domingo, 9 de março de 2014

Penelope: Rock Meteorico




Por Davi Pascale

Encerro a nossa semana em homenagem às mulheres falando de uma banda brasileira. Inicialmente, tinha pensado em fazer um artigo falando das vozes femininas mais relevantes de cada década, mas me dei conta de duas coisas. A primeira é que a voz feminina mais importante dessa geração já recebeu um artigo em sua homenagem.  Escrito por mim, inclusive. O outro fator que me fez desistir foi perceber que havia nomes muito fortes ali que mereceriam algo muito maior do que algumas poucas linhas. Portanto, preferi guardar algumas balas. Entretanto, acho que seria injusto dar o assunto por encerrado sem recordar alguma artista brasileira. Quis sair das homenagens óbvias, como Rita Lee, e resolvi trazer um grupo que, apesar de ter tido algum destaque, poderia ter ido muito mais longe: o Penélope.

Assim como a artista já previamente homenageada, a Pitty, o grupo de Erika Martins surgiu em Salvador. Embora a Bahia seja conhecida atualmente por ser a ‘terra do axé’, alguns nomes bem singulares vieram de lá como Raul Seixas, Camisa de Vênus e Cascadura, só para citar alguns. Atendendo inicialmente pelo nome de Penélope Charmosa, o grupo fazia um rock básico, com forte apelo popular, deixando nítido suas influencias brasileiras como o rock dos Mutantes e da Jovem Guarda.

Surgida em 1995, o grupo demorou 4 anos para conseguir gravar seu primeiro álbum Mi Casa, Su Casa. Já vinham chamando a atenção da mídia especializada, no entanto, desde 1997 quando venceram o festival Abril Pro Rock (festival de musica independente que acontecia no Recife e que, apesar de ter durado pouco, ajudou revelar grandes nomes dos anos 90 como Chico Science & Nação Zumbi, Mundo Livre S/A e Los Hermanos). Quando lançaram seu debut, encontraram como solução encurtar o nome já que a empresa Hanna Barbera não autorizou a utilização de Penelope Charmosa e o conjunto já tinha uma certa fama no circuito underground.

Os três discos lançados pela Penélope
 
Seu trabalho de estréia emplacou duas faixas nas rádios. Curiosamente, uma delas -“Namorinho de Portão” – era uma musica de Tom Zé e a outra – “Holiday” – foi composta nitidamente tendo “Telefone” da Gang 90 como base. Entretanto, 90 % do publico que os acompanhou, pelo menos em um primeiro instante, não se ligou nesse detalhe. O restante do disco trazia guitarras intercalando som limpo e distorcido, algumas faixas contando com uma psicodelia à La Mutantes, e o vocal sempre adocicado e inocente de Erika que nos remetia aos tempos de ouro do rock n roll. Completavam o time nessa época; a baixista Erika Nandes, a tecladista e flautista Constanza Scofield (esposa do falecido produtor musical Tom Capone), o guitarrista Luizão e o baterista Mario Jorge (do cultuado Uteros em Furia)

As três garotas eram bonitas e logo, passaram a chamar atenção dos marmanjos, mas esse fator não atrapalhou a carreira. Elas nunca exploraram esse lado sexual, sempre foram muito discretas. Portanto, a atenção não foi desvirtuada.

Mantendo o mesmo lineup, colocaram nas lojas o CD Buganvilia em 2001. A chance das garotas se consagrarem foi para o ralo depois que a gravadora Sony Music dispensou o grupo pouco após o seu lançamento. Realmente, uma pena. Aqui, davam um passo à frente. As composições tinham amadurecido muito, as letras saíam um pouco daquele universo feminino que insistia em rodear o primeiro álbum. Sem duvidas, seu melhor trabalho. No disco, temos a participação de uma cantora que foi um marco na Jovem Guarda. Wanderléa faz uma divertida participação em “Não Vou Ser Má”. A faixa lembra um pouco as músicas daquela época e as brincadeiras da ternurinha nos remete ao seu velho sucesso “Pare o Casamento”. É certeza que se inspiraram em seu antigo hit para criar as falas dela aqui.

Wanderléa participa de "Não Vou Ser Má"
 
Buganvilia foi lançado na mesma época de Bloco do Eu Sozinho. Aconteceu com esse disco, exatamente o mesmo que aconteceu com o dos Los Hermanos. A crítica enalteceu, o publico o considerou infinitamente superior ao debut e a grande mídia torceu o nariz. O grupo de Marcelo Camelo não se abalou, seguiu em frente e conseguiu dar a volta por cima, conquistando fãs extremamente fieis. Já o grupo de Erika Martins, se abalou com a situação e a coisa começou a degringolar.

Acho que erraram um pouco na escolha das canções de trabalho também. Não sei se foi opção delas ou imposição da gravadora, mas não considero “Caixa de Bombom” e nem “Ciranda da Bailarina” como faixas com potencial para hits. Teria apostado em “Nada Melhor Pra Mim”, “A Menor Distancia Entre Dois Pontos” ou até mesmo na já citada “Não Vou Ser Má”. Outra opção seria a balada “Continue Pensado Assim”. É triste, mas a soma de uma escolha errada com um certo desprezo da gravadora fez com que o álbum não ganhasse o destaque merecido.

Imagem da última formação

Em 2003, lançaram seu ultimo disco: Rock, Meu Amor com Fifi substituindo Erika Nande. Trata-se de um CD de covers onde os grandes destaques ficam por conta da releitura de “Fórmula do Amor” e “Sem Você” (versão em português que fizeram para o sucesso “Inbetween Days”, da banda The Cure). Um trabalho divertido, alegre, mas não tinha a mesma intensidade dos anteriores. Um pouco da magia havia se perdido. Já dava indícios de que a chama começava a se apagar.

Não demorou muito e foi divulgado um comunicado no inicio de 2004 anunciando a separação. Não explicavam o motivo, mas acredito que elas tenham desanimado com tudo que estava ocorrendo. Gravadora abandonando o barco, mídia desprezando e integrantes trocando... Com a mesma intensidade em que apareceram, sumiram. Não sei muito o que aconteceu com os músicos. A única que tenho acompanhado de perto é a vocalista Erika Martins, que lançou um álbum auto-intitulado bacana em 2009 e no finalzinho do ano passado soltou um novo CD chamado “Modinhas”. Tive dificuldades para encontrá-lo, mas consegui. Estou para receber meu disco. Assim que isso ocorrer, faço uma resenha aqui no blog. Quem gosta, fica esperto.

sábado, 8 de março de 2014

As 20 melhores vocalistas do metal (parte 2)

Por Rafael Menegueti


Seguindo com a lista, agora o top 10.

10. Cristina Scabbia (Lacuna Coil)


O Lacuna Coil nasceu na Itália criando um som que mistura metal alternativo com influencias do metal sinfônico e gótico. A banda tem dois vocalistas, Andrea Ferro, fazendo a voz masculina, e Cristina Scabbia. A moça tem um estilo bem intenso, que foge um pouco da leveza tradicional que as vocalistas costumam levar a bandas como essas. Cristina também já fez uma participação especial em um single do Megadeth, a regravação de “À Tout Le Mond”, de 2007.

09. Amanda Somerville (Trillium, Kiske/Somerville)


Esse é um nome bem menos conhecido, mas sua voz não é tão desconhecida assim. Isso porque Amanda construiu sua carreira como uma backing vocal de nomes como After Forever e Epica. A norte-americana depois começou a fazer participações em projetos como o Avantasia, Se uniu a Michael Kiske no Kiske/Somerville, e mais tarde lançou sua própria banda, o Trillium. Amanda possui uma técnica clássica impecável no estilo meio soprano. Ela também costuma aparecer na produção de linhas vocais e co-escrevendo letras para o Epica.

08. Elize Ryd (Amaranthe)


Elize é o tipo de vocalista poderia cantar o que quisesse. Essa sueca tem uma das vozes mais incríveis que eu já ouvi. Poderia cantar soul, pop, jazz, mas preferiu o metal. Tanto que sua banda, o Amaranthe, é uma das mais criativas e diferentes do cenário atual, misturando metal com elementos de música eletrônica e até dance. Eliza ainda tentou entrar no Nightwish antes de formar sua banda, e fez participações mais recentes com o Kamelot e o Timo Tolkki’s Avalon.

07. Liv Kristine (Leaves’ Eyes)


Dona de um estilo bastante suave e próprio para o folk metal, Liv começou sua carreira no extinto Theatre Of Tragedy. Depois, formou com o marido Alexander Krull o Leaves’ Eyes, onde misturam metal sinfônico e folk metal. Liv também lançou trabalhos solo, e fez participação no primeiro álbum do Delain, “Lucidity”, onde faz os vocais principais na faixa “A Day for Ghosts”.

06. Sharon den Adel (Within Temptation)


Um dos grandes nomes do metal sinfônico, os holandeses do Within Temptation contam com a melodia suave e melancólica da voz de Sharon den Adel como uma de suas principais características. Sharon tem uma presença de palco única e é idolatrada pelos seus fãs. Assim como Liv Kristine, Sharon também cantou no álbum de estréia do Delain, na faixa “No Compliance”.

05. Tarja (ex-Nightwish, solo)


A primeira e icônica vocalista do Nightwish é talvez a mais idolatrada e elogiada entre todas as vocalistas do metal sinfônico mundial. A finlandesa é influencia para praticamente todas as vocalistas do estilo que surgiram após ela. Sozinha já poderia ser a numero 1 dessa lista. Só não é porque eu não quis. Tarja é uma cantora com formação clássica em ópera, e que conseguiu com seu estilo influenciar toda uma geração no metal sinfônico e gótico. Hoje, segue na ativa com uma brilhante carreira solo.

04. Alissa White-Gluz (The Agonist)


Se Angela Gossow é a rainha do metal extremo, Alissa é a princesa. A diferença na minha opinião é que ela tem uma dose a mais de talento do que a vocalista do Arch Enemy. Isso porque a canadense não só faz guturais impressionates (até melhores que os de Gossow, na minha opinião), como também tem uma bela voz quando canta de maneira limpa. Alissa é dona de uma personalidade forte, extremamente ligada a atividades de preservação ambiental e dos direitos dos animais. E é extremamente versátil na sua carreira musical. Ela vai ao caos, veloz e pesado no death metal de seu The Agonist, faz belos arranjos vocais ao lado do Kamelot em turnês, e mais recentemente foi anunciada como participação especial no novo disco da banda de metal sinfônico Delain.

03. Charlotte Wessels (Delain)


Falando em Delain, chegou a hora de Charlotte Wessels. A ruiva holandesa é particularmente a minha vocalista favorita, e toca em uma das bandas mais coesas e entrosadas que eu já conheci. Charlotte é o carisma em pessoa, sabe escrever ótimas músicas e tem um estilo leve e suave, mas ao mesmo tempo bem alinhado com o peso que o metal sugere. Com o Delain, faz um metal sinfônico próximo do rock mais tradicional, com levadas mais radiofônicas e um estilo bem alternativo. Charlotte também começou sua carreira em um projeto chamado Infernorama, e também já fez participações especiais com o Serenity e o Nemesea.

02. Simone Simons (Epica)


Tarja influenciou quase todas as vocalistas de metal sinfônico que surgiram após ela, e Simone Simons é a sua melhor seguidora. A vocalista holandesa do Epica nunca escondeu que foi após ouvir Tarja cantando que ela se interessou por metal. Simone tinha apenas 18 anos quando entrou, escondida dos pais, no Epica. E logo se tornou numa das vocalistas mais habilidosas do mundo. Com sua voz meio soprano de tirar o fôlego, ela vem definindo um estilo que une o canto clássico ao metal sinfônico progressivo criado por Mark Jansen. Não é a toa que o Epica é considerado a maior banda do gênero atualmente. Também já cantou com MaYaN e Kamelot.

01. Floor Jansen (Nightwish, ReVamp, ex-After Forever)



A grande vocalista da nossa lista é, sem duvidas, a mais ativa e versátil de todas. Floor é uma vocalista de metal feminino completa. Começou sua carreira no After Forever, banda que alinhava o estilo do metal gótico sinfônico com influencias de metal clássico como nenhuma outra. Desde aquela época ela surpreendia com um vocal de estilo clássico, meio soprano mas forte, impactante, que preenchia o ambiente. Com o tempo essa força foi aumentando, tanto quanto a estatura dessa holandesa. Após o final do After Forever, formou o ReVamp, onde deu prosseguimento a essa imposição de usa voz. Seu estilo agressivo e sua atitude no palco me faz lembrar de todos os grandes nomes do metal clássico, como Bruce Dickinson e Rob Halford, e para mim ela não perde pra nenhum deles. Quando entrou para o Nightwish, provou que sua voz também tem força para um estilo mais clássico e deu uma nova e interessante cara ao grupo finlandês. Também participou do projeto MaYaN, de Mark Jansen. E agora, ainda se arrisca nos guturais com o ReVamp. E faz bonito nisso também. Por isso ela merece o primeiro lugar da minha lista com folgas.

sexta-feira, 7 de março de 2014

As 20 melhores vocalistas de metal (parte 1)

Por Rafael Menegueti

Dando continuidade à semana da mulher do rock no blog, não podia faltar uma daquelas famosas listas. Como existem muitas listas iguais a essa por aí, decidi fazer essa do meu jeito, com as minhas favoritas. E como eu tenho certa predileção por bandas com vocais femininos, criar essa lista não me deu muito trabalho. O difícil foi deixar alguns nomes que eu também gosto de fora, como Doro, Amy Lee, Leah (solo), Manuela Kraler (ex-Xandria), Heidi Parviainen (Dark Sarah, Ex-Amberian Dawn) e Anneke Van Giersberger (solo, Ex-The Gathering). Vou apresentar a lista em duas partes diferentes, só pra dar um suspense a mais. Aqui vão elas:

20. Anette Olzon (ex-Nightwish)


Anette teve uma passagem de 5 anos pelo Nightwish, e provocou uma certa divisão entre os fãs. Muitos não gostaram dela, talvez por sentirem mais a falta de Tarja. Digo isso porque considero ela uma ótima vocalista. Possui um timbre suave e sabe elevar sua voz nas partes mais agitadas. Agora ela está saindo em carreira solo, para alegria de seus fãs.

19. Mariangela Demurtas (Tristania)


A vocalista italiana sofre do mesmo problema de Anette: teve de substituir uma vocalista querida pelos fãs. No caso, Vibeke Stene, no Tristania. Sua estréia com a banda não foi lá tão bem sucedida. O fraco “Rubicon” não serviu para mostrar sua voz como ela realmente é. Foi apenas no ano passado, no disco “Darkest White”, segundo dela com a banda, que pudemos conferir que ela realmente é uma boa vocalista.

18. Ailyn (Sirenia)


Falei dela aqui nessa semana, mas não podia deixar de fora. Gosto muito da leveza e da melodia que ela carrega na voz. Sua entrada no Sirenia foi o tiro certeiro que Morten Veland precisava dar para a banda seguir em frente. Ailyn ainda fez participação especial com o Serenity, na música “Chevalier”. Curiosamente, antes de integrar o Sirenia, fazia parte de um trio espanhol de cantoras de j-pop chamado “Charm”.

17. Zuberoa Aznárez (Diabulus In Musica)


Outra espanhola na lista, dessa vez da banda Diabulus In Musica. Ela combina um estilo que mistura o lírico com o vocal mais tradicional, bem afinada e que contrasta bem com a pegada mais feroz de sua banda. A banda esta para lançar seu mais novo disco, “Argia”, que, segundo a vocalista, será o melhor trabalho da banda.

16. Marcela Bovio (Stream of Passion)


Mais uma vocalista que fala espanhol. Dessa vez uma mexicana, que integra a banda holandesa Stream of Passion. Marcela tem um estilo bem próximo do que as outras vocalistas de metal sinfônico apresentam. Ela incorpora o canto clássico aliado a uma leveza mais tradicional. Sua banda também é uma das que mais investe em sonoridades mais elaboradas, até incorporando elementos e influencias de outros estilos em certos momentos. O Stream of Passion também vai lançar material novo em abril, “A War of Our Own”, quarto disco da banda. Também já cantou com Ayreon, ReVamp e MaYaN.

15. Vibeke Stene (ex-Tristania, solo)


A norueguesa foi a voz feminina do Tristania durante onze anos. Tem um educação clássica e incorporava o seu canto lírico à pesada e sombria atmosfera sonora do metal gótico do Tristania. Deixou o grupo em 2007, mas para alegria dos seus muitos fãs, anunciou seu retorno em carreira solo no ano passado.

14. Lisa Middelhauve (ex-Xandria)


Lisa cantou na banda de metal sinfônico alemã Xandria até 2008, quando deixou a banda. Ela é conhecida por seu carisma e também pelo seu característico estilo lírico. Mesmo depois de sair do Xandria, seguiu sendo adorada pelos fãs da banda, que a seguem por onde ela for. Curiosamente ela chegou a voltar para o Xandria por alguns shows quando a primeira substituta dela saiu da banda. Apesar de não fazer parte de nenhuma banda desde então, ela segue bem ativa, participando de turnês, discos e apresentações como convidada especial.

13. Sabine Dünser (ex-Elis, falecida em 2006)


Sabine era uma vocalista de estilo próprio, talentosa e que sabia compor canções como poucas. Começou no grupo gótico Erben den Schöpfung, e mais tarde formou o Elis. A banda de Liechtenstein estava se preparando para lançar seu terceiro disco, “Griefshire”, quando Sabine morreu subitamente, vitima de um AVC, aos 29 anos. A banda seguiu em frente dedicando toda a sua obra a ela. Também foi criado um memorial em sua homenagem, pelos fãs e ex-companheiros de banda.

12. Angela Gossow (Arch Enemy)


A próxima da lista se destaca por ser exatamente o oposto de todas as outras da lista. Ao invés de ter uma voz bela, e inserir um tom feminino em sua banda, Angela Gossow do Arch Enemy é conhecida pelos seus impressionantes e selvagens guturais, pela forte presença de palco e por sua personalidade no meio do metal extremo. De longe ela não é uma figura delicada, mas sim uma das mais fortes figuras do death metal, e que elevou seu grupo ao status de uma das maiores bandas do gênero.

11. Lzzy Hale (Halestorm)



Fechando a primeira parte, incluo a poderosa vocalista do Halestorm, Lzzy Hale. Ela começou sua carreira na banda ao lado do irmão e baterista, Arejay, quando ainda era apenas uma adolescente de 13 anos. Do keytar que tocava em suas primeiras composições, ela rapidamente passou para a guitarra, onde sua eficiência como uma frontwoman tornou logo o grupo num grande sucesso. Cheia de entusiasmo, com uma presença de palco impecável e uma voz forte e cheia de personalidade, alem da habilidade com a guitarra, Lzzy conquistou o mundo com sua banda, e o sucesso lhe rendeu não só o reconhecimento do publico, como também da critica. Tanto que o Halestorm já venceu vários prêmios, entre eles o Grammy.

quinta-feira, 6 de março de 2014

5 grandes bandas só com mulheres

Por Rafael Menegueti

Tem gente que acha que o rock e o heavy metal são grandes “clubes do Bolinha”. Mas não é. Os homens podem até ser maioria, mas tem muita mulher por ai mandando melhor que muito marmanjo. As bandas formadas só por mulheres existem a um bom tempo, e algumas se mantêm firmes e fortes até hoje. Se você ainda não conhece essas bandas, sugiro que você corra atrás porque está perdendo tempo.

1. Girlschool


Formada em Londres, essa banda de heavy metal feminino vem quebrando tudo desde 1978. Donas de um estilo clássico e cheio de energia, elas ganharam destaque após acompanhar o Motörhead em varias turnês. O próprio Lemmy Kilmister já declarou que elas eram melhores que muita banda de machos, e também eram tão selvagens quanto eles quando o assunto era farra. Elas já lançaram onze álbuns de estúdio e três ao vivo. Três das quatro integrantes atuais são membras da formação original. Apenas Kelly Johnson da formação original não segue na banda, ela faleceu em 2007. Em seu lugar está Jackie Chambers.

2. Crucified Barbara


Essa banda de hard rock e heavy metal sueca surgiu na Suécia em 1998, mas seu primeiro disco, “In Distortion We Trust”, só saiu em 2005. Eu já falei delas aqui quando resenhei seu mais recente álbum, “The Midnight Chase”, de 2012. Lideradas por Mia Coldheart, uma morena com uma excelente presença de palco e uma personalidade forte nos vocais e guitarra, a banda é caracterizada por um estilo agressivo e selvagem em suas músicas. As ótimas performances renderam a elas varias aparições em grandes festivais de rock europeus, entre eles o Wacken Open Air, na Alemanha, e o Graspop Metal Meeting, na Republica Checa.

3. Kittie


As irmãs Mercedes e Morgan Lander começaram sua carreira tocando covers de Nirvana e Silverchair, mas logo partiram para algo mais agressivo. E põe agressivo nisso. Uma mistura de hardcore, death e nu-metal com vocais gritados por Morgan e praticamente nenhum momento de calma, essa é a definição do som do Kitte banda canadense formada no final dos anos 90. O álbum de estréia, “Spit” (2001), fez muito sucesso com faixas extremamente raivosas e altas. Curiosamente, o Kittie chegou a ter um homem em sua formação, Jeff Phillips, que tocou guitarra com elas ao vivo entre 2002 e 2004.

4. The Donnas


Apesar de não parecer, o The Donnas já existe a 20 anos. Originarias da Califórnia, essas garotas fazem um som mais garage rock, com pitadas de punk e hard rock. Elas tem sete álbuns de estúdio e uma coletânea lançadas. A banda tem um estilo mais leve do que as outras citadas, mas com muita atitude, alem de um maior apelo comercial. Elas conseguiram manter a formação original por bastante tempo. Apenas em 2009, quando a baterista Torry Castellano precisou sair por conta de uma tendinite no ombro, elas passaram pela única mudança na formação.

5. The Runaways



“Ch-ch-ch-ch Chery Bomb...” A história de Joan Jett, Cherie Curie, Lita Ford e das Runaways foi intensa e rápida. Apenas 3 anos e 4 discos lançados, que serviram torná-las um dos maiores nomes do rock feminino desde então. Criadas pelo produtor e compositor Kim Fowley, a banda tinha um estilo rebelde, meio adolescente e cheio de pegada bem ao estilo que os anos 70 tinham no punk e no hard rock. Devido a inúmeras diferenças musicais, no entanto, a banda acabou se separando cedo. Depois, Joan Jett e Lita Ford seguiram com suas carreiras em projetos próprios e seguiram fazendo sucesso. Uma tentativa fracassada de Fowley de montar um novo Runaways ocorreu em 1987. Um filme sobre as garotas foi lançado em 2010, com Dakota Fanning no papel de Cherie e Kristen Stewart como Joan Jett, pena que tenha sido bem fraco e um tanto distorcido da realidade.

quarta-feira, 5 de março de 2014

Heart: dupla ascensão





Por Davi Pascale

Continuamos com a semana em homenagem à mulher. Hoje, resolvi falar sobre duas irmãs que sempre fizeram um rock n roll de qualidade e que não possuem, na minha visão, toda a notoriedade que deveriam ter. Ao menos no Brasil, já que o grupo delas já foi homenageado pelo Rock n Roll Hall of Fame. Estou falando das irmãs Nancy e Ann Wilson da banda Heart.

O pessoal mais velho certamente já se deparou com algum trabalho delas por aí. Seja com números clássicos da década de 70 como “Barracuda” e “Crazy On You” ou com alguma canção radiofônica dos anos 80 como a balada “These Dreams. Já os mais novos, é bem capaz que nunca tenha ouvido falar sobre as garotas. Não os culpo. Somente as revistas especializadas costumam falar sobre o Heart. Já a grande mídia...

Meu primeiro contato com o trabalho delas foi com o LP que lançaram em 1985. Era o disco que trazia o Heart de volta ao estrelato. A música que mais me chamou a atenção quando descobri o disco lá por 1989, 1990, revirando a coleção de discos de casa, foi "If Looks Could Kill". A canção tinha aquela sonoridade bem 80´s e era dona de um refrão cativante. Impossível não se encantar. Depois teve outra faixa com as irmãs Wilson que me chamou a atenção em 1992, na trilha sonora do filme Singles.: Vida de Solteiro. Esse disco bateu forte na minha geração. O CD foi lançado em meio à euforia grunge e trazia material inédito de bandas como Alice In Chains, Soundgarden e Pearl Jam. Uma faixa que sempre me chamou a atenção foi a versão matadora de “Battle of Evermore” (Led Zeppelin) na voz de um grupo chamado The Lovemongers, que mais tarde vim a descobrir que se tratava justamente de Ann e Nancy Wilson.

Capa do LP lançado em 1985

Muitos acharam estranho a escolha do grupo para a trilha. Lovemongers era um projeto paralelo das irmãs e nem sequer tinha um álbum lançado ainda. O único disco desse projeto foi lançado em 1997, 5 anos depois do longa. Verdade seja dita, nessa vida, nada acontece por acaso. Singles, que contava com as atuações de Bridget Fonda e Matt Dillon, foi dirigido por Cameron Crowe, marido da guitarrista Nancy Wilson. Alguém continua achando estranho a inclusão? Claro que isso não tira o valor delas. Afinal, como eu disse, sempre considerei a faixa delas um dos destaques do CD. Como curiosidade, vale citar que esse filme inspirou a criação de uma das series mais populares dos EUA. A Warner Bros acreditava que a história renderia em um formato televisivo e quis transformar Singles em uma série. Crowe, que também era o roteirista, negou. A empresa, contudo, não desistiu do projeto. Mudou o time e o nome. A serie agora atendia pelo nome de “Friends”. Embora, o longa não tenha sido um recorde de bilheterias, o CD deu o que falar. Por conta do sucesso da trilha, o grupo resolveu lançar um EP de 4 faixas no final de 1992 incluindo a faixa do filme e uma releitura do hit “Crazy On You”, mas passou batido.

Se o projeto Lovemongers não atingiu o estrelato, o mesmo não podemos dizer do grupo principal das irmãs. O Heart fez muito sucesso. Por falta de uma, duas vezes. O primeiro momento de ascensão do grupo foi ainda nos anos 70. O trabalho de estreia fez um sucesso moderado. Mesmo assim foi forte o suficiente para gerar brigas entre gravadoras. 

Depois de ter um gostinho do sucesso com músicas como “Crazy On You” e “Magic Man” aparecendo nas paradas da Billboard, a banda resolveu quebrar seu contrato com a Mushroom Records e assinar com a Portrait Records, uma subsidiária da CBS (atual Sony). Os músicos não estavam felizes com os pagamentos dos direitos autorias e justamente por não entrarem em acordo, resolveram partir para outra. Os proprietários da Mushroom chegaram, inclusive, a dizer ao grupo que eles não tinham interesse em lançar um novo álbum naquele momento. Ao ficar sabendo que eles estavam para lançar seu segundo trabalho, Little Queenie, pela CBS, a antiga gravadora  pegou um monte de material inédito, montou um LP e colocou no mercado com o nome de Magazine.

As irmãs Ann e Nancy Wilson em ação

O grupo ficou bravo e entrou com uma ação judicial contra a Mushroom, pedindo para que os discos fossem recolhidos das lojas. Os músicos achavam o material (que era uma mistura de faixas inéditas de estúdio e ao vivo) muito crú. Os proprietários diziam que o contrato assinado era de dois discos, então tinham direito ao lançamento. A corte de Seattle determinou que o material deveria ser recolhido, mas que o conjunto teria a obrigação de fazer um segundo LP para a gravadora. Em comum acordo, decidiram que o mais fácil seria dar uma lapidada naquele material. O disco foi remixado, teve alguns vocais regravados e sua ordem de faixas alterada. Portanto, se existir algum colecionador de Heart por aí, corra atrás da primeira tiragem porque as versões são diferentes...

De todo modo, o sucesso mainstream chegou com o LP Little Queenie em 1977. Uma das faixas mais lembradas é a canção "Barracuda", que tem uma história interessante. A letra nasceu após Ann Wilson ter ficado puta com um repórter da Rolling Stone, que durante uma conversa com ela no camarim após um show, deu a entender que acreditava que as irmãs Ann e Nancy viviam um romance. Da fúria de Ann nasceu a letra de um dos principais hits da banda.

O sucesso comercial durou até Bebe La Strange, lançado em 1980. Os dois álbuns seguintes – Private Audition e Passionworks foram não tiveram grande êxito. Não demoraria muito, contudo, para recuperarem seus dias de glória. Em 1985, a banda lançou seu primeiro álbum pela Capitol Records. Trata-se daquele disco que comentei lá no início do texto. Como disse lá em cima, o LP trouxe a banda de volta ao estrelato. Contudo, a banda seguia um novo rumo. O grupo apostava, nesse momento, em um som muito mais comercial do que aquele que fazia nos anos 70. E isso assustou muitos dos seus antigos fãs. Até hoje há quem olhe de cara feia para mim quando digo que gosto desse LP.

Embora tenha existido várias formações, as irmãs nunca abandonaram o grupo que ainda segue na ativa

Bad Animals e Brigade não ficaram atrás. Tudo ia muito bem até que resolveram dar uma pausa em 1995. Nancy queria um tempo para se dedicar à família. O grupo só retornaria à ativa em 2002, lançando um novo trabalho de inéditas somente em 2004. O (ótimo) Jupiters Darling trazia de volta aquele hard rock setentista com influencias de Led Zeppelin e afins que seus fãs tanto gostam, mas a cena já era outra..

Esse era o primeiro de inéditas desde Brigade, lançado em 1990. O último registro, para dizer a verdade, tinha sido Road Home em 1995. Mas não era um álbum inédito. Tratava-se de um projeto com releituras acústicas - Vale lembrar que esse projeto contou com a produção do lendário baixista John Paul Jones (Led Zeppelin) - Enfim, quando retornaram, o mercado estava uma bagunça com mp3 dominando mercado, internet fazendo a cabeça dos jovens no lugar das rádios e da televisão. Uma transição que elas, infelizmente, não acompanharam. Com isso, acabaram perdendo espaço da mídia, que a cada semana lançava um grupo chamando de ‘a nova revolução do rock’. Tentaram isso com Strokes, Hives, Artic Monkeys, The Vines etc etc etc. Para a tristeza dos fãs do segmento, nenhum deles conseguiu essa proeza. Ainda estamos esperando a próxima revolução do rock, para dizer a verdade.

Enquanto a revolução não vem, não custa nada nos deliciarmos com algumas velhas e ótimas canções. E isso o Heart sempre foi capaz de nos entregar...