno. Os vocais limpos de Roland Johansson dão uma quebrada no peso, trazendo mais harmonia às músicas.

Os suecos do The Unguided
Faixas como “Enforced” e “Eye Of The Thylacine”, apesar de pesadas, tem melodias bem interessantes. O single “Inception”, que abre o disco, e a ótima “Granted” mostram uma banda bem mais afiada. Os músicos parecem mais maduros e o som bem melhor trabalhado. “Only Human”, outra música que faz referencia ao Sonic Syndicate, é outra faixa que se destaca no álbum, com um excelente refrão. O disco encerra com “Oblivion”, que tem ótimos arranjos de guitarra e teclados, alem de bons vocais, e “Deathwalker”, que conta com a boa e surpreendente participação do vocalista Hansi Kürsch, ídolo do power metal com o seu Blind Guardian.

O The Unguided não é uma banda pra qualquer um. Precisa curtir metal pesado, moderno e com uma abordagem mais simples, similar ao do metalcore atual, para gostar da banda. “Fragile Immortality” é um disco bem superior ao anterior da banda, e com certeza agrada aos fãs mais antigos dos músicos suecos. Pra quem se interessa por metal moderno, vale a pena conferir.

Nota: 7,5/10
Status: Moderno e pesado

Faixas:
1. Inception
2. Defector DCXVI
3. Granted
4. Eye Of The Thylacine
5. Unguided Entity
6. Carnal Genesis
7. Enforce
8. Blodbad
9. Only Human
10. Singularity
11. Oblivion
12. Deathwalker (Feat. Hansi Kürsch)
13. Unguided Entity (Zardonic Remix Bonus Track)
14. Deathwalker (Zardonic Remix Bonus Track)

15. When All The Seraphim Cry (Zardonic feat. The Unguided) (Bonus Track)