sábado, 5 de abril de 2014

20 anos sem Kurt Cobain



Por Rafael Menegueti

Foi em um dia 5 de abril como esse, há 20 anos, que Kurt Cobain colocou um ponto final em sua historia. Uma historia repleta de reviravoltas, emoções e muito rock. Kurt viveu intensamente e nos deixou da mesma maneira. Seu suicídio foi um dos momentos mais chocantes da historia da cultura pop, e sua imagem de um músico melancólico, problemático e ao mesmo tempo genial ficou eternizada após esse fato.

Kurt, no entanto, não queria ser exemplo pra ninguém. Ele sempre deixou isso bem claro. De fato, Kurt nunca foi o melhor exemplo de um ídolo para ser imitado. Ele era cheio de defeitos, e errava muito. Seu maior erro foi o cometido há exatos vinte anos. Mas é exatamente aí que reside seu diferencial. Kurt sempre foi um exemplo HUMANO. Uma pessoa suscetível a acertos e erros. O jovem de Aberdeen tinha um potencial incrível para demonstrar suas emoções em suas músicas, mas um péssimo controle sobre essas emoções em sua vida, algo intensificado pelo seu vicio em drogas.

A obra que Kurt Cobain deixou, não é apenas um registro de músicas inspiradas em dilemas pessoais, mas um retrato de como esse mundo pode ser cruel e implacável com pessoas que tem propensão a não se encaixarem. O sucesso que o Nirvana conseguiu rapidamente reside exatamente nisso: a identificação que um grande número de pessoas, que assim como Kurt se sentiam fora de lugar, não pertencendo ao universo que habitavam, teve com as emoções expressadas por Kurt em sua música.

Movimento grunge perdeu a força com a morte de Kurt

 Kurt conquistou assim um enorme número de seguidores, mas não era isso que ele queria. Talvez por não se sentir bom o suficiente para isso, o peso dessa fama foi grande demais para ele. Ele tinha razão em não querer ser o ídolo de uma geração. Ele não era uma pessoa perfeita. Mas quem é? Quem tem controle sobre isso? Como evitar algo tão inevitável para uma pessoa com a criatividade e simplicidade dele?

Após sua morte, o Nirvana acabou. O grunge perdeu força. E a música passou por enormes mudanças. Mas sua imagem permaneceu a mesma. Um rapaz franzino, introspectivo, simples e problemático, mas genial, inteligente e capaz de expor seu universo através de sua arte e tocar multidões. Kurt foi apenas um exemplo de uma pessoa que teve sua genialidade interrompida por seus próprios erros, defeitos e dificuldade do mundo em lidar com alguém como ele. Mas quantos outros “Kurts” não existem por aí?


Uma coisa que eu aprendi ao conhecer a figura e a historia de Kurt Cobain, foi que não existe o ídolo perfeito. Devemos aprender com seus erros e acertos, com seus defeitos e virtudes. Devemos usar seu exemplo não como um modelo de vida, mas como um guia para nos desviar daquilo que pode nos destruir e abraçar as coisas que realmente nos façam ser maiores e melhores. Esse deve ser o legado de Kurt. E que ele continue a nos ensinar por muitos anos mais.

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Kiko Loureiro – The White Balance (DVD)



Por Davi Pascale

Ídolo dos jovens guitarristas, o musico Kiko Loureiro lança seu primeiro DVD solo. O eterno guitarrista do Angra, acompanhado de músicos de primeira, deixa claro sua versatilidade enquanto instrumentista e nos entrega um vídeo bem profissional que deve agradar os amantes da música instrumental.

Já havia lido algumas resenhas do show onde os autores diziam que a apresentação havia sido marcada por confusões. Alguns reclamavam do artista ter repetido algumas musicas no dia. Não sei quantas gravações eles já presenciaram, mas quando se está registrando o espetáculo, esta tática, infelizmente, é comum. Já presenciei a gravação de 3 discos ao vivo e todos eles tiveram musicas sendo repetidas. As razões para esse tipo de atitude são diversas. Não tem muito a ver com ser bom musico ou não. Isso já fica nítido para o publico e para os críticos durante o show em si. Na maior parte do tempo, é por conta de falhas técnicas. Microfonia indesejada, acabou a fita da câmera, áudio ficou saturado por algum motivo etc. Erros de execução, os caras corrigem em estúdio. Sim, meus amigos, esta tática também é comum. Entretanto, se houve confusão no dia, isso não fica nítido para quem está assistindo ao DVD. 

Algo que eu considerei um erro, contudo, foi terem filmado a apresentação de um modo que deixasse nítido que vários assentos estavam vazios. Acredito que isso joga contra o artista. Poderiam pedir para aqueles que estivessem para trás, viessem para os assentos disponíveis mais à frente. Já vi gente reclamar de ter que assistir de mais longe, mas nunca vi ninguém reclamar de ter que assistir mais próximo. Daí bastava posicionar as câmeras de um jeito que pegassem até aquele ponto. Quem assistisse em casa, teria impressão de platéia cheia. Isso é tecnicamente possível. Aliás, fiquei triste de notar isso. Os ingressos na ocasião foram vendidos por um preço baixo e o rapaz é bem popular no meio. Tinha certeza que lotaria o local...

Musico passeia pelo jazz, pelo heavy metal e pela musica brasileira em seu DVD de estreia

A apresentação, ocorrida no Auditório do Ibirapuera, foi dividida em 3 atos: uma focando o material mais rock, outra focando um lado mais jazzístico e um set acústico ali no meio. Pelo material que li sobre os shows, percebi que ele inverteu o primeiro e o terceiro set no vídeo. Desnecessário. Poderia ter deixado na sequência exata. Um registro do set daquela ocasião. Os músicos mudam de uma parte para a outra. Kiko teve a preocupação de pegar músicos que estivessem acostumados com aquela linguagem especifica, o que faz com que o espetáculo mantenha o nível. Não tem aquela onda de ‘fulano manda bem no rock n roll, mas fica a dever nas musicas que não são do segmento’. Deve ter sido difícil ensaiar com todos esses caras, mas considero a escolha acertada.

O DVD começa com a parte roqueira. Além de Kiko, completavam o time Felipe Andreoli (seu parceiro do Angra), o excepcional Virgil Donati (Soul Sirkus, Derek Sherinian), seu irmão Zeca Loureiro e os percussionistas Eduardo Cubano (Jota Quest, Eduardo Costa) e DaLua (Nação Zumbi, Sheik Tosado). Aqui, o musico demonstra toda sua habilidade enquanto instrumentista, O rapaz faz, literalmente, sua guitarra cantar em um som que tem referencias claras de Joe Satriani e John Petrucci. Foram evidenciadas as canções dos álbuns No Gravity e Sounds of Silence. Curiosamente, o musico não executou nenhuma faixa de Fullblast e do projeto Neural Code durante o show. Não entendi a razão. São dois grandes discos. Seria o momento ideal para fazer um apanhado geral de sua carreira.

Já sua passagem com o Angra não passou batida. Rafael Bittencourt participa do set acústico interpretando “Late Redemption”. Justo, uma vez que 90% de seus admiradores são fãs do Angra. Nessa, fica claro que Kiko não nasceu para cantar, contudo gosto muito da voz do Rafael. Achei que o cara mandou bem. Nesse set, fica possível notar as influencia brasileiras de Kiko Loureiro, mas peca em dois aspectos. Um por ser muito curto. E outra razão é o guitarrista sozinho no palco quase que 100% do tempo. Sem duvidas, um puta músico, mas gostaria de ter assistido algumas musicas contando com uma percussão como complemento. Também seria interessante visualmente falando. Começaria com uma formação de banda. Depois ficaria somente ele. Voltaria os percussionistas. E, por fim, entraria o novo baixista e o novo baterista que certamente causaria um impacto no público. Nem precisaria os tais intervalos ocorridos no dia. Olha eu querendo palpitar nos shows dos outros, mas não seria má idéia, fala aí...

Rafael Bittencourt participa em "Late Redemption"

A terceira etapa é a parte jazzística. Saem do palco Andreoli, Donati e DaLua e juntam-se o pianista Yaniel Matos (Carlinhos Brown, Lenine), o baixista Carlinhos Noronha (Demônios da Garoa) e o baterista Jônatas Sansão (Michel Leme Trio). Aqui focam as composições de Universo Inverso. Os músicos mais uma vez dão uma aula de interpretação misturando suingue e técnica como poucos.

Os extras trazem um making of bem bacana (porém curto) e um video onde Kiko demonstra os equipamentos que utiliza (para quem é músico, é muito legal). Mesmo contendo uma ou outra falha, o resultado final é muito bom. A qualidade de gravação é excelente e certamente irá agradar seus fiéis e exigentes seguidores.

Nota: 8,0 / 10,0
Status: Diversificado

Faixas:

01)  Conflicted
02)  The Hymn
03)  Reflective
04)  Ray of Life
05)  Gray Stone Getaway
06)  No Gravity
07)  Dilemma
08)  El Guajiro
09)  Choro de Criança
10)  Giz
11)  Late Redemption
12)  Anastácia
13)  Ojos Verdes
14)  Samba da Elisa
15)  Beautiful Language
16)  Mãe D´Agua
17)  Pau-de-Arara

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Max Cavalera – My Bloody Roots



Por Davi Pascale

O guitarrista/cantor Max Cavalera solta no mercado sua autobiografia My Bloody Roots. O músico conseguiu o que parecia impossível. Conquistou o mercado internacional ao lado de uma banda de heavy metal. Conseguiu o respeito de seus ídolos, onde muitos deles são ícones do gênero. Transformou o nome de sua banda em uma marca. Transformou seu sobrenome em uma marca. Sem duvidas, uma leitura obrigatória para os fãs de seu antigo grupo e para os fãs de rock n roll em geral.

O primeiro contato que tive com sua musica foi ainda nos meus tempos de infância, ouvindo o LP Beneath The Remains. A aquisição do vinil não era uma tentativa de soar vintage ou o que quer que seja. CD, naquela época, não existia. Musica digital, tampouco. Nossas opções eram o famoso bolachão ou as fitinhas cassetes. Gostava muito das fitas para ouvir minhas musicas preferidas no carro ou trocar gravações com os amigos.  Foi assim que descobri Manowar, Blind Guardian, Slayer etc. Mas na hora de comprar, optava pelo disco.

Era comum nos aniversários e natais, pedir aos meus pais ou ao meu irmão mais velho discos ou fitas de vídeo. Fui presenteado com itens do Sepultura duas vezes. Uma com o LD japonês Under Siege Live In Barcelona que custava uma fortuna na época e outra com o VHS Third World Chaos. Tinha duas camisetas do grupo que usava bastante também. Contrariando a tradição, as duas eram brancas. Uma era uma camiseta de manga longa com uma imagem da banda na época do Arise. A outras vinha com o símbolo do Sepultura em alto relevo. Ainda recordo de ter gravado do televisor a apresentação deles no Rock In Rio II e no Hollywood Rock ´94 (pelo menos o que a Globo transmitiu deles) e as musicas da fatídica apresentação na Praça Charles Muller, exibidas dentro de um Fúria Metal (programa da MTV, na época ainda apresentado pelo Gastão Moreira). Portanto, foi um choque para mim, quando Max anunciou sua saída do Sepultura. E foi um choque quando vi que a banda continuaria com outro cantor e com seu irmão na banda.

Banda se separou no auge

Continuo acompanhando o Sepultura. Sou um grande fã do Andreas Kisser e do Derrick Green (Iggor Cavalera, acho que não preciso nem falar...), mas naquela época, na minha cabeça, o Sepultura era a banda dos irmãos Cavalera. Se alguém me falasse naquela época que existiria Sepultura sem os dois, acho que teria gargalhado. Pra mim eles representavam para o Sepultura, o mesmo que Lars Ulrich e James Hetfield representavam (e ainda representam) para o Metallica. Portanto, um dos momentos que estava mais aguardando no seu livro seria justamente a explicação da sua decisão de largar a banda no auge. Muitas pessoas haviam dito que os músicos teriam pedido para que o rapaz escolhesse entre ficar com sua esposa e ficar com a banda. Isso me parecia um pouco cruel. Sempre achava que tinha algo mais. Sempre considerei Iggor Cavalera, Paulo Jr e Andeas Kisser pessoas de ótima índole, me parecia inimaginável que tivessem essa atitude, ainda mais sabendo que a esposa dele acabava de perder um filho. Não gosto de julgar algo do qual não fiz parte, mas é essa a impressão que o músico dá. A impressão de que colocaram o dinheiro acima do respeito pelo próximo. Triste!

Durante a escrita ele mantém sua maneira de falar, mantendo inclusive as gírias, o que deixa o livro com uma leitura suave, mesmo nos momentos mais pesados. Muitos disseram que ele pegou pesado nos ataques à seus ex-companheiros. Concordo que ele pegou pesado ao se dirigir à ex-esposa de seu irmão como piranha. Achei esse ataque desnecessário, assim como o fato de revelar que ela deu em cima dele, antes de se jogar para cima de Iggor. Em relação aos ex-integrantes não vi nada de demais. Ele rasgou elogios à Andreas e ao Jairo. Achei desnecessário também se dirigir ao Paulo Jr como ‘babaca’ em determinado momento, mas não contou nenhuma atitude que pudesse manchar a imagem do mesmo. Essa história dele não ter tocado nos primeiros álbuns do  Sepultura, seus fãs já estão careca de saber.

Max Cavalera nos brinda com diversas histórias de bastidores do grupo mais pesado de Belo Horizonte, mas passa um pouco batido na historia do Soulfly. Ele comenta sobre a escolha dos títulos, dos produtores, das participações, das mudanças de formações, mas gostaria de ter lido mais sobre curiosidades da estrada com a banda. Daria para ter ido mais além nessa segunda parte...

Músico fala com honestidade sobre suas mágoas e dificuldades em sua trajetória

O livro é bem sincero e revela problemas pessoais como seu vicio com álcool, suas experiências com drogas e a dificuldade de lidar com a morte de seu pai, com a morte de Dana e com o afastamento de seu irmão que durou quase uma década. Quando entrevistei Iggor Cavalera, perguntei quem era seu ídolo e ele me respondeu “Max Cavalera”. Já sabia que era questão de tempo até que os dois se reconciliassem. Fiquei feliz com a reaproximação dos dois e com o novo projeto que criaram juntos, o Cavalera Conspiracy. Fiquei feliz de ler o depoimento de Max de que ele está limpo, longe dos álcool e das drogas. Torço para que seja verdade!


Há ainda depoimentos interessantes de diversas personalidades como Dave Ghrol, Corey Taylor, Sharon Osbourne (sei que muitos não gostam dela, mas considero ótima empresária e a atitude dela na época da morte de Dana foi sensacional). O cantor ainda se preocupou em responder mais uma vez à infinita questão sobre a possibilidade de uma reunião com o Sepultura. Concordo que em algumas histórias daria para ter ido mais à fundo, mas certamente não deixa de ser uma leitura divertida e interessante desse que é um dos poucos que pode realmente ser considerado um ícone do metal brasileiro. Recomendado! 

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Os maiores festivais de rock do mundo

Por Rafael Menegueti

Nesse final de semana ocorre em São Paulo o Lollapalooza, a edição nacional de um dos maiores festivais de rock do mundo, idealizado pelo líder do Jane’s Addiction, Perry Farrell. Alias, o Brasil tem sido roteiro frequente de grandes festivais de música, como o Rock In Rio, o SWU, o próprio Lolla e o Monsters of Rock. Esse tipo de festival atrai milhares de fãs que passam o dia rodeados por palcos e atrações de todos os tipos, já que esses festivais sempre trazem algo a mais do que os shows.

Se aqui no Brasil os line-ups dos grandes festivais já nos fazem ficar empolgados, é porque a gente ainda não tem a variedade e a qualidade dos festivais do exterior, senão, a gente ia pirar. Onheça agora alguns dos festivais de rock mais importantes e interessantes do mundo:

Graspop Metal Meeting (Bélgica)

O palco do Graspop Metal Meeting em 2012
Desde 1996, na cidade de Dessel na Bélgica, ocorre o Graspop Metal Meeting, um dos melhores e mais variados festivais de metal da Europa. O publico anual gira em torno de quase 150 mil pessoas. Nomes como Iron Maiden, Black Sabbath, Kiss, Slipknot, Epica e Dimmu Borgir já estiveram entre as principais atrações. Ele também costuma ser transmitido pela internet. Esse ano, serão cinco palcos, e os principais headliners são Avenged Sevenfold, Black Sabbath e Megadeth. Ele ocorrera entre 27 e 29 de junho.

Imagem do flyer da edição 2014 do Graspop
Download Festival (Inglaterra)

O palco do Download, na Inglaterra
O festival que ocorre anualmente em Leicestershire, na Inglaterra, é o sucessor do Monsters of Rock inglês. Ocorre desde 2003 e é considerado o principal festival de rock do Reino Unido. O festival é bem variado, indo do hardcore ao Black metal entre suas atrações. Linkin Park, Bullet for My Valentine, Iron Maiden, Slipknot (que inclusive lançou um DVD gravado lá) e Guns ‘N Roses já foram headliners. Esse ano Avenged Sevelfold novamente, Aerosmith, Rob Zombie e Within Temptation estão entre as principais atrações.

70000 tons of Metal (Miami, EUA)

O palco principal do 70000 Tons of Metal, 
Esse festival é no minimo interessante. Tratasse de um cruzeiro que sai de Miami, no navio MS Majesty of the Seas, e conta com varias bandas que tocam durante o percurso em alto mar. São cinco dias e duas áreas diferentes onde os fãs podem conferir duas apresentações de cada banda, alem de conviver com os músicos durante a viagem. Foram quatro edições até hoje, a primeira em 2011. Entre as bandas que já embarcaram estão Lacuna Coil, Stratovarius, Kamelot, Blind Guardian, Delain, Epica, Symphony X, entre muitos outros. Ainda não há confirmações para a edição 2015 do evento.

O MS Majesty of the Seas, navio onde ocorre o festival

Wacken Open Air (Alemanha)

Os lendários palcos do Wacken Open Air
Essa é a terra santa dos metaleiros. O maior festival do mundo, sem sombra de duvidas. Começou em 1990 como um festival pequeno, com poucas bandas, nem muito populares, na pequena cidade de Wacken, na Alemanha. Ao longo dos anos foi crescendo, e em 98 já era um dos maiores festivais do verão europeu. O festival tem de tudo, bandas novas disputando o Metal Battle (duas bandas brasileiras já venceram a competição, o Torture Squad e o Tuatha de Danann), lojinhas com camisetas, CDs e acessórios das bandas, e fãs de todo o mundo, criando uma atmosfera de encontro mundial de metaleiros e figurões. Varias bandas já lançaram DVDs com shows gravados lá, entre elas o Lacuna Coil, o Nightwish, Twisted Sister, Ministry e por aí vai. São três dias de festival, geralmente no inicio de agosto, onde todos os estilos de heavy metal se encontram. O publico costuma beirar a casa das centenas de milhares, e a cada ano o festival vai se espandindo. Em 2014, entre as principais atrações estão Avantasia, Arch Enemy, Motörhead, Megadeth, Saxon, Children of Bodom, Apocalyptica e Amon Amarth. 

terça-feira, 1 de abril de 2014

Especial Dia da Mentira

Por Davi Pascale

Primeiro de Abril sempre foi conhecido como o 'dia da mentira'. Para celebrar a data resolvi compilar 5 famosos boatos da história do rock. Confere aí...


Paul McCartney está morto



Talvez o boato mais popular da história do rock. Segundo a lenda, Paul McCartney havia morrido em um acidente de carro e teria sido substituído por um sósia mais talentoso. Na história que inventaram, diziam que o acidente tinha ocorrido às 5h, que seu veiculo havia colidido por não ter visto o sinal de cruzamento fechar, e que o músico havia sofrido esmagamento craniano e havia sido decapitado. Diziam que Paul havia sido substituído por William Campbell (ou Billy Shears). Na verdade, o musico havia sofrido um acidente de moto que havia lhe rendido um dente quebrado e um corte nos lábios. Esses jornalistas deveriam ter trabalhado nos Noticias Populares...  


Kiss esmaga pintinhos no palco



Boato tipicamente brasileiro. Em 1969, Alice Cooper fazia um show em um festival em Toronto quando um fã colocou uma galinha no palco. Sem saber o que fazer, o roqueiro pegou a ave e devolveu para a platéia. Os fãs fizeram o animal em pedaços. No Brasil, chegou uma noticia em que dizia que um músico de rock mascarado havia matado uma ave durante seu concerto, em busca da fama. Mesmo a história não sendo bem essa. Em 1983, o Kiss veio pela primeira vez ao Brasil e os jornalistas acharam que eles eram o tal mascarado e soltaram a pérola. Até hoje o pessoal de igreja se utiliza desse argumento para defender que são adoradores de satanás (o que também é uma mentira).


Marilyn Manson: costelas e Anos Incríveis



Marilyn Manson sempre foi um artista excêntrico. Chocou à todos lançando um álbum chamado Antichrist Superstar, criticando as religiões, chegando até à incendiar uma bíblia durante sua apresentação no Vídeo Music Awards de 1997. No Brasil, dois boatos envolvendo seu nome ficarem extremamente populares. O primeiro dizia que o musico havia arrancado suas costelas para conseguir praticar sexo oral nele mesmo e outro dizia que o polemico artistas teria interpretado Paul Weller na série Anos Incríveis. O cantor negou as duas histórias.


Meg e Jack, do White Stripes, seriam irmãos



Durante muito tempo acreditou-se que Meg e Jack White do White Stripes seriam irmãos. Em entrevista à revista Rolling Stone, em 2005, Jack admitiu a mentira. Segundo o rapaz, era uma manobra para evitar preconceitos “Quando você vê uma banda formada por duas pessoas e elas são marido e mulher ou namorados, você pensa ‘ah, sei!. Mas se eles são irmãos você diz ‘isso é interessante’. Você dá mais valor à música do que ao relacionamento”. O músico resolveu se explicar depois que um jornal de Detroit descobriu documentos que apontavam que os dois haviam sido casados entre 1996 e 2000.


Debbie Harry pegou carona com Ted Bundy



Existe uma história que diz que famosa loira do Blondie teria escapado de um ataque de Ted Bundy, um famoso serial killer, executado em 1989. Ted atraía garotas entre 15 e 25 anos para dentro de um fusca 68, estuprava, matava e, em alguns casos, praticava necrofilia. Segundo Debbie, certa vez ela pegou carona com um rapaz em Lower East Side (bairro de Manhattan, Nova Iorque) e resolveu fugir depois de notar que o veiculo não tinha maçanetas e do motorista se recusar a abaixar o vidro. A cantora teria reconhecido o rosto do rapaz quando foi noticiado a morte do criminoso. Entre os anos de 74 e 78, Ted fez mais de 100 vitimas. Até hoje ninguém sabe se era ele o motorista ou se era uma semelhança que havia deixado a moça impressionada.


O universo do rock é repleto de mitos e historias curiosas. Daria para escrever posts e mais posts. E você? Conhece algum boato do rock? Qual sua história favorita?

segunda-feira, 31 de março de 2014

Delain – The Human Contradiction (2014)

Por Rafael Menegueti

Delain - The Human Contradiction
Como prometido ontem, é hora de conhecer mais sobre o novo trabalho da banda de metal sinfonico holandesa Delain, “The Human Contradiction”. O disco estava previsto para ser lançado em 4 de abril, mas as músicas vazaram na internet na semana passada. Para quem já ouviu, e também para os que ainda não ouviram, aqui vão as minhas impressões sobre esse novo álbum.

O disco abre com uma das músicas mais potentes já lançadas pela banda, “Here Come The Vultures”. A faixa tem um ótimo riff pesado e conta com um refrão que agrada na primeira audição. É daquele tipo de música que gruda na cabeça, mas de um jeito positivo. “Your Body Is A Battleground”, que conta com a participação do parceiro de longa data Marco Hietala, vem em seguida com uma sonoridade cativante e uma letra que fala sobre a necessidade humana de viver a base de substancias artificiais e como isso se transformou em uma enorme e lucrativa industria.

Alias, o disco discorre exatamente sobre questões relacionadas a natureza humana nos tempos atuais. Ele foi inspirado por uma trilogia da autora norte-americana Octavia Butler, chamada “Lilith’s Brood”, segundo a vocalista Charlotte Wessels descreveu em uma entrevista, “uma historia pós-apocaliptica, onde o fato de a humanidade não ter durado se explica pelas duas mais contraditórias qualidades humanas: o fato de sermos uma espécie inteligente e hierárquica. (...) A partir daí a idéia de que certas qualidades seriam melhores do que outras criou varias dualidades (homens e mulheres, negros e brancos, humanos e não humanos etc.) que ajudam em nossa auto destruição”.

Alem do característico peso nas canções, a melodia também é um elemento predominante em faixas como “My Masquerade” e “Sing to Me”, onde a voz de Charlotte ganha um tom mais sensual, onde a proposta das músicas é bem mais emotiva, embora elas não sejam baladas. As guitarras de Timo Somers provam ser um grande elemento nesse disco, criando levadas cativantes e solos precisos ao que as canções pedem.

O quarto álbum do grupo foi produzido pelo próprio Martjin Westerholt
As paticipações de George Oosthoek e Alissa White-Gluz também são outro destaque. Ambos, com seus característicos vocais guturais, acrescentaram a pegada mais agressiva que o Delain havia deixado de lado em “We Are The Others”. Em “Tell Me, Mechanist”, George parece ainda mais entrosado com o estilo das músicas do que quando ele participou de “Lucidity”. Já Alissa, alem de seus “grunts”, também fez backing vocals na excelente “The Tragedy of The Commons”, que encerra o disco.

O material presente no CD bônus promete alegrar bastante os fãs. Alem de mais duas ótimas faixas, a balada “Scarlet” e a “pop-metal” “Don’t Let Go”, ainda podemos conferir varias faixas ao vivo, entre elas “April Rain” e a nova “My Mascarade”, e duas versões orquestrais, para “Sing to Me” e “Your Body Is A Battleground”. E nem preciso dizer que o disco superou minhas expectativas, e deve levar o Delain a um novo patamar entre as bandas do gênero.
Nota: 10/10
Status: Perfeito

Faixas:

1. "Here Come the Vultures"
2. "Your Body Is a Battleground" (featuring Marco Hietala)
3. "Stardust"
4. "My Masquerade"
5. "Tell Me, Mechanist" (featuring George Oosthoek)
6. "Sing to Me" (featuring Marco Hietala)
7. "Army of Dolls"
8. "Lullaby"
9. "The Tragedy of the Commons" (featuring Alissa White-Gluz)

Digipak Bonus Disc   

10. "Scarlet"
11. "Don't Let Go"
12. "My Masquerade (Live)"
13. "April Rain (Live)"
14. "Go Away (Live)"
15. "Sever (Live)"
16. "Stay Forever (Live)"
17. "Sing to Me (Orchestra Version)"
18. "Your Body Is a Battleground (Orchestra Version)"

domingo, 30 de março de 2014

Discografia Comentada: Delain

Por Rafael Menegueti

Nessa semana vazou na internet o novo álbum do Delain, “The Human Contradiction”, previsto para sair no começo de abril. Apesar de lamentar quando esse tipo de coisa acontece, pois atrapalha a vida dos músicos, eu ouvi as faixas e posso dizer que esse é o trabalho mais ousado e pesado da banda de metal sinfônico holandesa. Mas antes de falar sobre esse novo disco, decidi fazer uma descrição de seus trabalhos anteriores. Isso porque eu considero o Delain uma das melhores e mais criativas bandas da cena do metal atual. Posso ser meio suspeito pra dizer isso, afinal eu sou MUITO fã da banda, mas esse é meu ponto de vista independente de toda minha admiração pelo quinteto. Então vamos ao que interessa:

Amenity (Demo, 2002)


Martjin Westerholt precisou deixar o Within Temptation, de seu irmão Robert Westerholt, no começo dos anos 2000 devido a problemas de saúde. Quando já estava melhor, iniciou um projeto, o Delain, e lançou uma demo de maneira independente, Amenity. Embora Martjin já tenha declarado que essa demo não pode ser considerada o inicio do Delain, pois o resultado não foi o esperado, três das quatro faixas do disco seriam retrabalhadas e lançadas bem diferentes no debut oficial da banda. À época, os integrantes eram outros, e a banda tinha Anne Invernizzi nos vocais. Mas apenas Martjin seguiu no grupo, todos os outros foram trocados. Ainda bem, pois Amenity de longe não lembra a pegada do Delain, e não tinha a empolgação necessária pra dar certo.

Lucidity (2007)


Após um tempo, Martjin decidiu reformular o projeto. Chamou a jovem vocalista Charlotte Wessells, que havia conhecido por acaso enquanto voltava para casa, para integrar o projeto e após isso saiu atrás de outros colegas do cenário do metal sinfônico. Juntou Ad Sluijter (Epica), Marco Hietala (Nightwish, Tarot), Ariën van Weesenbeek (Epica), Guss Eikens e George Oosthoek (ex-Orphanage), Sharon den Adel (Within Temptation) e Liv Kristine (Leaves’ Eyes). Todos eles deram sua contribuição ao projeto, lançando um disco com uma melodia inspiradora e músicas cativantes. Desde “Sever” até a excelente “Pristine” o disco é uma verdadeira obra prima do metal sinfônico, tanto que após o sucesso dele, Martjin e Charlotte decidiram transformar o Delain de um projeto para uma banda de fato, recrutando Ronald Landa (guitarra), Rob van der Loo (baixo) e Sander Zoer (bateria) para integrar a banda. Faixas como “See Me In Shadow”, “A Day for Ghosts” e “The Gathering” servem bem pra mostrar a cara da banda, cheias de melodia e com uma pegada que alia o peso das guitarras com o som do teclado que carrega as músicas. “Pristine”, faixa que encerra o disco tem um dos arranjos orquestrais mais bem elaborados dentre todas as músicas da banda, e deixa o ouvinte querendo mais.

A formação do Delain em 2007

April Rain (2009)


Após o sucesso de “Lucidity”, a banda decidiu mostrar uma cara mais própria e uma maior maturidade em seu segundo disco: “April Rain”. Com uma visível inspiração mais pop, o disco segue uma linha cheia de arranjos de teclado, os sons das guitarras estão mais coesos e se impõem menos, dando um destaque maior para a voz de Charlotte, que demonstra uma habilidade fascinante em faixas como “April Rain”, “Start Swimming” e “Come Closer”, que na minha opinião é a melhor balada do grupo. Alias, Chalotte Wessells é o grande destaque do álbum, entre as faixas mais calmas e as mais pesadas, é a voz dela que parece ditar o ritmo das músicas. Esse seria o único trabalho com Ronald Landa e Rob van der Loo, que deixariam o grupo em 2010 para irem para o Hangover Hero e o Epica, respectivamente.

We Are The Others (2012)


Após uma certa demora, o Delain finalmente lançou seu terceiro e aguardado disco, “We Are The Others”. O disco teve inspirações na trágica morte da garota inglesa Sophie Lancaster, agredida por ser gótica. Nesse disco a banda abraça uma sonoridade bem mais comercial e pop que em seu antecessor. A maior prova disso vem de músicas como “Are You Done With Me” e “Hit Me With Your Best Shot” e também na ausência de guturais no disco. Mas ainda era possível ver o peso e a forte pegada característica das músicas da banda, em especial nas faixas “Mother Machine”, “Where’s the Blood” e “Not Enough”. Charlotte novamente se destaca, assim como os arranjos de teclado e sintetizadores de Westerholt, principalmente em “Milk & Honey”. As letras também estão mais pessoais, falando de assuntos mais da natureza humana, mais de uma maneira mais simplificada em relação aos discos anteriores. O único defeito do disco, segundo alguns, seria o fato de ele ser muito certinho. E de fato, “We Are The Others” é excessivamente pensado para soar o mais correto e alinhado possível. No entanto, creio que isso casou perfeitamente com o estilo das composições do disco.

O Delain na sua formação atual
Interlude (CD/DVD, 2013)


Com o lançamento de “We Are The Others”, a banda se preparou para passar por inúmeras mudanças. Esse momento de transição que a banda atravessou, em especial a mudança de gravadora ficou registrado em “Interlude”. O lançamento especial mostrava uma nova cara da banda, que parece mais decidida do que nunca a manter suas raízes no metal sinfônico alternativo que os consagrou. Duas faixas inéditas (“Breath On Me” e “Collars and Suits”) mostram um Delain mais coeso e que emprega melhor o uso das guitarras de Timo Somers e do peso em contraste com a melodia trazida pelos arranjos de Martjin Westerholt e pela voz de Charlotte. Também há uma nova mixagem de “Are You Done With Me”, uma versão alternativa de “We Are The Others” (melhor que a original na minha opinião), faixas ao vivo e três covers, que mostram a incrível abrangencia da banda em sua sonoridade, pois todas elas são de faixas bem diferentes do que o metal sinfônico costuma ser, em especial “Cordell”, dos Cramberries, que ficou impecável, como se fosse do próprio Delain, superando a versão original. Há ainda um DVD bônus com videoclipes, faixas ao vivo e imagens de bastidores da banda. Após esse interlúdio, a banda estava pronta para mostrar a evolução musical em sua formula, em seu novo disco...

The Human Contradiction (2014)



Mas desse eu vou falar no próximo post.