sábado, 1 de março de 2014

Ex-integrantes: brigas que resultam em saídas dramáticas

Por Rafael Menegueti

Não é mais nenhuma novidade ouvir falar que determinado integrante de determinada banda está abandonando o barco. Pelo menos uma vez por semana sai uma nóticia desse tipo. O fato é que o ramo da música é igual a todos os outros. O que resulta em ciclos que tem começo, meio e fim. Mas às vezes ouvimos historias de situações que não são simples mudanças de formação, são inícios de verdadeiras novelas mexicanas, com direito a trocas de farpas, acusações e até mesmo brigas na justiça. Sem mais enrolação, veja agora alguns casos que me chamaram a atenção:

Dave Lombardo – ex-baterista do Slayer


Um dos fundadores de uma das maiores bandas de thrash metal do mundo, o Slayer, e um dos melhores bateristas do gênero. Quando deixou o grupo pela primeira vez, em 92, já havia criado problemas com os outros membros. Voltou em 2002, e ficou até o começo do ano passado. Foi demitido após reclamar publicamente dos acordos financeiros da banda, afirmando ter recebido muito pouco por seu trabalho. Essa discussão seguiu através da imprensa e de postagens em redes sociais após sua saída. Dave ainda constantemente critica as atitudes de Kerry King e Tom Araya, que a seu ver, foram injustos com ele. As relações entre ele e os ex-companheiros foram completamente cortadas.

Annete Olson – ex-vocalista do Nightwish


Annete substituiu Tarja Turunen no Nightwish, tarefa não muito fácil devido a devoção dos fãs ao trabalho de Tarja na banda. Ela agüentou firme até meados de 2012, quando as coisas entre ela e o resto da banda começaram a ficar mais turbulentas. Em setembro, após precisar ser hospitalizada no meio da turnê norte americana, foi substituída por Elize Ryd (Amaranthe) e Alissa White-Gluz (The Agonist) em um show, em Denver. Anette se sentiu magoada com a decisão da banda de realizar a apresentação sem ela, e foi demitida após isso. Muita gente considerou o ocorrido algo muito estranho, e a situação dividiu opiniões sobre se o tecladista e líder do grupo, Tuomas Holopainen, estaria agindo errado. Atualmente, Anette se prepara para lançar seu primeiro álbum solo.

Franz Stahl e William Goldsmith – ex-guitarrista e baterista do Foo Fighters



 Dave Grohl é considerado a imagem do bom moço no rock: sempre simpático e atencioso com todos. Mas ele também passou por momentos problemáticos no Foo Fighters. Um deles foi quando ele decidiu demitir seu amigo de longa data, Franz Stahl, da banda por não se adaptar ao grupo. Franz estava a pouco mais de um ano na banda e recebeu a noticia da demissão por telefone, e não escondeu a magoa com o ocorrido em entrevista para o documentário “Back and Forth”, que contava a historia da banda. Pior ocorreu com o baterista William Goldsmith, que teve todas as suas linhas de bateria para o segundo disco da banda regravadas por Grohl sem que ele soubesse, e depois ainda foi mandado embora.




Ewout Pieters – ex-guitarrista do Delain


Ewout foi contratado no inicio de 2010 para substituir Ronald Landa, que havia deixado o grupo para iniciar um novo projeto. No entanto, em julho daquele ano, ele recebeu a noticia de que após o termino da turnê de divulgação do álbum “April Rain”, em outubro, ele estaria dispensado. O músico não pode sequer anunciar isso antes do fim de setembro, o que significa que por dois meses ele tocou com a banda já sabendo de sua demissão. Quando ele anunciou sua saída pelo facebook, ele demonstrou estar um tanto chateado com a situação. Depois, porém, ele acabou se acertando com a banda e a situação foi superada.

Scott Weiland – ex-vocalista do Stone Temple Pilots



Conhecido por seus excessos, Scott Weiland sempre foi uma figura controversa do rock. Quando o Stone Temple Pilots voltou a ativa, no entanto, parecia que as coisas iam ficar mais tranquilas. Mas não. Scott soube de sua demissão, em 2013, pela imprensa. A banda não foi muito clara sobre os motivos da saída, mas especulasse que o motivo tenha sido os abusos de álcool de Weiland. Chester Bennington, do Linkin Park, foi chamado para o seu lugar, e Scott agora move um processo contra os seus ex-companheiros.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Qual a origem dos nomes das bandas?

Por Rafael Menegueti

Sempre que uma banda concede uma entrevista existe uma pergunta que insiste em ser repetida. Tanto que muitos músicos já cansaram de explicar isso. “como surgiu o nome da banda?” Mas o fato é que muita gente ainda não sabe da origem de nomes de algumas de suas bandas favoritas. Então nada mais justo que eu mostrar aqui algumas das historias por trás de nomes de algumas bandas desse mundão afora. Confira:

The Beatles: existem varias explicações diferentes, mas a mais aceita é a de que ele foi inspirado na banda de Buddy Holly, The Crickets (grilos) virando The Beetles (besouro) e depois a grafia foi mudada para Beatles, para parecer com o som de beat (batida).

Ramones: A banda tirou o nome de um pseudônimo de Paul McCartney, Paul Ramone.

Rolling Stones: Tirada de uma música homônima de Muddy Waters.

Smashing Pumpkins: uma das varias explicações dadas por Billy Corgan seria de que o nome seria uma resposta a uma namorada de sua cidade natal que dizia que ele nunca realizaria nada na vida. Sua cidade natal, Elk Grove Village, é uma grande produtora de abóboras.

Metallica: Quando Lars Ulrich tentava criar nomes com amigos para uma fanzine de metal, esse foi um dos nomes que foi descartado.

Metallica 
Raimundos: A banda queria um nome comum e que lembrasse Ramones.

Silverchair: Existem duas versões, mas ninguém sabe ao certo qual é a verdadeira, pois os membros da banda tinham o costume de inventar mentiras nas entrevistas para zoar os repórteres. A primeira diz que era junção de dois nomes de músicas: Berlin Chair, do You Am I, e Sliver (soletrada errado), do Nirvana. Outra explicação seria que o grupo escolheu o nome juntando palavras aleatórias que eles pensaram.

Bring Me The Horizon: Foi tirado de uma fala do personagem Jack Sparrow, interpretado por Johnny Deep, no filme “Piratas do Caribe”.

As I Lay Dying: é o nome de um romance de William Faulkner, lançado em 1930.

Epica: segundo Mark Jansen, significa um lugar onde todas as respostas da vida são encontradas. Foi escolhido também por ser o nome do, à época, mais recente disco da banda Kamelot, uma das maiores influências da banda.

Epica
Led Zeppelin: foi de uma afirmação de Keith Moon, do The Who, que disse que a banda voaria como um zepelim de chumbo. A palavra “Lead” (chumbo) depois foi mudada para Led.

Delain: a banda holandesa tirou o nome do livro “Os Olhos do Dragão” de Stephen King. Delain é o nome do reino onde a historia se passa.

Delain
Lacuna Coil: Significa espiral vazia em italiano.

Dimmu Borgir: é uma expressão islandesa que significa “castelo negro”.

Iron Maiden: era um instrumento de tortura, uma caixa repleta de pregos pontiagudos que perfuravam o corpo da vítima.

Diabulus In Musica: muitos pensam que pode ser por conta do álbum do Slayer, “Diabolos In Musica”, mas na verdade a banda espanhola tirou o nome de uma música da banda compatriota Mago de Oz.

Foo Fighters: Dave Grohl teve a idéia a partir de uma expressão usada na segunda guerra para designar bolas de fogo que apareciam no céu, avistadas por pilotos. Foo seria uma alteração para a palavra feu, que significa fogo em francês.

Foo Fighters
Atreyu: A banda de metalcore tirou o nome do livro/filme “Historia Sem Fim”. Atreyu era o nome do protagonista.

Avenged Sevenfold: é uma referencia bíblica, sobre Cain, que matou o seu irmão e foi expulso e marcado para não ser morto por ninguém, quem o fizesse seria “vingado sete vezes”.

Linkin Park: uma alteração de Lincoln Park, um lugar que o vocalista Chester Bennington costumava passar em Santa Monica.

Elis: Antes de montarem a banda, os membros dessa banda de Liechtenstein faziam parte de um grupo chamado Erben Der Schöpfung. Eles lançaram um disco chamado Twilight, mas, pouco depois, uma briga com o tecladista Oliver Folk fez com que a banda se separasse. A banda conseguiu na justiça o direito pelas músicas do disco de estréia, mas teve que mudar de nome, que ficou para Oliver. Elis era o nome do primeiro single desse disco, e virou o nome da banda.

Kings of Leon: O recém falecido avó dos três irmãos e primo que formam a banda se chamava Leon, daí a homenagem.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Anjos da Noite: Sonhos Perdidos



Por Davi Pascale

Tendo à frente o cantor Marco Sergio (filho de Sergio Reis), o grupo paulista Anjos da Noite é um dos típicos exemplos daquele conjunto que tinha de tudo para dar certo e acabou não acontecendo. Além de Marco, fazia parte da primeira formação, o guitarrista Edu Ardanuy (atualmente no Dr Sin). Na minha opinião, um dos melhores do país. Completavam o time; o guitarrista Atila Ardanuy, o baixista Paulo Mádio e o baterista Gerson Abbamonte.
Ainda não consigo entender o que aconteceu para esses caras não decolarem. O nível dos músicos era ótimo, Marco é um bom cantor, as composições eram excelentes e a sonoridade estava de acordo com a época. Seu primeiro LP foi lançado em 1989, época em que o hard rock de grupos como Europe e Bon Jovi estava em alta. E a sonoridade deles ia exatamente por esse caminho. Com refrões marcantes, as letras todas em português e arranjos marcados por excelentes riffs de guitarra, tinha de tudo para agradar os amantes do gênero. Faixas como "Eu Quero É Mais" e "Anjos da Noite" tinham de tudo para terem se tornado grandes hits. 

Aliás, é curioso pensar que na década de 80, tida como a década do rock brasileiro, não tenha existido nenhum grupo de grande expressão que fosse por esse caminho. Quem mais se aproximou disso foi o Taffo (que além do guitarrista Wander Taffo, tinha em sua formação os irmãos Busic, baterista e baixista do já citado Dr. Sin) com o álbum Rosa Branca, em 1990. O grupo do ex-Radio Taxi conseguiu emplacar "Me Dê Suas Mãos" nas rádios e dois videoclipes nas emissoras: "Olhos de Neon" e a já cita "Me Dê Suas Mãos". Mesmo assim, durou pouco. Teve ainda o Yahoo que usava influencias do hard rock em algumas canções. Chegou até a fazer versões em português para hits de bandas como Def Leppard, Aerosmith e Kiss. Mesmo assim, estavam muito mais para um grupo pop do que para um grupo hard. 
Edu Ardanuy gravou primeiro disco do grupo
A década de 80 foi a época em que o rock brasileiro teve maior expressão na mídia. Desde a explosão da Jovem Guarda que não se via um cenário tão forte, comercialmente falando. Embora seja odiada pelo pessoal mais velho, muita gente de talento surgiu nesse período. Paralamas do Sucesso, Barão Vermelho, Lulu Santos, Lobão, Titãs, RPM... Mas como disse, ninguém com essa pegada mais hard anos 80. Curioso...
Sem o apoio da grande mídia, os músicos não conseguiam manter o projeto a todo vapor. O segundo trabalho foi lançado somente em 1997. Muito já tinha acontecido. A cena musical já tinha mudado. O hard rock tinha caído no esquecimento e o pop brasileiro ganhava uma nova linguagem. Mais do que isso, o mercado havia mudado. O vinil não existia mais. O mercado era totalmente dominado pelos CDS. E foi nesse formato que o Anjos da Noite fez seu segundo, e ultimo, álbum.
A mudança de sonoridade foi mínima. Os violões ganharam um pouco mais de destaque, mas a fórmula era praticamente a mesma. Se o debut que foi lançado quando o segmento estava em alta não aconteceu, não precisa ser um grande gênio para saber que o compact disc passou batido. Nesse disco, Edu não estava mais na banda. Da formação original, apenas Marco Sergio e Atila Ardanuy continuavam firme e forte. Eu, particularmente, acho o LP muito mais inspirado, mas não dá para dizer que o álbum seja ruim. Há ótimas faixas ali. Cada vez que escuto coisas como Luan Santana e Lepo Lepo, me lembro desses talentos perdidos por aí e fico deprimido. Acorda, Brasil!

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Jon Bon Jovi – Destination Anywhere (1997)



Por Davi Pascale

Em 1997, o cantor de New Jersey, Jon Bon Jovi lançava seu segundo trabalho longe da banda. Além do CD, foi lançado um filme homônimo, inspirado nas canções do álbum. Embora contasse com alguns hits, o disco dividiu a opinião dos fãs.

A película teve sua estréia nos canais televisivos VH1 e MTV em 16 de Junho de 1997. Dirigido por Mark Pellington, conta a história de um jovem casal que luta contra o alcoolismo e a morte de seu filho. Embora tenha um cast de peso – com presença de artistas como Demi Moore, Kevin Bacon e Whoopi Goldberg – o filme não convence. Principalmente porque Jon Bon Jovi, embora seja um excelente cantor e compositor, é péssimo ator e escolheu um papel que pede toda uma dramaticidade que ele não tem. O rapaz vivia na época um grande assédio feminino e acreditou por alguns momentos que poderia apostar em seu visual para emplacar no cinema. Não deu certo. E olha que ele que essa não foi sua única tentativa (fracassada) de entrar no hall de estrelas de Hollywood.

Se por um lado, o filme deixava a desejar, o mesmo não podemos dizer de seu álbum. Em Destination Anywhere, sua primeira (e até agora, única) tentativa solo desde a trilha sonora de Young Guns, Jon nos entregava um álbum maduro, moderno, inspirado e sem a cara do Bon Jovi. Quando escutamos o material, não nos questionamos ‘por que gravar sozinho’. Em Young Guns até tínhamos algumas canções que poderiam fazer parte de sua banda principal – como “Blaze of Glory” e “Billy Get Your Guns”, por exemplo – mas não aqui.

Jon Bon Jovi e Demi Moore em cena do filme

Jon ousou trazendo novas referencias em seu som, como bateria programada em algumas faixas. Seu estilo de letra e seu estilo de cantar não sofreram grandes alterações, embora aqui procurasse cantar na maior parte do tempo em uma região mais baixa. Não me recordo de nenhum momento do disco onde ele ataque a voz lá em cima como fez em canções como “Always” e “I´ll Be There For You”. Mesmo assim, seu trabalho vocal não está longe daquilo que esperamos dele.

Justamente por essa mudança de postura – que acabava deixando as faixas menos alegres – os fãs mais antigos não compreenderam o material. Diziam que era chato, sem sal. Nem um, nem outro. Considero um dos últimos grandes discos feitos pelo rapaz. Muitos insistem em olhar com um certo desdém justamente por não ter a cara do Bon Jovi. Mas, acredito que se for para fazer sozinho, que seja exatamente isso. Caso contrário, qual a lógica?

Mesmo com muitos torcendo o nariz, não dá para dizer que foi um fracasso comercial. Faixas como “Janie, Don´t You Take Your Love to Town” e “Midnight in Chelsea” tocaram bastante nas rádios e o álbum chegou a ganhar até uma edição especial. Para mim, os grandes destaques, entretanto, ficam por conta de “Queen of New Orleans”, “Ugly”, “Everyword Was a Piece Of My Heart”, “Destination Anywhere” e “Naked”.

Cantor durante apresentação no Rio de Janeiro

John Bongiovi chegou a fazer uma turnê para divulgar seu novo material. O setlist misturava canções de seus dois trabalhos solo com algumas faixas do grupo que o tornou famoso. Na sua banda de apoio, estavam o baixista Hugh Mcdonald e o guitarrista Bobby Bandiera (que está atualmente no Bon Jovi junto com Phil X, ambos tentando substituir Richie Sambora). Nessa mesma época, o cantor passou pela quarta vez ao Brasil para uma apresentação acústica no Hard Rock Café (Rio de Janeiro) e algumas participações televisivas, entre elas a catastrófica performance do músico no extinto Programa Livre. A arrogância do cantor fez com que o mesmo perdesse vários fãs na ocasião.

Não demoraria muito e o Bon Jovi retornaria à ativa lançando a (excelente) faixa “Real Life” como trilha de Ed TV e, logo em seguida, o (ótimo) Crush. Os últimos momentos realmente mágicos. De lá para cá, a banda lançou alguns trabalhos bons (como Bounce e The Circle), mas nunca mais com o brilho de outrora. E agora, sem Richie Sambora, acho ainda mais difícil se reerguerem. Realmente uma pena.

Faixas:
      01)   Queen of New Orleans
      02)   Janie, Don´t You Take Your Love to Town
      03)   Midnight In Chelsea
      04)   Ugly
      05)   Staring At Your Window With a Suitcaise In My Hand
      06)   Everyword Was a Piece of My Heart
      07)   It´s Just Me 
      08)   Destination Anywhere
      09)   Learning How to Fall
      10)   Naked
      11)   Little City
      12)   August 7, 4:15

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Van Canto – Dawn of the Brave

Por Rafael Menegueti

Van Canto - Dawn of the Brave
Há algumas semanas eu falei sobre o Van Canto, a banda que promove o metal a capella como seu grande diferencial. Eles estavam para lançar o seu quinto álbum de estúdio, “Dawn of the Brave”. Com o disco já lançado, nada mais justo do que dar o feedback sobre ele.

Confesso que no começo não me empolguei. As primeiras faixas pareciam muito com as coisas antigas que eles já haviam lançado. Apenas em “Badaboom”, quarta faixa do disco, eu ouvi algo que me prendeu a atenção. E essa é o primeiro single, logo já era de se esperar isso. De resto, a banda não mostra nenhum tipo de evolução na formula. Talvez por ser uma banda focada em percussão e vozes, não seja mesmo possível inovar tanto quanto se eles fizessem uso de instrumentos convencionais.

No meio do disco as coisas ficam melhores. “Steel Breaker” e “The Awakening” são faixas empolgantes e elevam o álbum em vários aspectos. Os vocais de Inga Scharf nessas faixas merece destaque. “The Other Ones”, uma faixa que segue bem a linha do power metal, é outra faixa bastante agradável. Nessas músicas podemos ouvir um pouco mais de inspiração nas composições, em relação às primeiras.

Um fato interessante é que a banda convidou um grupo de 200 fãs para fazer parte de um coral em algumas faixas. Isso deu uma incrementada no som da banda, já que o coral deu mais volume ao som da banda, e ampliou o alcance das faixas, que ficaram mais atmosféricas do que o normal. Talvez esse seja o único grande diferencial em “Dawn of the Brave”.


E ainda tem as tradicionais covers, que pra muitos são o principal atrativo da banda.
“The Final Countdown”, do Europe, pode até ser manjada, mas é um clássico que todos amamos e não pode ser ignorada só por isso. Na versão do Van Canto ela ficou excelente. Há também as versões de “Holding Out for A Hero”, de Bonnie Tyler, numa impressionante versão metaleira, e “Into the West”, de Annie Lennox, numa versão comandada por Inga e que, segundo alguns fãs, seria melhor que a original. Alem do encerramento com mais um grande clássico na versão Van Canto: “Paranoid”, do Black Sabbath, que ficou interessante e divertida.

Contudo, é possível dizer que “Dawn of the Brave” não é um disco inovador na carreira do Van Canto, nem mesmo um disco que mostre uma grande evolução da banda. Mas ele serve pra mostrar mais uma vez uma idéia interessante e bem sucedida desse grupo alemão. O metal a capella do Van Canto continua com seu espaço garantido na minha coleção e no meu CD player.

Nota: 6,5/10
Status: Divertido

Faixas:

01. Dawn of the Brave
02. Fight For Your Life
03. To the Mountains
04. Badaboom
05. The Final Countdown
06. Steel Breaker
07. The Awakening
08. The Other Ones
09. Holding Out For A Hero
10. Unholy
11. My Utopia
12. Into the West
13. Paranoid 

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Kiss: Rock n Roll Hall of Fame



Por Davi Pascale

A participação do Kiss no Rock n Roll Hall of Fame já estava virando novela mexicana até que a banda decidiu dar um basta no assunto não se apresentando mais cerimônia, dando um tapa na cara de muitos que andavam dizendo bobagens por aí. Mas... O que de fato aconteceu?

Não é segredo para ninguém que os músicos do Kiss não morrem de amores pelo evento. Em recente entrevista à publicação inglesa Classic Rock, o vocalista Paul Stanley declarou: “Meus sentimentos divergentes sobre o Rock And Roll Hall Of Fame não mudaram nada. A sua atitude é elitista e não reflete o público”. É nítido que starchild não concorda com os critérios adotados pelos organizadores do evento. “O Rock Hall reflete um pequeno grupo que dita quem satisfaz os critérios que eles consideram que seja ‘rock and roll’. Eu sempre senti que o espírito do rock and roll significa não só ignorar seus críticos, mas ignorar seus pares e fazer o seu próprio caminho”.

Muitos devem estar se questionando: se não gosta do evento, por que aceitou? Os músicos sempre disseram que por eles seria indiferente serem ou não nomeados, mas que caso fossem, aceitariam pelos fãs. Se isso acontecesse com outro artista diria que estava sendo hipócrita, mas no caso do Kiss, não dá para afirmar isso. Os músicos ficaram conhecidos por entregar aos fãs aquilo que eles querem. Sempre defenderam essa tese, inclusive nos momentos de baixa popularidade. Portanto, nesse caso, se agissem diferente, jogaria contra a história da banda.

Muito bem. Finalmente, eles foram nomeados e toparam participar da cerimônia. E daí começa o problema. Inicialmente, os organizadores queriam que a banda se apresentasse com a formação original. Ace Frehley e Peter Criss, é claro, ficaram igual à uma criança quando ganha um brinquedo novo. Paul Stanley e Gene Simmons, é claro, lutaram contra.

Ao que tudo indica, Ace Frehley e Peter Criss não concordaram com proposta 

É nítido que Ace e Peter têm um valor enorme na historia do conjunto e possuem enorme respeito e admiração entre seus seguidores (inclusive, eu faço parte desses seguidores), mas eles saíram da banda há muito tempo. Peter Criss foi expulso da banda (segundo ele mesmo relatou em sua autobiografia) por conta da sua dependência com álcool e drogas em 1980. Ace Frehley abandonou o barco dois anos depois. Ou seja, quem segurou o nome da banda durante todos esses anos foram Paul Stanley e Gene Simmons. Isso é tão fato quanto a importância de Ace e Peter. É diferente também do Guns n´ Roses (caso alguém esteja pensando em compará-los) porque o Kiss nunca se separou. E os principais compositores sempre foram Stanley e Simmons. Frehley compôs bastante coisa, sim, mas em menor proporção. Não importa se a fase cultuada é a dos anos 70. Se o grupo não tivesse durado 40 anos, muito provavelmente sua popularidade não seria tão forte e talvez, não estivessem sendo nomeados para o evento.

Antes mesmo que a banda explicasse o que estavam planejando, vários seguidores e um guitarrista com um ego do tamanho de um bonde chamado Chris Impelliteri começaram a escrever bobagens na internet e ofender os músicos por conta dos posts de Ace e Peter que fizeram um desabafo na internet contando a história, ao que tudo indica, pela metade. Atitude típica da geração ‘ejaculação precoce’. Já esperava isso dos adolescentes que se masturbam para a Kesha (alguns deles para o Justin Bieber) no Youtube, mas não do Impelliteri.

Lendo o post do Ace, a declaração oficial da banda e os twitts que acompanhei de Stanley nos últimos meses, o que me dá a entender é que os músicos estavam planejando tocar com a formação atual e convidar os ex-integrantes para fazerem uma participação especial. Isso fica claro para mim quando Ace Frehley escreve “não subirei ao palco com Tommy usando minha maquiagem. Isso é absurdo”. E também quando a banda esclarece “contrariamente às informações feitas nas redes sociais, nós não nos recusamos a tocar com Ace e Peter”.   

Sinto dizer, mas acho a atitude digna. Eles dariam reconhecimento aos membros originais, não desqualificariam o trabalho dos integrantes atuais e não alimentariam uma falsa esperança de uma nova reunião da formação clássica. Outra coisa que somente aqueles que acompanham Stanley no twitter haviam se ligado é que Bruce Kulick também iria participar do evento. Portanto eles não estão sendo hipócritas quando dizem: “Nossa intenção é celebrar toda a história do Kiss e dar crédito a todos, incluindo os que estão conosco atualmente de longa data. Tommy Thayer, Eric Singer, Bruce Kulick, e ainda, Eric Carr. Todos os que fizeram esta banda ser o que é”. Como disse, atitude digna, ao contrario do que dizem nos foruns.

Para evitar maiores conflitos, banda deu as costas à apresentação e apenas receberá o prêmio

O fato é que por conta de toda essa baixaria (onde alguns desmiolados chegaram, inclusive, à ofender a Shannon Tweed na conta de Facebook dela, como se a esposa do Gene Simmons tivesse algo a ver com a história), os mascarados decidiram que não irão mais se apresentar. Vão receber o premio e vão embora.

Em relação ao Chris Impelliteri, o rapaz está precisando de um choque de realidade. É verdade, sim, que é um bom guitarrista. É verdade, sim, que sua banda fez bons discos. Agora... não dá nem para comparar o legado do Kiss com o legado do Impelliteri. O Impelliteri perto da banda é um verdadeiro nada. É o mesmo que compararem Rolling Stones com Axel Rudi Pell. Ou o Steven Tyler com o Jeff Scott Soto. Portanto, me dá pena quando ele provoca o the demon dizendo: “Gene, muitas vezes, você diz à imprensa que vai ensinar todas as novas bandas como os homens de verdade fazem no palco. Então, seja um homem de verdade, resolva seus problemas com os outros dois e mostre às novas bandas como é que um homem honrado se comporta”. Depois de uma aula de moral, ele solta a pérola “Ah... Por falar nisso, a qualquer momento que você deseje dividir o palco com o Impellitteri, minha banda vai ficar feliz em deixar você tentar nos ensinar como se faz, antes de enviá-los de volta para casa com os seus egos entre as pernas... ha ha!".

É isso aí Chris, ri junto com você. Torça para que Gene Simmons não acate sua provocação porque se fizer, é bem capaz que em várias noites você toque para uma platéia apática, dispersa e sem metade da lotação. E logo em seguida, veja o Kiss sendo devotado, tocando com casa cheia. E daí é você que vai ficar com o rabo entre as pernas. O Kiss conseguiu duas coisas que o Impelliteri não conseguiu: clássicos e história. Da próxima vez, pense mais antes de escrever asneiras. Nós, fãs de rock n roll que conhecem o seu trabalho, agradecemos. 

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Within Temptation – Hydra

Por Rafael Menegueti
Within Temptation - Hydra
Criatividade alem de qualquer expectativa. É assim que eu começo a definir o novo trabalho da banda de metal sinfônica holandesa Within Temptation, “Hydra”. Não seria difícil essa banda me agradar, uma vez que sou fã dos trabalhos da banda há tempos. Mas eu não imaginava que o novo disco fosse me agradar tanto. Ainda mais quando eu me lembrava do trabalho anterior da banda, “The Unforgiving”, que confesso, me deixou um pouco decepcionado.

O novo trabalho conta com uma musicalidade típica do metal sinfônico. Os riffs empolgantes, a melodia combinada com os vocais bem trabalhados de Sharon Den Adel. Sem falar nas orquestrações e arranjos, que dão um toque mais atmosférico às músicas. Alem das claras influencias de rock tradicional e alternativo em algumas faixas. Se eu já esperava isso antes de ouvir o disco, depois eu apenas comprovei que minhas expectativas foram mais do que superadas. Isso porque a proposta da banda nesse disco é misturar diversas inspirações e influencias musicais para dar ao ouvinte uma experiencia completa.

A atual formação do Within Temptation
“Hydra” ainda conta com participações especiais que certamente serviram para aumentar minha surpresa com esse novo trabalho. Não me senti surpreso com a participação de Tarja em “Paradise (What About Us?), pois pra mim já era certo que esse seria o ponto alto do disco. Mas estava bastante curioso quanto aos outros nomes envolvidos. Dave Pirner, do Soul Asylum, apareceu muito bem no dueto com Sharon em “Whole World Is Watching”. Howard Jones (ex-Killswitch Engage, Devil You Know), foi uma ótima adição à “Dangerous”. E a participação do rapper Xzibit (a que mais me deixou curioso) em "And We Run" não teve aquele ar de oportunismo que essas parcerias de músicos de rock e rap costumam ter, foi simples e bem elaborada.

Outro ponto forte do disco está na arte. A capa do disco é uma das mais bonitas que a banda já lançou. E a arte do encarte ainda conta com diversas fotos da banda e até das participações especiais. Somado ao fato de que o disco é um dos melhores já lançados pelos holandeses, “Hydra” é certeza de um bom investimento para qualquer fã de rock e metal sinfônico.

Nota: 9/10

Status: Surpreendente

Faixas:
1. "Let Us Burn"
2. "Dangerous" (Participação de Howard Jones)
3. "And We Run" (Participação de Xzibit)
4. "Paradise (What About Us?)" (Participação de Tarja Turunen)
5. "Edge of the World"
6. "Silver Moonlight"
7. "Covered by Roses"
8. "Dog Days"
9. "Tell Me Why"
10. "Whole World is Watching" (Participação de Dave Pirner)