sábado, 22 de março de 2014

Extreme de Volta à Ativa





Por Davi Pascale

Neste mês de Março, completa-se 25 anos que o primeiro trabalho do Extreme chegou às lojas. Embora tenha recebido boas críticas, o debut passou batido do grande público. Os garotos só dominariam as paradas mesmo com o segundo disco II – Pornograffitti (1990), graças ao megahit “More Than Words”. Agora em Junho a banda volta à ativa com uma turnê comemorativa onde irá interpretar seu disco mais famoso na íntegra.

Embora, no Brasil, a crítica tirasse sarro do conjunto, em uma questão não havia discussões: Nuno Bettencourt era uma das grandes revelações daquela geração. O menino prodígio já havia chamado a atenção da critica internacional quando lançaram seu trabalho de estréia, para dizer a verdade. Embora já tenha escutado algumas críticas em relação à sua pessoa, ninguém questiona seu talento. Sua técnica, seu feeling, sua criatividade, era invejável e certamente fazia a diferença no grupo.

Gary Cherone, por outro lado, fazia bons trabalhos vocais nos discos, mas ao vivo era fraquérrimo. Ainda me lembro da decepção que tive ao assisti-lo, pelo televisor, na apresentação do extinto festival Hollywood Rock ´92 e no Freddie Mercury Tribute. Além de desafinar muito, sua voz tremia como um cabrito. Não entendi quando o Van Halen anunciou que seria o substituto de Sammy Hagar. E, 17 anos depois, continuo não entendendo. Até pegava influencia de Van Halen no som dos rapazes, principalmente nas guitarras, mas era nítido que ele não tinha potencial para se segurar em um projeto desses. O resultado não poderia ter sido diferente: reação negativa do publico, álbum fracassado, um disco e nada mais.

Nuno Bettencourt era o grande destaque do grupo
 
Se nos concertos a banda dividia opiniões, nos álbuns faziam bonito. Os três primeiros álbuns da banda – Extreme, II Pornograffitti e III Sides To Every Story – ainda empolgam décadas depois. Os três CD´s são repletos de canções memoráveis. Faixas como “Kid Ego”, “It´s A Monster”, “Decadence Dance”, “Color Me Blind” e “Rest In Peace” certamente marcaram minha adolescência. Os demais trabalhos Waiting For The Punchline e Saudades de Rock, são interessantes e contam com bons momentos, mas já estavam um nível abaixo, na minha opinião.

O grupo surgido, em 1986, na cidade de Boston tinha em sua formação clássica, além dos já citados Gary e Nuno, o competente baixista Pat Badger e o fraco baterista Paul Geary. Embora os músicos não tivessem o mesmo nível técnico, eles tinham uma química que funcionava legal. Sempre aguardava ansioso pelo lançamento do disco deles.

O grupo teve seu primeiro baque em 1994, quando Geary, resolveu abandonar o barco no auge do sucesso. Nunca entendi bem o que rolou para que tomasse essa decisão naquele momento. Uma coisa, entretanto, é verdade. O rapaz se lançou em uma carreira de empresário e se deu bem. Chegou a empresariar várias bandas que dominaram as paradas nos anos 90 e 00 como Smashing Pumpkins, Godsmack, Creed, Alter Bridge e Hoobastank, só para citar alguns. Certeza que ganhou um dinheirinho, fala aí... Para seu lugar trouxeram o excelente Mike Mangini, que tinha toda a técnica que o anterior não tinha. Exatamente esse que vocês estão pensando, o rapaz que acompanhou o Steve Vai e que atualmente substitui o Mike Portnoy no Dream Theater. Sim, meus amiguinhos ele foi do Extreme e gravou com eles.

Lineup atual: Pat Badger, Nuno Bettencourt, Gary Cherone e Kevin Figueiredo

 Dois anos depois, a banda anunciou a separação. Acredito que tenham ficado desanimados com a queda de popularidade. Embora tenham conseguido algum destaque com a faixa “Cynical”, a atenção voltada à eles diminuiu bastante. Não apenas o grupo não tinha mais a mesma força, como o próprio hard rock não tinha mais a mesma força de antes. Nessa época, quem estava dominando as paradas eram a cantora Alanis Morissette com Jagged Little Pill , o Metallica com Load e o Smashing Pumpkins como seu álbum duplo Mellon Collies and Infinite Sadness. Os únicos grupos de hard rock que estavam dando o que falar nesse momento eram o Kiss, que havia acabado de anunciar o retorno da formação clássica, e o Aerosmith. O Bon Jovi anunciaria uma pausa não muito tempo depois, Guns n Roses e Van Halen estavam enrolados (para variar) e o resto já havia sumido.

Nuno lançou o Schizophonic, seu primeiro trabalho solo, em 1997 e se deu mal. O rapaz tentou se adaptar ao mercado fazendo um som com um pé no alternativo e o disco simplesmente não aconteceu. Os fãs do Extreme não curtiam aquele som e os fãs daquele som não demonstraram interesse. Sem contar que o trabalho vocal dele era fraquinho, fraquinho. Ainda tentou mais alguns projetos como o Mourning Windows e Dramagods, mas ambos passaram batidos tanto pelo publico quanto pela critica. Seus trabalhos foram tão mal sucedidos que ele abriu mão de seu lado compositor e passou a ganhar dinheiro se apresentando ao lado da cantora pop Rihanna, com quem vem se apresentando desde 2010. Nesse meio tempo, chegou a se casar com Suze DeMarchi, cantora do ótimo grupo Baby Animals (mais um que está voltando às ativas), com quem esteve junto por 15 anos.

Os rapazes estão retornando com o mesmo lineup de 2008. Ou seja; Gary Cherone nos vocais, Nuno Bettencourt nas guitarras, Pat Badger no baixo e o baterista Kevin Figueiredo. A idéia do espetáculo é bacana, vamos ver se vai pra frente!

sexta-feira, 21 de março de 2014

Às vezes o rock é confuso...

Por Rafael Menegueti

- O Lanewin era uma banda de metal sinfônico russa, que tinha nos vocais Anna Balaeva. A banda durou pouco, lançou dois discos razoáveis e acabou no ano passado. Daí a vocalista decidiu lançar carreira solo. Tomei um susto quando vi que era na dance music. Vi um vídeo e parece que ela virou uma espécie de versão russa da Dulce Maria. Vai entender...

O Lanewin: vocalista Anna agora canta pop
- Os suecos do Sonic Syndicate começaram a banda no inicio dos anos 2000. Em 2005 lançaram seu primeiro álbum, “Eden Fire”, e começaram a fazer sucesso com seu segundo disco, “Only Inhuman”, de 2007. Após o lançamento de seu terceiro álbum, “Love and Other Disasters”, em 2009, um dos vocalistas da banda, Roland Johanson, abandonou o barco, em pleno auge do grupo. Seu substituto, Nathan Biggs, não agradou os fãs, e após lançarem “We Rule The Night”, o outro vocalista, Richard Sjunnesson também saiu. Os dois decidiram montar uma nova banda, o The Unguided, convidaram o também guitarrista do Sonic Syndicate, Roger Sjunnesson, irmão de Richard, e o baterista John Bengtsson, também do Sonic, para tocar no grupo. A banda soa igual ao Sonic Syndicate, ou seja, eles saíram da banda para montar a banda de novo...

- Já a guitarrista norte-americana Lori Linstruth, ex-Stream of Passion e parceira musical de Arjen van Lucassen, que também é seu marido, decidiu largar sua carreira promissora na música, pra virar adestradora de cães. E ela tocava muito bem.

- Falando em largar a carreira, sempre tem os que decidem mudar de vida e se dedicar a religião. No Brasil, o caso mais famoso é o de Rodolfo Abrantes, ex-vocalista do Raimundos, que se converteu evangélico e chegou a dizer que sentia vergonha das músicas que ele cantava em sua antiga banda. Pelo mundo tem também os casos assim, e um que me chamou bastante a atenção foi o do ex-vocalista do Kamelot, Roy Khan, que apareceu bem diferente do que todo mundo lembrava-se dele em uma foto numa igreja:



- O Hangover Hero era uma banda de rock alternativo holandesa criada por Ronald Landa, ex-Delain e Ad Sluijter, ex-Epica, alem de Andre Borgman, ex-baterista do After Forever. Lançaram um disco independente homônimo e saíram em turnê pela Europa. A banda até que ia bem, mas de repente, sumiu. Eles pararam de postar noticias nas redes sociais, não fizeram mais shows, o site da banda está abandonado, e nenhuma explicação. Ronald Landa fez pouquíssimas aparições, a ultima em um show de sua ex-banda, o Delain, e Ad Sluijter tocou com o Epica no show comemorativo de 10 anos da banda e produziu alguns discos de outras bandas. E o Hangover Hero simplesmente ficou esquecido. Uma pena, pois o som era bem legal.

Os membros do Hangover Hero: cadê?

quinta-feira, 20 de março de 2014

Erika Martins – Modinhas (2013)


Por Davi Pascale

Alguns dias atrás, escrevi um artigo sobre a banda Penélope e havia prometido para os leitores que assim que estivesse com o novo CD da Erika Martins em mãos, resenharia para o blog. Pois bem, aí vamos nós...

Modinhas, segundo álbum solo da ex-Penélope, foi realizado através do sistema de crowd-founding. Ou seja, o publico paga a produção do álbum através de cotas. Aqueles que contribuíram com o projeto, acabam tendo alguns privilégios que variam de acordo com a cota que o comprador optou.

Vocês já devem ter lido por aí, alguns sites citando esse trabalho como o terceiro álbum solo de Érika. O que acontece é que entre o CD auto-intitulado de 2009 e esse novo material, foi colocado no mercado um CD com o nome de Curriculum que contava com a produção do Marcelo Fróes. Esse cara já lançou discos bem legais e alguns bem questionáveis também, portanto, sempre fico com um pé atrás quando leio seu nome na capa. O CD da Erika, contudo, é um trabalho até que interessante, mas nada mais é do que uma coletânea onde foram focadas as participações especiais (tanto dela com outros artistas, como o inverso). Se não me engano, havia apenas uma faixa inédita. Portanto, não gosto de considerá-lo um disco de carreira.

Disco mistura musicas tradicionais com novos compositores

Confesso que fiquei meio preocupado quando li sobre a proposta do novo disco e, principalmente, quando li Caetano Veloso colocando-o como destaque junto com artistas do porte de Emicida e Criolo. Tenho enorme respeito pelo Caetano, acho que ele fez alguns trabalhos realmente incríveis durante sua trajetória, e paro para ouvir quando ele tem algo a dizer (se bem que a postura dele em relação às biografias me decepcionou um pouco), mas Emicida e Criolo são dois artistas que não me descem. Quando li ela explicando o conceito de Modinhas também fiquei com um pouco de receio. Medo de que ela tivesse ido para um lado dor-de-cotovelo quase brega, medo que tivesse abandonado o rock. Mas na verdade, a essência dela está aqui. Não há nada aqui que seja questionável. E, sim, o rock continua intacta.

Gosto desse tipo de surpresas, desse tipo de ousadia. Gosto de quando o artista sai da sua zona de conforto e tenta algo novo. Acredito que a cena musical evoluiria muito se mais artistas tivessem esse tipo de postura. Portanto, já ganha meu respeito aqui.

Para quem não está por dentro do projeto. Modinhas é um gênero musical brasileiro criado no século XVII. O nome no diminutivo foi escolhido para que não fosse confundido com a moda portuguesa. O estilo fez tanto sucesso que os próprios músicos eruditos portugueses passaram a adotá-lo em seu repertório, adicionando algumas características da ópera italiana. Tinha como característica seu lado suave, romântico e talvez esse seja o ponto em comum com o trabalho da cantora. Entretanto, o que torna o álbum interessante é que ela pegou clássicos de Villa Lobos e Manuel Bandeira, e misturou com composições de novos autores que seguiam a mesma lógica e deu uma cara atual para os arranjos. Sem duvidas, um trabalho criativo.

Trabalho foi bancado pelo sistema crowd-founding

O disco que conta com a direção artística de sua ex-companheira do Penélope, Constanza Scofield, foi gravado na Toca do Bandido no Rio de Janeiro e conta com as participações de músicos como Otto, Gabriel Thomaz (guitarrista e cantor do Autoramas, marido da cantora) e Fred (baterista do Raimundos). 

Entre erros e acertos, Erika apresenta um trabalho com arranjos, na maior parte do tempo, maduros e influencias diversas. O CD não conta com uma sonoridade única. Seu estilo de cantar não sofreu muitas alterações, exceto que não encontramos mais seus gritos que tanto marcou o trabalho de sua antiga banda. Como destaque colocaria a faixa de abertura “Fundidos”, a ousada versão de “Modinha (Serestas Peça N°5)” de Villa- Lobos, a balada “Bonita”, além de “Rolo Compressor” de Pedro Veríssimo e Fernando Aranha. Trabalho que é ao mesmo tempo arcaico e moderno, suave e intenso. Vale uma audição.

Nota: 7,5
Status: Ousado

Faixas:

      01)   Fundidos
02)   Dar-te-ei
03)   Modinha (Serestas – Peça Nº 5)
04)   Modinha (A Rosa)
05)   Bonita
06)   A Euri
07)   Casinha Pequenina
08)   Prelúdio Para Ninar Gente Grande (Menino Passarinho)
09)   Garota Interrompida
10)   Rolo Compressor 
11)   Vien Tei
12)   Memorabilia
13)   Ganas de Volar – Preludio Para Ninar Gente Grande (Versão em Espanhol)

quarta-feira, 19 de março de 2014

Timo Tolkki’s Avalon – The Land of New Hope (2013)

Por Rafael Menegueti

Timo Tolkki's Avalon - The Land of New Hope
O ex-guitarrista da banda finlandesa Stratovarius, Timo Tolkki, lançou no ano passado a primeira parte (ou não?) de um ótimo e ambicioso projeto, a ópera metal Avalon. Timo decidiu fazer uma historia em trilogia, e fala de um planeta terra destruído e pós apocalíptico, onde um grupo de sobreviventes busca um lugar sagrado onde possam recomeçar, mas terão de passar por muitos perigos antes disso. Apesar da historia ser sequencial, “The Land of New Hope” é a parte final da história (e não me pergunte porque ele quis fazer ao contrario).

Sobre a formula desse tipo de projeto, que une diferentes vocalistas convidados em um disco com faixas recheadas de arranjos orquestrais, solos de guitarra bem elaborados e vocais épicos, é fácil perceber que esse disco tem tudo que se pode esperar dele. As músicas tem um lado melódico bem particular dos trabalhos de Timo Tolkki, que também deixou uma excelente marca com sua guitarra, evitando ficar como um coadjuvante em seu trabalho. Digo isso porque as vozes escolhidas por ele são simplesmente excelentes, e facilmente roubariam a cena.

Russel Allen, (Symphony X, Adrenaline Mob), Elize Ryd (Amaranthe), Rob Rock (ex-Axel Rudi Pell), Michael Kiske (Unisonic, ex-Helloween), Sharon den Adel (Within Temptation) e Tony Kakko (Sonata Arctica) formam o super time de vocalistas que se apresentam no álbum. E cada um deles incorporou bem suas características no disco. Rob Rock e Elize Ryd tiveram um papel maior nas faixas, e por isso se destacaram. Russel Allen não ficou atrás, e mostrou um desempenho digno de seu trabalho. Outros músicos conhecidos da cena de power metal melódico como Alex Holzwarth, do Rhapsody of Fire, Jens Johanson, do Stratovarius, e Derek Sherinian, Ex-Dream Theater, participaram nas gravações.

Elize Ryd e Timo Tolkki gravaram um clipe para "Enshrined In My Memory"
Dentre as melhore faixas do álbum, posso citar a empolgante “To The Edge of The World”, a melódica “Enshrined In My Memory” e a faixa-título, que encerra o disco. A balada “I’ll Sing You Home”, carregada pela bela voz de Elize também é um momento marcante do disco. Sem falar na parceria dela com Sharon den Adel, em “Shine”. Já Russel Allen rouba a cena em “In The Name of The Rose”.

Coeso e bem produzido, o disco é divertido e só tem bons momentos. Apesar de não acrecentar nada de novo ao estilo, não há o que reclamar do disco. É empolgante e mostra um Timo Tolkki inspirado nas composições. Sem falar na arte da capa, que é completa o álbum perfeitamente. Quem for fã do estilo de metal melódico e power metal, e do trabalho de Timo, não pode deixar de conferir. A segunda parte da historia, o disco “Angels of the Apocalypse”, sairá em maio, e contará com Floor Jansen, Elize Ryd, Fabio Lione e Simone Simons, entre outros, portanto fiquem atentos.

Nota:9/10
Status: Inspirado

Faixas:
1. "Avalanche Anthem"
2. "A World Without Us"
3. "Enshrined in My Memory"
4. "In the Name of the Rose"
5. "We Will Find a Way"
6. "Shine"
7. "The Magic of the Night"
8. "To the Edge of the Earth"
9. "I’ll Sing You Home"
10. "The Land of New Hope"  

terça-feira, 18 de março de 2014

A nova voz do Arch Enemy: Alissa White-Gluz!

Por Rafael Menegueti

Hoje à tarde os fãs do Arch Enemy e do The Agonist receberam noticias que deixaram todos surpresos, inclusive eu. Angela Gossow, que foi a voz da banda nos últimos 13 anos, anunciou sua saída do grupo. Sua substituta será a canadense Alissa White-Gluz, que por sua vez também anunciou hoje sua saída do The Agonist, banda que ajudou a fundar.

Alissa White-Gluz já posa ao lado de sua nova banda, o Arch Enemy
Há alguns dias atrás, eu elaborei a lista das principais vocalistas do metal, e ambas faziam parte. Lembro que citei Angela como a grande rainha do metal extremo, e Alissa como a princesa (chega a ser poético, não?). Pois agora, por ironia do destino, a coroa foi passada (RÁ!). Angela era a grande influencia de Alissa, no que diz respeito aos vocais guturais, mas na minha opinião, Alissa tem mais poder em sua voz do que sua mentora (como ela mesma chamou), pois tem um estilo menos rasgado e ainda sabe mandar muito bem com a voz limpa.

Me surpreendi com a saída de Angela, pois a banda havia acabado de anunciar recentemente um novo disco, que sai em junho. E será nele, justamente, que Alissa fará seu debut na banda sueca. Esperamos ansiosamente por isso, mas minha grande duvida é: Será que Alissa usará também sua bela voz limpa nas músicas, ou ficará apenas no gutural como sua antecessora?

Outra duvida que ficou no ar é em relação ao The Agonist. Alissa deixou a banda canadense, que aproveitou para já anunciar a sua nova vocalista, Vicky Psarakis. Mas quem conhece o The Agonist sabe que Alissa era uma das principais forças criativas da banda, pois ela escrevia as letras e inseria um contexto às músicas. Vejamos como a banda se sai sem sua vocalista original. Uma coisa que pra mim ficou claro, foi que, há muito tempo, Alissa já não estava na mesma sintonia que o The Agonist.

Vicky Psarakis: The Agonist agora é com ela!
Isso porque ela parecia mais interessada em seus outros projetos, como o Kamelot e seu papel como ativista do PETA, do que em sua banda. Bastava ver como ela raramente aparecia com seus ex-companheiros, e como ela enfatizava suas outras atividades nas redes sociais. Não sei se teve treta ai, mas que o anuncio da saída de Alissa foi dado com bem mais frieza em relação ao anuncio do Arch Enemy, isso foi. Enquanto o Arch Enemy cobriu Angela Gossow de elogios, e vice-versa, o Agonist se limitou a desejar sorte a Alissa no Arch Enemy.

Para os que ficaram ansiosos em ver os resultados dessas mudanças na música das bandas, não será necessário esperar muito tempo. O The Agonist está em estúdio preparando seu novo CD, e o Arch Enemy, como eu já citei, já tem seu novo trabalho pronto, e a banda deve soltar o primeiro video desse disco, da faixa-título “War Eternal”, agora no dia 20 de março. Portanto fiquem ligados, pois o death metal melódico dessas bandas promete esse ano.

segunda-feira, 17 de março de 2014

Queen + Paul Rodgers: Live In Ukraine (2009)

Por Davi Pascale
Em 12 de setembro de 2008, o projeto Queen + Paul Rodgers fez uma apresentação na Ucrânia para mais de 350.000 pessoas. O show, realizado como campanha para ajudar no combate a AIDS, era parte da Rock The Cosmos Tour e foi transmitido via satélite para vários países e está disponível em DVD.
Certamente esse é um daqueles projetos que envolvem polêmica. A banda Queen é, sem dúvidas, um ícone do rock. Como não poderia deixar de ser, sua história envolve adoração, idolatria, na maior escala da expressão. E para muitos, o retorno da banda sem Freddie Mercury é um insulto. Mesmo quando seu substituto é outro grande ícone do rock. 
Paul Bernard Rodgers, mais conhecido como Paul Rodgers, participou de dois grupos que são considerados clássicos. Conhecidos e idolatrados entre os fãs mais ardorosos do gênero, Free e Bad Company marcaram época com canções que hoje são consideradas ícones do rock. Podemos citar como exemplo “All Right Now”, “Fire And Water”, “Can´t Get Enough”, “Rock n´ Roll Fantasy”, entre outras.
Em respeito ao legado e à importância ímpar de Freddie Mercury os integrantes fizeram questão de deixar esclarecido que Rodgers não substituiria Freddie. Seria apenas um convidado acompanhando membros do Queen. Mesmo assim, os fãs mais fervorosos torceram o nariz. Isso, contudo, não impediu que os músicos seguissem adiante com o projeto e, o mais importante de tudo, fizessem bonito!  
Paul Rodgers e Brian May em ação
Nessa apresentação o grupo emociona os presentes com clássicos como “Tie Your Mother Down”, “Hammer to Fall”, “Love Of My Life”, só para citar alguns. O ponto alto, contudo, está em “Bijou” e “Bohemian Rhapsody”, ambas com a participação do antigo e falecido vocalista, Freddie Mercury, nos telões. Emocionante!
Outro grande momento é o solo de bateria de Roger Taylor onde a bateria vai sendo montada aos poucos durante a execução do mesmo. O número é simples, porém preciso. O fato de não ser muito longo ajuda para que mesmo aqueles que não são músicos apreciem.
Brian May e Roger Taylor atingem a expectativa mantendo a segurança e o profissionalismo de sempre. Destaque para as canções onde os músicos se lançam como vocalistas. Entre elas: “39” e “I´m In Love With My Car”.
O cantor Paul Rodgers segura a apresentação com maestria. Rodgers tira de letra as dificílimas canções do Queen. Consegue dar uma marca sua às músicas sem descaracterizá-las. Outro ponto certeiro deve-se ao fato do vocalista não imitar as performances de palco de Freddie Mercury. Característica que normalmente deixa o espetáculo com cara de “cover de si mesmo”. Não é à toa a fama e o respeito que o rapaz conquistou durante sua trajetória.
Show realizado para mais de 350.000 pessoas teve Freddie Mercury nos telões
Os pontos baixos ficam justamente nas canções do Free e Bad Company. Nada contra! Sou um grande fã das duas bandas, mas acho realmente estranho ver Brian May e Roger Taylor tocando essas músicas. Ainda que se saiam bem. Sem contar que Rodgers nunca saiu da ativa e essas faixas sempre estiveram presentes em seu repertório. Poderiam ter aproveitado a oportunidade para reviverem mais alguns clássicos da época de Freddie. 
Mesmo com esse “defeito” o DVD é essencial na coleção de qualquer pessoa que se diz fã de rock. Espetáculo de primeira grandeza que conta com um dos mais criativos guitarristas que o rock já teve: Brian May. Compre de olhos fechados!
Status: Ótimo
Nota: 9,0
Faixas:
01) One Vision
02) Tie Your Mother Down
03) The Show Must Go On
04) Fat Bottomed Girl
05) Another One Bites The Dust
06) Hammer to Fall
07) I Want It All
08) I Want to Break Free
09) Seagull
10) Love of My Life
11) ´39
12) Drum Solo
13) I´m In Love With My Car
14) Say It´s Not True
15) Shooting Star
16) Bad Company
17) Guitar Solo
18) Bijou
19) Last Horizon
20) Crazy Little Thing Called Love
21) C-lebrity
22) Feel Like Makin´ Love
23) Bohemian Rhapsody
24) Cosmos Rockin´ 
25) All Right Now
26) We Will Rock You
27) We Are The Champions
28) God Save The Queen

domingo, 16 de março de 2014

18 Anos Sem Mamonas




Por Davi Pascale

Todos que viveram a explosão do Mamonas Assassinas irão sempre se lembrar do mês de Março como um mês triste. Foi nesse mês que o Brasil perdeu um dos grupos de rock mais divertidos que já existiu na história da música brasileira. Um final trágico para uma banda alegre.

Tudo passou muito rápido, tão rápido que não deu tempo de enjoar, apesar do sucesso intenso. Os cinco garotos de Guarulhos foram o ultimo grande fenômeno do rock brasileiro. Foram capas de tudo quanto é revista, apareceram à exaustão nos programas de TV, as apresentações eram repletas de histeria. Desde o sucesso do RPM em 1985 que não se via um auê tão grande em cima de um artista de rock.

Sim, de rock. O trabalho era tão inteligente que muitos não compreenderam. Nem mesmo os críticos. Uma famosa revista semanal chegou a escrever um artigo descendo a lenha no grupo onde o principal argumento do jornalista era de que eles não tinham estilo, de que eles não sabiam aonde queriam chegar, que no CD tinha de tudo: baião, sertanejo, pagode. Errou feio. Sabiam muito bem onde queriam chegar: Mamonas Assassinas era um grupo de rock cômico que satirizava outros gêneros musicais. Eles flertavam outros segmentos com o rock.

Não satirizavam apenas segmentos, mas satirizavam artistas. Há várias indiretas nos arranjos. A referencia ao Belchior em “Uma Arlinda Mulher”, o instrumental do The Clash em “Chopis Centis”, à sátira ao Raça Negra em “Lá Vem o Alemão”. Não escapava ninguém. Tudo minimamente planejado.

Grupo confundiu cabeça dos jornalistas

As pessoas de mais idade pareciam mesmo terem uma dificuldade em entender um trabalho tão jovem. Até mesmo o diretor da gravadora deixou o trabalho passar batido. Precisou que seu filho, Rafael Ramos (produtor da Deckdisc, até então cantor do Baba Cósmica) acordasse o profissional para a realidade. O material era muito bom para deixar passar em branco. Foi o garoto que alertou que aquilo ali era uma galinha de ovos de ouro, que se ele não pegasse alguém iria. A prova de que é possível fazer um trabalho jovem e inteligente.   

Uma das razões de tudo ter funcionado tão bem é que o humor era natural para eles. Não foi aquela história de ‘vamos fazer umas musicas engraçadinhas porque a onda é essa’. Pelo contrario, Dinho se juntou aos rapazes por conta de uma palhaçada que aprontou no show do Utopia. O publico pedia para tocarem “Sweet Child O´Mine” e quando os músicos dispararam “a gente toca, mas alguém tem que cantar”, lá foi ele. O cara subiu ao palco sem saber a letra e fez um embromation a musica toda, arrancando vários risos da platéia e dos músicos. Os garotos sentiram que havia algo especial ali. E eles estavam certos...

O melhor musico certamente era o guitarrista Bento Hinoto, no entanto, sem o carisma e a irreverência de Dinho, não teriam acontecido. Mesmo não tendo um grande alcance vocal, Alecsander Alves, roubava a cena no palco. Fosse nas piadas que improvisava, nas imitações que lançava do nada ou ainda na sua postura de palco. Não sabia o significado da palavra vergonha. Cantava de saia, chapéu de touro, o que precisasse. 

Mamonas em uma de suas clássica fantasias

Aliás, as vestimentas engraçadinhas tornaram-se uma marca registrada. Ninguém sabia como iriam subir ao palco. Subiram de prisioneiros, Chapolins... Na apresentação que assisti subiram de pijama. O show aconteceu de dia, não tinha uma tirada melhor. Diziam que para a próxima turnê planejavam subir ao palco vestido de Beatles e um deles (provavelmente o Bento) seria a Yoko Ono. Não sei até onde é verdade, mas certamente seria hilário.

Algo que me preocupava era a aproximação deles com o publico infantil. Justamente pelas roupas engraçadas e o jeito irreverente de Dinho, muitas crianças se apaixonaram pelo conjunto. Era engraçado ver uma criança cantando ‘o homem é corno e cruel, mata a baleia que não chifra e é fiel’ sem entender absolutamente nada do que estava dizendo e os pais achando engraçadinho. Se fosse com outro artista, esses mesmos pais chamariam de aberração. Claro que a mídia não deixava por menos e ficava discutindo até onde seria interessante os pais permitirem que seus filhos escutassem o disco do Mamonas Assassinas. Os argumentos eram os mais toscos possíveis. De todo modo, o que me preocupava era a idéia dos músicos quererem manter esse publico e passarem a pegar mais leves nas letras. O legal do Mamonas era o deboche, a irreverência. 

Disco vendeu mais de 1.000.000 de cópias em apenas 6 meses

Essa era umas das principais ‘duvidas’ dos ouvintes. A outra é se seria possível manterem o interesse e as vendas (que passaram rapidamente de 1.000.000 de cópias vendidas) em um segundo álbum. Todos os grupos de rock brasileiro que haviam tido seu momento de beatlemania, haviam fracassado (do lado de vista comercial) em seu projeto seguinte.

Infelizmente, graças à uma tragédia nunca teremos essas respostas. No dia 2 de Março, o jatinho learjet que transportava o grupo de volta à Guarulhos depois de terem apresentado o ultimo show da turnê, chocou-se na Serra da Cantareira. O piloto precisou arremeter o avião e fez para o lado errado. Era o fim da turnê e o fim de um bonito e intenso sonho.