sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Paul McCartney – Choba B CCCP (1988)


Por Davi Pascale

Esse é um disco de Paul McCartney que divide opinião entre seus seguidores. Há que ame, há quem ache sem sal. Eu, particularmente, acho bem legal. Todo mundo que acompanha a carreira do beatle de perto está careca de saber que o músico é apaixonado pelos artistas dos anos 50. Não era raro, inclusive, os Beatles gravarem musicas de artistas dessa época em seus primeiros trabalhos. Carl Perkins, Little Richard, Chuck Berry... Aqui, Paul resolveu resgatar músicas de seus heróis. É um projeto, de certa forma, similar ao Lp Rock n´ Roll de John Lennon e ao álbum Run, Devil, Run que gravaria anos mais tarde.

Choba B CCCP significa “Back In The USSR”. Além de ser o nome de uma famosa música do Fab Four (presente no White Album), tinha uma razão de ser. Esse trabalho era para ter sido lançado apenas na Russia. O musico fez como um presente aos seus fãs russos que tinham dificuldade em conseguir seus álbuns. A idéia era inverter a situação. Pela primeira vez na vida, eles teriam acesso à um material que o resto do mundo não conseguiu. Obviamente, a estratégia não deu certo. Quando lançou esse LP em 1988, Paul já era um ícone. Resultado? Não demorou muito e o disco começou a ser importado e pirateado. Ainda estávamos na era do vinil. Embora, fosse mais difícil piratear esse tipo de mídia do que o CD, de vez em quando acontecia. A situação só se acalmou depois que a gravadora resolveu finalmente colocá-lo no mercado em 1991.

Há quem diga que a razão de Paul ter decidido gravar esse material seria o fato de seus dois últimos projetos – Give My Regard to Broad Street e Press to Play – não terem tido a recepção esperada. Dizem que era uma maneira de voltar um pouco às raízes. Verdade ou não, é fato que nesse disco ele retornou com uma sonoridade mais crua, menos polida. Se em um disco como “McCartney II” o uso de sintetizadores falava alto, aqui o que voltava a falar alto eram as guitarras, os violões e seu vocal rasgado.

Paul McCartney junto com seu ídolo Carl Perkins
Choba B CCCP é um álbum de covers, mas mesmo assim nos lembramos dos Beatles nas duas primeiras músicas. “Kansas City”, responsável por abrir o disco, já havia sido gravada pelos garotos de Liverpool em Beatles For Sale. A segunda faixa é “Twenty Flight Rock” de Eddie Cochran. Foi tocando essa música que o rapaz foi aprovado para fazer parte do grupo que o tornaria mundialmente famoso. Outros grandes destaques ficam por conta de “Lawdy Miss Clawdy”, “That´s Alright Mama” e “Ain´t That a Shame”. Frustra um pouquinho em uma interpretação não mais do que correta de “Bring It On Home To Me” e na gravação de “Summertime”. Essa última não tem muito a ver com ele.

O LP é bem legal. Tem uma sonoridade de ao vivo, parece que estamos ouvindo um ensaio ou algo desse porte. Honestamente, não sei como ocorreu a gravação desse trabalho em especifico. Não sei se eles gravaram ao vivo no estúdio ou se foi a tradicional gravação por canal. Mas a sonoridade é bem direta e bem honesta. Existem 3 prensagens desse material. Uma com 11, outra com 13 e a ultima com 14 faixas. No entanto, para montar o set do disco, Paul McCartney gravou 22 músicas. Sendo assim, há 8 versões ainda perdidas por aí. Com essa moda de relançamentos, quem sabe não ocorre uma nova edição com as 22 faixas? Ficamos na torcida...

Tracklist:
01) Kansas City
02) Twenty Flight Rock
03) Lawdy Miss Clawdy
04) I´m In Love Again (somente na edição internacional)
05) Bring It On Home to Me
06) Lucille
07) Don´t Get Around Much Anymore
08) I´m Gonna Be a Wheel Someday
09) That´s Alright Mamma
10) Summertime
11) Ain´t That a Shame
12) Crackin´ Up
13) Just Because
14) Midnight Special

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Videoclipes: a arte de ilustrar uma música

por Rafael Menegueti

Desde que os primeiros vídeos musicais começaram a ser produzidos ficou bastante claro que eles são uma ótima forma de divulgar o trabalho dos artistas. Ainda mais após o surgimento da MTV, na década de 80, quando as produções começaram a ser mais elaboradas, virando verdadeiros curta-metragens com o intuito de transformar a música em um hit. Não faltam exemplos para mostrar como a música pode ficar ainda mais interessante com um bom videoclipe para alavanca-las. É possível dizer que os clipes são uma extensão da arte produzida nas músicas. Por isso, fiz aqui uma seleção de excelentes clipes de rock, de diversas épocas e estilos, que, na minha opinião, são marcantes e bem produzidos. Confira:

Guns 'N Roses - November Rain

 A música longa e a historia deste verdadeiro curta-metragem são um ótimo exemplo de como um clipe pode trazer algo a mais para a música. Lembro que costumava ver esse clipe na TV e imaginava que não devia ter sido fácil conceber uma ideia para um clipe assim. 









Linkin Park - In The End

Esse foi um dos primeiros clipes de rock pelo qual eu me apaixonei. Os efeitos usados na produção são muito bem feitos, e foi interessante assistir ao making of desse vídeo. O Linkin Park é um excelente exemplo de banda que investe em vídeos bem elaborados para divulgar e interagir com suas músicas








Aerosmith - Pink

O fundo branco é uma das ideias mais clichês para um vídeo. 9 em cada 10 bandas devem ter um desses. Pelo menos esse clipe do Aerosmith tem um pouco mais alem do fundo branco...











Bullet for My Valentine - Hearts Burst Into Fire

É o que dizer de clipes com imagens de shows e bastidores? Outra ideia já batida, mas é boa e barata também. Então, como tem infinitos exemplos disso, escolhi um de meus preferidos pra mostrar.











Foo Fighters - Everlong

Tem também as bandas que fazem clipes pra divertir, investindo sua criatividade no humor. O Foo Fighters é uma das bandas que mais faz isso com suas músicas de trabalho.











Silverchair - Luv Your Life

E tem também as animações. Afinal, é obvio que em matéria de apelo visual, as animações são sempre uma boa escolha. E as possibilidades são infinitamente maiores do que uma produção comum, pois em uma animação, tudo pode acontecer










Red Hot Chili Peppers - The Zephyr Song

Há também os que optam pela criatividade artística. Esse do Red Hot Chili Peppers, por exemplo, foi filmado com um caleidoscópio.












Dimmu Borgir - Dimmu Borgir

Outro elemento importante em um vídeo é a maquiagem. Ela pode dar um aspecto bem diferente ao visual do clipe. Veja esse exemplo da banda de black metal norueguesa Dimmu Borgir.











Outras ideias originais e criativas:

As I Lay Dying - Anodyne Sea
















Strokes - Reptilia
















Rob Zombie - Dragula
















Coldplay - The Scientist


quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

O Encontro do Rock com a Dance Music



Por Davi Pascale

Durante muito tempo, os roqueiros foram inimigos das discotecas. Qualquer tentativa de se aproximar com esse universo era considerada traição. Quando o Kiss lançou a música “I Was Made For Lovin´ You” em 1979, por exemplo, muitos fãs torceram o nariz para os mascarados. Tudo porque a gravadora insistia em divulgar a música com o termo de disco rock. Honestamente, não acho que essa faixa soe como musica de discoteca. E mesmo assim, os músicos foram crucificados.

Um grupo dessa época que se aproximou descaradamente do universo disco em seu trabalho foi o Blondie. Liderado pela playmate Deborah Harry e por seu marido Chris Stein, eles começaram fazendo parte da cena punk. Seus dois primeiros discos (Blondie e Plastic Letters) ainda são cultuados pelos punks, inclusive. Entretanto, eles só atingiram o estrelato de vez no terceiro LP Parallel Lines quando deixaram seu som mais próximo da new wave e escreveram a canção “Heart of Glass”, altamente influenciada pelo movimento disco. Mais uma vez, perderam grande parte dos seus velhos seguidores.

Na década de 80, entretanto, tudo começava a mudar. Os roqueiros começam a freqüentar as danceterias para conseguirem garotas e acabam gostando de alguns artistas pop. Cai aí a mentalidade de que fã de rock não pode ouvir canção pop. Nessa época, era comum um garoto gostar de Prince, Iron Maiden e Poison, ao mesmo tempo. E é justamente daí que nasce a sacada dos músicos do U2, Bono Vox e The Edge. Vale lembrar que aqui no Brasil, inclusive, muitos artistas de rock faziam shows em danceterias.

Capa do compacto de "I Was Made For Lovin´ You"

Em 1991, os irlandeses do U2 dão uma repaginada em seu som e resolvem criar uma sonoridade que nada mais é do que uma mescla entre a música dance com o rock. No documentário From The Sky Down, os músicos explicam a idéia. Bono diz que não importa se os rapazes freqüentavam esses ambientes para arrumar mulher, o fato é que eles estavam freqüentando. Os músicos acreditavam que se continuasse com a mesma proposta de sempre sumiriam e resolveram criar um estilo de musica que fosse capaz de agradar tanto os fãs de dance music (que nos anos 80 era vendido como house) quanto os fãs de rock n roll. Eles queriam pegar, como público, a garotada que ia para as boates no final de semana. É daí que nasce a trilogia Atchung Baby, Zooropa e Pop. O cruzamento não foi por acaso. Foi tudo pensado. A banda ficou mais de um ano trancada em estúdio testando sonoridades até chegar naquilo que considerava o ideal.

A jogada deu certo. O disco Atchung Baby emplaca várias faixas nas radios como “Even Better Than The Real Thing”, “Misterious Ways”, “One”... Vários grupos passam a copiar seus passos. The Cult, Def Leppard, INXS, Simple Minds, são alguns deles. Aqui no Brasil, alguns grupos tentaram (um pouco tardar até) reproduzir essa sonoridade. Nenhum teve êxito. Barão Vermelho tentou isso no disco Puro Extase e não funcionou. O vocalista Dinho Ouro Preto tentou algo similar em seu álbum solo de 1995 e não obteve sucesso. O último a tentar trilhar esse caminho foi o Paulo Ricardo com o PR.5 já nos anos 2000. Mais uma vez, sem êxito.

O sucesso do novo gênero fez com que a imprensa também abrisse os olhos para o metal industrial criado pelo Ministry, ainda nos anos 80. O auge deles foi o álbum de 1992 Psalm 69: The Way to Suceed and the Way to Suck Eggs. Os grupos Ministry e Nine Inch Nails são considerados meio que os pais do metal industrial. Está aí um grupo que preciso correr atrás. Nine Inch Nails conheço bem, Ministry quase nada.

Atchung Baby do U2 ditou rumo do mercado

Não demorou muito e começaram a surgir novos artistas buscando essa sonoridade mais moderna. Alguns mais, outros menos, a verdade é que boa parte dos trabalhos lançados nos anos 90 buscaram alguma referencia na musica eletrônica. White Zombie em “More Human Than Human”, Marilyn Manson em “The Beautiful People”, Korn em “Freak On A Leash” e até mesmo a retomada do Motley Crue em “Generation Swine”. Todos eles tinham sua dose de industrial. É só ouvir com atenção. Isso para não falar de grupos ainda mais descarados como o (excelente) Garbage e o (fraco) Cardigans.

Esse pop mais dançante estilo “Somebody Told Me” do Killers ou “Take Me Out” do Franz Ferdinand também não é de hoje. Já que estamos falando de anos 90, vamos manter a visão aqui. Em 1991, o grupo one hit wonder EMF estourou com “Unbeleavable”. Escute com atenção as três musicas na sequência e me diga se não é a mesma proposta. E já havia gente se arriscando nesse universo pop dançante antes deles...


Muita gente torce o nariz para essas misturas, mas a verdade é que tem muita coisa interessante nesse meio. O primeiro trabalho do Garbage é espetacular, Downward Spiral do Nine Inch Nails é fantástico. Para quem ouve musica com o coração e não com os olhos, há excelentes trabalhos nesse universo para serem descobertos...

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

5 álbuns essenciais dos anos 90

por Rafael Menegueti

Nos anos 90 ouve uma explosão de bandas alternativas e estilos que levaram o rock e o metal para diferentes lados. O grunge, o nu-metal, o rock alternativo, o indie, o gothic metal. Tudo isso deu uma nova cara ao rock e fez a cabeça de muita gente. Quando eu comecei a gostar de rock, foram justamente as bandas dos anos 90 que mais me inspiraram. Hoje, passadas uma década e meia que os anos 90 se foram, podemos dizer que aquela década nos deixou vários clássicos.

Por isso decidi montar uma listinha com cinco álbuns que considero fundamentais para quem quer ir a fundo no rock dos anos 90. Mas decidi deixar de lado as obviedades. Nada de “Nevermind” do Nirvana, “Ten” do Pearl Jam, “Blood Sugar Sex Magic” do Red Hot Chili Peppers, ou o “Black Album” do Metallica, entre outros. Todos esses álbuns são excelentes e essenciais, sem sombra de duvidas. Mas todo mundo sabe disso, por isso aqui vão cinco discos que talvez não entrassem em uma lista mais obvia.

Alice In Chains – Facelift

O álbum de estréia do Alice In Chains talvez não seja tanta novidade numa lista dessas, mas é sem duvida um dos mais marcantes. De todas as bandas de grunge, o Alice In Chains era a que mais se aproximava de uma fusão com o metal. No inicio eles eram bastante ligados ao glam metal que havia dominado o rock nos anos 80. Facelift era um disco mais sujo e obscuro, e trazia alguns dos melhores clássicos da banda, como Man In The Box, por isso mereceu destaque.





Smashing Pumpkins – Siamese Dream

Uma das bandas de rock alternativo mais importantes dos anos 90 foram os Smashing Pumpkins. A banda havia preparado o terreno com “Gish”, em 91, e em seu segundo álbum, “Siamese Dream”, eles simplesmente arrebentaram com tudo. O disco mistura diversos elementos e agrada fãs de diversos estilos. Grunge, metal, psicodelia, levadas mais indies e um pouco de rock gótico formaram o caldeirão de influencias desse disco que moldou o sucesso da banda. Sem falar em seu sucessor, o também excelente e duplo “Melon Collie and the Infinite Sadness”, que alavancaria ainda mais o quarteto de Chicago.


Oasis – (What's the Story) Morning Glory?

O Oasis, apesar de todas as confusões, sempre foi uma das melhores bandas do chamado “britpop”, e nesse álbum encontram-se grandes clássicos do grupo dos irmãos Gallagher, como “Champagne Supernova”, “Don’t Look Back In Anger” e, provavelmente um dos maiores clássicos daquela década, “Wonderwall”. Difícil não gostar da sonoridade e do clima desse álbum, que elevou a carreira do Oasis em nível mundial, e aumentou o prestigio da cultura indie entre os jovens.




Faith No More – Angel Dust

Dentre os discos mais influentes da década de 90, impossível não citar “Angel Dust” do Faith No More. A banda que havia começado com uma sonoridade mais puxada pro funk metal, lembrando um pouco até o Red Hot Chili Peppers no começo de carreira, mostrou uma sonoridade mais variada, com elementos que não podiam ser ouvidos em seus trabalhos anteriores. Embora o grande hit da historia da banda seja Epic, do álbum “The Real Thing”, pode-se dizer que “Angel Dust” tenha um papel mais importante na historia do rock, pois apresentou elementos que influenciariam muitas outras bandas no futuro.


Offspring – Smash

Apesar de, à época, eles já não serem mais novatos (a banda já estava na ativa haviam dez anos) o Offspring começou a fazer barulho no cenário mainstream do punk com o ótimo Smash, lançado em 1994. O disco mostrou uma banda descontraída, que agradava aos ouvidos até de quem não tinha o punk-rock como estilo favorito. Recheado de clássicos e músicas de fácil audição e envolventes, como “Come Out and Play”, “Self Esteem” e “Bad Habbit”, o disco caiu no gosto da garotada mais despretenciosa e levou o Offspring ao estrelato.




Menções honrosas: discos que também poderiam aparecer aqui

- Radiohead – Ok Computer
- Sepultura – Roots
- Soundgarden – Badmotorfinger
- Korn – Follow the Leader
- Pantera – Vulgar Display of Power
- Rage Against The Machine – Rage Against The Machine
- Green Day – Dookie
- Guns ‘N Roses – Use Your Illusion I 

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Alanis Morissette – Live At Montreux 2012 DVD (2013)



Por Davi Pascale

Em 9 de Junho de 1995 chegava às lojas o terceiro álbum da cantora canadense Alanis Morissette, Jagged Little Pill. Em seu primeiro disco de rock, a garota de Ottawa trazia musicas influenciadas pela cena alternativa e com letras totalmente pessoais, que muitas vezes traziam um toque de rebeldia. Atualmente, Alanis vive um outro momento. Casada, com um filho pequeno, mais reflexiva e mais centrada, parece estar mais feliz. Em seu concerto, mistura faixas marcantes com canções de seu mais recente álbum, Havoc And Bright Lights.

A postura da artista mudou um pouco no decorrer dos anos. Embora mantenha ainda muitas de suas características como perambular de um lado para outro com o cabelo escorrido em cima do rosto e o ritual de recolher o microfone do chão no início do espetáculo, Alanis abusa menos das acrobacias. Como disse, está em uma fase mais centrada e isso reflete em sua performance. Dança menos, gira menos, pula menos. A entrega está mais na interpretação vocal do que corporal.

Em Jagged Little Pill, a moça chocou todos com letras como a de “You Oughta Know” onde mandava um recado ao seu ex-namorado com versos como “An older version of me, Is she perverted like me, Would she go down on you in of theater”. Algo como: “Uma versão minha um pouco mais velha, Ela é pervertida como eu?, Ela seria capaz de te chupar no cinema?”. A razão de tudo isso é porque a garota flagrou seu namorado com outra mulher na cama. A letra era um desabafo. Resolveu cantar tudo aquilo que gostaria de ter dito ao rapaz na ocasião e não teve coragem.

Cantora está mais madura

Porém tudo isso mudou já no disco seguinte, o bom (porém difícil) Supposed Former Infatuation Junkie. Morissette ficou assustada com o sucesso, com todo o assédio e resolveu ir para a India meditar. Segundo revelou em entrevistas, tinha três opções: fazer essa viagem, cair nas drogas ou desistir da carreira artística. Optou pela viagem e desde que retornou dela suas letras ganharam novas conotações. Mais reflexivas, mais poéticas. Esse lado rebelde foi deixado um pouco de lado.

Outra diferença dessa turnê para as primeiras giras é que os arranjos estão com menos experimentações, menos improvisos. Estão mais próximos de seu formato original. Há algumas pequenas diferenças, mas são realmente sutis. A canção que mais sofreu alteração foi o hit “Hand In My Pocket” que ganhou uma roupagem mais acústica. Agora, uma vez que ela já tinha feito releitura acústica das canções de seu mais famoso álbum em 2005, não dá para dizer que seja algo inusitado.

Alanis se apresentou no Brasil nessa tour e para aqueles que, assim como eu, tiveram a oportunidade de conferir esses shows de perto, o vídeo ganha um tom nostálgico. Contando com o mesmo estilo de vestimenta e iluminação, é quase impossível não sentirmos um certo deja-vu ao assistirmos o DVD.

Jagged Little Pill e Havoc And Bright Lights são foco principal

No setlist há canções de quase todos os trabalhos, mas o foco principal é em cima do cultuado Jagged Little Pill e do até então recém-lançado Havoc And Bright Lights.  As que mais se destacaram, na minha opinião, foram “Forgiven” (que estava esperando muito e ela não tocou na noite em que estive presente), “Ironic” e “Uninvited”. Também gostei bastante da tal versão acústica de “Hand In My Pocket”. Assim como aconteceu em nosso país, passeia pela guitarra, pelo violão e pela gaita durante o show.

18 anos depois de atingir o estrelato, Alanis Morissette mostra que ainda tem muita lenha para queimar. Com uma ótima performance vocal e uma boa banda de apoio, passeando entre a poesia e a rebeldia, o velho e o novo, o rock e as baladas, a cantora faz uma apresentação contagiante que certamente irá agradar seus fiéis seguidores.

Nota: 9,0
Status: Excelente!       
                                                                                                    
Tracklist:
     01.   I Remain
     02.   Woman Down
     03.   All I Really Want
     04.   You Learn
     05.   Guardian
     06.   Flinch
     07.   Forgiven
     08.   Hands Clean
     09.   I Remain
     10.   Citizen Of The Planet
     11.   Ironic
     12.   Havoc
     13.   Head Over Feet
     14.   Versions of Violence
     15.   I Remain
     16.   You Oughta Know  
     17.   Numb
     18.   Hand In My Pocket
     19.   Uninvited
     20.   Thank U  

domingo, 12 de janeiro de 2014

Haim – Days Are Gone

por Rafael Menegueti
Haim - Days Are Gone
Três jovens irmãs de Los Angeles, com a música nas veias da família, se juntam e montam uma banda de rock. E acabam virando uma nova sensação mundial. Sei que todos nos já ouvimos falar dessas bandas de irmãos e logo pensam “já vi esse filme”, nomes como o Kings of Leon, Oasis, Beach Boys, Hanson e muitos outros são lembrados. Você pode até ter visto muito disso por aí, mas com certeza você nunca OUVIU algo como isso que eu citarei agora.

Estou falando do Haim, a banda que simplesmente surpreendeu e explodiu em 2013 com seu álbum de estréia, “Days Are Gone”. Formada por Danielle Haim (Vocais, Guitarra), Este Haim (Baixo, Backing vocals) e Alana Haim (Guitarra, teclados), a banda já era uma das mais comentadas antes mesmo do lançamento desse disco. Em 2012 já se ouvia falar nelas como a grande promessa da música. E elas confirmaram as expectativas com seu excelente debut, lançado em setembro passado.

Esqueçam o rotulo de “versão feminina dos Strokes” dado por alguns por aí. Apesar de serem próximas de Julian Casablancas, o som do Haim é bem mais abrangente do que o do Strokes. Trata-se de uma mistura interessante de estilos como o indie rock com o R&B, o pop e o folk norte-americano. Cheio de sintetizadores e com as próprias garotas como compositoras, o disco de estréia impressiona pela simplicidade e pela criatividade das garotas. Faixas com uma instrumentação simples e com cadencia constante fazem do disco uma ótima escolha pra quem quer ouvir algo mais relaxante.

Da esq. para a dir.: Alana, Danielle e Este Haim
Os principais singles da banda, “Falling” e “Forever”, alem da excelente “The Wire”, prendem a atenção do ouvinte a cada ouvida. Por todo o álbum é possível escutar influencias de variados estilos. Surf rock, Hip-hop, eletrônico, aqui encontramos tudo, bem dosado e com arranjos muito bem produzidos. 


A banda vem conquistando cada vez mais espaço no cenário indie com “Days Are Gone”, chegando inclusive ao primeiro lugar nas paradas britânicas e em segundo nos EUA. Por isso elas já são consideradas a grande revelação do pop rock alternativo mundial. Portanto se você gosta de música abrangente e com várias misturas de estilos, vale a pena conferir “Days Are Gone”, e acompanhar os próximos passos das irmãs californianas.

Nota: 8,5/10


Status: Versátil e inovador


Faixas:

1. Falling
2. Forever
3. The Wire
4. If You Could Change Your Mind
5. Honey & I
6. Don't Save Me
7. Days Are Gone
8. My Song 5
9. Go Slow
10. Let Me Go
11. Running If You Call My Name
12. Send Me Down (bônus versão Deluxe)
13. Edge (bônus versão Deluxe)
14. Falling (Remix) (bônus versão Deluxe)
15. Go Slow (Demo) (bônus versão Deluxe)

sábado, 11 de janeiro de 2014

CPM 22: Acústico (2013)



Por Davi Pascale

A MTV se foi (tudo bem, se tornou canal a cabo, mas já caiu praticamente no esquecimento, vamos ser sinceros aqui), mas a moda dos acústicos continua. O mais novo grupo a se aventurar nesse universo são os rapazes do CPM 22.

O formato acústico é um formato que me agrada, mas não é todo mundo que funciona nessa fórmula. Alguns não funcionam porque insistem em tocar as músicas com os mesmos arranjos de sempre trocando as guitarras pelo violão. Quem aposta nisso, quase sempre passa vergonha. O legal desse tipo de projeto é justamente desnudar as canções, ajudar o ouvinte a perceber certas nuances que passam despercebidas no arranjo original. É quando o vocalista também tem a oportunidade de mostrar quão bom ele é. A voz fica muito mais evidente nesse tipo de arranjo.

E aí mora o segundo problema. Se o cara for um músico regular ou ruim, o resultado tende a ser vexaminoso. É mais fácil você perceber que o guitarrista não tem palhetada quando não tem aquele monte de distorção por trás. Grande parte dos conjuntos brasileiros não possui grandes vocalistas. Possuem, simplesmente, um cara que, por algum motivo, funciona na proposta do grupo. E nesse tipo de show, isso também fica em evidência.

O Ex-Charlie Brown Jr., Heitor, agora faz parte da banda

O CPM 22 falha nos dois aspectos. Os caras pegaram musicas de todos os seus discos (que é uma sacada legal), ensaiaram direitinho (o que é sempre importante) e tocaram elas da maneira que foram para os discos. Há pouquíssimas alterações aqui. Uma banda que faz um som mais pesadinho (pelo menos para os padrões FM) tocando elas com violão, sem alterar nada (ou quase nada), fica parecendo mais uma brincadeira entre amigos do que um show esquematizado. Me lembra aquele lance da época de escola: “Chegou o recreio. Vamos pegar o violão e cantar umas musiquinhas com a galera”.

A limitação dos músicos também fica nítida. Principalmente do vocalista Badauí. É verdade que eles nunca fizeram uma apresentação que fosse risível. As performances que vi deles sempre estavam redondinhas. Por outro lado, nunca foram grandes músicos. Eram músicos que funcionavam dentro daquela proposta. Mas como disse antes, um cara limitado, na maior parte das vezes, tira o brilho. É exatamente isso o que acontece aqui. Você não desliga o CD player puto, mas fica aquela sensação de “até que é divertido”. E não mais do que isso. Muito pouco para quem tenta reconquistar espaço na mídia com o novo trabalho.

De novo, trouxeram 4 canções inéditas. E, devo dizer, nenhuma se destaca. Nenhuma tem a chance de se tornar o novo grande hit do CPM. São faixas que variam do razoável para o agradável. Nehuma de falar “nooooossa, que som”! Mais uma vez, muito pouco para quem tenta recuperar seu espaço.

Dinho Ouro Preto é o convidado do show

Até as fórmulas das participações especiais, eles mantiveram. O artista convidado foi o Dinho Ouro Preto. O cara até que se saiu bem. Aliás, o Capital Inicial foi um dos artistas que soube fazer o projeto direitinho. O acústico que eles lançaram em parceria com a extinta MTV (não adianta, para mim se extinguiram) foi fantástico. Dizem que o Rodolfo (exatamente, o atual pastor e ex-Raimundos) foi convidado e não pode participar porque a igreja não permitia. Não sei até onde é verdade, mas ele realmente deve agradecer a Deus. Deveria fazer uma prece diária agradecendo por ter escapado desse mico. É outro cantor que não funcionaria em uma roupagem dessas. E olha que eu sempre gostei do Raimundos, hein... Banda alto astral total. Irreverente, criativa, fizeram bons discos. Mas, grande cantor, nunca foi. Era apenas carismático.

A impressão que fica é que os rapazes tentaram, se esforçaram, mas não chegaram lá. Faltou um produtor. Alguém que tivesse a capacidade de fazer com que os músicos encontrassem o seu caminho. Ficou tudo muito previsível, faltou o elemento surpresa! Espero que eles acertem no próximo projeto. É uma banda bacana, divertida, sem duvidas, mas dessa vez deixou a desejar...

Nota: 5,0
Status: Morno

Tracklist:

01) Não Sei Viver Sem Ter Você
02) Desconfio
03) O Chão Que Ela Pisa
04) Tony Galano (Inédita)
05) Vida Ou Morte
06) Vai Mudar
07) Irreversível
08) Por Nós 3 (Inédita)
09) Tarde de Outubro
10) Sofridos e Excluidos
11) Dias Atras
12) Perdas (Inédita)
13) Sonhos e Planos
14) Nossa Música
15) O Mundo Dá Voltas
16) A Alguns Quilometros de Lugar Nenhum
17) Pra Sempre (Inédita)
18) Um Minuto Para O Fim do Mundo (Participação: Dinho Ouro Preto)
19) CPM 22
20) A Cura
21) 1.000 Motivos
22) Regina Let´s Go