sábado, 11 de janeiro de 2014

CPM 22: Acústico (2013)



Por Davi Pascale

A MTV se foi (tudo bem, se tornou canal a cabo, mas já caiu praticamente no esquecimento, vamos ser sinceros aqui), mas a moda dos acústicos continua. O mais novo grupo a se aventurar nesse universo são os rapazes do CPM 22.

O formato acústico é um formato que me agrada, mas não é todo mundo que funciona nessa fórmula. Alguns não funcionam porque insistem em tocar as músicas com os mesmos arranjos de sempre trocando as guitarras pelo violão. Quem aposta nisso, quase sempre passa vergonha. O legal desse tipo de projeto é justamente desnudar as canções, ajudar o ouvinte a perceber certas nuances que passam despercebidas no arranjo original. É quando o vocalista também tem a oportunidade de mostrar quão bom ele é. A voz fica muito mais evidente nesse tipo de arranjo.

E aí mora o segundo problema. Se o cara for um músico regular ou ruim, o resultado tende a ser vexaminoso. É mais fácil você perceber que o guitarrista não tem palhetada quando não tem aquele monte de distorção por trás. Grande parte dos conjuntos brasileiros não possui grandes vocalistas. Possuem, simplesmente, um cara que, por algum motivo, funciona na proposta do grupo. E nesse tipo de show, isso também fica em evidência.

O Ex-Charlie Brown Jr., Heitor, agora faz parte da banda

O CPM 22 falha nos dois aspectos. Os caras pegaram musicas de todos os seus discos (que é uma sacada legal), ensaiaram direitinho (o que é sempre importante) e tocaram elas da maneira que foram para os discos. Há pouquíssimas alterações aqui. Uma banda que faz um som mais pesadinho (pelo menos para os padrões FM) tocando elas com violão, sem alterar nada (ou quase nada), fica parecendo mais uma brincadeira entre amigos do que um show esquematizado. Me lembra aquele lance da época de escola: “Chegou o recreio. Vamos pegar o violão e cantar umas musiquinhas com a galera”.

A limitação dos músicos também fica nítida. Principalmente do vocalista Badauí. É verdade que eles nunca fizeram uma apresentação que fosse risível. As performances que vi deles sempre estavam redondinhas. Por outro lado, nunca foram grandes músicos. Eram músicos que funcionavam dentro daquela proposta. Mas como disse antes, um cara limitado, na maior parte das vezes, tira o brilho. É exatamente isso o que acontece aqui. Você não desliga o CD player puto, mas fica aquela sensação de “até que é divertido”. E não mais do que isso. Muito pouco para quem tenta reconquistar espaço na mídia com o novo trabalho.

De novo, trouxeram 4 canções inéditas. E, devo dizer, nenhuma se destaca. Nenhuma tem a chance de se tornar o novo grande hit do CPM. São faixas que variam do razoável para o agradável. Nehuma de falar “nooooossa, que som”! Mais uma vez, muito pouco para quem tenta recuperar seu espaço.

Dinho Ouro Preto é o convidado do show

Até as fórmulas das participações especiais, eles mantiveram. O artista convidado foi o Dinho Ouro Preto. O cara até que se saiu bem. Aliás, o Capital Inicial foi um dos artistas que soube fazer o projeto direitinho. O acústico que eles lançaram em parceria com a extinta MTV (não adianta, para mim se extinguiram) foi fantástico. Dizem que o Rodolfo (exatamente, o atual pastor e ex-Raimundos) foi convidado e não pode participar porque a igreja não permitia. Não sei até onde é verdade, mas ele realmente deve agradecer a Deus. Deveria fazer uma prece diária agradecendo por ter escapado desse mico. É outro cantor que não funcionaria em uma roupagem dessas. E olha que eu sempre gostei do Raimundos, hein... Banda alto astral total. Irreverente, criativa, fizeram bons discos. Mas, grande cantor, nunca foi. Era apenas carismático.

A impressão que fica é que os rapazes tentaram, se esforçaram, mas não chegaram lá. Faltou um produtor. Alguém que tivesse a capacidade de fazer com que os músicos encontrassem o seu caminho. Ficou tudo muito previsível, faltou o elemento surpresa! Espero que eles acertem no próximo projeto. É uma banda bacana, divertida, sem duvidas, mas dessa vez deixou a desejar...

Nota: 5,0
Status: Morno

Tracklist:

01) Não Sei Viver Sem Ter Você
02) Desconfio
03) O Chão Que Ela Pisa
04) Tony Galano (Inédita)
05) Vida Ou Morte
06) Vai Mudar
07) Irreversível
08) Por Nós 3 (Inédita)
09) Tarde de Outubro
10) Sofridos e Excluidos
11) Dias Atras
12) Perdas (Inédita)
13) Sonhos e Planos
14) Nossa Música
15) O Mundo Dá Voltas
16) A Alguns Quilometros de Lugar Nenhum
17) Pra Sempre (Inédita)
18) Um Minuto Para O Fim do Mundo (Participação: Dinho Ouro Preto)
19) CPM 22
20) A Cura
21) 1.000 Motivos
22) Regina Let´s Go

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

70 anos de Jimmy Page

por Rafael Menegueti

O gênio da guitarra Jimmy Page
Ontem (09/01) uma das grandes lendas da guitarra e do rock completou 70 anos de vida: Jimmy Page. O lendário guitarrista do Led Zeppelin e do Yardbirds possui um imenso legado na historia da música. Dono de uma técnica inigualável, suas criações influenciaram, e continuam influenciando, inúmeras bandas e guitarristas ao longo dos anos. Qualquer garoto que começa a tocar guitarra logo estará tirando algum clássico do Led Zeppelin, e descobrindo assim um pouco da genialidade de Page.

Natural de Heston, Inglaterra, Page começou sua carreira como músico de estúdio, gravando com vários artistas. Na década de 60, fez parte do grupo Yardbirds, do qual também fez parte outro gênio das seis cordas, Eric Clapton. Após sua saída do grupo, ele fundou o Led Zeppelin (o primeiro nome foi New Yardbirds), em 1968. Com a banda, lançou dez álbuns de estúdio, com uma infinidade de clássicos do rock. Para muitos, é dele o titulo de melhor solo de todos os tempos, na música “Stairway to Heaven”, inconfundível para qualquer ouvido que conheça música.

Após o fim do Led Zeppelin, em 1080, ele ainda gravou vários outros trabalhos, acompanhando outros grandes nomes como David Coverdale (Coverdale Page), Paul Rodgers (The Firm) e a banda Black Crowes. Sem falar nos trabalhos ao lado do ex-companheiro de Zeppelin, Robert Plant, lançados ao longo dos anos.
Page na juventude
Esperamos que ele ainda siga nos presenteando com sua incrível habilidade com a guitarra por muito mais tempo, quem sabe até em uma nova reunião do Led (boatos sempre rolam a respeito disso). Fica aqui a nossa homenagem a mais esse herói da historia do rock.


quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Avenged Sevenfold – Hail to the King

Avenged Sevenfold - Hail to the King

Ok, vamos lá. Avenged Sevenfold. A banda que mais gera brigas e bate-bocas em todo o cenário do heavy metal (talvez até de todo o rock) mundial. Por quê? Simples. Eles são aquele caso “ame ou odeie”. Uma banda que, ao mesmo tempo em que é extremamente elogiada e apontada como o futuro do metal por uns, é insultada, massacrada e tida como copiadora por outros.

Mas, afinal, o que o Avenged Sevenfold fez pra que isso ocorresse? Talvez nem eles mesmos saibam. Conheci a banda por acaso, quando vi um vídeo deles no Youtube, da música “Afterlife”. Na época eles ainda não eram tão famosos como hoje em dia, mas já tinham sua história (e também seus haters). O fato é que, desde que eu conheci o grupo, muita coisa mudou. Eles ficaram mais famosos, mudaram a sonoridade pra algo mais maduro, perderam o baterista The Rev e, com isso, ganharam combustível para compor canções fortes em um disco todo voltado ao trágico episódio (Nightmare, de 2010). Mas depois disso eles precisavam provar que estavam seguido em frente, de cabeça erguida.

Hail to the King chegou às lojas em agosto de 2013. Chegou causando um tremendo alvoroço, em vários sentidos. Pra quem gosta deles foi mais do que positivo. É pesado, bem mais do que qualquer antecessor. Tem riffs extremamente marcantes, com uma pegada clássica de heavy metal. Synyster Gates e Zacky Vengeance continuam com uma perfeita combinação de solos e ritmos. Os vocais de M. Shadows continuam bons, na linha dos outros trabalhos mais recentes. Destaques para a faixa titulo e Doing Time, ambas bem estruturadas. As linhas de bateria são o único ponto mais fraco. Os fãs sentem falta da versatilidade e técnica de The Rev. Arin Ilejay não é ruim, apenas não tem a mesma técnica que o batera original. De resto, o disco não podia ter feito mais jus à evolução que a banda vem demonstrando em seus trabalhos.

E aqueles que não gostam deles vieram logo com os ataques. Antes era o visual, que parecia “emo” (alguém ainda lembra deles?). Agora que eles estão mais maduros e essa conversa de “emos” não cola mais, eles precisavam achar um outro motivo pra pegar no pé dos caras, certo? Pois bem, eles acharam. Agora eles são acusados de tentar copiar outras bandas, mais especificamente o Metallica. Pra eles, “Hail to the King” não passa de uma cópia do “Black Album”, de 1991. Mas o único argumento é de que as musicas “lembram” Sad But True ou Wherever I May Roam.

Lembram? Usar outra banda como referencia não é copiar, chama-se influencia. Não é cópia. Seria se as músicas fossem iguais, mas aqui não é o caso. O único erro do Avenged aqui, talvez tenha sido não inovar. Em matéria do que já se conhece de metal, “Hail to the King” não mostra nenhum novo elemento que possa ser considerado algo inovador e criativo. Mas até que ponto isso é um defeito? Se a intenção deles era fazer um bom disco de metal à moda antiga, eles conseguiram. E isso é o que importa.


Nota: 7/10
Status: Bom pra “banguear”

Faixas:

1. "Shepherd of Fire"
2. "Hail to the King" 
3. "Doing Time"
4. "This Means War" 
5. "Requiem"
6. "Crimson Day"
7. "Heretic"
8. "Coming Home"
9. "Planets"

10. "Acid Rain"

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

O Rock Brasileiro de 1993

Por Davi Pascale

Recentemente, nosso colega Rafael fez uma lista com os álbuns que considera os 5 melhores de 2013. Pensei em fazer uma lista também, mas já havia feito uma com 10 discos para outro blog e, honestamente, pouquíssimos álbuns de 2013 me chamaram a atenção. Então seria muito difícil fazer uma lista diferente. Para não ser repetitivo, fiz diferente. Resolvi escolher 5 álbuns de rock brasileiro que completaram 20 anos em 2013 e que acho que a molecada deveria correr atrás. Daqui, apenas um álbum eu já tinha feito uma matéria grande sobre ele. E também não foi para esse blog, então... Não são necessariamente os 5 melhores daquele ano, simplesmente 5 discos que considero muito bons e acho que vale a pena vocês conhecerem. Simples assim. Confere aí!


Dr. Sin – Dr. Sin



Conheci o trio totalmente por acaso, em 1994. Ao comentar com um amigo que gostava do LP Rosa Branca da Banda Taffo, o cara disparou: “E o que você achou do Dr. Sin?”. Respondi “Quem?”. Ele disse “Dr. Sin. A banda nova do Ivan e do Andria”. Respondi que não conhecia e ele me emprestou um VHS com a apresentação deles no Hollywood Rock 93 e me pediu para reparar no guitarrista. Não sosseguei enquanto não conseguir comprar o disco.

O som que os caras faziam estava muito acima dos padrões brasileiros. Tanto em relação à técnica quanto em relação à composição. No debut, apostavam em um som com bastante influencia de hard rock oitentista. Era um som elaborado para o que se fazia no Brasil na época, mas bem mais simples do que fazem atualmente. O álbum beira a perfeição e ainda é o meu favorito do trio. As canções de destaque ficam por conta de “Stone Cold Dead”, “Howlin´ In The Shadows”, “Valley Of Dreams”, além dos hits “Scream & Shout” e “Emotional Catastrophe”.


Titãs – Titanomaquia



Nesse mesmo ano, foi lançado o primeiro álbum dos Titãs sem o Arnaldo Antunes. Com produção de Jack Endino, o álbum trazia uma sonoridade mais crua, mais agressiva. Já era fã dos Titãs, mas a sonoridade que conseguiram nessa época me impressionou. Sem contar que a banda tinha uma puta atitude no palco. Pena que com o tempo, ambas características se perderam.

Atualmente, os caras entram no palco de roupa social, tocam alegremente e fazem canções pop, sem ter medo de ser feliz. Nessa época, entravam com visual desleixado, se moviam sem parar e as letras eram incômodas. Sem dúvidas, uma das bandas mais criativas do rock nacional. Fizeram alguns dos melhores discos do gênero (Cabeça Dinossauro e Jesus Não Tem Dentes No País Dos Banguelas ainda impressionam). Torço para que voltem a ter a criatividade de antes, mesmo que com outra sonoridade, e deixem esse proposta quadradinha de lado.


Angra – Angel´s Cry



Foi em 1993 também que o Angra lançou seu debut. O vocalista Andre Matos já era conhecido entre os headbangers pelos trabalhos que havia realizado ao lado do Viper. Depois de abandonar o grupo de Pit Passarel para se dedicar à faculdade de música (Andre tem formação em regência), retornou à ativa com o Angra. Assim como o Dr. Sin, os músicos passaram a chamar a atenção pelo domínio que possuíam nos instrumentos. E, assim como o grupo dos irmãos Busic, nos entregou um álbum perfeito (algo que se repetiria no trabalho seguinte, Holy Land).

Era comum, naquela época, as comparações entre os excelentes guitarristas Kiko Loureiro e Edu Ardanuy. O pessoal adorava ficar discutindo sobre quem era o melhor. A realidade é que os dois são fantásticos, mas possuem estilos diferentes. Assim como os grupos também apostavam em sonoridades diferentes. A estréia do Angra trazia bastante influencia do power metal, estilo que estava em evidencia na ocasião. Andre chamava atenção pelo seu alcance vocal e por seu domínio em falsete. Os destaques ficam por conta de “Streets of Tomorrow”, do hit “Time”, além da faixa-título “Angel´s Cry”.


RPM – Paulo Ricardo & RPM


Talvez muitos de vocês achem estranha essa escolha no meio de tantos álbuns pesados, mas não é. Explico! Em 1991, Roberto Medina propôs que o RPM se reunisse para uma apresentação no festival Rock In Rio II, realizada no estádio do Maracanã. Quando ocorreu a primeira edição do festival em 1985, o grupo de Paulo Ricardo estava no auge e ninguém entendeu a ausência do conjunto. A apresentação foi realizada como uma atração solo do vocalista por questões contratuais. O nome RPM pertencia ao tecladista Luiz Schiavon, que não topou se reunir para o show e nem permitiu o uso do nome. Mesmo assim, o show foi bem falado, o que levou o vocalista a querer reestruturar a banda. Dois anos depois, uma nova formação surgia. Sem a presença de Schiavon (que mais uma vez não quis retornar ao conjunto) e sem a presença do baterista P.A. (que preferiu se afastar para evitar inimizades). Depois de muita insistência, o músico cedeu a utilização do nome com a condição de ter uma outra palavra na frente. Daí o motivo de se chamar Paulo Ricardo & RPM.

Esse disco é bem diferente de tudo que você possa querer associar ao RPM e ao Paulo Ricardo. Com teclados encorpados, guitarras cheias de distorção, bateria pesada, o trabalho assustou muito de seus velhos fãs. Enquanto em seu LP de estréia traziam influencia da new wave e do rock progressivo, aqui flertaram sua sonoridade pop como o hard rock e um pouco de grunge. A única característica em comum com seus trabalhos antigos são as letras. Oras com criticas políticas e oras românticas. Eu, particularmente, gosto bastante tanto do trabalho do Paulo Ricardo quanto do RPM. Mas mesmo se você não for fã do rapaz, tente dar uma chance à esse disco. Como disse anteriormente, é bem distinto do resto de sua discografia. Destaques para “Gênese”, “Hora do Brasil”, “Veneno”, “O Fim” e o hit “Pérola”. Há alguns momentos pops que também são interessantes como as faixas “Do Outro Lado” e “Ninfa”. Belo Álbum!


Sepultura – Chaos A.D.



1993 parece ter sido o ano do heavy metal no Brasil. Além das fantásticas estréias do Dr. Sin e do Angra, foi nesse ano que foi lançado o disco que considero o melhor trabalho do Sepultura. Certamente, um marco na historia do grupo e do metal brasileiro. Depois de lançarem os fantásticos Beneath the Remains e Arise, os caras lançaram esse trabalho explosivo. Foram além! Mantiveram a agressividade dos trabalhos anteriores e começaram a apostar em uma sonoridade mais experimental, mais cadenciada. Além de trazer suas primeiras experiências com sonoridades regionais, que seria aprofundado no álbum seguinte.

Muitos consideram Roots a obra-prima do quarteto de Belo Horizonte, mas sempre preferi esse álbum. Faixas como “Slave New World” e “Territory” me impressionaram na primeira vez em que as escutei e continuam me impressionando 20 anos depois. Continuo acompanhando o trabalho dos caras, gosto muito do vocal do Derrick (acho que ele canta melhor do que o Max Cavalera, inclusive) e gosto do trabalho atual, mas ainda estou esperando um trabalho nesse padrão. Tudo bem, fizeram discos fantásticos como Roorback (o meu preferido da fase Derrick) e o Kairos, mas nesse nível nunca mais...

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Rock e Pop de Mãos Dadas


Por Davi Pascale

No ano passado tivemos mais uma edição do Rock In Rio e mais uma vez retornaram os comentários esdrúxulos. Como assim fulano de tal no Rock In Rio? Isso não é rock! Parece que a galera faz questão de esquecer duas coisas: 1) O Rock In Rio sempre foi isso, desde a primeira edição. Em 1985, embora tenha ocorrido shows de gigantes do rock como Iron Maiden, AC/DC, Ozzy Osbourne, Whitesnake, Scorpions e afins, também teve shows do porte de Elba Ramalho, B 52´s, Moraes Moreira, etc etc etc. Embora eu respeite cada um desses artistas, eles não são rock, certo? 2) Musica pop e rock n roll, muitas vezes, andam  de mãos dadas. E esse é o assunto do tópico de hoje.

Outros assuntos que renderam nos últimos tempos foram: a participação da cantora Kesha no ultimo disco do Alice Cooper e os boatos de que a Lady Gaga poderia gravar uma música com o Kiss. Os mais jovenzinhos podem reclamar por desconhecer um pouco a historia (o que nesse caso, é normal, ninguém nasce sabendo). Os mais velhos, entretanto, parece que reclamam só para poderem se passar por críticos musicais. Porque, honestamente, essa história não é de hoje. Seja por camaradagem, seja por admiração ou ainda por uma tentativa de conquistar um novo publico, a verdade é que os músicos não tendem a ter todo esse temor que os fãs possuem.

Grupo Kiss junto com a cantora Lady Gaga

Por exemplo, na década de 80, o LP Thriller do Michael Jackson foi uma febre. O álbum atingiu a impressionante marca de 80.000.000 de cópias vendidas. Os jovens tentavam imitar seus passos. As garotas gritavam por ele. E os roqueiros se renderam a ele. São vários cruzamentos do Michael Jackson com o universo rock. Nesse LP em questão, por exemplo, tiveram 3 musicas que foram executadas à exaustão nas rádios: “Thriller”, “Billie Jean” e “Beat It”. Essa ultima, tem um solo de guitarra marcante que foi gravado por ninguém mais, ninguém menos do que Eddie Van Halen. Outro famoso guitarrista do rock que chegou a gravar com o Rei do Pop foi o Slash (que naquele tempo fazia parte do Guns n Roses). Isso sem contar na versão que Michael fez de Come Together (Beatles), dos duetos realizados com Paul McCartney e sem contar também que foi ele quem descobriu a cantora Sheryl Crow, que fez muito sucesso na década de 90. Para quem não sabe, ela foi backing vocal na turnê do Bad.

Outro famoso e influente guitarrista que chegou a gravar com uma artista pop foi o Lenny Kravitz. Nesse caso, ele não apenas participou das gravações como compôs a música “Justify My Love” para o álbum Immaculate Collection da Madonna. Já ocorreu o contrário também. De um artista pop escrever para um artista de rock. O cantor Bryan Adams participou do processo de composição de “War Machine” do Kiss, lançada no Creatures of the Night, considerado um dos álbuns mais pesados dos mascarados.

Lenny Kravitz já escreveu música para a Madonna

Já ocorreu ainda de um artista pop se tornar uma estrela do rock. Alanis Morissette é um exemplo. Antes de conquistar o mundo com um disco fortemente influenciado pelo rock alternativo, o cultuado Jagged Little Pill, ela chegou a lançar no Canadá dois trabalhos (já utilizando o nome que a tornaria famosa) que era um pop dançante no melhor estilo Paula Abdul, com direito a coreografias e tudo mais. Billy Idol, vocalista da banda punk Generation X, conquistou as rádios na década de 80 com canções pop como “Eyes Without a Face” e “The Cradle of Love”.

Sem contar nos covers. A cantora colombiana Shakira já gravou “Back In Black” (AC/DC), “Nothing Else Matters” (Metallica) e cantou “Dude (Looks Like a Lady)” (Aerosmith) na frente do grupo original. Ricky Martin chegou a gravar “Day Tripper” (Beatles). O inverso também já ocorreu. Gamma Ray gravou “It´s A Sin” (Pet Shop Boys), Jeff Scott Soto fez uma versão de “Frozen” (Madonna). Sem contar, no recém lançado tributo ao Michael Jackson com um cast formado apenas com artistas do universo heavy metal.

Shakira cantou em show em homenagem ao Aerosmith

Outro dado interessante é que o Rock In Rio I, tão cultuado entre os amantes de som pesado, só aconteceu porque havia uma cena de rock expressiva se iniciando no país naquele momento. Foi o sucesso de grupos como Blitz, Kid Abelha e Barão Vermelho que levou Roberto Medina a acreditar que havia público para aquele tipo de evento no Brasil. Reparem que 2 dos 3 nomes citados tem um pé na musica pop. E foi esse evento que trouxe pela primeira vez ao Brasil alguns dos grandes nomes do metal.


Tudo isso serve para demonstrar de uma vez por todas que o rock n roll e o pop andam, sim, de mãos dadas. Esses exemplos que citei aqui são apenas alguns de centenas de casos ocorridos. É, meus amigos, artista não dá importância para rótulo. Portanto, cuidado na hora de tirar sarro do seu amigo roqueiro que tem discos pop em casa. E cuidado na hora de tirar sarro sobre a escalação de algum artista em um próximo megafestival. Afinal, ele poder ser o próximo parceiro de um de nossos ídolos... 

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

30 anos de Ride The Lightning do Metallica

por Rafael Menegueti

Em 2014 completam-se 30 anos do lançamento do segundo disco do Metallica, o excepcional “Ride The Lightning”. Particularmente o meu álbum favorito da banda (e sei que de muitos outros fãs também), ele foi gravado entre fevereiro e março daquele ano no Sweet Silence Studios, na Dinamarca. O disco chegou as lojas no dia 27 de julho de 1984 e hoje figura entre os 200 albuns essenciais do Rock n’Roll Hall of Fame.

O nome e a capa do disco são uma referencia a uma gíria de presidiários para os condenados à morte. A cadeira elétrica rodeada por raios da capa se tornou uma das imagens mais famosas da banda, e estampa de muitas camisetas. O influente disco ainda tem o extra de ser o ultimo a contar com Dave Mustaine nos créditos das canções, mais especificamente a faixa título e a instrumental “Call of ktulu”.

Os três singles lançados desse disco são grandes sucessos da banda. “Creeping Death” é a música que a banda comumente usa para abrir suas apresentações. “Fade to Black” é uma das melhores baladas do thrash metal (embora em certos momentos ela não seja tão balada assim), e “For Whom The Bell Tolls” atrai um dos maiores coros entre os fãs durante os shows.

O disco ainda faz parte do que os fãs consideram a grande tríade da banda, ao lado da estréia “Kill ‘Em All” e de “Master of Puppets”. Os três álbuns que contam com o ilustre e saudoso baixista Cliff Burton, um dos melhores da historia do metal, e que teve grande participação na criação desses discos. Em “Ride The Lightning” ele simplesmente participou da composição de seis faixas, entre elas os singles.

O Metallica em foto da época
O disco é ainda mais pesado do que seu antecessor, mostra uma banda mais técnica, que sabe o que faz com os instrumentos. Com esse trabalho o Metallica definitivamente se firmou entre as grandes bandas dos anos 80 e começou a mostrar porque seria uma das maiores do mundo. Foi uma das peças essenciais do que viria a ser a explosão do thrash metal em escala mundial naquela década, ao lado de outras grandes bandas como Slayer, Exodus, Anthrax e o Megadeth, do chutado Dave Mustaine.

Por isso esse disco é presença mais do que essencial na coleção dos fãs de metal. Quem não conhece esse trabalho definitivamente está atrasado. Se o Metallica virou o que é hoje, isso não é apenas por conta do sucesso do excelente álbum homônimo, também conhecido como “Black Album”, de 1991. é também porque existiram álbuns antecessores tão ou até mais marcantes do que esse, e “Ride The Lightning” com certeza merece a idolatração que os fãs do Metallica demonstram por ele.

domingo, 5 de janeiro de 2014

Banda Certa, Vocalista Errado


Por Davi Pascale
 
Troca de vocalistas nem sempre é uma tarefa fácil. Há algumas vezes que funciona. Alguns exemplos? As melhores fases do Deep Purple são com Ian Gillan e David Coverdale. Nenhum dos dois é original. Stratovarius só se destacou com a entrada de Kotipelto. Helloween despontou com Michael Kiske e Andi Deris, ainda que seu primeiro álbum fosse com Kai Hansen. Mas também há casos que a coisa não vai para frente. Resolvi relembrar os 3 mais marcantes. Confere aí...

Blaze Bayley
Cantor bem que tentou, mas não funcionou!

Os fãs do Iron Maiden encaram a banda quase como se fosse uma religião. Criticar um disco do conjunto é, literalmente, começar uma guerra. Seus admiradores conhecem não apenas as letras, mas as histórias delas. Conhecem cada solo, cada acorde. Substituir alguém em um grupo assim não é tarefa fácil. Ainda mais quando esse alguém atende pelo nome de Bruce Dickinson, um dos vocalistas mais venerados da história do heavy metal.
E Blaze Bayley teve que encarar essa guerra. Tem meu respeito por isso. Agora... verdade seja dita, seu trabalho no Iron Maiden deixou a desejar. E muito! Seu estilo não combina com o estilo da ‘donzela’. Com um timbre grave e de baixo alcance, poderia ser uma ótima escolha para um grupo como o Danzig, mas nunca para um Maiden. Sejamos francos, o cara não é ruim. Simplesmente não era o cara certo para o cargo. Seus trabalhos fora do grupo de Steve Harris – seja no Wolfsbane, no projeto Blaze ou em sua carreira solo – são bons. Mas no Maiden, não funcionava, nem em estúdio, nem ao vivo.
Hás os mais fanáticos que insistem em enaltecer o The X Factor. Infelizmente, não concordo. O grupo soou descaracterizado, com um ar sombrio, melancólico. Há alguns bons momentos como a faixa “Sign Of The Cross”, mas é um trabalho maçante. Virtual XI já foi artificial demais. Ao vivo, a coisa piorava. Sua presença de palco, de cara fechada e fazendo movimentos bruscos, não tinha nada a ver com a imagem da banda. Sua voz não tinha o alcance necessário para cantar as músicas da fase do Bruce, ou seja, 80% do repertório. Tive a oportunidade de assisti-los no Monsters of Rock de 1996, no lançamento do X Factor e não gostei da performance do rapaz. Escolha infeliz!

Anette Olzon
Anette fez um bom trabalho, mas fãs não compreenderam
Guardada às devidas proporções, o fanatismo que os fãs do Iron têm pelo Bruce, os seguidores do Nightwish têm pela Tarja. Assim como aconteceu com o Bruce, embora não seja a responsável pela decisão da banda (no caso do Maiden, isso fica a cargo de Steve Harris enquanto no Nightwish fica a cargo do Tuomas Holopainen), foi ela quem trouxe fama para a banda. Hoje pode ser comum vocal soprano em uma banda heavy, mas naquela época não era. Havia alguns grupos antes deles que trabalhavam com esse estilo vocal em determinados momentos, mas nunca 100% do tempo. E nenhuma dessas vocalistas tinha o alcance de Tarja Turunen – que além de cantar muito, era lindíssima. Daí, já viu! 
Tarja foi expulsa do grupo. Aliás, a meu ver, de uma maneira covarde. Os caras a tiraram através de uma carta. Custava chamar a garota para conversar? Desde sua saída, os músicos disseram que estavam atrás de uma cantora que combinasse com o grupo, mas que não era necessário ter o mesmo estilo de cantar. E assim foi... Anette Olzon realmente tinha outro approach. Cantava com a voz limpa, abusava menos dos vocalizes e não tinha domínio lírico. Estava muito mais para Amy Lee do que para Tarja Turunen. E isso assustou os fãs.
Tendo outra formação, assim como Blaze, ela trouxe uma nova postura. Nesse caso, mais alegre. Dizem que deixou o som mais comercial. Tenho um pé atrás. Nos últimos discos da fase Tarja, já tinham canções mais pop como “Nemo”, por exemplo. Entretanto, ao contrario de Blaze, seu estilo funcionou. Seu timbre de voz casou bem com a proposta da banda e ela conhecia bem seus limites. Ou seja, não ficava cantando nota que não atingia e não cantava as músicas que não combinavam com a interpretação dela. Era mais profissional. Gravaram dois álbuns ao lado dela: o excelente Dark Passion Play e o bom Imaginarium. Tive a oportunidade de assistir a passagem do Nightwish pelo Brasil cm Anette nos vocais e gostei bastante da sua performance. Para quem não conhece, vale a pena dar uma checada...

Gary Cherone
Escolha equivocada dos irmãos Van Halen

Assim como o Nightwish, quando foram atrás de seu terceiro vocalista, o Van Halen resolveu apostar em alguém com estilo diferente. E mais uma vez, não tinha o mesmo alcance de seu antecessor. Isso poderia até não ser um grande problema se focassem o setlist na fase (genial) do Dave Lee Roth. O cantor original gravou verdadeiros clássicos, era um excelente showman, cantava bem, mas nunca fez um trabalho vocal abusando de técnica. E também não tinha uma extensão vocal que fosse impressionante. Seria a saída ideal, mas ao invés disso, os músicos ficaram defendendo erroneamente que Gary havia evoluído muito, que havia se tornado um grande vocalista. Quando insistia em cantar musicas como “Right Now”, o resultado era risível.
Quem acompanhou seu grupo anterior, o Extreme, sabia que Cherone tinha carisma, tinha uma boa presença de palco, mas não tinha uma grande voz. Na época, o grande destaque era o guitarrista Nuno Bittencourt que deixava todos de boca aberta com sua técnica e sua criatividade, mesmo sendo bem jovem. Quem assistiu a passagem deles pelo Brasil no festival Hollywood Rock, sabia o quão fraco ele era ao vivo. Portanto, não dava para entender como que uma banda tão experiente apostava em Gary Cherone como possível substituto de Sammy Hagar que, ao contrario do cantor original, chamava atenção por sua extensão vocal.
Para piorar a situação, a decepção não vinha apenas nas apresentações, mas também no disco. III, que recebeu esse nome por ser o inicio de uma então terceira fase , é o pior disco da carreira do Van Halen. Além de conter uma fraca performance de Gary, o CD não tem nenhuma musica memorável. Esses resolveram em não apostar em um segundo CD com Cherone. Ainda bem... O rapaz se sai bem melhor ao lado do grupo que o fez famoso e a banda se sai bem melhor sem ele. Não há dúvidas!