segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Paul Stanley: Curiosidades sobre seu primeiro álbum solo





Por Davi Pascale

Em 1978, o grupo norte-americano Kiss fez uma jogada que até então ninguém tinha feito. Cada um de seus integrantes gravou um álbum solo, até aí tranqüilo. O que ninguém havia tentado até então, era lançar os 4 discos simultaneamente. E foi o que aconteceu. Exatamente, as lojas receberam os 4 titulos no mesmo dia. A decisão de gravá-los foi tomada como uma tentativa de amenizar as crises internas e diminuir as constantes reclamações de Ace e Peter que diziam não terem a mesma liberdade criativa que Gene e Paul tinham na criação dos discos. Com cada um fazendo seu disco, era o momento de cada músico demonstrar seu real valor. Um dos mais aguardados era o do starchild, ou seja, Paul Stanley.


O álbum do rapaz talvez seja o que mais se aproxime da sonoridade do Kiss. Se bem que não considero o de Ace Frehley muito distante da sonoridade dos mascarados. Acho as músicas do spaceman bem próximas das composições de sua autoria que foram inseridas nos álbuns do conjunto. Se você escuta “Rip It Out” e emenda “Shock Me” no CD player, ao menos para mim, é nítida que nasceu da mesma mente. Entretanto, não havia como negar que existia uma liberdade maior. Quando alguém compunha uma musica para a banda, quase sempre sofria modificações de seus parceiros. Até hoje, Peter Criss reclama das alterações em “Baby Driver”, mas não era somente nas composições dele que isso ocorria. Quando se gravava sozinho, não existia a necessidade de adaptar suas canções à linguagem do grupo. Simplesmente gravava como haviam sido concebidas e pronto! 


Quem coleciona Kiss, deve conhecer as versões demo de “Tonight You Belong to Me”, “Wouldn´t You Like to Know Me” e “Take Me Away (Together As One)”. Se prestar atenção, ficará nítido que não há grandes mudanças nelas. Nem nos arranjos, nem nas letras. Essas faixas correm soltas por aí com o nome de “alternate mix”.


Suas maiores experimentações ficaram pelo modo de gravar sua guitarra. Stanley utilizou alguns procedimentos que não eram comuns nos trabalhos de seu conjunto principal. Utilizou, por exemplo, o E Bow, um arco manual elétrico que cria uma sonoridade totalmente distinta. O aparelho faz com que sua guitarra não soe como uma guitarra. Em “Tonight You Belong to Me”, por exemplo, todos imaginavam que havia um teclado ali. Na verdade, era nosso famoso E Bow. No Kiss, a única faixa que me recordo de terem utilizado esse recurso foi na faixa “Love Gun”. E mesmo assim, de uma maneira bem mais discreta. Outro recurso que utilizou e que não era usado nos demais álbuns que havia gravado era o trastejador. E não parava por aí, Paul utilizou um método totalmente diferente de afinação. Deixou sua guitarra com afinação aberta em sol. Com isso, o mi tornava-se ré. E para completar, arrancou fora a corda Mi(zinha), deixando o instrumento com apenas 5 cordas. Dois amplificadores foram utilizados: um Gallien-Krueger em “It´s All Right” e um Marshall no resto do álbum.


Nas vendagens, Stanley ficou atrás de Ace Frehley e Gene Simmons

Os álbuns contavam com varias participações. As mais notáveis, no caso de Paul Stanley, eram o lendário baterista Carmine Appice em “Take Me Away (Together As One)”, o baixista Steve Buslowe (que 2 anos depois participaria do álbum “Worlds Apart” do Blackjack, grupo que fazia parte o futuro guitarrista Bruce Kulick) e o guitarrista Bob Kulick, irmão de Bruce. O rapaz já havia participado das gravações das 5 faixas inéditas do Alive II e futuramente participaria da primeira turnê solo de Paul Stanley, realizada em 1988. Essa, aliás, era a prova de que havia uma disputa entre os dois lideres já que Gene Simmons quis que o rapaz participasse também de seu disco solo e Stanley proibiu.


Ao contrario de Gene e Ace que utilizariam produtores que já haviam trabalhado com o Kiss (Sean Delanney e Eddie Kramer, respectivamente), Paul decidiu trazer alguém de fora. O escolhido foi Jeff Glixman, conhecido por seus álbuns com o Kansas. A parceria, entretanto, não funcionou bem e o rapaz acabou contando como co-produtor de 4 musicas apenas. As outras 5, Stanley produziu sozinho. O disco foi gravado em 3 estudios diferentes: Electric Lady (em Nova Iorque), Village Recorder e Record Plant (ambos em Los Angeles).


Contrariando as expectativas, o disco de Paul Stanley, mesmo sendo o musico mais talentoso do Kiss (pelo menos, na minha opinião) não emplacou. E contrariando ainda mais as expectativas, o disco solo de Ace Frehley (considerado por muitos, o pior vocalista dos 4) foi o que mais teve sucesso. Parece que o êxito obtido pelo spaceman mexeu um pouquinho com o ego da dupla Simmons e Stanley que sempre se consideraram os principais compositores, mas isso é papo para outro post...


Faixas:

      01)   Tonight You Belong to Me
      02)   Move On
      03)   Ain´t Quite Right
      04)   Wouldn´t You Like to Know Me?
      05)   Take Me Away (Together As One)
      06)   It´s Alright
      07)   Hold Me, Touch Me
      08)   Love In Chains
      09)   Goodbye

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Os maiores “sing alongs” do rock e metal

Por Rafael Menegueti

Aquele momento épico quando você está em um show e a banda começa a tocar aquele clássico. Aquela música que simplesmente é o momento mais alto de suas carreiras, e de algum modo, contagia todo mundo de repente. Daí todo mundo começa a cantar junto, em uníssono.


“Sing along”, cantar junto, esses são momentos únicos. No rock existem milhares de músicas que levam o publico a esse delírio. Seja pelas letras, seja pela melodia (o famoso “oooh oouoh”), todo mundo já cantou junto com pelo menos uma dessas músicas. Se não ao vivo, pelo radio ou TV. Algumas delas ficam até mais interessantes nas versões ao vivo por conta disso. Vamos ver alguns exemplos épicos dessas canções envolventes e emocionantes.

Iron Maiden - Fear of the Dark

Queen - Love of My Life

Blind Guardian - The Bard Song (In the Forest)

Europe - The Final Coutdown

Scorpion - Still Loving You

Metallica - Nothing Else Matters

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Barão Vermelho: Carnaval (1988)





Por Davi Pascale

Esse disco foi a virada para os rapazes do Barão Vermelho. E foi também quando eu descobri a banda. Depois de atingirem fama com o hit “Bete Balanço” na época de seu terceiro LP, Maior Abandonado, o cantor Cazuza abandonou o barco. Os trabalhos seguintes – Declare Guerra e Rock n Geral – não conseguiram grande destaque na mídia e os shows estavam cada vez mais escassos. Algo precisava ser feito. E foi!

Cazuza não era o único que tinha deixado o conjunto. Para dizer a verdade, os rapazes haviam se tornado um trio. Restavam apenas Roberto Frejat (guitarra e voz), Dé (baixo) e Guto Goffi (bateria). O conceito do disco nasceu da cabeça do baterista. Guto mostrou ao Frejat o que tinha em mente. Um poema, em especial, chamou a atenção: “Nosso carnaval será eternamente diário, Nossos sonhos e fantasias se tornarão, a cada dia, mais essenciais e mais reais”. O cantor captou e abraçou a ideia, e o projeto se concretizou. Essas frases foram tão marcantes, inclusive, que acabaram sendo impressas na contracapa do disco. 

Engana-se, quem acredita que Frejat e Cazuza tornaram-se inimigos por conta da saída do rapaz no auge do sucesso. Tanto eles ainda eram amigos, como o menino Agenor fez uma nova parceria com o musico para esse trabalho em especial, “Rock da Descerebração”. Entre as outras contribuições, estavam os titãs Arnaldo Antunes e Paulo Miklos, além do lider do Engenheiros do Hawaii, Humberto Gessinger.

Não se assustem com o titulo do vinil. Embora a festa de Carnaval seja muito popular em nosso país e os ritmos predominantes do evento sejam samba e axé, o Carnaval apresentado pelo Barão é bem rock n roll. O grupo continuava apostando em sua sonoridade que cruzava elementos do hard rock com o blues. As guitarras até ganharam uma distorçãozinha extra, se compararmos com os álbuns anteriores. Aproximava-se mais da sonoridade que tinham no palco, que logo em seguida seria devidamente retratada em um excelente disco ao vivo gravado no extinto Dama Xoc.

Musica em trilha de novela colocou o Barão de volta no mapa.

 O grande sucesso desse disco foi “Pense e Dance”. O primeiro hit da Era Frejat. A faixa que foi tema da novela Vale Tudo (Rede Globo), nasceu a partir de um riff criado por Dé. A canção que era para ter sido uma parceria entre o músico e Roberto Frejat, acabou recebendo algumas mudanças sugeridas por Guto Goffi. Principalmente nas letras. Foi dele a idéia de tirar a negatividade dos versos “Não penso como vai minha vida. Não alimento nenhum desejo”. Quem se lembra dessa musica, irá reparar que no estúdio foi registrado justamente o contrário: “Penso, como vai minha vida. Alimento, todos os desejos”. Foi dele também a ideia de inserir a frase-manifesto do Lobão “saudações a quem tem coragem”. O que surgiu de maneira inocente, tornou-se uma grande polêmica.

Os músicos haviam decidido colocar a citação até como uma homenagem ao cantor Lobão, artista que eles admiravam. O músico, entretanto, não entendeu como homenagem. Pelo contrario, o rapaz ficou puto e começou a acusá-los de plágio. Para sorte dos garotos do Barão, que estavam rezando para ganharem algum dinheiro novamente, o compositor resolveu deixar a birra de lado em nome da velha amizade e não seguiu adiante com os protestos.

Gravado em 45 dias no estúdio Nas Nuvens (Rio de Janeiro), o disco é um marco na história do Barão e, na minha opinião, um dos melhores álbuns de rock já produzidos em nosso país. Além de ser extremamente bem gravado, o disco chama atenção pela inteligência das letras e pelos ótimos arranjos. Perdi as contas de quantas vezes, em minha vida, escutei as faixas “Não Me Acabo”, “Lente”, “Quem Me Escuta”, além do grande hit, é claro, “Pense e Dance”. Quem não conhece, por favor, corra atrás. Diversão garantida.

Faixas:

      01)   Lente
      02)   Pense e Dance
      03)   Não Me Acabo
      04)   O Que Voce Faz A Noite
      05)   Nunca Existiu Pecado
      06)   Como Um Furacão
      07)   Quem Me Escuta
      08)   Selvagem
      09)   Carnaval
      10)   Rock da Descerebração

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

5 grandes bateristas do rock atual

Por Rafael Menegueti

Quando comecei a tocar guitarra e aprender música, uma das coisas que eu mais queria fazer era aprender a tocar bateria também. Pra mim a bateria é um instrumento muito diferente. Exige do músico mais do que simplesmente conhecimento musical, exige também coordenação, fôlego e energia. Ver um baterista em ação é completamente diferente do que ver outros músicos. A performance é bem mais elaborada. Talvez por isso eu ache tão legal ver um baterista em ação. Dito isso, vou citar aqui cinco dos meus bateristas favoritos da atualidade.

1. Simon McKay (The Agonist)

Simon McKay é o baterista da banda de death metal melódico The Agonist. O canadense é dono de uma incrível habilidade com as baquetas. Veloz e versátil, ele também surpreende pelo modo como suas levadas parecem destoar do resto da música, sem parecer que ele esta fora do tempo. Pura técnica.



2. Ariën van Weesenbeek (Epica, MaYaN, Ex-God Dethroned e Delain)

Apelidado de “The Beast”, Ariën toca atualmente no Epica e no MaYaN. É extremamente habilidoso e muito técnico. Seu ritmo é tão bom que ele facilmente pode ir do metal sinfônico mais leve ao metal mais extremo sem qualquer dificuldade.


3. Daniel Erlandesson (Arch Enemy)

Daniel é um expert em solos trabalhosos e extensos. Possui uma técnica excelente e clássica no metal. Durante os shows do Arch Enemy, os solos dele são um espetáculo a parte, e o que mais impressiona é que ele aparenta não fazer esforço nenhum para fazer suas performances.



4. Arejay Hale (Halestorm)

Depois de todos os nomes virtuosos, apresento um baterista que tem mais simplicidade, mas sem perder o domínio da técnica e do ritmo. Arejay Hale, do Halestorm, chama a atenção não só por ser um músico talentoso, mas também pela sua performance animada e cheia de firulas. Ele salta na bateria, bate nos pratos com os pés, tudo sem perder o ritmo das músicas.


5. Joey Jordison (ex-Slipknot)

Considerado por muitos o melhor baterista do mundo, Joey é simplesmente um monstro no instumento. Habilidoso, veloz, técnico, equilibrado, e ainda fazia um espetáculo a parte quando sua bateria girava de cabeça para baixo nos shows do Slipknot. Sem sequer se incomodar com isso. Pena que deixou a banda no final do ano passado, para surpresa dos fãs.


quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Rock n Riff

Por Davi Pascale

Nosso site chama-se Riff Virtual. Portanto nada melhor do que curtir alguns ótimos riffs de rock n roll, certo? Resolvi comentar um pouquinho de cinco guitarristas de rock que são conhecidos por serem mestres nessa área, mas nesse post o mais importante mesmo são os videos. Confere aí...

Chuck Berry

Chuck Berry é tido como um dos pais do rock n roll. Ele praticamente criou o que é conhecido como riff de rock. Quando começou a gravar em 1955 ele chamou a atenção por sua sonoridade única que misturava elementos do blues e do country. Não tinha uma grande técnica, mas foi incrivelmente criativo, além de ser um compositor de mão cheia. Selecionei como exemplo um de seus clássicos, Roll Over Beethoven, que anos mais tarde seria regravada pelos Beatles.



Jimmy Page

Antes de ganhar fama como um dos principais criadores de riffs ao lado do Led Zeppelin, James Patrick Page, chegou a fazer parte de um bom grupo chamado Yardbirs e à trabalhar enquanto musico de estúdio, tendo participado de gravações de inúmeros artistas de expressão da época como Marianne Faithful, Lulu e Them. Mas foi ao lado do Led que ele ganhou fama mundial e escreveu vários hinos do gênero, tornando-se um dos grandes nomes do rock n roll.



Ritchie Blackmore

Talvez um dos guitarristas mais arrogantes de todos os tempos. Por outro lado, seu talento e sua contribuição para o rock n roll são inquestionáveis. É muito lembrado por seu trabalho ao lado do Deep Purple e do Rainbow. Famoso musico: ame ou odeie. Tinha um puta feeling e tocava sempre com alma. Toda vez que um garoto compra uma guitarra, uma das primeiras coisas que aprende é a introdução do clássico Smoke On The Water. Não tinha como ficar de fora. Nem ele, nem a música. Confere aí.



Keith Richards

Dono de uma simplicidade única, mas também de um estilo único. Até hoje não conheci ninguém que conseguisse copiar a palhetada dele. Assim como Blackmore, criou um dos riffs mais interpretados entre os fãs do gênero. Foi ele quem criou, entre outras inúmeras contribuições ao lado dos Rolling Stones, o riff de “Satisfaction”. Um hino não apenas para o grupo de Mick Jagger, mas para o rock n´ roll como um todo.




Tony Iommi 

Se existe um cara que sabe criar riffs realmente marcantes dentro do heavy metal, esse cara atende pelo nome de Tony Iommi. Com um estilo único, ganhou fama ao lado do Black Sabbath, banda que explorava uma sonoridade mais densa, arrastada, visceral. Anthony Frank Iommi é influencia entre 10 de 10 guitarristas do gênero. O músico canhoto escreveu, ao lado Sabbath, inúmeros clássicos, sendo que muito deles basta 1 ou 2 notas na guitarra para levar uma multidão à loucura. 


quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Mayan - Quarterpast

por Rafael Menegueti

Mayan - Quaterpast
O Mayan está prestes a lançar seu segundo disco. Se você não conhece a banda, trata-se do projeto paralelo encabeçado pelo líder do Epica, Mark Jansen (vocais guturais), alem de outros membros da banda, Ariën van Weesenbeek (bateria), Rob van der Loo (baixo, mas não gravou no primeiro disco) e, no primeiro disco, Isaac Delaheye (guitarra). Alem deles, Henning Basse (vocais limpos), Jack Driessen (teclado, ex-After Forever) e Frank Schiphorst (guitarra) completam a formação do supergrupo holandês, que fazem um som definido por eles como uma ópera death metal sinfônica.

O novo disco, “Antagonize”, será lançado nos próximos dias. Mas antes de falar do novo trabalho, acho interessante apresentar o debut da banda, afinal o disco de estréia do grupo, “Quarterpast”, lançado em 2011, possui muitas características interessantes para os fãs de metal sinfônico ou death metal. A começar pelo aspecto de “reunião de grandes nomes” do disco. Praticamente todo o Epica participa do álbum, apenas com a exceção de Yves Huts (baixista da banda na época), Simone Simons aparece com vocais femininos especiais providenciais em algumas faixas, e Coen Jansen trabalhou nos arranjos orquestrais. Alem deles, a cantora lírica italiana Laura Macri, Floor Jansen e até Amanda Sommerville também fazem pontas no CD.

Repleto de faixas pesadas, se engana quem pensa que o Mayan seria uma banda mais próxima do gothic metal que consagrou seus integrantes no inicio de suas carreiras. Os guturais agressivos de Mark Jansen percorrem as músicas dando um peso descomunal às faixas. Henning Basse acrescenta as vozes limpas masculinas, para dar um contrapeso e deixa as canções mais incrementadas. Por todo o disco, o peso do death metal acelerado se mistura à uma sonoridade típica do metal sinfônico, e as variações de vocais dão um tom dramático às músicas.
 
O exército do Mayan
A definição de ópera metal é bem apropriada aqui, embora “Quarterpast” não seja um disco teatral. As letras são basicamente ataques bem elaborados a um dos problemas mundiais mais frequentes: a corrupção na política. A própria arte da capa e do encarte do CD já deixam isso bem claro, mostrando um lobo com uma mascara de pele de cordeiro, e terno, oferecendo riquezas a cordeiros que representariam o povo. Uma metáfora manjada, mas muito apropriada. Outros temas com política de guerras e violência também são usados.

“Quarterpast” é um disco preciso e pesado. Tem ótimas participações especiais e uma variedade de estilos vocais bem elaborada. O único problema é que algumas músicas causam menos impacto do que outras. Enquanto faixas como Symphony of Agression, Mainstay of Society e War On Terror são bem interessantes, outras como Bite The Bullet e Drown The Demon te deixam com uma sensação de mais do mesmo e não empolgam. Mesmo assim valem o registro. Agora é ver se o segundo álbum do supergrupo deixará uma impressão tão boa quanto o primeiro. Mas disso eu falo depois.

Nota: 7,5/10
Status: Atmosférico e pesado

Faixas:

1."Symphony of Aggression"
2."Mainstay of Society" (In the Eyes of the Law: Corruption)
3."Quarterpast"
4."Course of Life"
5."The Savage Massacre" (In the Eyes of Law: Pizzo)
6."Essenza di Te" (Essence of You)
7."Bite the Bullet"
8."Drown the Demon"
9."Celibate Aphrodite"
10."War on Terror" (In the Eyes of the Law: Pentagon Papers)
11."Tithe"

12."Sinner's Last Retreat" (Bonus track)

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Tarja – Colours In The Dark (2013)


Por Davi Pascale

A belissima cantora finlandesa Tarja Turunen chega ao seu terceiro álbum de estúdio. Na verdade, eu o considero o quarto já que considero Breath From Heaven parte de sua discografia. Não consigo ficar distinguindo Tarja clássica da Tarja rock, para mim, é simplesmente Tarja. Mas é verdade que aqui ela dá sequência ao que começou no álbum My Winter Storm e não ao que iniciou em seu disco de Natal.

Assim que My Winter Storm chegou às lojas, o álbum gerou muitas expectativas e muitas criticas. Acredito que muitas pessoas não entenderam o disco. Já ouvi e re-ouvi diversas vezes e continuo achando um grande trabalho. A reclamação mais constante se dava por conta de um certo apelo comercial. De boa, quem acompanhou a carreira dela de perto, sabe que isso era previsível. Em praticamente todas as entrevistas, dizia que havia aprendido a gostar de heavy metal por conta da convivência com o Nightwish e que sua idola era a Sarah Brightman. E os caras queriam um álbum de heavy puro? Não há sentido! O trabalho era a cara dela: um cruzamento de heavy metal com pop e música clássica. Mais honesto, impossível.

Aqui, a formula é mantida. Outra característica que continua intacta é o fato de gravar versões inusitadas. Em My Winter Storm ela havia feito uma boa releitura de “Poison” (Alice Cooper). What Lies Beneath nos apresentou uma versão morna de “Still Of The Night” (Whitesnake) e aqui ele nos apresenta uma interessante interpretação de “Darkness” (Peter Gabriel).

Cantora entrega álbum inspirado aos ouvintes

O titulo do novo disco Colours In The Dark brinca com a idéia de que a vida possui uma grande variedade de cores, inclusive nos momentos de escuridão. Saca aquela idéia de que o branco é a ausência das cores e o preto é a junção das cores? É mais ou menos, o mesmo pensamento. Assim como em seu trabalho lançado em 2006, o CD possui arranjos variados. Seu trabalho vocal continua impressionando tanto pela versatilidade quanto pelo alcance. Sem contar que de todas as cantoras que se aventuraram nesse universo de misturar musica clássica com música pesada, ela é a que tem o timbre que mais gosto. Certamente, minha cantora favorita do gênero e uma das artistas que mais têm me chamado a atenção atualmente.

“Victim of Ritual” traz uma jogada similar à “Boy and a Ghost”. Começa com uma sonoridade cinematográfica, com Tarja cantando de uma maneira sutil até que a faixa ganhe corpo no refrão. Lembro quando a assisti na tour do My Winter Storm, o impacto que teve “Boy and a Ghost” como inicio do espetáculo. Não sei se está utilizando essa faixa como abertura de sua nova turnê, mas certamente funcionaria. Na sequência, “500 Letters”. A faixa com ar de hit. Simples, direta, mas com um refrão cativante. É ouvir uma vez e sair cantando. “Lucid Dreamer” é, na minha opinião, uma das melhores do disco. Trazendo mais uma vez aquele ar cinematográfico, com uma bonita orquestração. O trabalho vocal deixa evidente todo o domínio que possui. Emotivo e cativante. “Never Enough” traz as guitarras com maior evidencia, com uma bateria reta, nos remetendo um pouco ao What Lies Beneath. Mais uma com refrão fácil de cantar. Deve funcionar bem ao vivo. A primeira metade fecha com a enigmática ‘Mystique Voyage”. A balada traz uma bonita linha vocal, onde a letra traz uma mistura de inglês com espanhol, e é certamente mais um dos pontos altos do disco.

A segunda parte inicia com a já citada versão de “Darkness” do cantor Peter Gabriel. Funcionou bem na voz dela. “Deliverance” é mais uma das minhas prediletas. Outra daquelas que tem aquele ar de trilha sonora, que vai crescendo aos poucos... Mais uma vez, seu trabalho vocal ganha destaque. Não apenas nas vocalizações no final da faixa, mas é nítido que a moça canta com a alma. Algo raro nos dias atuais. “Neverlight” é o momento que os fãs de sua antiga banda talvez mais se identifiquem. Provavelmente o momento mais heavy do disco. “Until Silence” vem na sequência. Esse era o titulo inicial do álbum que acabou sendo modificado de ultimo momento. Na minha opinião, a mais fraquinha. Gosto da linha vocal, mas acho o arranjo sonso. Agora, o dia em que ele resolver fazer uma versão naked dessa faixa com apenas piano e voz, irá se tornar a preferida de muita gente. Não me resta duvidas. “Medusa” é a responsável por fechar o disco. Outra grande canção, mais uma daquelas baladas épicas com diferentes ambientações. A faixa é um dueto com Justin Furstenfeld. Honestamente, não conheço o trabalho do rapaz, mas o cara mandou bem. Sua participação trouxe uma dramaticidade extra, tornando a canção ainda mais encantadora. Grande final para um grande álbum.

Trabalho vocal da artista continua afiado

Certamente, Tarja Turunen irá agradar seus fieis seguidores. Essa mulher realmente mereceria uma popularidade maior. Tudo bem, é top no segmento dela. Sei disso. Mas poderia ser muito maior do que é. Bonita, carismática, com uma grande voz e um trabalho de alta qualidade, é o tipo de artista que faz a diferença nessa cena musical rasa que estamos atravessando. Não apenas está em uma ótima fase, como ainda tem muita lenha para queimar. Altamente recomendado!  

Status: Excelente
Nota: 09/10

Faixas:
      01.   Victim of Ritual
      02.   500 Letters
      03.   Lucid Dreamers
      04.   Never Enough
      05.   Mystique Voyage
      06.   Darkness
      07.   Deliverance
      08.   Neverlight
      09.   Until Silence

      10.   Medusa