terça-feira, 25 de março de 2014

Rapidinhas para ficar por dentro do rock

Por Rafael Menegueti

- Lista de shows no Brasil esse ano é grande!

Amon Amarth, Crucified Barbara, ReVamp, Children of Bodom, Paradise Lost, HIM, Placebo, Misfits, Tarja e muitos outros ainda passam pelo Brasil. No festival Lollapalooza, que rola nos dias 5 e 6 de abril, as grandes atrações ficam por conta de Arcade Fire, Muse, do metal industrial do Nine Inch Nails e dos gigantes do grunge do Soundgarden. O próximo grande show em São Paulo fica por conta do Guns ‘N Roses, que se apresenta na sexta (28).

Guns 'N Roses está em turnê no Brasil
- O metal de luto

Morreu ontem (24) o ex-guitarrista do Almah, Paulo Schroeber. Considerado um dos melhores guitarristas do Brasil, Paulo morreu após complicações sofridas em uma cirurgia cardíaca. Ele já havia se desligado do Almah, em 2011, por conta de seu problema de saúde. Quem também nos deixou foi o vocalista da banda de thrash metal Gwar, Dave Brockie, mais conhecido como Oderus Urungus. Conhecida por tocar usando fantasias monstruosas, a banda já havia perdido um guitarrista, Cory Smoot, há alguns anos, vitima de um ataque cardíaco. As causas da morte de Dave ainda não foram esclarecidas.

Paulo Schroeber: metal nacional de luto
- The Agonist e Arch Enemy confirmam expectativas

Como eu havia dito na semana passada, The Agonist e Arch Enemy haviam trocado as vocalistas e lançariam novas faixas até o final da semana. Pois eu ouvi as músicas e devo dizer que nenhuma decepciona. “Disconnect Me”, do The Agonist, tem a mesma pegada característica da banda canadense e conta com vocais excelentes da nova vocalista Vicky Psarakis. Já a nova do Arch Enemy, “War Eternal”, já teve o videoclipe oficial lançado e surpreendeu os fãs, que estavam receosos com a nova vocalista, Alissa White-Gluz. Afinal, Angela Gossow era idolatrada por eles. Esperemos agora pelos discos que estão por vir.

Alissa calou os que duvidavam dela no Arch Enemy
- Delain dá pontapé inicial à era “The Human Contradiction”

Falando em discos por vir, a banda de metal sinfônico holandesa Delain realizou na ultima sexta (21), em Zwolle na Holanda, o primeiro show contando com as novas músicas de seu novo álbum, que será lançado no inicio de abril. Os destaques ficam com “Stardust”, primeiro single a ser lançado e para “Here Comes the Vultures”, que abriu o show. A banda ainda contou com Marcela Bovio (Stream of Passion, que também abriu o show) e George Oosthoek, que cantou nas faixas “Pristine” e na inédita “Tell Me, Mechanist”. Agora é esperar “The Human Contradiction” para conferir todas as novas músicas.

A vocalista Charlotte Wessells...
... e o guitarrista Timo Somers no show!

segunda-feira, 24 de março de 2014

Metallica – Estádio do Morumbi, São Paulo (22/03/2014)

Por Rafael Menegueti

Nesse último sábado (22) o Metallica passou mais uma vez pela cidade de São Paulo. Dessa vez, a maior banda de metal do mundo passou por pela cidade com sua turnê mais inovadora, a “Metallica By Request”. A ideia é simples e ao mesmo tempo genial: deixar os fãs escolherem, através de uma votação na internet, o setlist do show. E se tratando de Metallica, essa experiência só poderia ser memorável.

James Hetfileld durante o Show
A noite começou com uma surpresa negativa. O Raven, banda clássica do metal inglês, fez uma das piores apresentações que eu vi na vida. Foram inúmeros problemas técnicos, causados pela ausência de passagem de som. A banda precisou começar o show duas vezes, pois o som simplesmente não saia. Os microfones não funcionavam direito, e cobriam os outros instrumentos dos músicos. A banda dos irmão Mark e John Gallagher ainda subiu no palco atrasada e sem empolgação. O publico praticamente os ignorou. Um show fraco e indigno de uma banda com a importância da mesma. Só arrancaram alguns aplausos quando decidiram mandar um Black Sabbath, mas mesmo assim, foi um alivio o fim do show deles.

A decepção causada pelo Raven parecia ter ocorrido numa realidade alternativa ao que os fãs presenciaram depois, quando o Metallica finalmente subiu ao palco do Morumbi. Debaixo de uma forte chuva e com mais de 60 mil pessoas alucinadas no estádio, a banda morte-americana fez um show impecável. Abrindo com dois clássicos empolgantes, “Battery” e “Máster of Puppets”, a banda demonstrou sua marca registrada: um show agitado e alucinante.

O baterista Lars Ulrich em ação
Durante toda a apresentação, a banda fez questão de mesclar seus clássicos mais pesados e as baladas para dar mais harmonia ao setlist escolhido pelos brasileiros. Ignorando totalmente a chuva, eles deram mais uma vez a certeza do porque são considerados os melhores do mundo, levando os fãs ao delírio com faixas como “Fuel”, “The Unforgiven”, “Sad But True”, “One”, “Nothing Else Matters” e “Creeping Death”. Apesar de faixas óbvias, elas sempre são certeza de sucesso. Mas o êxtase total veio com “Enter Sandman”, maior clássico do álbum preto e que encerrou a primeira parte do show. Vale lembrar também que a nova música, “Lord of Summer”, foi outro momento alto do show. Ela mostra como definitivamente o Metallica ainda pode lançar músicas em grande estilo.

No bis, a banda soltou mais alguns momentos marcantes. “Whiskey In The Jar”, cover que a banda não tocava desde 2009, fez a alegria dos fãs mais abertos à fase mais comercial da banda. “The Day That Never Comes”, melhor e única faixa de “Death Magnetic” tocada no show, escolhida pelos fãs por SMS durante a apresentação, foi muito bem executada. A banda encerraria a apresentação com mais um clássico, “Seek & Destroy”, do álbum “Kill ‘em All”, deixando o publico completamente sem palavras.

Choveu bastante durante o show
Em um show onde a interação com o público foi o maior destaque, inclusive com fãs do fã clube da banda no palco, o Metallica fez uma de suas melhores aparições no Brasil. Sendo o setlist exatamente como os fãs queriam, e com momentos memoráveis e com a assinatura do Metallica, o show não poderia ter sido melhor.

Nota: 10
Status: De tirar o fôlego

Setlist:

Battery
Master of Puppets
Welcome Home (Sanitarium)
Fuel
The Unforgiven
Lords of Summer
Wherever I May Roam
Sad But True
Fade to Black
And Justice for All
One
For Whom the Bell Tolls
Creeping Death
Nothing Else Matters
Enter Sandman


Encore:
Whiskey In The Jar
The Day That Never Comes
Seek & Destroy

domingo, 23 de março de 2014

Tarja - Act I DVD (2012)


Por Davi Pascale
Quando a cantora Tarja Turunen foi mandada embora do Nightwish, muitos duvidavam que ela continuaria fazendo trabalhos ligados ao heavy metal. Tarja nunca fez segredo nas entrevistas e afirmava que só tinha passado a conhecer o estilo depois que já estava na banda. Como seu grande ídolo, era comum citar a cantora Sarah Brightman. Entretanto, para a surpresa de todos, a artista conseguiu fazer uma mistura perfeita de rock, metal, música clássica e pop no disco My Winter Storm. No disco seguinte, What Lies Beneath, veio com um som ainda mais pesado calando a boca de todos. É a turnê desse disco que está registrado nesse novo DVD: Act I.
Os fãs do Nightwish costumam idolatrar o tecladista Tuomas Holopainen. Afinal, ele é o dono da banda e o responsável pelas composições. Embora nunca tenha concordado com muitas de suas atitudes (por exemplo, a já citada demissão de Tarja. Sem contar que essa saída da Anette também foi muito estranha...), sou obrigado a concordar que o rapaz é um ótimo músico e um excelente compositor. Sou um grande fã do Nightwish desde o lançamento de Oceanborn. Mas sou obrigado a concordar que a carreira solo de Tarja Turunen tem me impressionado muito mais do que os trabalhos mais recentes do Nighwish. Tenho achado os discos dela muito mais consistentes.

Quem é fã, não tem do que reclamar do DVD. A qualidade de imagem e áudio é perfeita. Assim, como a performance dos músicos. O grande destaque vai para o baterista Mike Terrana (Rage, Axel Rudi Pell), um verdadeiro monstro! E, é claro, Tarja Turunen. Aqui, a linda cantora demonstra tudo aquilo que seus fãs esperam: charme, simpatia e performance vocal impecável. Há quem julgue ela, mas honestamente acho uma das melhores vozes que surgiu na cena metálica nesses últimos anos.
Dona de um grande domínio vocal, Tarja Turunen esbanja simpatia

O show é comprido. São 2:30h de apresentação se somarmos as canções do DVD principal com as canções que entraram de extra no DVD 2. De brinde, temos uma entrevista onde Tarja explica o fato de ter escolhido gravar na Argentina, como é para ele misturar música clássica e heavy metal, sua relação com fãs etc. A entrevista é curta – aproximadamente 20 minutos – e flui bem. Nas divertidas declarações, vale citar como destaque o momento onde ela conta ter recebido como presente de um fã um urso de pelúcia que era tão grande que ela tinha dificuldade de caminhar com ele no aeroporto e teve que levar o urso sentado ao lado dela no avião...
O repertório é baseado em seus trabalhos solos, mas seus antigos fãs podem relembrar o passado com a interpretação de "Nemo" (Once) e das versões de "The Phantom Of The Opera" e "Over The Hills And Far Away". É difícil citar um destaque durante o show. Acho que ela conseguiu manter o (alto) nível durante a performance, mas ainda acho que “Boy And The Ghost” deveria estar no DVD principal e não nos extras. Deixe a birra de lado e assista! Recomendado não somente à aqueles que gostam de metal, mas à todos aqueles que gostam de boa música... 
Nota: 9,0
Status: Empolgante
Faixas:
DVD 1
If You Believe / Anteroom of Death / My Little Phoenix / Dark Star / Naiad / Falling Awake / I Walk Alone/ Orpheus Allucination - Orpheus In The Underworld / Little Lies Band Jam / Little Lies / Into The Sun / Nemo / River of Lust - Minor Heaven - Montañas de Silencio / Sing For Me / I Feel Immortal / Never Enough / In For a Kill / Toccata and Fugue D-Minor / The Phantom of the Opera / Die Alive / Until My Last Breath / Over The Hills And Far Away
DVD 2
Boy and Ghost / Lost Nothern Star / Ciaran´s Well / Tired Of Being Alone / Where Were You Last Night - Heaven Is a Place on Earth - Livin´ On a Prayer / Underneath / The Reign / Oasis - The Archive of Lost Dreams / Still of the Night / Crimson Deep 

sábado, 22 de março de 2014

Extreme de Volta à Ativa





Por Davi Pascale

Neste mês de Março, completa-se 25 anos que o primeiro trabalho do Extreme chegou às lojas. Embora tenha recebido boas críticas, o debut passou batido do grande público. Os garotos só dominariam as paradas mesmo com o segundo disco II – Pornograffitti (1990), graças ao megahit “More Than Words”. Agora em Junho a banda volta à ativa com uma turnê comemorativa onde irá interpretar seu disco mais famoso na íntegra.

Embora, no Brasil, a crítica tirasse sarro do conjunto, em uma questão não havia discussões: Nuno Bettencourt era uma das grandes revelações daquela geração. O menino prodígio já havia chamado a atenção da critica internacional quando lançaram seu trabalho de estréia, para dizer a verdade. Embora já tenha escutado algumas críticas em relação à sua pessoa, ninguém questiona seu talento. Sua técnica, seu feeling, sua criatividade, era invejável e certamente fazia a diferença no grupo.

Gary Cherone, por outro lado, fazia bons trabalhos vocais nos discos, mas ao vivo era fraquérrimo. Ainda me lembro da decepção que tive ao assisti-lo, pelo televisor, na apresentação do extinto festival Hollywood Rock ´92 e no Freddie Mercury Tribute. Além de desafinar muito, sua voz tremia como um cabrito. Não entendi quando o Van Halen anunciou que seria o substituto de Sammy Hagar. E, 17 anos depois, continuo não entendendo. Até pegava influencia de Van Halen no som dos rapazes, principalmente nas guitarras, mas era nítido que ele não tinha potencial para se segurar em um projeto desses. O resultado não poderia ter sido diferente: reação negativa do publico, álbum fracassado, um disco e nada mais.

Nuno Bettencourt era o grande destaque do grupo
 
Se nos concertos a banda dividia opiniões, nos álbuns faziam bonito. Os três primeiros álbuns da banda – Extreme, II Pornograffitti e III Sides To Every Story – ainda empolgam décadas depois. Os três CD´s são repletos de canções memoráveis. Faixas como “Kid Ego”, “It´s A Monster”, “Decadence Dance”, “Color Me Blind” e “Rest In Peace” certamente marcaram minha adolescência. Os demais trabalhos Waiting For The Punchline e Saudades de Rock, são interessantes e contam com bons momentos, mas já estavam um nível abaixo, na minha opinião.

O grupo surgido, em 1986, na cidade de Boston tinha em sua formação clássica, além dos já citados Gary e Nuno, o competente baixista Pat Badger e o fraco baterista Paul Geary. Embora os músicos não tivessem o mesmo nível técnico, eles tinham uma química que funcionava legal. Sempre aguardava ansioso pelo lançamento do disco deles.

O grupo teve seu primeiro baque em 1994, quando Geary, resolveu abandonar o barco no auge do sucesso. Nunca entendi bem o que rolou para que tomasse essa decisão naquele momento. Uma coisa, entretanto, é verdade. O rapaz se lançou em uma carreira de empresário e se deu bem. Chegou a empresariar várias bandas que dominaram as paradas nos anos 90 e 00 como Smashing Pumpkins, Godsmack, Creed, Alter Bridge e Hoobastank, só para citar alguns. Certeza que ganhou um dinheirinho, fala aí... Para seu lugar trouxeram o excelente Mike Mangini, que tinha toda a técnica que o anterior não tinha. Exatamente esse que vocês estão pensando, o rapaz que acompanhou o Steve Vai e que atualmente substitui o Mike Portnoy no Dream Theater. Sim, meus amiguinhos ele foi do Extreme e gravou com eles.

Lineup atual: Pat Badger, Nuno Bettencourt, Gary Cherone e Kevin Figueiredo

 Dois anos depois, a banda anunciou a separação. Acredito que tenham ficado desanimados com a queda de popularidade. Embora tenham conseguido algum destaque com a faixa “Cynical”, a atenção voltada à eles diminuiu bastante. Não apenas o grupo não tinha mais a mesma força, como o próprio hard rock não tinha mais a mesma força de antes. Nessa época, quem estava dominando as paradas eram a cantora Alanis Morissette com Jagged Little Pill , o Metallica com Load e o Smashing Pumpkins como seu álbum duplo Mellon Collies and Infinite Sadness. Os únicos grupos de hard rock que estavam dando o que falar nesse momento eram o Kiss, que havia acabado de anunciar o retorno da formação clássica, e o Aerosmith. O Bon Jovi anunciaria uma pausa não muito tempo depois, Guns n Roses e Van Halen estavam enrolados (para variar) e o resto já havia sumido.

Nuno lançou o Schizophonic, seu primeiro trabalho solo, em 1997 e se deu mal. O rapaz tentou se adaptar ao mercado fazendo um som com um pé no alternativo e o disco simplesmente não aconteceu. Os fãs do Extreme não curtiam aquele som e os fãs daquele som não demonstraram interesse. Sem contar que o trabalho vocal dele era fraquinho, fraquinho. Ainda tentou mais alguns projetos como o Mourning Windows e Dramagods, mas ambos passaram batidos tanto pelo publico quanto pela critica. Seus trabalhos foram tão mal sucedidos que ele abriu mão de seu lado compositor e passou a ganhar dinheiro se apresentando ao lado da cantora pop Rihanna, com quem vem se apresentando desde 2010. Nesse meio tempo, chegou a se casar com Suze DeMarchi, cantora do ótimo grupo Baby Animals (mais um que está voltando às ativas), com quem esteve junto por 15 anos.

Os rapazes estão retornando com o mesmo lineup de 2008. Ou seja; Gary Cherone nos vocais, Nuno Bettencourt nas guitarras, Pat Badger no baixo e o baterista Kevin Figueiredo. A idéia do espetáculo é bacana, vamos ver se vai pra frente!

sexta-feira, 21 de março de 2014

Às vezes o rock é confuso...

Por Rafael Menegueti

- O Lanewin era uma banda de metal sinfônico russa, que tinha nos vocais Anna Balaeva. A banda durou pouco, lançou dois discos razoáveis e acabou no ano passado. Daí a vocalista decidiu lançar carreira solo. Tomei um susto quando vi que era na dance music. Vi um vídeo e parece que ela virou uma espécie de versão russa da Dulce Maria. Vai entender...

O Lanewin: vocalista Anna agora canta pop
- Os suecos do Sonic Syndicate começaram a banda no inicio dos anos 2000. Em 2005 lançaram seu primeiro álbum, “Eden Fire”, e começaram a fazer sucesso com seu segundo disco, “Only Inhuman”, de 2007. Após o lançamento de seu terceiro álbum, “Love and Other Disasters”, em 2009, um dos vocalistas da banda, Roland Johanson, abandonou o barco, em pleno auge do grupo. Seu substituto, Nathan Biggs, não agradou os fãs, e após lançarem “We Rule The Night”, o outro vocalista, Richard Sjunnesson também saiu. Os dois decidiram montar uma nova banda, o The Unguided, convidaram o também guitarrista do Sonic Syndicate, Roger Sjunnesson, irmão de Richard, e o baterista John Bengtsson, também do Sonic, para tocar no grupo. A banda soa igual ao Sonic Syndicate, ou seja, eles saíram da banda para montar a banda de novo...

- Já a guitarrista norte-americana Lori Linstruth, ex-Stream of Passion e parceira musical de Arjen van Lucassen, que também é seu marido, decidiu largar sua carreira promissora na música, pra virar adestradora de cães. E ela tocava muito bem.

- Falando em largar a carreira, sempre tem os que decidem mudar de vida e se dedicar a religião. No Brasil, o caso mais famoso é o de Rodolfo Abrantes, ex-vocalista do Raimundos, que se converteu evangélico e chegou a dizer que sentia vergonha das músicas que ele cantava em sua antiga banda. Pelo mundo tem também os casos assim, e um que me chamou bastante a atenção foi o do ex-vocalista do Kamelot, Roy Khan, que apareceu bem diferente do que todo mundo lembrava-se dele em uma foto numa igreja:



- O Hangover Hero era uma banda de rock alternativo holandesa criada por Ronald Landa, ex-Delain e Ad Sluijter, ex-Epica, alem de Andre Borgman, ex-baterista do After Forever. Lançaram um disco independente homônimo e saíram em turnê pela Europa. A banda até que ia bem, mas de repente, sumiu. Eles pararam de postar noticias nas redes sociais, não fizeram mais shows, o site da banda está abandonado, e nenhuma explicação. Ronald Landa fez pouquíssimas aparições, a ultima em um show de sua ex-banda, o Delain, e Ad Sluijter tocou com o Epica no show comemorativo de 10 anos da banda e produziu alguns discos de outras bandas. E o Hangover Hero simplesmente ficou esquecido. Uma pena, pois o som era bem legal.

Os membros do Hangover Hero: cadê?

quinta-feira, 20 de março de 2014

Erika Martins – Modinhas (2013)


Por Davi Pascale

Alguns dias atrás, escrevi um artigo sobre a banda Penélope e havia prometido para os leitores que assim que estivesse com o novo CD da Erika Martins em mãos, resenharia para o blog. Pois bem, aí vamos nós...

Modinhas, segundo álbum solo da ex-Penélope, foi realizado através do sistema de crowd-founding. Ou seja, o publico paga a produção do álbum através de cotas. Aqueles que contribuíram com o projeto, acabam tendo alguns privilégios que variam de acordo com a cota que o comprador optou.

Vocês já devem ter lido por aí, alguns sites citando esse trabalho como o terceiro álbum solo de Érika. O que acontece é que entre o CD auto-intitulado de 2009 e esse novo material, foi colocado no mercado um CD com o nome de Curriculum que contava com a produção do Marcelo Fróes. Esse cara já lançou discos bem legais e alguns bem questionáveis também, portanto, sempre fico com um pé atrás quando leio seu nome na capa. O CD da Erika, contudo, é um trabalho até que interessante, mas nada mais é do que uma coletânea onde foram focadas as participações especiais (tanto dela com outros artistas, como o inverso). Se não me engano, havia apenas uma faixa inédita. Portanto, não gosto de considerá-lo um disco de carreira.

Disco mistura musicas tradicionais com novos compositores

Confesso que fiquei meio preocupado quando li sobre a proposta do novo disco e, principalmente, quando li Caetano Veloso colocando-o como destaque junto com artistas do porte de Emicida e Criolo. Tenho enorme respeito pelo Caetano, acho que ele fez alguns trabalhos realmente incríveis durante sua trajetória, e paro para ouvir quando ele tem algo a dizer (se bem que a postura dele em relação às biografias me decepcionou um pouco), mas Emicida e Criolo são dois artistas que não me descem. Quando li ela explicando o conceito de Modinhas também fiquei com um pouco de receio. Medo de que ela tivesse ido para um lado dor-de-cotovelo quase brega, medo que tivesse abandonado o rock. Mas na verdade, a essência dela está aqui. Não há nada aqui que seja questionável. E, sim, o rock continua intacta.

Gosto desse tipo de surpresas, desse tipo de ousadia. Gosto de quando o artista sai da sua zona de conforto e tenta algo novo. Acredito que a cena musical evoluiria muito se mais artistas tivessem esse tipo de postura. Portanto, já ganha meu respeito aqui.

Para quem não está por dentro do projeto. Modinhas é um gênero musical brasileiro criado no século XVII. O nome no diminutivo foi escolhido para que não fosse confundido com a moda portuguesa. O estilo fez tanto sucesso que os próprios músicos eruditos portugueses passaram a adotá-lo em seu repertório, adicionando algumas características da ópera italiana. Tinha como característica seu lado suave, romântico e talvez esse seja o ponto em comum com o trabalho da cantora. Entretanto, o que torna o álbum interessante é que ela pegou clássicos de Villa Lobos e Manuel Bandeira, e misturou com composições de novos autores que seguiam a mesma lógica e deu uma cara atual para os arranjos. Sem duvidas, um trabalho criativo.

Trabalho foi bancado pelo sistema crowd-founding

O disco que conta com a direção artística de sua ex-companheira do Penélope, Constanza Scofield, foi gravado na Toca do Bandido no Rio de Janeiro e conta com as participações de músicos como Otto, Gabriel Thomaz (guitarrista e cantor do Autoramas, marido da cantora) e Fred (baterista do Raimundos). 

Entre erros e acertos, Erika apresenta um trabalho com arranjos, na maior parte do tempo, maduros e influencias diversas. O CD não conta com uma sonoridade única. Seu estilo de cantar não sofreu muitas alterações, exceto que não encontramos mais seus gritos que tanto marcou o trabalho de sua antiga banda. Como destaque colocaria a faixa de abertura “Fundidos”, a ousada versão de “Modinha (Serestas Peça N°5)” de Villa- Lobos, a balada “Bonita”, além de “Rolo Compressor” de Pedro Veríssimo e Fernando Aranha. Trabalho que é ao mesmo tempo arcaico e moderno, suave e intenso. Vale uma audição.

Nota: 7,5
Status: Ousado

Faixas:

      01)   Fundidos
02)   Dar-te-ei
03)   Modinha (Serestas – Peça Nº 5)
04)   Modinha (A Rosa)
05)   Bonita
06)   A Euri
07)   Casinha Pequenina
08)   Prelúdio Para Ninar Gente Grande (Menino Passarinho)
09)   Garota Interrompida
10)   Rolo Compressor 
11)   Vien Tei
12)   Memorabilia
13)   Ganas de Volar – Preludio Para Ninar Gente Grande (Versão em Espanhol)

quarta-feira, 19 de março de 2014

Timo Tolkki’s Avalon – The Land of New Hope (2013)

Por Rafael Menegueti

Timo Tolkki's Avalon - The Land of New Hope
O ex-guitarrista da banda finlandesa Stratovarius, Timo Tolkki, lançou no ano passado a primeira parte (ou não?) de um ótimo e ambicioso projeto, a ópera metal Avalon. Timo decidiu fazer uma historia em trilogia, e fala de um planeta terra destruído e pós apocalíptico, onde um grupo de sobreviventes busca um lugar sagrado onde possam recomeçar, mas terão de passar por muitos perigos antes disso. Apesar da historia ser sequencial, “The Land of New Hope” é a parte final da história (e não me pergunte porque ele quis fazer ao contrario).

Sobre a formula desse tipo de projeto, que une diferentes vocalistas convidados em um disco com faixas recheadas de arranjos orquestrais, solos de guitarra bem elaborados e vocais épicos, é fácil perceber que esse disco tem tudo que se pode esperar dele. As músicas tem um lado melódico bem particular dos trabalhos de Timo Tolkki, que também deixou uma excelente marca com sua guitarra, evitando ficar como um coadjuvante em seu trabalho. Digo isso porque as vozes escolhidas por ele são simplesmente excelentes, e facilmente roubariam a cena.

Russel Allen, (Symphony X, Adrenaline Mob), Elize Ryd (Amaranthe), Rob Rock (ex-Axel Rudi Pell), Michael Kiske (Unisonic, ex-Helloween), Sharon den Adel (Within Temptation) e Tony Kakko (Sonata Arctica) formam o super time de vocalistas que se apresentam no álbum. E cada um deles incorporou bem suas características no disco. Rob Rock e Elize Ryd tiveram um papel maior nas faixas, e por isso se destacaram. Russel Allen não ficou atrás, e mostrou um desempenho digno de seu trabalho. Outros músicos conhecidos da cena de power metal melódico como Alex Holzwarth, do Rhapsody of Fire, Jens Johanson, do Stratovarius, e Derek Sherinian, Ex-Dream Theater, participaram nas gravações.

Elize Ryd e Timo Tolkki gravaram um clipe para "Enshrined In My Memory"
Dentre as melhore faixas do álbum, posso citar a empolgante “To The Edge of The World”, a melódica “Enshrined In My Memory” e a faixa-título, que encerra o disco. A balada “I’ll Sing You Home”, carregada pela bela voz de Elize também é um momento marcante do disco. Sem falar na parceria dela com Sharon den Adel, em “Shine”. Já Russel Allen rouba a cena em “In The Name of The Rose”.

Coeso e bem produzido, o disco é divertido e só tem bons momentos. Apesar de não acrecentar nada de novo ao estilo, não há o que reclamar do disco. É empolgante e mostra um Timo Tolkki inspirado nas composições. Sem falar na arte da capa, que é completa o álbum perfeitamente. Quem for fã do estilo de metal melódico e power metal, e do trabalho de Timo, não pode deixar de conferir. A segunda parte da historia, o disco “Angels of the Apocalypse”, sairá em maio, e contará com Floor Jansen, Elize Ryd, Fabio Lione e Simone Simons, entre outros, portanto fiquem atentos.

Nota:9/10
Status: Inspirado

Faixas:
1. "Avalanche Anthem"
2. "A World Without Us"
3. "Enshrined in My Memory"
4. "In the Name of the Rose"
5. "We Will Find a Way"
6. "Shine"
7. "The Magic of the Night"
8. "To the Edge of the Earth"
9. "I’ll Sing You Home"
10. "The Land of New Hope"