sábado, 17 de maio de 2014

Rock n´ Alcohol





Por Davi Pascale


Para quem acompanha o universo do rock n´ roll de perto é comum se deparar com histórias dos músicos envolvidos com o álcool. Não são raros os casos de artistas renomados que se depararam com situações constrangedoras ou ainda, perigosas por causa da bebida. Isso para não falarmos daqueles que morreram em função de seu vício. De um tempo para cá, os músicos decidiram ir mais além na relação com o álcool. Deixaram de serem meros consumidores para se tornarem comerciantes da bebida. O mais novo aventureiro é Marcelo Bonfá. Exatamente esse que você está pensando. O rapaz que foi o responsável pelas batidas da lendária Legião Urbana.

O garoto de Brasilia vem apostando na produção de cachaça artesanal orgânica. Atendendo pela nome de Perfeição (claramente uma referência ao hit do álbum O Descobrimento do Brasil da Legião), o baterista investiu mais de 200 mil reais e 3 anos de dedicação na construção de sua fábrica localizada em Santo Antonio do Rio Grande (MG). O comprador pode optar pela pura ao valor de R$ 180,00 a garrafa de 750 ml ou, por R$198,00, pode levar a envelhecida em barris de carvalho.

Outro artista brasileiro que está se aventurando nesse universo é o Velhas Virgens. O grupo mais debochado do Brasil lançou a cerveja Rockin´ Beer no mesmo ano em que comemoravam 25 anos de estrada. Criada pelo baixista Tuca Paiva, e tendo como parceiros a Cervejaria Invicta de Ribeirão Preto (SP), dois estilos distintos foram disponibilizados: uma mais clara e outra mais escura. Não há dúvidas de que o produto tem a cara da banda e de seus fieis seguidores. Tem de tudo para dar certo.

Cerveja foi criada pelo baixista Tuca Paiva

Não são apenas os artistas brasileiros que estão se arriscando nesse tipo de comercio. Grandes nomes do rock internacional também deram as caras para bater no ramo. O caso mais conhecido é o da banda britânica Iron Maiden com sua famosa The Trooper (referência ao clássico da banda, lançado originalmente em Piece of Mind). A cerveja foi criada em uma parceria do cantor Bruce Dickinson com a tradicional cervejaria britânica Cheshire Robinson. O cantor se empenhou bastante na criação do projeto, fazendo visitas continuas, fazendo cursos e ajudando à chegar no sabor final.

Ao contrário dos demais artistas, os mascarados do Kiss não focaram a produção de sua cerveja em seu pais de origem. Atendendo pelo nome de Destroyer Kiss (nome extraído do álbum clássico lançado em 1976), a lager clara que usa 4,7% de cerais não malteados na sua produção, segue a tradição das cervejas alemãs e é produzida na Suécia. Essa não é a primeira aventura do grupo americano no ramo que já tinha se arriscado lançando a linha de vinhos Kiss Zin Fire.

Assim como os companheiros do Kiss, o grupo australiano AC/DC resolveu criar sua cerveja focada nas leis de pureza alemã. O critério é que deve ser criada utilizando apenas água, malte de cevada e lúpulo, sem leveduras. A German Beer Australian Hard Rock, como é conhecido o produto, é facilmente encontrado nos supermercados brasileiros. O grupo dos irmãos Young também já tinha se arriscado anteriormente com o lançamento de vinho e da cerveja preta India Pale Ale Back In Black.

O trio de Lemmy Kilmister, Motorhead, também não fica atrás. De todos os grupos foi o que mais investiu na ramo colocando no mercado cervejas, vinhos e também vodka. Parece que o rock n roll está voltando aos pouquinhos para o supermercado, mas dessa vez não na prateleiras de discos...

sexta-feira, 16 de maio de 2014

A industria fonografica ainda precisa das cópias físicas?

Por Rafael Menegueti

Depois de tantos anos em que o mp3 e as cópias digitais de discos tomaram a internet, ainda existem evidencias que indiquem a necessidade das gravadoras investirem em lançar os trabalhos em material físico? Minha resposta é que sim. E eu explico por que.

Durante a historia da indústria fonográfica, foram inúmeros os meios usados para levar a música do artista até o público. Desde o vinil, os recursos e meios de produção buscaram tornar a experiência do ouvinte a melhor possível. Conforme a tecnologia foi evoluindo, novos modos de comercializar a música foram implantados.

Isso sim é coleção! Foto de Davi Pascale
Com o surgimento do mp3, no entanto, pela primeira vez não se tornou necessário o uso de um material físico para que a música chegasse ao fã, e isso foi um dos principais motivos para que essa nova mídia se difundisse com tamanha rapidez e eficiência. O mp3 provocou a maior revolução na industria fonográfica em toda a historia. A partir dele, nada mais funcionou como antes.

Muitos lutaram contra isso. Uma das principais queixas contra o mp3, era a de que ele facilitava a pirataria. Mas a pirataria já existia a tempos. Quando não existia o mp3, existiam as fitas cassetes, com gravações de discos ou shows de músicos, que eram comercializados e trocados entre os fãs. Muitas bandas começaram a ganhar fama e público desse modo. Depois, com a possibilidade de gravar CDs em casa, bastava ter um computador para fazer as cópias do que quisesse.

De fato, o download ilegal de arquivos de música prejudica os artistas. Mas, com o tempo, coube a indústria fonográfica buscar uma alternativa e soluções para reverter esse cenário. As cópias digitais, comercializadas em lojas online como a Amazon e o ITunes, são uma das formas de lucrar com a música. Com preços mais razoáveis e a praticidade, o público passou a preferir adquirir um download legal de músicas.

Ok, os downloads ilegais ainda existem e são praticamente incontroláveis. Mas, mesmo assim, as gravadoras conseguiram acompanhar o mp3 e se adaptar a ele. Mas como ficaram os fãs que não se entusiasmam apenas com uma versão digital de um disco? Os CDs nunca deixaram de ser produzidos, e os vinis voltaram com tudo nos últimos anos. Isso porque investir em uma coleção física virou mais do que apenas consumir música. Virou um estilo, uma filosofia. Não é apenas uma questão de obter um produto e ouvir música. É uma relação com o artista. Você investe para que ele continue podendo lançar seu trabalho. E ainda obtém um item que se torna uma coleção, um hobby.

Basta ir a lugares como a galeria do rock, ou uma megastore, e ver a quantidade de pessoas que ainda investem nesse tipo de coleção. As gravadoras seguem produzindo material físico, e ainda buscam cada vez mais atrair os compradores com detalhes como material bônus exclusivo e uma arte gráfica diferenciada. O disco agora também virou um objeto de decoração.


Tanto eu como o Davi somos colecionadores ferozes de discos e podemos dizer com toda a certeza: as gravadoras acertam em cheio em continuar produzindo material físico. Com isso, cria-se um clube, uma tribo de pessoas que ainda se interessam pela essência da música, algo que não se consegue em um simples download. A alegria de ter um disco, olhar o encarte e ler as letras, saber os detalhes da gravação e admirar o trabalho de seu artista favorito como um todo é o que traz a satisfação que buscamos. E esse estilo, esse modo de aproveitar a música não deve morrer tão cedo, não enquanto houverem pessoas que ainda tenham essa paixão pela música em toda sua forma.

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Elvis Presley - The 68´ Comeback Special


Por Davi Pascale

Esse especial do Elvis Presley é tido como o primeiro show acústico da historia. Esse papo de o primeiro isso, o primeiro aquilo sempre gera polêmicas. Agora, há um fator que ninguém pode discutir: a apresentação do Elvis causou muito mais estardalhaço do que qualquer show do gênero. E mais do que isso, ainda impressiona os novos ouvintes e ainda inspira novos artistas. E, isso, realmente é para poucos. E, o mais legal de tudo, aconteceu por acaso.
Em 1968, foi realizado em parceria com a emissora NBC, um especial de Natal do cantor. O empresário de Elvis, o Coronel Parker, adorou a idéia. Ainda mais porque haviam decidido fazer o programa inteiro com o artista. Algo que até então não era muito usual. Normalmente esses programas eram realizados com diversos artistas, misturando grandes e pequenos nomes. A ousadia nasceu das mentes de Steve Binder e Bones Howe, os dois produtores que seriam responsáveis pela criação do especial, indicados pela própria emissora. A aposta maior era em Steve que apesar de ser um jovem de apenas 23 anos, era produtor do programa musical Hullabaloo, que era extremamente popular na época. Sem contar que o garoto havia produzido um especial de TV com a cantora Petula Clark pouco tempo antes e havia conseguido boa audiência. O programa ficou marcado pelo polêmico beijo entre Harry Belafonte e a Petula. Um negro e um branco se beijando em horário nobre não era algo comum naqueles dias.
O especial foi sendo moldado aos poucos. Assim que lançaram a ideia (prontamente aprovada) de Elvis Presley ser a única estrela, o coronel enviou para a emissora um especial de rádio feito pelo cantor um ano antes. Também era um especial de natal e Parker acreditava que a equipe poderia transpor o especial para o formato de vídeo. O empresário queria que o especial tivesse apenas músicas natalinas e enviou uma lista de sugestões com faixas como “Jingle Bell Rock”, “Little Stranger”, “Merry Christmas Baby”... Steve, o menino prodígio, dizia que ficava preocupado com essa limitação temática. Elvis concordava com o garoto e decidiram fazer diferente. Sabiam que não seria fácil dobrar a NBC e o coronel, mas acharam que tinham que tentar. Aos poucos, o programa foi se desenhando.
A idéia da apresentação acústica surgiu por acaso
O que seria inicialmente um programa natalino, logo transformou-se em um semidocumentário. Seria contado, meio que por cima, como um jovem cantor atingiu a fama. Queriam que Elvis fosse retratado como um artista inovador. A ideia inicial era misturar uma cena de luta, um segmento gospel, sequencias de shows e números com clima de dança contemporânea. O cantor queria que a parte musical trouxesse alguma novidade, dizia que queria criar um som ‘novo e contemporâneo”. Presley queria que utilizassem Billy Strange como diretor musical. Os rapazes aceitaram sua sugestão, mas ela não funcionou. Billy acabou sendo substituído por Billy Goldenberg por não ter conseguido entregar os arranjos em tempo.
A ideia da apresentação acústica foi mais uma vez de Steve Blinder. Durante os ensaios para as gravações, os músicos costumavam pegar os violões para relaxar e improvisar músicas de blues e rock. Ao ver a cena nos camarins, Steve teve a ideia de mostrar esse lado mais descontraído que era algo que o público de Elvis nunca tinha visto. O rapaz havia ficado apaixonado com aquela clima e imaginou que isso afetaria os fãs de uma maneira positiva também. Foi dele também a ideia do palco em formato de ringue com os fãs todos em volta. Palco que também foi copiado por muitos. Inclusive pela própria MTV Brasil quando lançou seu programa Balada MTV. Aliás, não apenas o conceito do palco era o mesmo, mas o conceito do programa. O artista tocando suas músicas em formato acústico e conversando com o público, que ficava sentado em volta do palco, de maneira descontraía... Tudo exatamente igual. Dizem ainda que esse show foi a real inspiração para a criação da série MTV Unplugged nos EUA. Não posso comprovar, mas faz sentido.
No início o cantor ficou relutante, especialmente porque os produtores queriam que o clima de descontração fosse mantido. Como se fosse um ensaio aberto. Pediram para que o artista conversasse com a plateia, contasse histórias. Isso incomodava um pouco Elvis. Não por um ar de superioridade, mas por insegurança. Tinha medo de travar, ficar sem saber o que dizer... Tinha medo de parecer bobo. Tal situação só aumentava ainda mais o nervosismo de Elvis Presley, que já se encontrava bem preocupado com a gravação de um show, já que estava há 7 anos afastado dos palcos. Foram realizadas duas apresentações. Ambas gravadas no mesmo dia, 27 de Junho de 1968, mas para públicos diferentes. Houve intervalo de uma hora entre uma gravação e outra.
Elvis Presley se sentia inseguro com a ideia de interagir com o publico
Para esse sessão acústica resolveram focar no material da fase inicial e trazer os músicos Scotty Moore e DJ Fontana para acompanha-lo. Para deixa-lo ainda mais à vontade completaram o time com os amigos Charlie Hodge e Alan Fortas e também Lance Legault, o duble de Elvis em suas produções cinematográficas .
O especial, que se encerrava com a bonita “If I Can Dream” foi ao ar no dia 23 de Dezembro às 21h e deu mais do que certo. O público voltou à se encantar com Elvis Presley, a crítica rasgou elogios, o compacto de “If I Can Dream” chegou ao topo das paradas, assim como o disco com a trilha do programa. Foi a música certa no momento certo. A letra que suplicava por compreensão e fraternidade só ajudava a sensibilizar ainda mais as pessoas que choravam os assassinatos de Martin Luther King e Robert Frances Kennedy (Ministro da Justiça dos Eua, também conhecido como Bobby Kennedy).
Passados mais de 40 anos, o programa ainda emociona. O especial pode ser facilmente encontrado em DVD e traz um dos melhores registros do cantor em vídeo. Quem não conhece, por favor, corra atrás!

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Música comentada: Avenged Sevenfold – So Far Away

Por Rafael Menegueti

No final de 2009, os californianos do Avenged Sevenfold sofreram um duro golpe: a morte do baterista Jimmy “The Rev” Sullivan. O músico era considerado um dos melhores e mais habilidosos bateristas da nova geração do metal, e sua morte causou enorme comoção na cena metaleira ao redor do mundo.

O Avenged Sevenfold em 2010
Em meados de 2010, o Avenged Sevenfold lançou “Nightmare”, primeiro disco após o incidente, onde várias das faixas eram homenagens ao amigo. Uma das mais marcantes é “So Far Away”, composta pelo guitarrista Synyster Gates, um dos melhores amigos e parceiros musicais durante toda a vida de The Rev.

Never feared for anything
Never shamed but never free
Alive to hear the broken heart with all that it could

Lived a life so endlessly
Saw beyond what others see
I tried to heal your broken heart
With all that I could

Will you stay?
Will you stay away forever?

How do I live without the ones I love?
Time still turns the pages of the book it's burned
Place and time always on my mind
I have so much to say but you're so far away

Plans of what our futures hold
Foolish lies of growing old
It seems we're so invincible
The truth is so cold

A final song, a last request
A perfect chapter laid to rest
Now and then I try to find a place in my mind

Where you can stay
You can stay awake forever

Sleep tight, I'm not afraid
The ones that we love are here with me
Lay away a place for me
'Cause as soon as I'm done I'll be on my way
To live eternally

I love you
You were ready
The pain is strong, enough despite
But I'll see you
You'll let me
Your pain is gone, your hands untied

So far away
And I need you to know

Nunca teve medo de nada
Nunca se envergonhou mas nunca foi livre
Vivo para ouvir o coração partido com todas as forças

Viveu uma vida tão interminável
Viu além do que os outros vêem
Eu tentei curar seu coração partido
Com todas as minhas forças

Você vai ficar?
Você vai ficar longe para sempre?

Como posso viver sem aqueles que eu amo?
O tempo ainda vira as páginas do livro queimado
Lugar e tempo sempre na minha cabeça
Tenho tanto pra dizer mas você está tão distante

Planos do que o nosso futuro nos reserva
Mentiras tolas de "envelhecer"
Parecia que éramos tão invencíveis
A verdade é tão fria

Uma última música, um último pedido
Um capítulo perfeito terminado
Volta e meia tento achar um lugar na minha mente

Onde você possa ficar
Você possa ficar acordado para sempre

Durma bem, eu não estou com medo
Aqueles que amamos estão aqui comigo
Guarde um lugar para mim
Porque quando eu acabar, eu estarei indo
Viver eternamente

Eu te amo
Você estava pronto
A dor é forte e necessidades surgem
Mas eu te verei
Você me deixará
Sua dor se foi, suas mãos estão desamarradas

Tão distante
E eu preciso que você saiba


The Rev: O saudoso baterista foi homenageado pelos ex-companheiros
A faixa com arranjos acústicos é bem direta em mostrar a dor que os companheiros de banda sentem com a morte de seu amigo. A homenagem é extremamente pessoal, e em determinados momentos parece se direcionar diretamente a The Rev. Em “Nightmare”, a banda buscou mostrar todo o seu drama e a superação pela difícil perda. Dentre as músicas que mostram esse processo, talvez “So Far Away” seja a mais forte e emocionante.


terça-feira, 13 de maio de 2014

Mais algumas noticias do universo do rock!

Por Rafael Menegueti

Bruno Valverde é o novo baterista do Angra

Bruno Valverde (centro) posa ao lado dos novos companheiros do Angra
Uma semana depois do anuncio da saída de Ricardo Confessori, o Angra confirma que Bruno Valverde será o novo baterista do grupo. O jovem baterista já tem experiência em metal, tocando inclusive com o próprio Kiko Loureiro em sua carreira solo, alem de outros trabalhos no metal e até na música gospel. Ele ingressará na banda em junho, na nova tour européia da banda

Tommy Lee participa de novo disco do Smashing Pumpkins

Tommy Lee gravou as nove faixas do novo disco do SP
O baterista do Mötley Crue, Tommy Lee, tocará a bateria do novo álbum do Smashing Punpkins, que está sendo produzido em Los Angeles. O disco se chamará “Monument to Na Elegy”, e está previsto para sair em 2015. Curiosamente eles lançaram um segundo disco também em 2015, chamado “Day for Night”.

Phil Anselmo diz que musica nova do Down faria Black Sabbath chorar

Em um tom de brincadeira, o vocalista Phil Anselmo, ex-pantera, definiu “Conjure”, musica nova de sua banda Down, como tão pesada que faria o Black Sabbath chorar. A banda está divulgando um novo EP, chamado “Down IV – Part Two”, que contem a faixa.

Pitty está de volta!

A cantora baiana Pitty finalmente saiu do casulo e está para lançar trabalho novo. O disco “Sete Vidas”será lançado no dia 03 de junho, e a primeira música de trabalho já foi divulgada. Veja o videoclipe da faixa título abaixo:


Lori Lewis não mais cantará ao vivo com o Therion

Lori Lewis passará pelo Brasil antes de sair do grupo
Os fãs de uma das principais bandas de ópera metal, o Therion, tiveram uma surpresa desagradável nessa semana. A vocalista Lori Lewis anunciou que não seguirá se apresentando ao vivo com a banda, por motivos familiares e pessoais. Ela seguirá na banda até o fim da turnê pela América Latina, que passa por São Paulo, no dia 18 de maio.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Rage Against The Machine: Rage Agains The Machine (1992)

Por Davi Pascale
Alguns dias atrás escrevi sobre o funk/rap/metal do Faith No More em The Real Thing e sobre todo o estardalhaço que o grupo do carismático Mike Patton causou na garotada no inicio dos anos 90. Outro exemplo emblemático dessa mistura de rap e metal é o debut do Rage Against the Machine que fazia um som repleto de fúria. Não apenas nos arranjos e na intensidade em que tocavam, mas também no conteúdo de suas letras.

Uma das coisas que mais impressionam quando escuta-se o álbum pela primeira vez é deparar com os seguintes dizeres no encarte do disco: “Na gravação desse disco não foram utilizados teclados, samplers ou sintetizadores”. Exatamente cada ruído, cada som de efeito foi realizado utilizando apenas os amplificadores e os instrumentos. O responsável por isso era Thomas Baptist Morello, filho de pai negro e mãe branca. O garoto que sofreu preconceito nos tempos de escola, iria se tornar um dos guitarristas mais influentes da década de 90 por seu estilo único de tocar. Em entrevista à Kerrang, declarou que sua sacada foi tentar reproduzir os barulhos que os DJ´s faziam em sua picape na guitarra “A chave de comutação agora se tornou um botão de desligar de um DJ. Comecei a pensar na guitarra de um modo totalmente diferente. Comecei a tentar construir músicas a partir de barulhos e texturas”.

Cada coisa que você vê no Rage Against The Machine tem um porque, teve alguma influência na vida dos músicos de uma forma ou de outra. Assim como Morello, o vocalista Zack De La Rocha, também nasceu de uma mistura de etnias. Seu pai é o que era chamado de chicano, um americano com origens mexicanas. A escola também marcou o letrista negativamente quando ele se recorda dos professores tirando sarro dos imigrantes mexicanos. La Rocha também dá credito ao seu avô, quem considera um guerreiro revolucionário “Seus dias de trabalho duravam de quinze a dezesseis horas por dia, suando e sendo obrigado a ficar em meio à pobreza. Vejo sua experiência refletida nos testemunhos dos zapatistas, os camponeses rebeldes indígenas que trabalham todo dia para sobreviver”, declarou ao Nuevo Amanecer Press.
 
Disco trazia criticas politicas
As influências foram diversas. Iam desde o rock do Kiss, o punk do Clash, o funk do Tower of power, o hardcore do Minor Threat e o rap do Ice Cube. Todos esses artistas fizeram a cabeça de algum desses instrumentistas em algum momento de suas vidas. É desse caldeirão que nasce uma das bandas mais cultuadas da década de 90. O inicio da banda foi a historia mais comum de todas. Começaram tocando em pequenos clubes e lançando uma demo de maneira independente. Gravado em uma fita cassete, o material era formado com 12 faixas. A capa trazia estampada a bolsa de valores e vinha com um palito de fósforo colado no encarte que acompanhava a seguinte mensagem: Foda-se o sistema, queime-o. Algumas dessas músicas foram utilizadas no álbum estreia. Uma delas literalmente. “Bullet In The Head” é exatamente a versão da fita demo. “Nós usamos uma das demos. A versão que fizemos não tinha a mesma força”, admitiu GGGarth no livro Guerreiros de Palco.
GGGarth é na verdade Garth Richardson, produtor responsável pelo trabalho de estreia da banda e também por álbuns de sucesso de artistas como L7, Melvins e Testament. O rapaz ganhou esse apelido por ser gago. Nesse mesmo livro ele explica que tudo que fez foi tentar capturar o som da banda no palco e trazer para o disco. Realmente, as apresentações do Rage Against são únicas. Os músicos tocam como se não houvesse amanhã. Zack de La Rocha torna-se endiabrado em cima do palco. Grita, proclama, pula, corre de um lado para o outro. Não há dúvidas de que são uma banda de palco.
As letras são marcadas por sua contestação política. No famoso livro de Paul Stenning o autor explica a ausência da letra de sua canção mais famosa por considera-la dispensável, como se não houvesse necessidade por ser fácil de decorá-la. Na verdade a letra foi proibida de ser parte do encarte por conta de seu forte conteúdo. Portanto foi no mínimo impressionante o fato de utilizar "Killing In The Name Of" como o primeiro single. A letra fala sobre o racismo dentro das Forças Armadas norte-americanas. A frase mais emblemática é “Some of those who wear forces are the same who burn crosses”. No bom portugues “alguns daqueles que usam camuflagens são os mesmo que queimam cruzes”. Um modo de associá-los ao Ku Klux Klan. Uma letra corajosa, sem dúvidas. A famosa frase “Fuck You, I won´t do what you tell me” (Quero que se foda, não irei fazer o que me pedem) é uma adaptação que o cantor fez de uma frase do Body Count “Tell us what to do, fuck you!” (Diga à eles o que devem fazer, vão se foder).
Letra de "Killing In The Name Of" foi censurada
  
A já citada “Bullet In The Head” tratava-se sobre a  Primeira Guerra do Golfo e a propaganda do governo Bush. Outro exemplo emblemático é a faixa de abertura “Bombtrack” com o verso “See through the news and the views that twist reality” (Veja através dos noticiários as realidades distorcidas), sem falar com o fechamento do disco com o cantor gritando com toda sua força “Freedom, yeah, right” (Liberdade, sim, claro).
Muitos podem discutir até onde uma banda com cunho político deve assinar com uma multinacional que tenta controlar a imagem do artista e barrar suas atitudes, mas não há dúvidas que esse tipo de artista é válido, principalmente quando conseguem exercer uma influência tão grande quanto nossos amigos norte-americanos, uma vez que eles fazem a juventude começar a questionar valores que normalmente eles não se preocupariam. Sim, meus amigos, o rock pode ajudar a mudar o mundo.
Faixas:
01)   Bombtrack 
02)   Killing In The Name
03)   Take The Power Back 
04)   Settle For Nothing 
05)   Bullet In The Head 
06)   Know Your Enemy 
07)   Wake Up 
08)   Fistful of Steel 
09)   Township Rebellion 
10) Freedom

domingo, 11 de maio de 2014

Epica – The Quantum Enigma (2014)

Por Rafael Menegueti

Epica - The Quantum Enigma
Como prometido, chegou a hora de falar sobre o novo disco da maior banda de metal sinfônico do mundo, o Epica. “The Quantum Enigma” foi lançado na última semana, e já pode ser encontrado em versões importadas em lojas daqui do Brasil. Esse é o sexto trabalho de estúdio da banda holandesa, e também o mais pesado.

Começo dizendo que esse disco não é como os outros. Esqueçam aquele Epica cheio de melodias emotivas e com ênfase em orquestrações e arranjos simples. Em “The Quantum Enigma” a banda embarca em uma pegada mais veloz, bruta e preenchida por arranjos orquestrais pesados. Não é possível comparar sequer com “Réquiem for the Indifferent”, lançado em 2012, e que era até então o disco mais pesado do grupo.

Alem da velocidade dos riffs e solos, e de orquestrações atmosféricas, os vocais também exercem uma função essencial no disco. Os guturais de Mark Janssen estão extremamente brutais. Simone Simons apresenta vocais líricos que vão de tons baixos a altos com habilidade, alem de dominar as partes mais fortes da músicas. Provas de que seu estilo meio-soprano ainda está bem forte. Outro aspecto que chama a atenção é o uso de corais. A banda investiu bastante em intercalar os vocais de seus integrantes com os corais, que criaram um som ainda mais atmosférico às músicas.

Epica: a banda investe em um som pesado de primeira nesse disco
É difícil dizer qual música me chamou mais a atenção. As três primeiras faixas (sem contar a introdução “Originem”), “The Second Stone”, “The Essence of Silence” e “Victims of Contingency”, possuem refrões cativantes, muito peso e excelentes vocais. Outras como “Sense Without Sanity – The Impervious Code” e The Quantum Enigma – Kimgdom of Heaven part II” dão o toque épico de metal progressivo, tão característico dos álbuns do Epica. Varias outras faixas são marcantes (o disco tem 14 faixas, incluindo a bônus, e 18, contando o cd bônus acústico), mas destaco duas em especial, pra não ficar aqui me repetindo, “Canvas of Life” e “Unchain Utopia”.

Quem comprar a edição deluxe, com CD bônus, como eu, poderá conferir ainda algumas faixas acústicas, o que sempre é bacana se tratando do Epica. O disco tem um dos melhores trabalhos de arte de capa da banda. Segundo o líder e guitarrista Mark Jansen, o melhor. E ainda mostra uma evolução na banda, que poderia muito bem começar a lançar trabalhos menos inspirados depois de 10 anos de estrada. Mas ao invés disso, nos presenteia com um de seus melhores trabalhos. Imperdível para os fãs do gênero.

Nota: 10/10
Status: Perfeito

Faixas:
01. Originem
02. The Second Stone
03. The Essence of Silence
04. Victims of Contingency
05. Sense Without Sanity – The Impervious Code
06. Unchain Utopia
07. The Fifth Guardian – Interlude
08. Chemical Insomnia
09. Reverence – Living in the Heart
10. Omen – The Ghoulish Malady
11. Canvas of Life
12. Natural Corruption
13. The Quantum Enigma – Kingdom of Heaven part II
14. In All Conscience (faixa bônus)

CD Bônus
15. Canvas of Life (Acoustic Version)
16. In All Conscience (Acoustic Version)
17. Dreamscape (Acoustic Version)

18. Natural Corruption (Acoustic Version)